terça-feira, 8 de dezembro de 2009

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E VAMPIROS

Capítulo III

SOL DO MEIO DIA

“O amigo na hora certa, é o sol ao meio dia,
estrela na escuridão”
(Pe. Roque Schneider)


Joanna ouvira a conversa, disfarçadamente, atrás da porta do banheiro.

Osvandir, um pouco abalado pelo fato, informou a garota de tudo que se passara no sítio do senhor Zezito. A perda das cabras, o fato estranho de estarem sem nenhuma gota de sangue. Aquela história abalou profundamente o nosso jovem.

O sol do meio dia estava mesmo de “estourar mamona”, como dizem por aqui. Joanna, estava na cozinha preparando o almoço. O rapaz, no quarto, procurava algum vestígio, qualquer coisa que pudesse explicar os estranhos fatos que vinham ocorrendo desde a chegada dos dois aquele local.

Tirou as cobertas, sacudiu os travesseiros, olhou debaixo da cama. Nada. Tudo estava normal como antes. Olhou pela janela e viu uma cerca de arame com qualquer coisa balançando ao vento.

Aproximou-se e viu apenas uma mecha de cabelo bem comprido. Deveria ser dos animais que por ali transitam. Não deu a menor importância para aquilo.

Voltou pelos fundos e notou que a porta da cozinha estava aberta. Mas o que significaria isso? Praticamente nada! Perguntou para Joanna se ela havia saído pela porta da cozinha, ela respondeu que não precisou, pois todos os alimentos estavam na despensa.

Olhou para o chão e notou uma pegada parecida com as de cachorro.
Mediu o tamanho e assustou-se, mais de um palmo de comprimento, deveria ser um grande animal.

Seguiu-as e foi dar ao banheiro. Na banheira tinha vestígios de cabelos e barro. Pode notar até um pequeno pingo de sangue na borda da pia.

Perguntou para Joanna o que significava aquilo, ela disse tratar-se de barro de seus pés ao pegar o frango no quintal e o sangue disse que foi lavar as mãos após matá-lo na cozinha.

Caso encerrado, por hora, Osvandir ficou mais tranqüilo.

No outro dia, novamente o Senhor Zezito, apavorado, bateu na porta.

Ao abri-la, o cidadão foi logo entrando e dizendo:

__ Olha Osvandir, ontem foi mais uma cabrita, desta vez ficou toda destroçada. O animal comeu parte da carne do quarto traseiro. A garganta estava com umas três mordidas e o sangue ainda escorria dela.

__ Então Zezito, hoje a história está diferente de ontem. Tem sangue e o animal predador comeu parte da vítima.
__ É, ontem não tinha sangue nenhum na cabrita, enquanto que hoje tinha muito sangue... – falou, nervoso o sitiante.
__ Podemos deduzir que se trata de dois animais diferentes que estão atacando seus animais, vou investigar os casos e apresentarei uma possível solução, ainda hoje, - disse Osvandir.

Foi até o sítio do senhor Zezito para verificar os animais atacados. Achou uma cabra completamente sem sangue e outra toda destroçada. Na primeira notou apenas dois buracos no pescoço. Na segunda, sinal de caninos grandes por todo corpo da cabra.

Mais tarde, pensando bem, chegou a seguinte conclusão: O primeiro animal que sugava o sangue seria um vampiro, o segundo poderia ser qualquer animal, mas a maneira de atacar a garganta da cabra impressionou Osvandir.

__ Senhor Zezito, Vampiros sugam o sangue; lobisomem ataca, mata e come. No segundo caso, o desta noite, poderia ser qualquer animal carnívoro. Apenas uma pequena observação: olhe aqui ó, - Osvandir mostrou com o dedo indicador – um sinal perfeito de dois dentes caninos bem grandes. Dificilmente encontraríamos lobos com arcada dentária tão especial. Os lobos andam em matilhas, costumam viver em grupos organizados hierarquicamente. Já o lobisomem é solitário, caça sozinho. Se fossem lobos, sobraria apenas a ossada da cabra. Como sobrou muita carne, podemos deduzir que se trata mesmo de lobisomem.

__ Deus do céu, como pode ser uma coisa dessas aqui nestas redondezas? - Quase gritou Zezito. - E o primeiro caso?

__ Não vamos nos apressar, mas posso adiantar que quem suga só o sangue são os morcegos e vampiros. Estou analisando umas coisas que encontrei por aí, na mata, volto a conversar com você.

Quando está para sair, a mulher do sitiante resolveu entrar na conversa:
__ Já vi falar que lobisomem pode ser o filho de compadre com comadre...
__ Sim, em alguns locais do Brasil existe esta crença.
__ Osvandir, - chamou Dona Maria Rita, - a esposa de Zezito, venha até aqui tomar um cafezinho, na cozinha.

Enquanto isso D.Maria mandou Zezito buscar algumas verduras na horta. Era um pretexto, queria conversar, a sós, com Osvandir.

__ Olha Osvandir, o meu marido é filho de compadre Antônio com comadre Zélia...
__ Pode ficar tranquila que vou observar bem esta noite. Amanhã eu volto aqui para a gente conversar. E você fique de olho no seu marido.

MANOEL AMARAL
Participem de nossa ANTOLOGIA DE PROSA E POESIA clic na tag Antologia ou passe um e-mail para manoel.amaral@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário