domingo, 13 de dezembro de 2009

OSVANDIR, LOBISOMENS E VAMPIROS IV

Capítulo IV

ANOITECER

"Aquele que o amanhecer vê orgulhoso,
o anoitecer vê prostrado."
(Sêneca )

Osvandir notou que Joanna sempre arranjava uma maneira de fugir da casa por algumas horas. Dezoito horas ela saía e dizia que iria meditar um pouco, no meio da floresta.

Achava aquilo meio esquisito mas não comentava nada. Agora mediante os fatos que estavam acontecendo, resolveu segui-la. Ela virou a esquerda numa encruzilhada, desceu uma grota e agachou-se atrás de uma moita. Osvandir ficou até pensando outras coisas. Porque será que ela não fazia as necessidades fisiológicas em casa?

Estava completamente enganado, do outro lado do caminho um servo pastava distraidamente sobre a ravina. Observou por alguns minutos e só viu um vulto subir e descer sobre o pobre animal. Olhou atrás da moita e não viu Joanna. Correu em direção a vítima, não viu mais nada, somente o animalzinho estirado no chão. Olhou o seu pescoço e apenas dois pequenos furos foi encontrado. Correu, correu. Chegou em casa e lá estava sua namorada lavando louça.

Não entendeu bem os fatos. Teria visto uma miragem? Ou tudo aquilo não estava acontecendo de verdade? Beliscou o braço direito e sentiu dor, era real.

Anoiteceu, tentou ler um livro a luz de velas, não conseguiu. Pegou o MP5 ouviu algumas músicas, o rádio não estava funcionando, daí há pouco sentiu uma rajada de vento vindo da janela do quarto. Olhou para o mato e não viu nada.

Abriu um site especializado em Lobisomem e Vampiros, de Bruno Vox, no seu notebook e lá estava: “Com os nomes de "Versipélio dos Romanos, é o Licantropo dos Gregos, o Volkodlák dos eslavos, o Werwolf dos saxões, o Wahrwolf dos germanos, o Óboroten dos russos, o Hamtammr dos nósdicos, o Loup-garou dos franceses, o Lobisomem da Península Ibérica e da América Central e do Sul, com suas modificações fáceis de Lubiszon, Lobisomem, Lubishome..., é, sempre, a crença na metamorfose humana em lobo, por um castigo divino.”

A diferença entre vampiro e lobisomem sabia bem: “o lobisomem surge sob a forma de um lobo gigantesco que se desloca quer sobre as 4 patas, quer como um bípede extremamente peludo que conserva traços humanos, embora particularmente repulsivos, e garras nas mãos. Em qualquer das formas, rasga as gargantas das vítimas, cuja carne devora em seguida, uma verdadeira máquina de matar.”

“Como são amaldiçoados, os vampiros não entram nas igrejas e nem tocam em símbolos religiosos, vivem em grupos. Eles conseguem assimilar melhor as mudanças que ocorrem no decorrer dos anos, porém os lobisomens são menos adaptáveis, por causa de seu instinto.” Completava aquela descrição na página da internet.

O vampiro é como um morcego gigante, alimenta-se de sangue e não come a carne do animal.
No outro dia, bem cedinho, procurou Dona Maria Rita e quis saber como passara a noite.

__ Caro ufólogo e estudioso de coisa estranhas, o meu marido dormiu como um porco velho. Roncou muito, mas não saiu da cama. Vamos ver as cabras, enquanto ele ainda está na cama.

Chegaram ao pequeno curral e contaram os animais, não faltava nenhum.

Na volta para casa Osvandir encontrou dois homens que seguiam apressados para o outro lado da floresta. Quis saber por que a pressa.

__ Vamos ver um estranho animal que foi aprisionado, no mato, na noite anterior pelo fazendeiro vizinho.
__ Posso acompanhá-los?
__ Claro! De onde vem? – Perguntaram os dois homens que fumavam sem parar, demonstrando nervosismo.
__ Estou passando uns dias naquela velha cabana ali ao lado do lago.
Seguiram para o local e ao aproximarem deram com um enorme lobo, com umas garras compridas e olhos esbugalhados.

Seria mesmo um lobo? Osvandir ficou na dúvida.

Voltou para cabana, as malas já estavam prontas. Deveriam voltar naquele mesmo dia para a cidade. Joanna já estava apreensiva, com um rápido beijo na boca, perguntou:
__ Onde andava, meu querido?
__ Fui até o sítio vizinho conversar com dona Maria Rita, esposa do senhor Zezito, sobre alguns animais.

Na volta para cidade, fez uma pequena parada na casa do sitiante e informou da captura do animal pelo seu vizinho. Estava assim, parcialmente resolvido o mistério dos ataques aos animais.
Dias depois Osvandir recebeu de seu Zezito um telefonema informando que os ataques a animais acabaram.
No dia seguinte um jornal sensacionalista informou em manchete de primeira página: “Banco de Sangue foi assaltado”.

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