quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

OSVANDIR GANHOU NA MEGA-SENA DA VIRADA

Duas pulgas conversando:
— O que você faria se ganhasse na Mega-Sena da Virada?
A amiga responde, com ar de sonhadora:
— Ah... Eu compraria um cachorro só pra mim!


Osvandir começou a comprar os bilhetes da Mega-Sena da Virada, desde o dia 15 de dezembro.

Tudo parecia que dar certo. Jogou nas dezenas: 10, 20, 30, 40, 50 e 60. Sabia que muita gente iria fazer isso, não importava, se ganhassem todos seriam felizes.

Marcou um cartão com um jogo sonhado, outro por pura intuição e um outro de acordo com as idades dos sobrinhos e pais.

Remexeu no bolso ainda sobrara alguns reais; fez mais dois jogos diferentes, marcou os extremos e centro do cartão: 01, 10 – 51 e 60, além de ir para o 25 e 36, depois repetiu os mesmos números dos extremos em outro cartão, alterando somente os números do centro passando para 26 e 35.

Jogou um cartão com os números do seriado da TV, LOST: 4, 8, 15, 16, 23 e 42. Fez outra seqüência com estes números: 48, 41, 51, 52, 34 e 26. Jogou também, como não poderia faltar, nos números derivados de 2009 e 2010: 20, 09, 21, 10, 22, 01.

As datas de nascimento da família, da namorada, tudo serviu para palpite de jogo.

O número da casa, do telefone, do celular e assim por diante.

Agora era só esperar. O dia 31 de dezembro chegou, 20 horas seria o sorteio. O tempo não passava, a aflição era muito grande.

Andou pra lá e pra cá dentro de casa, não deu. Resolveu fazer uma caminhada para relaxar. Passou na porta da Casa Lotérica, antes das 14 horas e a fila era enorme. Pensou: __ Ainda bem que fiz meu jogo por antecipação. Foi um cartão por dia, até ontem.

Aproximando-se das 17 horas e a TV a todo instante fazia chamadas dizendo o valor do prêmio, cerca de R$140.000.000,00 (cento e quarenta milhões de reais), só de juros, na poupança, daria mais de R$500.000,00 mensais. O que fazer com tanto dinheiro?

Começou a pensar: __ Primeiro sumiria por uns dois meses, para fugir da mídia, iria pescar no Pantanal e viajar para Itália a fim de conhecer os antepassados da família Nicolai.
Tentou tomar um cafezinho, a mão tremeu, o café caiu na camisa branca da virada do Ano Novo. Nem importou, o seu sentido estava no resultado da Loteria.

Não enxergava mais nada, uma tinta preta escorrera dentro de seu cérebro, por entre os neurônios, apagando tudo. Os seus pensamentos eram apenas uma fumaça negra. Tentou usar o computador e não conseguiu nada.

Foi ver alguns filmes na Sky, não conseguiu. Nem a Play Boy atraiu a sua atenção.

O tempo não passava, os segundos eram horas; os minutos dias e as horas meses. Tudo arrastando numa lentidão sem fim.

Os foguetes começaram a estourar, não sei se pela Mega-Sena ou pela passagem de ano. 2010 seria muito bom para todos, número par, final de zero, somando três e com dois números iguais. Este seria mesmo um ano de sucesso para muitos.

Pegou os bilhetes, ficou olhando-os, aqueles números cresciam, viravam miragens, castelos de areia.

Chegou a hora, saiu, agora eletronicamente, o primeiro número: houve um acerto. O segundo: também acertou. O coração estava saindo pela boca. Saiu o terceiro número e houve na sala borbulhar, havia acertado!

Uma pequena pausa no sorteio, para acalmar os jogadores e aumentar o suspense. O Ibope da TV foi as alturas. A internet ficou totalmente congestionada. Foi sorteado o quarto, nem precisava dizer, ele acertou.

Começou a passar mal, as pernas amoleceram, ficou vermelho que nem um peru. A quinta bolinha desceu correndo pela tubulação transparente da máquina eletrônica e caiu naquela mesinha. Apareceu na tela da TV e ele acertou.

O sexto número fez a mesma trajetória e a máquina vomitou-o naquela mesa transparente. Houve um hôôô!!! A bolinha quase caiu no chão de tanta emoção dos que extraiam da máquina aquele resultado.

Daí em diante, na TV, nos Rádios e as conversas nas ruas, só falavam naquilo. Muitos milhões nos bolsos de alguns e outros a ver navios.

Manoel Amaral

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A MULHER DE BRANCO DE OURO PRETO

O baile estava muito animado, corria o ano de 1999, Osvandir resolvera passar as férias naquela belíssima cidade de Ouro Preto.

Uma linda garota aproximou-se de sua mesa e uma conversa foi iniciada:

__ De onde você vem? – Quis saber a garota.
__ Sou do Centro-Oeste de Minas. – Respondeu Osvandir, já meio entusiasmado.
__ E você, é daqui mesmo ou de outra cidade?
__ Sou de uma cidadezinha do interior. Moro no Internato há alguns anos.

Beberam muito, dançaram bastante e na hora de ir embora, como estava fazendo muito frio, Osvandir cobriu aqueles ombros desnudos da jovem, que usava um longo vestido branco, com o seu blusão.

Seguiram de carro até as proximidades da Capela de Nossa Senhora das Dores, aí ela disse:
__ Moro por aqui...
__ Você já vai descer, não quer conversar mais?
__ Preciso entrar antes do amanhecer, já é muito tarde, depois conversamos mais.

Osvandir nem sabia o nome dela, correu atrás e perguntou:
__ Como é o seu nome? – Ela já sumia na esquina daqueles velhos casarões da rua, mas respondeu:
__ Meu nome é Maria Cândida.

Uma lufada de vento, de arrepiar, atravessou a rua e levantou os seus cabelos. Sentiu um clima de terror. Tudo por ali tão estranho.
Pensou: __ Amanhã volto para conhecê-la melhor.

No outro dia voltou, procurou informar-se sobre um internato para mulheres. Encontrou um, próximo a linda igreja barroca. Foi até a secretaria e perguntou sobre Maria Cândida.

Consultaram a listagem de internos e não encontraram nenhuma Maria Cândida. Aí perguntaram:
__ Ela estava de branco?

O medo percorreu a espinha dorsal de Osvandir, mas mesmo assim respondeu:
__ Sim, ela estava de branco, por quê?
__ Você não sabe? É a famosa Mulher de Branco, faleceu há muitos anos. Poderá comprovar o que digo, veja no cemitério ao lado da igreja, a sua tumba.

Ao sair daquele local, Osvandir foi visitar o cemitério indicado. Procurou muito, mas lá no canto direito, num velho túmulo estava escrito na lápide:
Maria Cândida, nascida em 1800 e falecida em 1823.

E seu blusão? Que fim levou?
Ao chegar ao Hotel uma secretária entregou-lhe o blusão dizendo que uma linda jovem, de branco, dissera que era para entregar para você.

Foi aí que Osvandir passou acreditar na lenda da Mulher de Branco de Ouro Preto.

MANOEL AMARAL

sábado, 19 de dezembro de 2009

OSVANDIR E O MISTÉRIO DA LUZ ESPIRALADA

Esta semana, a cor azul está tomando conta dos casos. Veio a pedra azul que caiu do céu e esta gigantesca espiral luminosa pairando sobre a Noruega.

Laser não pode ser, festa lá não tinha. Era um lugar ermo. Um fenômeno misterioso. Lindo de se ver mas deixou a todos assustados.

Um meteoro? Uma bola de fogo? Um UFO? Ninguém sabe ao certo!

Alguns cientistas dizem que tratava de um rastro de um foguete russo. Já fizeram muitas experiências e entendem do assunto, mas a Rússia negou que esteja fazendo testes com foguetes naquela área.

No entanto a Marinha Russa disse que estaria mesmo fazendo experiência naquele local e deve ser o lançamento de um foguete que não deu muito certo.

Osvandir lembrou de seu tempo de criança, lá do no Estado de Goiás, quando soltava busca-pé. Se alguém quebrasse um pedaço da cauda (varinha de bambu), ele girava no espaço, que nem a figura formada das fotos da Noruega.

Não é a primeira vês que este tipo de imagem aparece no céu, mas com esta beleza e registrada por câmaras possantes, é difícil de encontrar.

Cientistas do mundo inteiro quiseram dar os seus palpites e muitos informaram que não se tratava de uma aurora.

O mais interessante é que de seu centro partiu um raio azulado em direção a terra.

Poderia até ser um tipo de experiência, para um novo filme 2012!
Os adeptos de filmes apelidaram o fenômeno de “Star Gate”, quem sabe poderia ser um buraco negro?

Seria um fireball, bola de fogo, ou explosão nuclear?
Pode tratar-se de um novo fenômeno celeste. Um aviso?

Vamos deixar de brincadeira que a coisa é séria. Se a Marinha Russa confirmou que esteve fazendo experiência no local, quem sabe possa até ser aqueles tipos de escudo invisível para abater foguetes inimigos?

Para Osvandir aquilo foi apenas um redemoinho de luz, mas que beleza! Parecia até um daqueles que aparecem no mar.

MANOEL AMARAL

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

OSVANDIR E O ATAQUE

“Um Cavalo-de-Tróia do ransonware invade seu PC e
compacta todo o conteúdo da pasta “Meus Documentos”
para um arquivo protegido por senha.”
(Fernando Mellis)


Estávamos numa sexta-feira, véspera de um feriadão, pois na terça seria dia-santo, então ninguém iria trabalhar na segunda, ficando tudo paralisado até quarta-feira.

Osvandir chegou de uma de suas viagens na quarta de manhã. Ao consultar a sua caixa de e-mail, verificou uma mensagem meio esquisita.

Exigiam um determinado valor para liberar arquivos do Windows, com extensão .DOC.

Indicavam a conta onde deveriam ser depositado o tal valor.

Osvandir lembrou que uma semana antes havia aberto, por acidente, um e-mail com anexo de extensão .EXE.

A primeira coisa que lhe veio à mente foi verificar os arquivos com as suas histórias, que iniciam sempre com o seu nome.

A decepção foi muito grande! Não encontrou nenhum arquivo, nas pastas, e nem na listagem normal da abertura de MEUS DOCUMENTOS. Olhou no Desktop, nada! Nenhum arquivo com início da palavra Osvandir. Ficou apreensivo! Todas as suas histórias foram retiradas dos arquivos do computador, bem como outras que tinha relação com tais documentos.

Ligou para um de seus amigos e fez a exposição do problema. Ele respondeu:
__ Pode ser um CAVALO-DE-TRÓIA, instalado inadvertidamente em seu computador. Ele compacta todo o conteúdo da pasta “Meus Documentos” para um arquivo protegido por senha, caro amigo.

__ O que poderemos fazer? - perguntou aflito Osvandir.

__ Primeiro alguns conselhos: Jamais abra arquivos com anexos e nem rode executáveis, se não conhecer bem quem é o remetente. Todo cuidado é pouco em fim de ano, quando recebemos Cartões de Natal, solicitação de nova amizade, faturas falsas, e-mails de bancos (eles não enviam e-mails para ninguém), ofertas de jóias ou eletrônicos (celulares, câmeras digitais) a preços baixíssimos.

__ Mas as tentações são muitas e é muito difícil resistir a tais ofertas.
__ Pois é meu caro, mas aí é que reside o perigo. Cuidado com as ofertas gratuitas de toque de celular, músicas e leilões. Todos podem conter vírus.

__ Mas e agora, o que eu faço?

__ Vamos tentar solucionar este problema! Este tipo de “seqüestro” é chamado de “Ransomware”. Os hackers (na realidade os crackers) seqüestram os arquivos do computador, criptografando-os e tornando-os ilegíveis e inacessíveis. Os arquivos só são devolvidos mediante pagamento de resgate.

__ Então é pior que estes seqüestros por telefone, onde os bandidos exigem certa quantia para soltar uma pessoa, que na realidade, não foi raptada, mas a família que não sabe disso, fica muito apreensiva e dependendo da situação, pode até pagar o resgate.

__ Aqui precisamos fazer uma distinção: Hackers são do bem, Crackers são do mal. Os primeiros trabalham na segurança das empresas, os segundos tentam invadir os computadores, para obter vantagens ilícitas.

__O que resta é verificar se tem cópias em CD, nos arquivos. Se não tiver, procure a polícia. Não pague nada e não visite nenhum link presente no pedido de resgate.

__ E não tem nenhum programa de recuperação de arquivo?

__ Pode até ter, mas outro cuidado, ao fazer download de programas gratuitos, pode estar levando para o seu computador, vírus.

__ Meu Deus! Então não poderemos fazer mais nada, que pegamos vírus.

__ Também não é assim. Precisamos tomar cuidado com e-mails que tem anexos de extensões .cmd, .bat, .scr ou .exe. Deverá manter seu Sistema Operacional e aplicações de segurança, como anti-spam, anti-phishing, antivírus e anti-spyware, sempre atualizados.

__ Estou até com medo de mexer no computador. Lembro de uma vez que ao abrir as páginas que sempre trabalho, as letras foram caindo uma a uma. Fique horrorizado e desliguei o computador. Depois fiquei sabendo que eram os meus sobrinhos que pretendiam passar-me este susto.

__ Olha Osvandir, tem muitos crackers que invadem os sites de vendas para roubar informações pessoais dos consumidores que fazem compras pela internet usando computadores públicos ou redes de Wi-fi abertas.
__ Sei que existe até o Chupa-cabra, instalado nos equipamentos bancários, que retém dados dos cartões dos usuários.

__ Uma das precauções que recomendo é trocar todas as suas senhas,(até as dos cartões dos bancos) não usando nome próprio, data de nascimento e outras fáceis dos ladrões associarem.

__ Ao comprar pela internet devemos verificar o endereço físico da loja...

__ Isso é outra coisa que devemos prestar a atenção, precisamos saber, nome, endereço, telefone e e-mail, para o caso de uma devolução, troca ou reclamação qualquer. Só comprar de lojas conhecidas.

__ Agora mesmo vejo em meu grupo alguém reclamando que estão enviando e-mails a seus amigos oferecendo Viagra, como pode ser isso.

__ Pode acontecer de o computador estar infectado e enviando e-mails falsos, sem o seu conhecimento.

__ Olha aqui, Osvandir. Não precisa preocupar-se, todas as suas histórias estão gravadas em CD. Deve fazer isso toda semana, não se esqueça, - disse o seu sobrinho. Mande formatar o HD e depois instale os anti-vírus, para não ter mais problemas.

__ Ufa! – Desabafou Osvandir.

Não receba Presente de Grego, neste Natal; fuja do Cavalo-de-Tróia!

MANOEL AMARAL

domingo, 13 de dezembro de 2009

OSVANDIR, LOBISOMENS E VAMPIROS IV

Capítulo IV

ANOITECER

"Aquele que o amanhecer vê orgulhoso,
o anoitecer vê prostrado."
(Sêneca )

Osvandir notou que Joanna sempre arranjava uma maneira de fugir da casa por algumas horas. Dezoito horas ela saía e dizia que iria meditar um pouco, no meio da floresta.

Achava aquilo meio esquisito mas não comentava nada. Agora mediante os fatos que estavam acontecendo, resolveu segui-la. Ela virou a esquerda numa encruzilhada, desceu uma grota e agachou-se atrás de uma moita. Osvandir ficou até pensando outras coisas. Porque será que ela não fazia as necessidades fisiológicas em casa?

Estava completamente enganado, do outro lado do caminho um servo pastava distraidamente sobre a ravina. Observou por alguns minutos e só viu um vulto subir e descer sobre o pobre animal. Olhou atrás da moita e não viu Joanna. Correu em direção a vítima, não viu mais nada, somente o animalzinho estirado no chão. Olhou o seu pescoço e apenas dois pequenos furos foi encontrado. Correu, correu. Chegou em casa e lá estava sua namorada lavando louça.

Não entendeu bem os fatos. Teria visto uma miragem? Ou tudo aquilo não estava acontecendo de verdade? Beliscou o braço direito e sentiu dor, era real.

Anoiteceu, tentou ler um livro a luz de velas, não conseguiu. Pegou o MP5 ouviu algumas músicas, o rádio não estava funcionando, daí há pouco sentiu uma rajada de vento vindo da janela do quarto. Olhou para o mato e não viu nada.

Abriu um site especializado em Lobisomem e Vampiros, de Bruno Vox, no seu notebook e lá estava: “Com os nomes de "Versipélio dos Romanos, é o Licantropo dos Gregos, o Volkodlák dos eslavos, o Werwolf dos saxões, o Wahrwolf dos germanos, o Óboroten dos russos, o Hamtammr dos nósdicos, o Loup-garou dos franceses, o Lobisomem da Península Ibérica e da América Central e do Sul, com suas modificações fáceis de Lubiszon, Lobisomem, Lubishome..., é, sempre, a crença na metamorfose humana em lobo, por um castigo divino.”

A diferença entre vampiro e lobisomem sabia bem: “o lobisomem surge sob a forma de um lobo gigantesco que se desloca quer sobre as 4 patas, quer como um bípede extremamente peludo que conserva traços humanos, embora particularmente repulsivos, e garras nas mãos. Em qualquer das formas, rasga as gargantas das vítimas, cuja carne devora em seguida, uma verdadeira máquina de matar.”

“Como são amaldiçoados, os vampiros não entram nas igrejas e nem tocam em símbolos religiosos, vivem em grupos. Eles conseguem assimilar melhor as mudanças que ocorrem no decorrer dos anos, porém os lobisomens são menos adaptáveis, por causa de seu instinto.” Completava aquela descrição na página da internet.

O vampiro é como um morcego gigante, alimenta-se de sangue e não come a carne do animal.
No outro dia, bem cedinho, procurou Dona Maria Rita e quis saber como passara a noite.

__ Caro ufólogo e estudioso de coisa estranhas, o meu marido dormiu como um porco velho. Roncou muito, mas não saiu da cama. Vamos ver as cabras, enquanto ele ainda está na cama.

Chegaram ao pequeno curral e contaram os animais, não faltava nenhum.

Na volta para casa Osvandir encontrou dois homens que seguiam apressados para o outro lado da floresta. Quis saber por que a pressa.

__ Vamos ver um estranho animal que foi aprisionado, no mato, na noite anterior pelo fazendeiro vizinho.
__ Posso acompanhá-los?
__ Claro! De onde vem? – Perguntaram os dois homens que fumavam sem parar, demonstrando nervosismo.
__ Estou passando uns dias naquela velha cabana ali ao lado do lago.
Seguiram para o local e ao aproximarem deram com um enorme lobo, com umas garras compridas e olhos esbugalhados.

Seria mesmo um lobo? Osvandir ficou na dúvida.

Voltou para cabana, as malas já estavam prontas. Deveriam voltar naquele mesmo dia para a cidade. Joanna já estava apreensiva, com um rápido beijo na boca, perguntou:
__ Onde andava, meu querido?
__ Fui até o sítio vizinho conversar com dona Maria Rita, esposa do senhor Zezito, sobre alguns animais.

Na volta para cidade, fez uma pequena parada na casa do sitiante e informou da captura do animal pelo seu vizinho. Estava assim, parcialmente resolvido o mistério dos ataques aos animais.
Dias depois Osvandir recebeu de seu Zezito um telefonema informando que os ataques a animais acabaram.
No dia seguinte um jornal sensacionalista informou em manchete de primeira página: “Banco de Sangue foi assaltado”.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E VAMPIROS

Capítulo III

SOL DO MEIO DIA

“O amigo na hora certa, é o sol ao meio dia,
estrela na escuridão”
(Pe. Roque Schneider)


Joanna ouvira a conversa, disfarçadamente, atrás da porta do banheiro.

Osvandir, um pouco abalado pelo fato, informou a garota de tudo que se passara no sítio do senhor Zezito. A perda das cabras, o fato estranho de estarem sem nenhuma gota de sangue. Aquela história abalou profundamente o nosso jovem.

O sol do meio dia estava mesmo de “estourar mamona”, como dizem por aqui. Joanna, estava na cozinha preparando o almoço. O rapaz, no quarto, procurava algum vestígio, qualquer coisa que pudesse explicar os estranhos fatos que vinham ocorrendo desde a chegada dos dois aquele local.

Tirou as cobertas, sacudiu os travesseiros, olhou debaixo da cama. Nada. Tudo estava normal como antes. Olhou pela janela e viu uma cerca de arame com qualquer coisa balançando ao vento.

Aproximou-se e viu apenas uma mecha de cabelo bem comprido. Deveria ser dos animais que por ali transitam. Não deu a menor importância para aquilo.

Voltou pelos fundos e notou que a porta da cozinha estava aberta. Mas o que significaria isso? Praticamente nada! Perguntou para Joanna se ela havia saído pela porta da cozinha, ela respondeu que não precisou, pois todos os alimentos estavam na despensa.

Olhou para o chão e notou uma pegada parecida com as de cachorro.
Mediu o tamanho e assustou-se, mais de um palmo de comprimento, deveria ser um grande animal.

Seguiu-as e foi dar ao banheiro. Na banheira tinha vestígios de cabelos e barro. Pode notar até um pequeno pingo de sangue na borda da pia.

Perguntou para Joanna o que significava aquilo, ela disse tratar-se de barro de seus pés ao pegar o frango no quintal e o sangue disse que foi lavar as mãos após matá-lo na cozinha.

Caso encerrado, por hora, Osvandir ficou mais tranqüilo.

No outro dia, novamente o Senhor Zezito, apavorado, bateu na porta.

Ao abri-la, o cidadão foi logo entrando e dizendo:

__ Olha Osvandir, ontem foi mais uma cabrita, desta vez ficou toda destroçada. O animal comeu parte da carne do quarto traseiro. A garganta estava com umas três mordidas e o sangue ainda escorria dela.

__ Então Zezito, hoje a história está diferente de ontem. Tem sangue e o animal predador comeu parte da vítima.
__ É, ontem não tinha sangue nenhum na cabrita, enquanto que hoje tinha muito sangue... – falou, nervoso o sitiante.
__ Podemos deduzir que se trata de dois animais diferentes que estão atacando seus animais, vou investigar os casos e apresentarei uma possível solução, ainda hoje, - disse Osvandir.

Foi até o sítio do senhor Zezito para verificar os animais atacados. Achou uma cabra completamente sem sangue e outra toda destroçada. Na primeira notou apenas dois buracos no pescoço. Na segunda, sinal de caninos grandes por todo corpo da cabra.

Mais tarde, pensando bem, chegou a seguinte conclusão: O primeiro animal que sugava o sangue seria um vampiro, o segundo poderia ser qualquer animal, mas a maneira de atacar a garganta da cabra impressionou Osvandir.

__ Senhor Zezito, Vampiros sugam o sangue; lobisomem ataca, mata e come. No segundo caso, o desta noite, poderia ser qualquer animal carnívoro. Apenas uma pequena observação: olhe aqui ó, - Osvandir mostrou com o dedo indicador – um sinal perfeito de dois dentes caninos bem grandes. Dificilmente encontraríamos lobos com arcada dentária tão especial. Os lobos andam em matilhas, costumam viver em grupos organizados hierarquicamente. Já o lobisomem é solitário, caça sozinho. Se fossem lobos, sobraria apenas a ossada da cabra. Como sobrou muita carne, podemos deduzir que se trata mesmo de lobisomem.

__ Deus do céu, como pode ser uma coisa dessas aqui nestas redondezas? - Quase gritou Zezito. - E o primeiro caso?

__ Não vamos nos apressar, mas posso adiantar que quem suga só o sangue são os morcegos e vampiros. Estou analisando umas coisas que encontrei por aí, na mata, volto a conversar com você.

Quando está para sair, a mulher do sitiante resolveu entrar na conversa:
__ Já vi falar que lobisomem pode ser o filho de compadre com comadre...
__ Sim, em alguns locais do Brasil existe esta crença.
__ Osvandir, - chamou Dona Maria Rita, - a esposa de Zezito, venha até aqui tomar um cafezinho, na cozinha.

Enquanto isso D.Maria mandou Zezito buscar algumas verduras na horta. Era um pretexto, queria conversar, a sós, com Osvandir.

__ Olha Osvandir, o meu marido é filho de compadre Antônio com comadre Zélia...
__ Pode ficar tranquila que vou observar bem esta noite. Amanhã eu volto aqui para a gente conversar. E você fique de olho no seu marido.

MANOEL AMARAL
Participem de nossa ANTOLOGIA DE PROSA E POESIA clic na tag Antologia ou passe um e-mail para manoel.amaral@gmail.com

sábado, 5 de dezembro de 2009

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E OS VAMPIROS

Capítulo II

A AURORA

Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem
anunciar a aurora de uma grande realização.
(Martin Luther King Jr)


Tudo correu, no seu ponto de vista, maravilhosamente bem. Acordou com fôlego redobrado.

Calçou o tênis, vestiu uma camiseta, o seu calção e saiu para uma caminhada. Os pássaros, nos seus ninhos chilreavam por todo lado. O sol levantava-se preguiçosamente no horizonte.

Osvandir foi até o lago, lavou o rosto e pode notar um ser diferente na floresta. Esgueirava-se por entre as árvores. Parecia um cachorro, hora uma pessoa. Magro e pele quase branca, com pelos dourados.

Aquilo mexeu com os nervos do rapaz. Correu até a cabana, queria dizer para Joanna o que vira. Ela não estava na cama. Olhou por todos os lados e nada encontrou.

Onde estaria a sua amada? Enquanto estava envolvido com estes pensamentos viu alguém abrir a porta. Era Joanna. Interrogada, disse que vinha do quintal. Falou que estava a procura de um bom frango que queria matar para o almoço. Mas ninguém viu frango nenhum naquela cabana...

Fatos estranhos: o semi-animal na floresta, a ausência de frangos naquele local. As histórias não estavam conferindo com a realidade.

Naquele meio tempo, alguém bateu na porta, assustado Osvandir foi ver do que se tratava:
__ Bom dia meu Senhor, - cumprimentou Osvandir.
__ Bom dia nada! Mau dia! Perdi alguns animais.
__ Mas o que aconteceu? Disse Osvandir.
__ Um animal estranho atacou meu rebanho de cabras e matou três.
__ Comeu os animais?
__ Não. Apenas sugou o sangue!
__ Mas que coisa mais estranha. Eu vi um animal esquisito atravessar a floresta quando estava fazendo caminhada, hoje de manhã.
__ Como era esta criatura? – perguntou o sitiante.
__ Tinha algum pelo comprido, dourado e dava para notar a pele clara. Tive a impressão de tratar de uma pessoa, no entanto parecia um animal.
__ Por aqui nunca aconteceu uma coisa dessas.
__ Pode ter certeza que se aparecer mais algum fato novo levo ao conhecimento do Senhor. Onde moras?
__ Fico agradecido. Moro ali do outro lado do lago, próximo da estrada, ao lado de uma árvore de aroeira, bem velha, carcomida pelo tempo.
__ Então até breve. Ah! Como é o nome do Senhor?
__ Chamo José, mas todos por aqui me conhecem por Zezito das cabras. E o seu nome?
__ Sou conhecido como Osvandir, o ufólogo.

Manoel Amaral

Participe de nossa Antologia de poesia e prosa: osvandir.ovni@gmail.com

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

OSVANDIR, OS LOBISOMENS E OS VAMPIROS


Capítulo I

A LUA CHEIA
“Mulher, tal qual lua cheia
Me ama e me odeia
Meu ninho de amor.”
(Raul Seixas)


Joanna, era diferente de outras jovens, com 21 anos, linda, loura e de pele muito clara. Era avançada para o seu tempo. Sabia de tudo. Informática então, ela adorava. Estava definitivamente fora de sua concha, bem diferente do sistema de vida local. Acabara de mudar-se de uma cidade grande para aquela ensolarada cidade do interior.

A sua família era um verdadeiro mistério. Uma mãe generosa nos atributos, loura de cabelos esvoaçantes e um pai severo, tipo nórdico, que desconfiava de tudo.

Ela ficou conhecendo alguns amigos na faculdade e entre eles se destacava quem ela achava que poderia ter um relacionamento mais íntimo: Osvandir, jovem lindo, sensual, pele queimada pelo sol abrasante, do interior, cabelos de cor negra; trará um universo desconhecido para Joanna, transformando completamente o curso de sua vida e ficando a sua história muito mais emocionante naquele marasmo de cidade pequena.

O que Osvandir não sabia, é que quanto mais se aproximava de Joanna, mais perigo corria em sua vida. Um perigo para si e para a população com quem convivia e que tanto amava.

O que ele nem imaginava que entraria num mundo totalmente diferente do seu. Algo assim sobrenatural, cheio de idas e vindas no espaço/tempo.

Joanna, naquele vestidinho escuro, curtinho, com um par de pernas longas de fora, parecia até uma bela garça ciscando na beira do rio. Mas o que ninguém sabia é que ali morava o perigo. Mas que é o perigo? Uma cobra coral num buraco de cupim, atacando um rato silvestre? Ou seria um jovem desprevenido entrando num mundo totalmente diferente do seu?

Muitas perguntas poderiam ser feitas a respeito daquela jovem linda, branquinha, pele lisa e macia.

Naqueles dias ela estava causando uma comoção nacional. É que foi a faculdade com um vestido cor-de-rosa tão curto que a maioria dos rapazes ficaram no pé da escada para vê-la subir. O resto da moçada enciumada trataram de cortar o mal pela raiz. Solicitaram ao Diretor que tomasse uma providência imediata. Exigiam a expulsão da garota daquela entidade.

Os jornais ficaram ao seu lado. Foi notícia no mundo inteiro, até no New York Times. Aquelas revistas inglesas de fofocas exploraram o caso como fizeram quando da morte de Diana, a Princesa de Gales. Aquela imprensa nojenta que tira proveito de qualquer fato com a finalidade de vender os seus jornais ou revistas.

Mas Joanna não se importava, seguia sua carreira, seu curso na história. Muitas coisas diferentes destas briguinhas de escola, iriam ainda acontecer em sua vida.

Noite de lua cheia, céu coberto de nuvens sombrias, uma cabana no meio do mato. Alguns raios, sinal de chuva forte naquela região. Um carro preto parara na porta. Entraram rápido para não molhar as finas roupas que vestiam. Joanna e Osvandir, marcaram ali a sua primeira noite de amor à luz de velas.

Tudo estava sombrio, escuro o céu. As árvores molhadas pela chuva, deixavam soltar uma leve bruma que cobria toda a região.

Osvandir foi o primeiro a notar que tudo por ali estava tão arrumadinho. Estranhou. Costumava passar por aquele local e sabia que aquela casa era abandonada há muito tempo.

Receoso de alguma armadilha tomou todas as precauções que julgava necessário. Trancou a porta, acendeu a lanterna, ligou o rádio e a TV. Queria algum barulho para saber se tudo aquilo era realidade ou fantasia. A sua mente imaginava as melhores coisas por acontecer.

MANOEL AMARAL

ANTOLOGIA LIVRE, em e-book, link: http://antologialivre.blogspot.com