segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A PRINCESA DO GRANDE CASTELO



"O pior cego é aquele que não quer ver."
(Avô do Osvandir)


Osvandir viajou aproximadamente 250 km, pelo lado do sudeste, região de grandes matas, para visitar o Castelo da Princesa que tanto gerou polêmica nos últimos meses.

Aquela grandiosa obra, construída pelo seu avô, lembrava os antigos castelos medievais.

Acontece que o seu adorado avô nunca mencionou a origem do dinheiro e nem a colocou no Imposto de Renda.

Tinha lagos e cachoeiras, mármore por todo lado, reservas e parques, estava nos noticiários diariamente.

Na parte superior um enorme salão, em baixo pequenas salas para jogos com capacidade para várias pessoas.

Só a adega cabia oito mil garrafas de vinho e estava abarrotada, não existindo lugar para mais nada. Tinha um pequeno setor dedicado as mais finas cachaças.

No andar superior, 32 suítes cada uma com um closet e um banheiro com arquitetura bem diferente uma da outra. As mais importantes ficavam nas torres do castelo.

No último andar da torre, a suíte do Rei. Cada cômodo tinha o exagero de 100 m² - maior que muitas casas do Reino - com espaço para sala, banheiro, ante-sala e finalmente aquele luxuoso quarto.

Grandes espaços para os salões de festas, ginástica, jogos, eventos diversos, reuniões, dois elevadores, piscinas, saunas, lagos para pescaria, campos de golfe, jardins e áreas de relaxamento.

Depois da visão da exuberante construção, uma dúvida pairava na mente de todos os viventes do Reino: de onde veio o dinheiro?

Por lá ouviu a seguainte história:

"__ Segundo o Rei, a fonte do valor investido na construção foram os rendimentos do seu pai, na área de agricultura. Vendia produtos agrícola para muitos Reinos vizinhos, inclusive muito trigo, milho, feijão, arroz, além da carne de carneiro que criavam.

Acontece que o caso estava sendo investigado pela Justiça, que era devidamente corrompida, pois vivia à custa do Rei.

Para o Rei, alguns membros mais próximos diziam que não iriam fiscalizar ninguém.

O povo dizia nas ruas:
__ É simplesmente absurdo e inacreditável acontecer uma coisa dessas em uma região onde o contraste é evidente ….
__ Isto é uma vergonha para este Reino, a justiça só tem o Rei, o povo quando fica endividado eles tomam até a casa...
__ Cambada vagabundos! Isso dá uma revolta muito grande….
__ Que Reino é esse? Perguntava um velhinho mais exaltado.

Enquanto isso, dentro do castelo, a Princesa vivia comendo seus docinhos. Empanturrava de caramelados, cajuzinhos, muito chocolates e brigadeiros. Já estava virando uma baleia de tão gorda.

Um dia o Rei chegou até perto de sua cama e disse:
__ Minha filha, com você está gordinha...
__ Papai, não quer um docinho?

Naquela semana, vieram da Região Norte, algumas primas sua. Comparando os corpos, viu que realmente estava bem gorda, foi a primeira vez que teve noção de sua feiúra.

As priminhas, andavam, pulavam, exercitavam, faziam ginástica, comiam menos e doces só de vez em quando.

Foi aí que ela tomou consciência de que precisava emagrecer uns quilinhos. Passou a fazer longos passeios na floresta, visitar a academia do castelo e comer menos doce.

Nestas andanças de celular em punho, um Motorola W218, com o qual foi fotografando tudo e também a si mesma.

Porém, tardiamente, ela descobriu que para aquela porcaria de marca não havia cabos USB que funcionasse, nenhum era compatível. E assim a princesa que queria passar para o computador suas lindas fotos, ficou só com a vontade!

Ouvindo aqueles horrorosos comentários na rua, sobre o Reinado, ficou muito apreensiva e foi falar com o pai.

__ Paizinho, estão falando na rua que este castelo foi construído com o dinheiro do povo, isto é verdade?
__ Que nada minha filha, isto é intriga da oposição e inveja da imprensa. Essa tal de Revista Olha, só fala besteira!

E assim o tempo foi passando naquele longínquo reino, até que apareceu um belo príncipe e viu aquela princesa linda. Interessou-se por ela e resolveu pedir ao rei, a sua mão.

Pesquisando as origens do rapaz, descobriu que o seu pai era proprietário de vastos campos de petróleo no Nordeste. Aí, feliz da vida, concedeu logo aquele pedido.

Moral: Princesa magrinha, casa logo!

MANOEL AMARAL

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