quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OSVANDIR, O PARDAL E O LOUVA-DEUS

“O pássaro jamais emudece, nem retrocede,
segue cantando e construindo,
construindo e cantando.”
(Sebastião Ramos de Oliveira - Fortaleza-CE)


Osvandir descia a rua para ir ao supermercado fazer compras das ofertas do dia, quando viu um pequenino pardal numa luta terrível contra um seu inimigo, o louva-deus.

Ele bicava rápido aquele inseto verde, tentava por a nocaute aquele jantar. Clicava direto nos olhos para apressar a morte da futura comida.

Quando já ia mais embaixo viu uma andorinha sondando um ninho de outro passarinho, numa mangueira, mas o dito a espantava. Não entendeu o motivo, pois a linda andorinha estava com um inseto no bico e o ninho estava cheio de filhotes.

O melro, pássaro malandro, bota em ninho de tico-tico e nunca mais volta lá para tratar dos filhotes e nem por isso eles deixam de sobreviver, muito bem tratado pela mamãe tico-tico. Às vezes trata primeiro do filhote adotivo, que costuma jogar os demais fora do ninho.

Mas voltemos ao pardal. Ele veio para o Brasil nos antigos porões de navios desde o descobrimento. Invadiram nossas cidades, foram para a zona rural e voltaram novamente paras as cidades. Interessante notar que muitos pássaros e animais estão retornando para as comunidades a procura de alimento.

Do quintal de seu sogro, numa pequena cidade de Minas, Osvandir via sempre um belo tucano que só tinha visto em cativeiro.

As maritacas, as araras, os bem-ti-vis, as trocais, as rolinhas, etc., estão cada vez mais invadindo as cidades em busca de alimentos.

Culpa do homem, que cortou todas as árvores frutíferas dos cerrados, das matas. Tem fazendeiro ignorante que para plantar capim para o pasto do gado, corta todas as árvores, deixa tudo limpo. Depois reclama que está faltando água em seu sítio. Vai faltar mesmo, vai secar tudo, não é praga do Osvandir, é por que as árvores ajudam a manter as nascentes.

Outros cortam e nunca plantam nada, nem horta, levam tudo do supermercado, até cebolinha, pode?

Quando vem a cidade levam para roça todas as coisas que poderiam estar produzindo lá mesmo: rapadura, leite, doces, farinha, polvilho, verduras e legumes, lenha, canas, árvores frutíferas. Cortaram tudo que havia no local e não plantaram nem um pé de manga. São bitolados, só visam o lucro. Tem uns que nem vaca leiteira eles criam, dizem que dá muito trabalho e prejuízo, preferem criar bezerros para engorda e venda posterior, daí alguns meses. Vão só comprando terras e desmatando, prejudicando o meio ambiente.

As chuvas já não vêm nos meses certos como antigamente, está tudo mudado, até lobos guarás estão encontrando nos quintais, assustando a população.

O pardal era muito odiado há algum tempo, hoje ninguém se preocupa com ele. Está sobrevivendo apesar de o homem estar ao seu lado. Entra na cozinha, pega um grão de arroz, voa pela janela. Volta leva um pequeno pedaço de pão.

A comida é farta, para que ele vai se preocupar? Na roça correria o risco de ser apanhado em algum alçapão ou morrer na boca de algum predador.

Ele estava ali diligente, tentando preparar a sua comida ou dos filhotes. Bicava o inseto verde que esperneava. O povo passando bem pertinho, ele não estava nem aí para ninguém, cuidava de sua presa.

Bicava, bicava e bicava, até que o louva-deus ficasse imóvel.
Daí ele, com certeza iria parti-lo em pequenos pedaços, para devorar por ali mesmo ou levá-los até o seu ninho.

A andorinha sempre voando em torno da árvore, chilreando. O outro pássaro defendendo o seu ninho, quem sabe estaria criando um filhote de andorinha? Não sabemos, o fato é que ela estava ali e insistia.

São pequenos fatos da natureza que ninguém quase nota, mas os olhos de lince de Osvandir não deixam passar.

Manoel Amaral
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Um comentário:

  1. Oi Manoel. Blz?
    Que história legal.
    É a pura realidade.
    A gente não se dá conta do que ocorre a nossa volta.
    Mas sempre é tempo de aprender.
    Abraços

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