terça-feira, 13 de outubro de 2009

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL

OSVANDIR E A IMAGEM DE CRISTAL

Capítulo I
A Caverna

Estavam no ano 2050, comemorando o Cinqüentenário da descoberta da imagem.

Um novo pastor da União Universal, a religião dos sem religiões, rememorava os fatos:

“Foi no ano de 2000, em 1º de janeiro, época em que viram algumas luzes sobre o local da gruta que um mineiro resolveu investigar e encontrou uma imagem, numa linda caverna de cristais com formações diversas, num espetáculo raro.

Coletou algumas amostras de rochas e minerais para pesquisa. Ele havia entrado numa área jamais visitada pelo homem, com formações de milhares de anos de paz e tranqüilidade.

Estalactites e estalagmites lá estavam, juntamente com cristais por toda parte e num local bem no fundo, quase encostada numa parede, lá estava aquela perfeita imagem de puríssimo cristal, com cerca de um metro e meio de altura.

Descrevê-la seria tarefa de para quem entendesse bem de cavernas, um espeleólogo, as formações de estalactites e estalagmites, minerais, ocorrência de água, frestas, salões, etc.

Uma verdadeira cortina descia por trás da imagem. Um manto de outra cor mais escura, mas do mesmo material cobria aquela, Senhora, se podemos assim chamá-la.

Um raio de luz, que não sabemos como, atingia sua cabeça, por volta do meio-dia, espalhando luz por todos os recantos.

Uma água, de nascente pura e cristalina descia de uma rocha e espalhava-se, formando um poço azul, tão límpida que dava para ver o fundo.

Grandes frisos, parecendo dobraduras de tecidos brancos, cobriam várias áreas, como verdadeiras cortinas.

Lindas estalactites pendiam do teto, bem como as estalagmites que davam a impressão estarem brotando do chão.

Um cenário de filmes de Indiana Jones, onde a acústica funcionava como se fosse uma concha, habilmente construída para essa finalidade. A propagação do som era incrível. Nem se podia falar alto por ali, era perigoso despencar uma daquelas belezas do teto e espatifar-se contra as que estavam no chão.

Uma das medidas que tomaram, logo no início da descoberta, foi delimitar a área permitida para visitas, para não danificar o local.

As pessoas afetadas por claustrofobia, ali não sentiam nada. Pelo contrário, ficavam em perfeito estado de consciência, sabendo de tudo que se passava.

Alguns dos primeiro visitantes quiseram arrancar algumas pedras para levar de lembrança e começaram a danificar o ambiente, o que foi proibido dali para frente.

Do lado de fora da caverna existiam muitos quilos de cristais suficientes para todos, retirados de outros locais e ali colocados para essa finalidade.

Com a difusão de alguns boatos de curas pelas águas da gruta, as visitas aumentaram.

Foi necessário estabelecer algumas regras e um guarda foi colocado ali para vigiar possíveis vândalos.

Toda mídia falada e escrita divulgavam sempre as belezas do local.
Fotos padronizadas foram distribuídas para a imprensa, evitando assim futuras visitas indesejáveis.

Muitos cartões postais adotaram aquela gruta como tema. Uma longa reportagem saiu num jornal inglês e foi repetida milhares de vezes na internet e logo apareceram os primeiros turistas estrangeiros.

Munidos de máquinas fotográficas e garrafas vasias para levar água, entravam e saiam da gruta.

O proprietário do terreno já estava incomodado com tanta gente. A Prefeitura não conseguia atender a todos. Hotéis lotados permanentemente. Cristais e mais cristais eram colocados na frente da gruta e de um dia para outro tudo sumiam, evaporavam. O povo naquela ânsia de levar qualquer coisa para casa, passava a mão naquelas pedrinhas brilhantes que ali estavam para essa finalidade.

Começaram a aparecer os camelôs vendendo de tudo. Foi preciso colocar uma ordem, para não haver tanta exploração do povo.

A embalagem de uma pequena garrafa plástica de meio litro custava R$5,00. Todos queriam levar aquele líquido, que parecia ser uma ótima água mineral.

Vários engenheiros e cientistas de todo o mundo ali compareceram e deram a sua opinião. A água foi analisada por órgãos competentes e chegaram a conclusão que era a água mais pura encontrada, muito benéfica a saúde. Uma composição incrível, nunca vista em nenhum lugar do planeta: Bicarbonato, cálcio, magnésio, sulfato, nitrato, potássio, sódio, fluoreto e uma substância desconhecida, jamais analisada.

Quando guardada em lugar fresco e seco, sem exposição a luz, seus efeitos duravam em média três meses. Uma água mineral pura, leve e saudável.”

Mas como dizíamos, estavam comemorando o cinqüentenário e junto com as explosões dos foguetes, outras explosões se ouviram em vários locais...

(Continua)
Manoel Amaral

Um comentário:

  1. Oi Manoel. Blz?
    Muito interessante o começo.
    Desperta o interesse para saber onde vai chegar tudo isto.
    Algumas relações com a era tual não é mera coincidência, não é?
    rsrsrsrsrs
    Abraços

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