quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OSVANDIR E O VENDEDOR DE LINGUIÇA

“Em tempos de gripe Suína ninguém quer saber de lingüiça de porco”.
( O velhinho vendedor)

Osvandir descia a rua principal de seu bairro, com intenção de dirigir-se ao conturbado centro de sua cidade, para pagar algumas contas, nos Bancos, que estão em greve.

Sua atenção foi despertada por um vendedor de lingüiça, que anunciava o produto.

Um velhinho, barba e cabelos brancos e um bonito chapéu a lhe cobrir a cabeça, estava com seu velho Scort branco, de priscas eras, com pneus carecas, pára-choque quebrado, parabrisa trincado, lanternas queimadas, assentos furados, pintura queimada pelo abrasante sol, significando que não tinha garagem para guardá-lo.

Aqui é assim: no centro não existem mais garagem, no lugar foram instaladas qualquer comércio pequeno. Pela cidade afora pipocam sorveterias, lanchonetes, bares e lojas de confecções, sem contar uma infinidade de Odontólogos, Advogados, Engenheiros, Clínicas de Saúde, Salões de Beleza é uma cidade comercial, prestadora de serviços.

Mas voltemos ao tema principal: o velhinho da linguiça. Ele gritava que ela era de puro lobo ou pernil de porco.

Osvandir resolveu parar seu carro e ir ver o produto. Aí ele muito solícito, deu-lhe um pedacinho para experimentar. Trazia já frito de casa, numa pequena vasilha de plástico, muito asseada.

A lingüiça era até mesmo muito boa, com um gosto especial. Perguntado sobre o assunto, informou que a carne dormia no tempero forte e só de manhã era colocada nas tripas.

Mas Osvandir ficou desconfiado de alguma coisa. Pediu endereço para futura encomenda e ele deu-lhe um cartãozinho, feito em computador, pelo neto, com alguns erros de português.

Seguindo para o centro da cidade, tentou estacionar o veículo, foi abalroado por uma Senhora, até bonita, que saia do estacionamento. Não houve discussão, não compensava, apenas um risco a mais na lataria.

Tentou entrar no banco e dois grevista lá estavam para barrar todo mundo. Se existe uma coisa que Osvandir detesta é o direito de ir e vir que lhe garante a Constituição. Discutiu com os grevistas, ensinou-lhes novas maneiras de fazer greve sem prejudicar a população. Lembrou até daquele caso que aconteceu em Belo Horizonte, quando trocadores e motoristas, em greve, liberaram as catracas para todo mundo viajar de graça. No outro dia receberam polpudo aumento de salário.

Tentou pagar as contas via equipamento eletrônico, mas seu cartão estava sendo recusado. Mudou de máquina e conseguiu pagar os que tinham condições, os demais pagou na loja de loterias.

Ao voltar, ficou pensando em visitar o velhinho para ver as lingüiças. Desceu a rua principal e dirigiu-se para o bairro. Lá no fim da rua, na beira do rio, estava a casa anunciada no cartão. Um barracãozinho nos fundos era a fábrica da dita cuja.

Chamou, ninguém atendeu. Não tinha campainha no portão. Como estava aberto, Osvandir entrou. O cheiro forte que notara ao comer o pedacinho na rua, veio-lhe as narinas. Alguns ossos e couros peludos, marrons, chamou-lhe atenção. A caveira era de porco, mas o couro estava estranho. Pesquisou por ali e encontrou uma grande quantidade de carne para fazer a lingüiça. Era um pouco escura, estava com muito tempero. Cheiro muito forte, para o fraco estômago do Osvandir.

Já estava saindo, quando o velhinho chegou apressado e entabulou uma conversa meio enganatória:

__ Temos uma criação de porcos especiais, muito bons, carne de primeira, veja aí no cercado.

No tempo de criança, Osvandir via muita criação de porcos, em locais que chamavam de manga ou chiqueiro. A manga era cercada totalmente por barrancos, e os animais ficavam lá dentro, a espera de qualquer alimentação.

Desistindo da compra, resolveu ir para casa, despediu-se do velho e prometeu-lhe voltar qualquer dia.

Ao passar pela ponte do rio, viu às margens, uma manada de capivaras pastando e nadando no local.

Manoel Amaral
http://osvandir.blogspot.com
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