segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A PRINCESA DO GRANDE CASTELO



"O pior cego é aquele que não quer ver."
(Avô do Osvandir)


Osvandir viajou aproximadamente 250 km, pelo lado do sudeste, região de grandes matas, para visitar o Castelo da Princesa que tanto gerou polêmica nos últimos meses.

Aquela grandiosa obra, construída pelo seu avô, lembrava os antigos castelos medievais.

Acontece que o seu adorado avô nunca mencionou a origem do dinheiro e nem a colocou no Imposto de Renda.

Tinha lagos e cachoeiras, mármore por todo lado, reservas e parques, estava nos noticiários diariamente.

Na parte superior um enorme salão, em baixo pequenas salas para jogos com capacidade para várias pessoas.

Só a adega cabia oito mil garrafas de vinho e estava abarrotada, não existindo lugar para mais nada. Tinha um pequeno setor dedicado as mais finas cachaças.

No andar superior, 32 suítes cada uma com um closet e um banheiro com arquitetura bem diferente uma da outra. As mais importantes ficavam nas torres do castelo.

No último andar da torre, a suíte do Rei. Cada cômodo tinha o exagero de 100 m² - maior que muitas casas do Reino - com espaço para sala, banheiro, ante-sala e finalmente aquele luxuoso quarto.

Grandes espaços para os salões de festas, ginástica, jogos, eventos diversos, reuniões, dois elevadores, piscinas, saunas, lagos para pescaria, campos de golfe, jardins e áreas de relaxamento.

Depois da visão da exuberante construção, uma dúvida pairava na mente de todos os viventes do Reino: de onde veio o dinheiro?

Por lá ouviu a seguainte história:

"__ Segundo o Rei, a fonte do valor investido na construção foram os rendimentos do seu pai, na área de agricultura. Vendia produtos agrícola para muitos Reinos vizinhos, inclusive muito trigo, milho, feijão, arroz, além da carne de carneiro que criavam.

Acontece que o caso estava sendo investigado pela Justiça, que era devidamente corrompida, pois vivia à custa do Rei.

Para o Rei, alguns membros mais próximos diziam que não iriam fiscalizar ninguém.

O povo dizia nas ruas:
__ É simplesmente absurdo e inacreditável acontecer uma coisa dessas em uma região onde o contraste é evidente ….
__ Isto é uma vergonha para este Reino, a justiça só tem o Rei, o povo quando fica endividado eles tomam até a casa...
__ Cambada vagabundos! Isso dá uma revolta muito grande….
__ Que Reino é esse? Perguntava um velhinho mais exaltado.

Enquanto isso, dentro do castelo, a Princesa vivia comendo seus docinhos. Empanturrava de caramelados, cajuzinhos, muito chocolates e brigadeiros. Já estava virando uma baleia de tão gorda.

Um dia o Rei chegou até perto de sua cama e disse:
__ Minha filha, com você está gordinha...
__ Papai, não quer um docinho?

Naquela semana, vieram da Região Norte, algumas primas sua. Comparando os corpos, viu que realmente estava bem gorda, foi a primeira vez que teve noção de sua feiúra.

As priminhas, andavam, pulavam, exercitavam, faziam ginástica, comiam menos e doces só de vez em quando.

Foi aí que ela tomou consciência de que precisava emagrecer uns quilinhos. Passou a fazer longos passeios na floresta, visitar a academia do castelo e comer menos doce.

Nestas andanças de celular em punho, um Motorola W218, com o qual foi fotografando tudo e também a si mesma.

Porém, tardiamente, ela descobriu que para aquela porcaria de marca não havia cabos USB que funcionasse, nenhum era compatível. E assim a princesa que queria passar para o computador suas lindas fotos, ficou só com a vontade!

Ouvindo aqueles horrorosos comentários na rua, sobre o Reinado, ficou muito apreensiva e foi falar com o pai.

__ Paizinho, estão falando na rua que este castelo foi construído com o dinheiro do povo, isto é verdade?
__ Que nada minha filha, isto é intriga da oposição e inveja da imprensa. Essa tal de Revista Olha, só fala besteira!

E assim o tempo foi passando naquele longínquo reino, até que apareceu um belo príncipe e viu aquela princesa linda. Interessou-se por ela e resolveu pedir ao rei, a sua mão.

Pesquisando as origens do rapaz, descobriu que o seu pai era proprietário de vastos campos de petróleo no Nordeste. Aí, feliz da vida, concedeu logo aquele pedido.

Moral: Princesa magrinha, casa logo!

MANOEL AMARAL

domingo, 25 de outubro de 2009

OSVANDIR E ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS III & IV

ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS III

Capítulo III
Nos Parques de Diversão


Não basta ser linda, tem que ser maravilhosa.
Não basta querer, tem que poder.
Não basta ser boa, tem que ser talentosa.
Não basta ser inteligente, tem que ser esperta.
Não basta despertar vontade, tem que despertar desejo.
Não basta ser uma qualquer, tem que ser única!
(Brenda)

Pulam da Roda Gigante para o Carrinho de Choque, vão ao Carrossel, gritam na Montanha Russa e se assustam no Trem Fantasma. Acalmam na piscina de bolinhas e não querem saber de pequenos carrinhos.

Quando os pais pensam que tudo já acabou, ainda restam os Tobogans.

Comem pipoca, atiram nos bonecos de pelúcia, jogam argolas nas garrafas, compram algodão doce e misturam com churrasquinho de frango.

E agora os pais pensam que realmente acabou e elas dizem que vão passar no shopping...

E aí vão a praça de alimentação, jogar boliche, aparelhos eletrônicos e a dança do momento.

Quando exaustas, e os pais também, de segui-las à distância, ou de receber constantes telefones tipo mensagens enigmáticas:
__Pode vir, estamos no Shop... antes de completar a palavra, desligam!


Capítulo IV
COMO ELAS ESCREVEM

"→Te magoei? Desculpaaaa!
→Te xinguei? Vc deve ter merecido! ;P
→Tô nervosa? Nem chega perto! :@
→O q eu fiz ou q faço? Não te interessa!
→Falou o q quis? Ouviu o q mereceu!
→Me perdeu? Ownnn Que Penaa,ja era.. =D
→Acabou? O mundo dá voltas,depois depois…!
→Criança ou adulta? Depende do momento!
→Inveja? NINGUÉM merece neh meu bem!
→Feliiiz ou triste? isso varia muito!→passei e ñ falei?sou de lua,desculpa!
→Teimosa? Até d+!
→Intensa? Em tudooo.
→Tímida? Com quem não conheço,ate d+!
→Críticas? Guarde pra vc,elas n me entereçam!
→Teimosa? Só quando tô certa.
→Ingênua? vc pode ate pensar q sim,mais n msm eim!fica esperto!.
→Amigos? Tenho poucos mais os melhores! \o/
→Familia? a mais louca e engraçada de todas(mais gosto deles assim msm)
→Deus?meu anparou nas hras dificeis!(e continua!)
→Preguiça? muita…morro dela!
→Curiosa?(O que? Como? Onde? Quem?)
→Te abracei? Quero de novo!
→Sinto saudades de vc? Vc foi/é especial.→O mundo? Além de pequeno, dá voltas,e como dá…!→Perguntas? Evite, pq não sei dar explicações.
→Ah é? Prova então! =P→Amores? São coisas da vida,faz parte neh =D!
→Solteira? sim,sozinha NUNCA, Não tem como!
→Casada? Com a liberdade
→Pra te agradar? Não vou mudar, nem pensar!
→Minha educação? Depende da sua!
→Sobre mim? Pense o q quiser,ñ tenho o minimo interesse,vivo minha vida.;)!"

OBSERVAÇÃO: Não conseguimos localizar os autores destes textos. Se alguém se julgar prejudicado, favor entrar em contato que retiraremos o texo do ar imediatamente.

Manoel Amaral

sábado, 24 de outubro de 2009

OSVANDIR & ESSAS ADORÁVEIS GAROTINHAS II E III

ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS II

Capítulo II
Nos Computadores

“Um dia eu sou menina,
no outro sou mulher.
Há dias em que o espelho é meu amigo,
outros, meu pior inimigo.”
(Bárbara)


Elas fazem tudo nos computadores. Com a mão esquerda digitam um texto no teclado, com a direita no mouse e com o fone nos ouvidos conversam com as amigas(os) ao mesmo tempo. Em MSN falam com uma terceira, discutem os temas das provas e comentam as novidades.

São multifuncionais, sem errar em nenhum lugar. Claro que o linguajar é bem reduzido, mas dá para todo mundo entender.

Não usam acento nenhum e criaram uma nova regra ortográfica da língua portuguesa.

Recortam fotos, clareiam fundos, corrigem posturas, mudam de posição e lá está uma nova foto para o álbum de fotografias do Orkut.

Criam blogs, ganham prêmios e selinhos e levam a vida como se o mundo fosse acabar amanhã.

Passam nos blog de suas amigas, leem o da Revista Capricho, ficam sabendo das últimas novidades.

E com facilidade acessam o twitter de qualquer lugar, do seu celular, ultra-moderno, ficam sabendo a maioria dos acontecimentos e envia uma mensagem curta o que faz com que isso seja transmitido e retransmitido rapidamente.

Uma novidade no Rio de Janeiro, logo é enviada para o país inteiro e o resto do mundo, traduzida pelo Google...


ESTAS ADORÁVEIS GAROTINHAS III

Capítulo III
Nos Parques de Diversão

Não basta ser linda, tem que ser maravilhosa.
Não basta querer, tem que poder.
Não basta ser boa, tem que ser talentosa.
Não basta ser inteligente, tem que ser esperta.
Não basta despertar vontade, tem que despertar desejo.
Não basta ser uma qualquer, tem que ser única!
(Brenda)


Pulam da Roda Gigante para o Carrinho de Choque, vão ao Carrossel, gritam na Montanha Russa e se assustam no Trem Fantasma. Acalmam na piscina de bolinhas e não querem saber de pequenos carrinhos.

Quando os pais pensam que tudo já acabou, ainda restam os Tobogans.

Comem pipoca, atiram nos bonecos de pelúcia, jogam argolas nas garrafas, compram algodão doce e misturam com churrasquinho de frango.

E agora os pais pensam que realmente acabou e elas dizem que vão passar no shopping...

E aí vão a praça de alimentação, jogar boliche, aparelhos eletrônicos e a dança do momento.

Quando exaustas, e os pais também, de segui-las à distância, ou de receber constantes telefones tipo mensagens enigmáticas:
__Pode vir, estamos no Shop... antes de completar a palavra, desligam!


MANOEL AMARAL
Leia o primeiro capítulo mais abaixo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL VI - FINAL


Capítulo VI - Final
O Fim da Cidade Senhora de Cristal


Aquele simples movimento tornou-se grande demais para os que o defendiam.

A luta foi cruel, grandes equipamentos ultra-modernos, nunca utili-zados, agora foram enviados para aquele rincão.

Até o Prefeito foi assassinado, bem como os grandes líderes. A popu-lação em polvorosa, sem saber para onde ir, muitos refugiaram-se na caverna da Senhora de Cristal.

A guerra acabou, a população foi totalmente dizimada por bombas, tiros de canhão e incêndios. Cinquenta mil soldados contra vinte mil pessoas totalmente desarmadas e indefesas. O massacre foi terrível. Não pouparam nem crianças e os velhos. Muitas mulheres com medo de cair nas mãos dos soldados, pulavam no grande desfiladeiro.

A cidade não se rendeu, lutou até o fim!
A desilusão para os vencedores foi muito grande.
Não havia ouro, só cadáveres,!

E lá na gruta, sobrou uma Senhora de Cristal, que ao meio-dia espalhava lindas luzes coloridas por todos os lados.

E um homem saiu da gruta, fortalecido, e começou a construir uma nova casa seguindo os antigos alinhamentos das ruas...
E tudo começou novamente...
MANOEL AMARAL

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL IV & V

Capítulo IV

O MESSIAS
“E aquela voz foi ouvida, por sobre morros e vales.
Ante ao messias de fato, que jamais quis ser adorado.”
(Raul Seixas)


A internet disponibilizou alguns vídeos que chamaram a atenção do mundo inteiro e aquilo se transformou numa incrível fonte de renda e um verdadeiro inferno para o sistema de segurança da cidade.

Vinha gente da Inglaterra, tentando tirar algum proveito, alemães curiosos, japoneses querendo investir, chineses trazendo novas tecnologias e até do Canadá querendo vender alguns aviões.

Muitos recebiam o visto de entrada, outros nem chegavam à sala do Diretor do Departamento dos Imigrantes.

A União, o Estado e outros Municípios não resistiram aquele movimento de independência.

Diziam que havia muito ouro estocado na gruta, milhões de Reais, dólares e Euros.

Foi nesta época que surgiu um Messias, conquistando todo mundo. Tinha algumas chagas nas mãos e nos pés. Curava enfermos e a sua igreja progrediu, em cinco anos tornou-se conhecida nas redondezas, no país e até no exterior.

O fluxo de pessoas que entravam e saiam dificilmente era controlado, apesar do bom sistema de segurança. O Estado já tinha vários espiões de confiança atuando no centro da cidade.

Vários satélites já direcionavam seus equipamentos fotográficos para aquela cidade.

Fotos minuciosas foram feitas e digitalizadas pelo Google.
Todos, na internet, conheciam os pontos fracos da cidade, só eles não percebiam, até as saídas secretas.

Continuavam naquela luta inglória. Onde existia um indivíduo daquela terra, ele estava disposto a lutar com as suas próprias armas e a sua coragem.



Capítulo V

A Muralha Caiu

As muralhas não te protegem, te isolam.
(Richard Bach)

Vários destacamentos militares foram enviados para destruí-los. A nova ordem não podia aceitar que uma cidade do interior desafi-asse a União.

Grandes somas foram gastas para infiltração e colocação de bombas no entorno da muralha.

A um sinal tudo foi para os ares, não sobrou pedra sobre pedra. Aquela que era a grande muralha, tão cantada nas noites de lua cheia, virou um monte de pedras.

O boato, como sempre, espalhado pelos próprios militares que ocupava a terra era de que todos estavam fortemente armados.

Porém o que se via, era uma população completamente indefesa.

O Messias apareceu no centro da cidade, mas foi brutalmente as-sassinado por um agente infiltrado e ainda jogou toda culpa num pobre coitado que foi terrivelmente trucidado pela população.

MANOEL AMARAL

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL III

Capítulo III

OS GUARDIÕES DA TERRA

"Em matéria de religião, não deve o sábio ser
nem supersticioso, nem ímpio."
(Antoine Rivarol)


Começaram a surgir naquele local muitas seitas, religiões, sociedades secretas e uma infinidade de enganações.

Uma delas adorava os cristais. Nunca foi proibida de exercer o seu culto, desde que não prejudicasse a população. Lançou até uma manifesto a população:

“Nova Era
Nova época se aproxima, aqui em Senhora do Cristal. Uma grande onda energética está se aproximando. Uma essência de luz vinda do espaço, passando por nossos cristais se tornará benigna para todos. É o Senhor de todas as galáxias que quer comunicar-se conosco. Vamos juntar nossos pensamentos em direção a Júpiter para receber melhor os sinais. Uma nova primavera está chegando e com ela as flores cristalinas. Cidadãos, uni-vos em torno de nossa casa para receberem estes benefícios vindos do espaço.
Ashathan Sheran”

As Igrejas Cristãs também lançaram os seus boletins apelando por todos os apóstolos da cristandade.

As Sociedades Secretas, cada uma mais secreta que a outra, escolhiam seu membros no mais rigoroso sistema. Só podiam participar quem fosse realmente honesto, trabalhador e sábio. Como homens sábios estavam rareando, mandaram buscar em todas as partes do país, os mais inteligentes, para participarem de seu núcleo. Eles seriam os Guardiões da Terra dos Cristais.

Ladrões, assassinos, traficantes e usuário de drogas, por ali era difícil encontrar. Ninguém se habilitava, pois eram deportados para outras cidades e nunca mais entravam no Povoado. Pequenos roubos aconteciam e os autores eram severamente punidos com trabalhos sociais, naquela terra não tinha cadeia e sim muitas escolas.

O Povoado de Senhora do Cristal estava crescendo exagerada-mente, até que um dia começaram a fazer uma grande muralha em torno da povoação. Foi a única maneira que encontraram de solucionar o problema do crescimento e as mazelas de cidades maiores.

Tinha deixado quatro portões, dois para rodovias federais e dois para estaduais. Sem contar três saídas secretas, menores, cujo local só os dirigentes conheciam.

Num certo tempo foi necessário solicitar ao Estado o desligamento do povoado da cidade. Para o povo da cidade foi uma tristeza. Vários benefícios foram perdidos. Os políticos não queriam conceder esta dádiva ao povo, mas com muita luta, veio a emancipação.

Exatamente em primeiro de janeiro, data da descoberta da Senhora de Cristal é que saiu o Decreto nº 666, transformando o Povoado em Cidade. O nome ficou o mesmo, cidade da Senhora de Cristal.

Uma enorme festa foi organizada para o povo, com foguetes, brinquedos para as crianças, banda de música e o Prefeito nomeado, falando para todos, na praça central.

Agora precisava fazer uma eleição para escolher quem o povo indicaria para Vereadores, Prefeito e Vice.

O sistema de votação escolhido não era por urna eletrônica. Cada bairro escolhia o seu candidato a Vereador e os partidos os candidatos a Prefeito.

Os Vereadores vencedores seriam os que obtivessem maior nu-mero de votos. O Partido Senhora de Cristal – PSC estava levando vantagem. Os seus candidatos estavam bem cotados, no entanto, através de estratagemas não muito convencionais, alguns partidos nanicos conseguiram fazer alguns Vereadores.

Cada vez mais aquele núcleo de população afastava dos sistemas do Governo Estadual e Federal. Tinha leis próprias, como se fosse um país, dentro do país.

A tributação também era diferente. Os produtos que saiam tinham uma alíquota baixa e os que entravam eram altamente taxados. Pagamento no ato da retirada da Nota Fiscal Eletrônica.

O dinheiro caía aos borbotões nos cofres da Prefeitura, por isso a cidade era muito bem administrada. Não tinham políticos deso-nestos, porque eram expulsos dos partidos pelos eleitores.

As ruas e os sistemas de abastecimentos eram muito bem orga-nizados.

Uma feira foi organizada para exposição dos produtos locais, toda semana. O que sobrava era distribuído gratuitamente entre os mais pobres.

Outra feira anual de grande sucesso era a das pedras preciosas, conhecida mundialmente.

Todos ali dentro daquelas muralhas tinham o seu trabalho. Nin-guém saía, a não ser em casos de extrema necessidade.

Manoel Amaral
(Continua...)

domingo, 18 de outubro de 2009

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL II

Capítulo II
A Organização
" A democracia é um instrumento com o qual uma
minoria bem organizada governa uma maioria organizada."
(Vassili Rozanov)

O local foi crescendo em construções, tudo foi aumentando na cidade mais próxima. Os problemas se multiplicando.

Foi convocada uma reunião de nobres engenheiros e sábios para iniciarem os trabalhos da criação de um núcleo que futuramente se transformaria numa linda cidade.

Analisando o terreno, através de fotos aéreas, um engenheiro, coincidentemente chamado Cristalino, teve a brilhante ideia de fazer um desenho do núcleo em formato de um hexágono e denominar o local de Povoado da Senhora de Cristal.

No centro ficaria o Santuário (onde está localizado a gruta), no sopé da serra, local bem alto, contra enchentes.

Dotada de um subsolo rico em minerais e situado entre várias montanhas, com magníficas nascentes e uma área privilegiada geograficamente por rodovias e hidrovias, ponto de intersecção das rotas de transporte e escoamento da produção agro-industrial.

Devido à altitude, o clima é ameno entre 10 e 26 graus e a precipitação é considerada boa. Suas terras de pura cultura de primeira, são planas, ricas em águas.


O Povoado transformaria num centro produtor e comercializador de pedras preciosas, objetos de adorno em pedras. Tudo ali é feito de cristal, é uma fobia. Daí o nome de Povoado da Senhora de Cristal.

Como é sabido os Cristais são minerais dotados de energias puras. Eles possuem um campo atômico e emitem um tipo de energia sutil inesgotável, usada para auxiliar na cura de doenças físicas e mentais.

Assim foi que o Povoado da Senhora do Cristal, nos primeiros dez anos, encheu-se de moradores por todos os lados.

Necessário se fez tomar o cuidado de um planejamento para o futuro. Fez-se o Plano Diretor.

O mapa do povoado era até, de certa forma, muito interessante.
Tinha uma rua que circundava todo o perímetro, várias partiam do centro indo terminar nela. As quadras, eram irregulares, como retângulos de base mais comprida e a parte superior menor.

Como se um triângulo fosse cortado na parte superior. Essas quadras começavam maiores e iam diminuindo de tamanho a proporção que chegavam ao centro, na praça central do povoado.

As ruas não se cruzavam, passavam uma por baixo da outra. A foto aérea é que dava uma visão melhor.

Os serviços de água, esgotos, energia, telefones, internet passavam todos na mesma canaleta, debaixo dos passeios. Tudo muito bem planejado. A internet era por energia elétrica e todas as casas eram muito bem servidas. Era só ligar e divertir. Conta de Telefone? Ninguém pagava, era tudo via computador. A cidade bebia a super água da gruta.

Quem quisesse mudar para aquele local tinha que receber convite. Não havia mais vagas e uma lista enorme de nomes. Quando havia uma vaga por mudança, falecimento ou expulsão, ela era disputada, mas os dirigentes entregavam ao primeiro da lista, depois de uma análise de toda a vida do cidadão. Se ele não tivesse nada a contribuir, não era aceito. Critério? Os sete sábios do Povoado era quem decidiam.

Manoel Amaral

terça-feira, 13 de outubro de 2009

OSVANDIR E A SENHORA DE CRISTAL

OSVANDIR E A IMAGEM DE CRISTAL

Capítulo I
A Caverna

Estavam no ano 2050, comemorando o Cinqüentenário da descoberta da imagem.

Um novo pastor da União Universal, a religião dos sem religiões, rememorava os fatos:

“Foi no ano de 2000, em 1º de janeiro, época em que viram algumas luzes sobre o local da gruta que um mineiro resolveu investigar e encontrou uma imagem, numa linda caverna de cristais com formações diversas, num espetáculo raro.

Coletou algumas amostras de rochas e minerais para pesquisa. Ele havia entrado numa área jamais visitada pelo homem, com formações de milhares de anos de paz e tranqüilidade.

Estalactites e estalagmites lá estavam, juntamente com cristais por toda parte e num local bem no fundo, quase encostada numa parede, lá estava aquela perfeita imagem de puríssimo cristal, com cerca de um metro e meio de altura.

Descrevê-la seria tarefa de para quem entendesse bem de cavernas, um espeleólogo, as formações de estalactites e estalagmites, minerais, ocorrência de água, frestas, salões, etc.

Uma verdadeira cortina descia por trás da imagem. Um manto de outra cor mais escura, mas do mesmo material cobria aquela, Senhora, se podemos assim chamá-la.

Um raio de luz, que não sabemos como, atingia sua cabeça, por volta do meio-dia, espalhando luz por todos os recantos.

Uma água, de nascente pura e cristalina descia de uma rocha e espalhava-se, formando um poço azul, tão límpida que dava para ver o fundo.

Grandes frisos, parecendo dobraduras de tecidos brancos, cobriam várias áreas, como verdadeiras cortinas.

Lindas estalactites pendiam do teto, bem como as estalagmites que davam a impressão estarem brotando do chão.

Um cenário de filmes de Indiana Jones, onde a acústica funcionava como se fosse uma concha, habilmente construída para essa finalidade. A propagação do som era incrível. Nem se podia falar alto por ali, era perigoso despencar uma daquelas belezas do teto e espatifar-se contra as que estavam no chão.

Uma das medidas que tomaram, logo no início da descoberta, foi delimitar a área permitida para visitas, para não danificar o local.

As pessoas afetadas por claustrofobia, ali não sentiam nada. Pelo contrário, ficavam em perfeito estado de consciência, sabendo de tudo que se passava.

Alguns dos primeiro visitantes quiseram arrancar algumas pedras para levar de lembrança e começaram a danificar o ambiente, o que foi proibido dali para frente.

Do lado de fora da caverna existiam muitos quilos de cristais suficientes para todos, retirados de outros locais e ali colocados para essa finalidade.

Com a difusão de alguns boatos de curas pelas águas da gruta, as visitas aumentaram.

Foi necessário estabelecer algumas regras e um guarda foi colocado ali para vigiar possíveis vândalos.

Toda mídia falada e escrita divulgavam sempre as belezas do local.
Fotos padronizadas foram distribuídas para a imprensa, evitando assim futuras visitas indesejáveis.

Muitos cartões postais adotaram aquela gruta como tema. Uma longa reportagem saiu num jornal inglês e foi repetida milhares de vezes na internet e logo apareceram os primeiros turistas estrangeiros.

Munidos de máquinas fotográficas e garrafas vasias para levar água, entravam e saiam da gruta.

O proprietário do terreno já estava incomodado com tanta gente. A Prefeitura não conseguia atender a todos. Hotéis lotados permanentemente. Cristais e mais cristais eram colocados na frente da gruta e de um dia para outro tudo sumiam, evaporavam. O povo naquela ânsia de levar qualquer coisa para casa, passava a mão naquelas pedrinhas brilhantes que ali estavam para essa finalidade.

Começaram a aparecer os camelôs vendendo de tudo. Foi preciso colocar uma ordem, para não haver tanta exploração do povo.

A embalagem de uma pequena garrafa plástica de meio litro custava R$5,00. Todos queriam levar aquele líquido, que parecia ser uma ótima água mineral.

Vários engenheiros e cientistas de todo o mundo ali compareceram e deram a sua opinião. A água foi analisada por órgãos competentes e chegaram a conclusão que era a água mais pura encontrada, muito benéfica a saúde. Uma composição incrível, nunca vista em nenhum lugar do planeta: Bicarbonato, cálcio, magnésio, sulfato, nitrato, potássio, sódio, fluoreto e uma substância desconhecida, jamais analisada.

Quando guardada em lugar fresco e seco, sem exposição a luz, seus efeitos duravam em média três meses. Uma água mineral pura, leve e saudável.”

Mas como dizíamos, estavam comemorando o cinqüentenário e junto com as explosões dos foguetes, outras explosões se ouviram em vários locais...

(Continua)
Manoel Amaral

domingo, 11 de outubro de 2009

OSVANDIR E O LCROSS NA LUA


Imagem Google

“Mesmo partida a lua jamais deixará de brilhar”
(Simair, primo de Osvandir)

Outubro de 2009

Foi quando o Lunar Crater Observation and Sensing Satellite (LCROSS), atingiu a lua pela primeira vez, levantando uma poeira de vários quilômetros, em 09 de outubro de 2009, perto da cratera de Cabeus, onde tudo começou.. Com objetivo de estudar a possibilidade de encontrar água na lua os cientistas começaram a enviar cada vez mais satélites de observação para aquele astro.

Os cientistas estavam bastante contentes com a quantidade de dados que recebiam.

Muito sensível, ele fotografava, analisava o solo, enviava um mapa do calor e outros dados de suma importância para as futuras viagem dos astronautas da NASA.

Em alguns meses, todos os dados analisados, para perceberem se havia moléculas de água, constando uma camada de gelo na superfície.

Muitos esperavam imagens fantásticas, mas foram surpreendidos por fotos de simples poeira lunar, levantada pelo impacto daquele aparelho.

Os cientistas, preocupados com a infinidades de dados recebidos, nem se atinavam por possíveis falhas nos sistemas de informações.

Naquele mês o Presidente da maior nação do mundo recebera o Prêmio Nobel da Paz, muitos não entenderam a finalidade daquele título. Até o nome do Presidente Lula fora cogitado, mas a turma de puxa-sacos maior, pendia para o Norte Americano. “Aquele era o Homem!”

Setembro de 2010

Todos estavam preocupados com guerras, fome, falta de alimentos, transtornos na natureza. Furacões, maremotos, chuvas, desmonoramentos, pessoas sem teto; anunciando péssimas notícias para os próximos anos. No Brasil aquela marolinha, com eleições para Presidente.

As experiências na Lua continuaram. Mais uma vez ninguém verificou os efeitos danosos provocados no satélite.

Os foguetões continuaram subindo e impactando o solo lunar. A poeira continuava a subir num espetáculo, cada vez mais observado por astrônomos e cientistas da NASA.

Agosto de 2011

Neste ano muito sucesso foi obtido com o lançamento de dois foguetes contra uma cratera na superfície da Lua.

“O objetivo da missão continuava o mesmo, testar os detritos criados pelo impacto para verificar a presença de água no solo lunar.”

“A comprovação da presença de água congelada no satélite facilitaria a instalação de uma futura base para a exploração na Lua, diziam os cientistas.”

Alguns astrônomos que observavam o impacto a partir de telescópios ainda continuavam decepcionados com as imagens captadas.

“Os cientistas esperavam que cada lançamento criava cerca de 350 toneladas de detritos, jogados a uma altura de até dez quilômetros.”

As missões do Satélite de Sensoriamento e Observação de Crateras Lunares (LCROSS, na sigla em inglês) com um custo estimado de US$ 79 milhões (cerca de R$ 138 milhões) cada, continuaram a seguir para a lua.

E o objetivo era sempre o mesmo: “ajudar a abrir o caminho para o retorno de astronautas americanos à Lua até 2020.”

Novembro de 2012
Tudo estava indo muito bem, até que numa observação de rotina, nos foguetes, encontram uma bomba no meio daquelas fiações quilométricas.

Era uma sabotagem de alguns paises do “eixo do mal”, que desde os primeiros lançamentos já estavam enviando essas bombas de alto efeito no solo.

Em pouco mais de dois anos, várias bombas de alto poder destrutivo estavam sendo enviadas para nosso satélite e ninguém sabia de nada.

Até que um dia a lua começou a sentir os efeitos destas explosões e vários pedaços de granito foram atirados ao espaço e ela dividiu em duas partes. A menor subdividiu-se em vários pedacinhos, girando, como aqueles asteróides que estão entre Marte e Júpiter.

Os poetas ficaram tristes, olhar para o espaço e ver a lua partida, partia os corações. Não havia mais lua cheia, apenas meia lua.

Agora que tudo estava mudado, a NASA e seus cientistas começaram a lancar foguetes com possantes câmeras para estudar... o cinturão de asteróides de Marte...:


Nasa lança sonda para estudar asteróides


“Cabo Canaveral - Uma sonda pioneira, que pode servir de modelo para futuras missões interplanetárias, subiu ao céu na quinta-feira a bordo de um foguete não-tripulado Delta 2, com o objetivo de explorar dois asteróides entre Marte e Júpiter.”

MANOEL AMARAL
osvandir.blogspot.com.br

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OSVANDIR E O VENDEDOR DE LINGUIÇA

“Em tempos de gripe Suína ninguém quer saber de lingüiça de porco”.
( O velhinho vendedor)

Osvandir descia a rua principal de seu bairro, com intenção de dirigir-se ao conturbado centro de sua cidade, para pagar algumas contas, nos Bancos, que estão em greve.

Sua atenção foi despertada por um vendedor de lingüiça, que anunciava o produto.

Um velhinho, barba e cabelos brancos e um bonito chapéu a lhe cobrir a cabeça, estava com seu velho Scort branco, de priscas eras, com pneus carecas, pára-choque quebrado, parabrisa trincado, lanternas queimadas, assentos furados, pintura queimada pelo abrasante sol, significando que não tinha garagem para guardá-lo.

Aqui é assim: no centro não existem mais garagem, no lugar foram instaladas qualquer comércio pequeno. Pela cidade afora pipocam sorveterias, lanchonetes, bares e lojas de confecções, sem contar uma infinidade de Odontólogos, Advogados, Engenheiros, Clínicas de Saúde, Salões de Beleza é uma cidade comercial, prestadora de serviços.

Mas voltemos ao tema principal: o velhinho da linguiça. Ele gritava que ela era de puro lobo ou pernil de porco.

Osvandir resolveu parar seu carro e ir ver o produto. Aí ele muito solícito, deu-lhe um pedacinho para experimentar. Trazia já frito de casa, numa pequena vasilha de plástico, muito asseada.

A lingüiça era até mesmo muito boa, com um gosto especial. Perguntado sobre o assunto, informou que a carne dormia no tempero forte e só de manhã era colocada nas tripas.

Mas Osvandir ficou desconfiado de alguma coisa. Pediu endereço para futura encomenda e ele deu-lhe um cartãozinho, feito em computador, pelo neto, com alguns erros de português.

Seguindo para o centro da cidade, tentou estacionar o veículo, foi abalroado por uma Senhora, até bonita, que saia do estacionamento. Não houve discussão, não compensava, apenas um risco a mais na lataria.

Tentou entrar no banco e dois grevista lá estavam para barrar todo mundo. Se existe uma coisa que Osvandir detesta é o direito de ir e vir que lhe garante a Constituição. Discutiu com os grevistas, ensinou-lhes novas maneiras de fazer greve sem prejudicar a população. Lembrou até daquele caso que aconteceu em Belo Horizonte, quando trocadores e motoristas, em greve, liberaram as catracas para todo mundo viajar de graça. No outro dia receberam polpudo aumento de salário.

Tentou pagar as contas via equipamento eletrônico, mas seu cartão estava sendo recusado. Mudou de máquina e conseguiu pagar os que tinham condições, os demais pagou na loja de loterias.

Ao voltar, ficou pensando em visitar o velhinho para ver as lingüiças. Desceu a rua principal e dirigiu-se para o bairro. Lá no fim da rua, na beira do rio, estava a casa anunciada no cartão. Um barracãozinho nos fundos era a fábrica da dita cuja.

Chamou, ninguém atendeu. Não tinha campainha no portão. Como estava aberto, Osvandir entrou. O cheiro forte que notara ao comer o pedacinho na rua, veio-lhe as narinas. Alguns ossos e couros peludos, marrons, chamou-lhe atenção. A caveira era de porco, mas o couro estava estranho. Pesquisou por ali e encontrou uma grande quantidade de carne para fazer a lingüiça. Era um pouco escura, estava com muito tempero. Cheiro muito forte, para o fraco estômago do Osvandir.

Já estava saindo, quando o velhinho chegou apressado e entabulou uma conversa meio enganatória:

__ Temos uma criação de porcos especiais, muito bons, carne de primeira, veja aí no cercado.

No tempo de criança, Osvandir via muita criação de porcos, em locais que chamavam de manga ou chiqueiro. A manga era cercada totalmente por barrancos, e os animais ficavam lá dentro, a espera de qualquer alimentação.

Desistindo da compra, resolveu ir para casa, despediu-se do velho e prometeu-lhe voltar qualquer dia.

Ao passar pela ponte do rio, viu às margens, uma manada de capivaras pastando e nadando no local.

Manoel Amaral
http://osvandir.blogspot.com
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OSVANDIR, O PARDAL E O LOUVA-DEUS

“O pássaro jamais emudece, nem retrocede,
segue cantando e construindo,
construindo e cantando.”
(Sebastião Ramos de Oliveira - Fortaleza-CE)


Osvandir descia a rua para ir ao supermercado fazer compras das ofertas do dia, quando viu um pequenino pardal numa luta terrível contra um seu inimigo, o louva-deus.

Ele bicava rápido aquele inseto verde, tentava por a nocaute aquele jantar. Clicava direto nos olhos para apressar a morte da futura comida.

Quando já ia mais embaixo viu uma andorinha sondando um ninho de outro passarinho, numa mangueira, mas o dito a espantava. Não entendeu o motivo, pois a linda andorinha estava com um inseto no bico e o ninho estava cheio de filhotes.

O melro, pássaro malandro, bota em ninho de tico-tico e nunca mais volta lá para tratar dos filhotes e nem por isso eles deixam de sobreviver, muito bem tratado pela mamãe tico-tico. Às vezes trata primeiro do filhote adotivo, que costuma jogar os demais fora do ninho.

Mas voltemos ao pardal. Ele veio para o Brasil nos antigos porões de navios desde o descobrimento. Invadiram nossas cidades, foram para a zona rural e voltaram novamente paras as cidades. Interessante notar que muitos pássaros e animais estão retornando para as comunidades a procura de alimento.

Do quintal de seu sogro, numa pequena cidade de Minas, Osvandir via sempre um belo tucano que só tinha visto em cativeiro.

As maritacas, as araras, os bem-ti-vis, as trocais, as rolinhas, etc., estão cada vez mais invadindo as cidades em busca de alimentos.

Culpa do homem, que cortou todas as árvores frutíferas dos cerrados, das matas. Tem fazendeiro ignorante que para plantar capim para o pasto do gado, corta todas as árvores, deixa tudo limpo. Depois reclama que está faltando água em seu sítio. Vai faltar mesmo, vai secar tudo, não é praga do Osvandir, é por que as árvores ajudam a manter as nascentes.

Outros cortam e nunca plantam nada, nem horta, levam tudo do supermercado, até cebolinha, pode?

Quando vem a cidade levam para roça todas as coisas que poderiam estar produzindo lá mesmo: rapadura, leite, doces, farinha, polvilho, verduras e legumes, lenha, canas, árvores frutíferas. Cortaram tudo que havia no local e não plantaram nem um pé de manga. São bitolados, só visam o lucro. Tem uns que nem vaca leiteira eles criam, dizem que dá muito trabalho e prejuízo, preferem criar bezerros para engorda e venda posterior, daí alguns meses. Vão só comprando terras e desmatando, prejudicando o meio ambiente.

As chuvas já não vêm nos meses certos como antigamente, está tudo mudado, até lobos guarás estão encontrando nos quintais, assustando a população.

O pardal era muito odiado há algum tempo, hoje ninguém se preocupa com ele. Está sobrevivendo apesar de o homem estar ao seu lado. Entra na cozinha, pega um grão de arroz, voa pela janela. Volta leva um pequeno pedaço de pão.

A comida é farta, para que ele vai se preocupar? Na roça correria o risco de ser apanhado em algum alçapão ou morrer na boca de algum predador.

Ele estava ali diligente, tentando preparar a sua comida ou dos filhotes. Bicava o inseto verde que esperneava. O povo passando bem pertinho, ele não estava nem aí para ninguém, cuidava de sua presa.

Bicava, bicava e bicava, até que o louva-deus ficasse imóvel.
Daí ele, com certeza iria parti-lo em pequenos pedaços, para devorar por ali mesmo ou levá-los até o seu ninho.

A andorinha sempre voando em torno da árvore, chilreando. O outro pássaro defendendo o seu ninho, quem sabe estaria criando um filhote de andorinha? Não sabemos, o fato é que ela estava ali e insistia.

São pequenos fatos da natureza que ninguém quase nota, mas os olhos de lince de Osvandir não deixam passar.

Manoel Amaral
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