sábado, 5 de setembro de 2009

OSVANDIR & O DIA EM QUE A INTERNET ACABOU


Capítulo I

O RAIO AZUL


Um lindo raio azul cobriu aquele céu cheio de nuvens brancas. Tudo parou de funcionar. Os aviões pousaram em locais improvisados, apenas os pássaros permaneceram no espaço. A energia elétrica desapareceu.

As águas do mar ficaram revoltas, alguns vulcões voltaram a jorrar aquela lava, derretendo tudo a sua frente. Algumas ilhas afundaram, outras apareceram, mudando o Mapa do Mundo.

Novas Ordens foram criadas, maneiras antigas ressuscitadas. Gostos e desgostos em discussão. As cidades ficaram quase vazias. Não tinham o que fazer por ali, sem energia elétrica. Os bancos voltaram a utilizar aquelas velhas máquinas Facit de calcular, resgatadas dos museus e porões.

As máquinas de escrever Ollivetti ou Halda ficaram valorizadas. Os papéis diminuíram e muito caros. Todos os rascunhos foram aproveitados. Papel carbono, para cópias, era raro no mercado. No comércio em geral, passaram a utilizar o jornal velho para embrulhar as coisas.

As feiras de verduras se tornaram grandes feiras de troca. Tinha de tudo, até relógio de pulso movido a corda.

Os celulares eram abandonados nas mesas dos bares e serviam de brinquedos para crianças. Tinha até um jogo premiava quem atirasse o seu mais longe, no meio do brejo. Um artista plástico criou uma casa só destes aparelhos e gabinetes de computadores.

As bebidas fortes como cachaça, que não dependia da energia elétrica para a fabricação, voltaram ao mercado. O açúcar saiu da praça e entrou a rapadura no lugar. O café até ficara mais gostoso. Saíram os pães, roscas; as padarias estavam vendendo apenas biscoitos de polvilho e bolos de fubá do legítimo moinho d’água.

Aos poucos, os carros foram parando, quando acabava a gasolina.
Aqueles mais modernos, nem chegaram a funcionar, por causa dos circuitos elétricos. Estava até engraçado, os carros antigos valiam mais que os novos. Os Jipes ficaram, muito raros e caros, só os grandes fazendeiros os possuíam. Os antigos “Ferros Velhos” transformaram-se em “Ferros Novos”.

Criaram um óleo de mamona que fazia os veículos a diesel funcionarem perfeitamente, até os tratores.

Os jovens, agora sem internet, sem nada para fazer, sem shopping para visitar, foram plantar horta nos lotes vagos e acharam até divertido a nova distração. Os campos de futebol viraram currais para criação de ovelhas ou cabritos. Voltou o futebol de campinho de várzea.

Os astrônomos, ufólogos, jornalistas e outros correlatos foram plantar batatas ou fazer coisa melhor para sobreviver. Sobraram poucos cientistas, as profissões perderam o valor. Os professores estavam muito requisitados, mas o ensino era bem diferente.

(Continua, se eu sobreviver...)

Manoel Amaral

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2 comentários:

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  2. Fantástico! O conto mostra de maneira caricatural como a internet ou os jogos virtuais estão corrompendo os valores da família e da vida em comunidade. Parabéns Confrade!

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