quinta-feira, 24 de setembro de 2009

OSVANDIR E A MULHER DA MALA II
Capítulo II
As Malas
“Nós somos nossos defeitos”. (Osvandir)
(Para o Amigo Al, da Bahia)


Muitos leitores queriam saber o que continha naquelas duas malas da Mulher de Branco.

O Osvandir fez uma investigação sobre este assunto, vamos ver a seguir a sua conclusão: Parece que tinha um pedaço de pano branco, com manchas de sangue, vazando para fora da mala maior.

Aquilo seria um crime? Ou apenas o assoamento de nariz, em época de Gripe Suína? Poderia ser outra coisa também: resto de roupa íntima, em dia de menstruação.

Pegou o ônibus, desta vez em Bom Despacho, tinha feito uma venda importante, deveria ir aquela cidade para receber o valor de vários computadores para uma Lã House, adquirido por uma livraria, e também um Notebook, para um açougue. As coisas são assim mesmo, inusitadas.

Vinha vindo tranqüilo no ônibus, cheio de estudantes, com uniformes azuis e brancos, de uma escola famosa na cidade.

Ao estacionar na Rodoviária de Nova Serrana, lá estava a Mulher de Branco, conversando com o motorista, desta vez um outro, para nós desconhecido.

Muito gentilmente ele atendeu aquela senhora, pobre senhora.

Com todos estes pensamentos na cabeça, Osvandir olhou para traz e viu aquela mulher: magra, olhos azuis claros, rosto comprido, seios pequenos, quase aparecendo sobre aquelas vestes esvoaçantes contra o vento de agosto, dando adeus para todos.

O olho clínico de Osvandir não saiu daquelas malas. A curiosidade mata mais que gripe suína. Ele não conteve e acabou puxando uma daquelas malas, a menor, para bem perto de si.

Na descida, no trevo para Igaratinga, levou consigo, a dita mala, a menorzinha.

Estava aflito, o que teria ali dentro. Ela estava até leve pelo tamanho. Quando parou num posto, foi ao banheiro e levou a pequena mala, uma maleta.

Ao abri-la levou um tremendo susto, até quis gritar! Mas pensou bem e se conteve.

Pensou em deixá-la ali, em qualquer lugar bem visível. E se a Mulher de Branco viesse buscar a mala? Pegou carona no carro do primeiro colega que encontrou e seguiu para Divinópolis.

__ E aí companheiro? O que tem dentro desta mala velha e suja?
__ Segredo, mistério!
__ Ora vai, conta aí, Osvandir!

Foi então que Osvandir resumiu toda a história e o motorista, não gostou do assunto, porque disse que a Mulher de Branco, estava aparecendo no Povoado de Água Limpa, logo à frente.

Foi só ele acabar de falar, olhe ela lá antes da Curva do Cachorro Morto.

Osvandir estremeceu, não esperou ela pedir a mala. Jogou-a pela janela. Ela foi rápida, pegou-a, ainda no ar e sumiu...

__ Mas e o segredo da mala? Agora você pode contar. Ela foi embora mesmo.
__ Certo, vou revelar: dentro da mala tinha apenas alguns retratos antigos, um de casamento e outros de filhos do casal, uma carta que não li e uma blusinha de crianças de uns dois anos.

Manoel Amaral
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