terça-feira, 11 de agosto de 2009

OSVANDIR, A FACA E O PORCO

"Porco gordo e sogra rica só dão lucro quando morrem."
(Jesuir, Avô do Osvandir)



Naqueles tempos não era como hoje, que é só a gente ir ao açougue e comprar o que quiser: linguiça, filé, lombo, picanha, alcatra, patinho traseiro e dianteiro, ou qualquer carne de segunda, bem moidinha, para fazer bolinhas ou para colocar nos pastéis.

Tinha que suar o dia inteiro, almoçar ali mesmo no mato, bem cedo, cerca de dez horas da manhã e ao chegar em casa já tinha jantar pronto.

A noite um sono direto, depois pegar no serviço bem cedinho para cortar cana, jogar espiga de milho para os porcos e sal para os bois, plantar milho, feijão ou arroz. Era a lida diária daquela fazenda.

Em época de colheita a movimentação na fazenda era maior: tinha a moagem da cana para fabricação de rapadura. Arrancar os pés de feijão, por para secar. Cortar molhos de arroz, juntando os feixes maiores para depois bater no jirau. Bater vara no feijão dava uma dor terrível nas costas. Capinar cana nova cortava os braços e com o suor, aquilo ardia muito.

Dona Maria avisou:
__ Osmair, a carne acabou.
__ Pode deixar Maria, amanhã a gente mata um leitão.

Levantaram cinco horas para matar o porco. O tio do Osvandir usava uma faca própria, cumprida e fina.

Correram, correram, sujaram de barro, pularam cercas, caíram em buracos, sofreram com espinhos, galhos, mas finalmente pegaram o bicho.

Era um porco novo, magro, bom para tirar mais carne, mas muito esperto.

O tio pegou o porco, segurou suas pernas da frente, mandou o Osvandir segurar as traseiras. Levantou uma de suas patas e cravou a faca por baixo. O sangue jorrou, a faca ficou lá.

Deixaram o animal imóvel no curral e foram buscar os bagaços de cana, palhas de milho e as folhas de bananeira para queimar os pelos do porco.

Qual não foi a nossa surpresa quando chegaram ao local, cadê o porco? Nada. Nadinha de nada havia ali. O porco escafedeu-se, Osvandir até pensou que o dito, havia ressuscitado como diz na bíblia.

O pior que ele sumiu com a preciosa faca do tio Osmair.

No dia seguinte ele apareceu, sem a faca, comendo no cocho junto com os outros, como se nada tivesse acontecido.

MANOEL AMARAL

Você pode ler outros textos do Osvandir em:

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