domingo, 16 de agosto de 2009

OSVANDIR E OS LADRÕES DE GALINHAS


“Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.”
(Osair, Tartaravô do Osvandir)

O primeiro caso, Osvandir tomou conhecimento pela internet. Lá para as bandas de Varginha - MG, na localidade denominada de Carmo da Cachoeira, onde um ladrão foi preso em flagrante por ter furtado duas galinhas e ter perguntado ao delegado:"desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?"
O ladrão tinha o apelido de “Rolinha”.

O interessante foi que o Juiz mandou soltá-lo exarando uma sentença em versos, abaixo apenas dois deles:

"Não deve ficar na prisão
quem furtou duas penosas,
se lá também não estão presas
pessoas bem mais charmosas."

"Se virar homem honesto
e sair dessa sua trilha,
permaneça em Cachoeira
ao lado de sua família,
devendo, se ao contrário,
mudar-se para Brasília!!!"

Outro caso interessante veio de uma outra cidadezinha do interior. Muitas galinhas estavam sumindo dos galinheiros sem ninguém saber como.

Os policiais ficaram vigiando para ver se conseguiam prender alguém e nada. As galinhas continuavam desaparecendo, sem deixar vestígio.

Um dia, por acaso, foi encontrado de madrugada o Zé da Cachaça com quatro galinhas dependuradas num pau, dirigindo-se tranquilamente para sua casa.

O mistério foi resolvido, era ele mesmo o autor dos furtos. Mas uma coisa ainda intrigava o delegado. Como ele conseguia pegar as galinhas sem fazer nenhum barulho?

Foi o próprio ladrão que explicou:
__ Galinha é doida por poleiro, portanto já carrego este aqui, um cabo de vassoura. Chego no galinheiro coloco-o debaixo de seus pés e elas sobem sem nenhum barulho. Na rua amarro todas e levo para casa.

Esta história interessante aconteceu num povoado muito festeiro, no Norte de Minas. Toda semana acontecia uma galinhada na casa de alguém.

Foi numa dessas que Osvandir foi convidado a participar de uma, sem saber como tudo funcionava.

A casa escolhida foi a da Dona Mariazinha, gente finíssima, viúva. Perdera o marido há muito tempo e ia seguindo aquela vidinha de cidade pequena.

A turma matou, depenou e temperou a galinha, bem gordinha e levou para Dona Mariazinha cozinhar para turma apreciar durante a noite, como era de costume.

Quando a hora chegou, os quatro colegas e Osvandir seguiram aquelas ruas estreitas do Povoado e chegaram até a casa.

Tudo já estava bem preparadinho e que cheiro exalava daquela cozinha.

Todos devoraram aqueles pedaços de carne da saborosa galinha com arroz.

No final, o acerto de contas: eles deveriam dividir as despesas entre si.

Conversa vai, conversa vem e um deles falou:
__ Quem vai dar a notícia a Dona Mariazinha?

Notícia, que notícia? Osvandir foi ficando meio preocupado. Um deles se prontificou a resolver todos os problemas. Era o João Gordo, especialista em pilantragem.

__ Podem deixar, vou resolver tudo com Dona Mariazinha.
__ Dona Mariazinha! Venha até aqui, vamos acertar as contas, pagar o trabalho da Senhora...

Ela chegou de mansinho, disse que não ia cobrar nada pelo trabalho. Se quisessem, levariam depois apenas o arroz que foi gasto. Quando João perguntou pelo preço da galinha, o caldo engrossou:
__ Que galinha?
__ A que comemos, era aquela carijó, a mais gordinha de seu galinheiro.

A velhinha virou uma fera e saiu com um cabo de vassoura nas mãos espantando todo mundo da sala. Saiu gente até pelas janelas!

Foi aí que Osvandir ficou sabendo da tradição do lugar. Eles furtavam as galinhas a noite e no dia seguinte voltavam com elas preparadas para o cozimento, na própria casa do dono.

MANOEL AMARAL
Leia toda a sentença em versos aqui:
http://www.soleis.adv.br/sentencafurtogalinhas.htm


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