sexta-feira, 28 de agosto de 2009

OSVANDIR E O SEQUESTRO - FINAL

Capítulo II
O CHEFÃO

“Alguém chegou, não pude vê-lo, fecharam a porta do quarto. Parecia ser o chefe. Ditava ordens para a mulher e o outro homem. Dizia: __ Quero o rapaz bem cuidado. Nosso lema é não maltratar os seqüestrados. O outro falou: __ O Senhor já verificou se o rapaz é este mesmo? __ Não precisa, estava no local indicado pelo interessado.”

“Conversou cerca de meia hora e foi embora. O outro homem, que não tinha visto direito, resolveu aparecer no quarto. Era um tipo bem esquisito: não tinha nada cobrindo o rosto, branco, musculoso e uma águia tatuada no braço direito. Estava de bermuda e uma camiseta branca. Não estava ouvindo a conversa da mulher, sinal que só estava um ali naquela casa.”

“Depois que ele saiu do quarto, parece-me que ligou a TV e foi tomar banho num pequeno banheiro dos fundos. Aproveitei para verificar aquele armário. Na prateleira de cima estava aqueles medicamentos que a jovem usou para cuidar de meus ferimentos. Na parte de baixo encontrei alguns xampus e desodorantes. No fundo um galão de 5 litros daqueles desinfetantes de fabricação caseira, branco, com aparência de leite. Tive uma ideia maligna: peguei a caixa de leite que estava sobre a mesa, tomei um copo e notei que estava no fim. Despejei meio litro de desinfetante naquela caixinha de leite e deixei ali.”

“Nesse meio tempo a moça chegou toda perfumada, com cadernos e livros nas mãos, uma blusa que indicava onde estudava. Entrou no quarto e pegou a caixa de leite e levou para a sala. O almoço chegou, comi e tomei um pouco de guaraná que veio junto. Bati na porta, ela abriu e o homem apareceu, também estavam almoçando. A caixa de leite continuava lá numa mesinha. Perguntei se já estavam procurando meus parentes para o pagamento do resgate e eles disseram que isso seria feito ainda naquele dia.”

“O homem, que foi chamado de Tião (devia ser apelido) pela jovem, pegou um copo e tomou um pouco daquele suposto leite. Gritou um palavrão e cuspiu fora, tossiu, tossiu e perguntou o que era aquilo. Eu cheirei e disse que parecia detergente que procurasse uma farmácia para tomar um antídoto. Ele saiu correndo!”

“Anoiteceu e ele não mais apareceu, com certeza fora internado em algum hospital. A jovem falou que ia dormir lá no pequeno quarto, disse-lhe que se quisesse poderia ficar no maior. Ela ficou pensativa, depois falou: __ Nenhuma coisa nem outra, venha dormir aqui comigo!”

“Osvandir aceitou. Ela foi logo tirando algumas peças de sua roupa vestindo um camisa maior de malha. Enfiou a mão no shortinho e tirou o celular ali na parte da frente, ficou claro o que provocava a saliência da região pubiana que tanto me chamou a atenção. Foi deitando devagarzinho sem dizer nada. Também fiquei só de calção e deitei-me do lado da porta. Perguntei se queria um chá, ela respondeu que sim. Havia encontrado alguns saquinhos no armário. Peguei dois de camomila, coloquei a água para ferver, já com açúcar.”

“Na falta de xícara, trouxe dois copos mesmo. Quando estava na cozinha vi as chaves em cima da pia. Levei aquele chá e entreguei-lhe um copo, ela bebeu de duas tragadas, fingi que bebia e não bebi nada. Levei o copo de alumínio e os copos para cozinha e derramei o meu na pia. Voltei e deitei. Pensei em passar uma linda noite de amor mas ela já estava cochilando. Fiquei esperando, quietinho.”

“Assim que adormeceu, peguei a calça, a camisa e outros pertences. Apanhei as chaves e o seu celular, abri a porta principal e disparei rua abaixo.”

Encontrou um bar ainda aberto e perguntou que local era aquele e como faria para conseguir um táxi. O proprietário informou-lhe que na rua seguinte tinha um ponto e talvez ainda encontrasse algum lá. Caso contrário poderia ligar para João Taxista que ele viria imediatamente. Deu sorte, encontrou um que estava quase saindo para casa. Pediu que o levasse a um hotel mais próximo.
Olhou seus bolsos e ainda tinha bastante dinheiro, pagou a corrida, entrou no hotel e solicitou um quarto.


De manhã, ao tomar o café, viu um jornal no sofá, abriu a página policial e lá estava:
JOVEM É CONFUNDIDO COM GERENTE DE BANCO.


E seguia explicando que um jovem fora sequestrado, por engano, pela maior quadrilha de assaltante de bancos do país.

E Osvandir nem ficou sabendo o nome da linda jovem com quem ia dormir...

MANOEL AMARAL

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