sexta-feira, 28 de agosto de 2009

OSVANDIR E O SEQUESTRO - FINAL

Capítulo II
O CHEFÃO

“Alguém chegou, não pude vê-lo, fecharam a porta do quarto. Parecia ser o chefe. Ditava ordens para a mulher e o outro homem. Dizia: __ Quero o rapaz bem cuidado. Nosso lema é não maltratar os seqüestrados. O outro falou: __ O Senhor já verificou se o rapaz é este mesmo? __ Não precisa, estava no local indicado pelo interessado.”

“Conversou cerca de meia hora e foi embora. O outro homem, que não tinha visto direito, resolveu aparecer no quarto. Era um tipo bem esquisito: não tinha nada cobrindo o rosto, branco, musculoso e uma águia tatuada no braço direito. Estava de bermuda e uma camiseta branca. Não estava ouvindo a conversa da mulher, sinal que só estava um ali naquela casa.”

“Depois que ele saiu do quarto, parece-me que ligou a TV e foi tomar banho num pequeno banheiro dos fundos. Aproveitei para verificar aquele armário. Na prateleira de cima estava aqueles medicamentos que a jovem usou para cuidar de meus ferimentos. Na parte de baixo encontrei alguns xampus e desodorantes. No fundo um galão de 5 litros daqueles desinfetantes de fabricação caseira, branco, com aparência de leite. Tive uma ideia maligna: peguei a caixa de leite que estava sobre a mesa, tomei um copo e notei que estava no fim. Despejei meio litro de desinfetante naquela caixinha de leite e deixei ali.”

“Nesse meio tempo a moça chegou toda perfumada, com cadernos e livros nas mãos, uma blusa que indicava onde estudava. Entrou no quarto e pegou a caixa de leite e levou para a sala. O almoço chegou, comi e tomei um pouco de guaraná que veio junto. Bati na porta, ela abriu e o homem apareceu, também estavam almoçando. A caixa de leite continuava lá numa mesinha. Perguntei se já estavam procurando meus parentes para o pagamento do resgate e eles disseram que isso seria feito ainda naquele dia.”

“O homem, que foi chamado de Tião (devia ser apelido) pela jovem, pegou um copo e tomou um pouco daquele suposto leite. Gritou um palavrão e cuspiu fora, tossiu, tossiu e perguntou o que era aquilo. Eu cheirei e disse que parecia detergente que procurasse uma farmácia para tomar um antídoto. Ele saiu correndo!”

“Anoiteceu e ele não mais apareceu, com certeza fora internado em algum hospital. A jovem falou que ia dormir lá no pequeno quarto, disse-lhe que se quisesse poderia ficar no maior. Ela ficou pensativa, depois falou: __ Nenhuma coisa nem outra, venha dormir aqui comigo!”

“Osvandir aceitou. Ela foi logo tirando algumas peças de sua roupa vestindo um camisa maior de malha. Enfiou a mão no shortinho e tirou o celular ali na parte da frente, ficou claro o que provocava a saliência da região pubiana que tanto me chamou a atenção. Foi deitando devagarzinho sem dizer nada. Também fiquei só de calção e deitei-me do lado da porta. Perguntei se queria um chá, ela respondeu que sim. Havia encontrado alguns saquinhos no armário. Peguei dois de camomila, coloquei a água para ferver, já com açúcar.”

“Na falta de xícara, trouxe dois copos mesmo. Quando estava na cozinha vi as chaves em cima da pia. Levei aquele chá e entreguei-lhe um copo, ela bebeu de duas tragadas, fingi que bebia e não bebi nada. Levei o copo de alumínio e os copos para cozinha e derramei o meu na pia. Voltei e deitei. Pensei em passar uma linda noite de amor mas ela já estava cochilando. Fiquei esperando, quietinho.”

“Assim que adormeceu, peguei a calça, a camisa e outros pertences. Apanhei as chaves e o seu celular, abri a porta principal e disparei rua abaixo.”

Encontrou um bar ainda aberto e perguntou que local era aquele e como faria para conseguir um táxi. O proprietário informou-lhe que na rua seguinte tinha um ponto e talvez ainda encontrasse algum lá. Caso contrário poderia ligar para João Taxista que ele viria imediatamente. Deu sorte, encontrou um que estava quase saindo para casa. Pediu que o levasse a um hotel mais próximo.
Olhou seus bolsos e ainda tinha bastante dinheiro, pagou a corrida, entrou no hotel e solicitou um quarto.


De manhã, ao tomar o café, viu um jornal no sofá, abriu a página policial e lá estava:
JOVEM É CONFUNDIDO COM GERENTE DE BANCO.


E seguia explicando que um jovem fora sequestrado, por engano, pela maior quadrilha de assaltante de bancos do país.

E Osvandir nem ficou sabendo o nome da linda jovem com quem ia dormir...

MANOEL AMARAL

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

OSVANDIR E O SEQUESTRO


“Há quem pense que, se não houver pedido de resgate,
não há sequestro.”
(Tonhão, bandido da favela Morro do Querosene)

Capítulo I
OSVANDIR SUMIU


Nem sempre acontece de haver pedido de resgate, num caso de sequestro, foi o que aconteceu com Osvandir.

Ele seguia em seu carro, tranquilamente, para a casa que alugara no Rio, de repente resolve mudar o itinerário e passar por outras ruas. Foi até o final de uma delas. Estava muito escuro, ouviu o roncar de um carro cantando pneus. Freou. Na sua frente um carro preto, na traseira um cor de vinho, parecia ser um Tempra.

Quando ele já ia descendo do veículo para saber do que se tratava recebeu um golpe na cabeça e caiu ali mesmo, não percebendo mais nada.

Os dois carros sumiram por aquela rua sem movimento. O do Osvandir ficou ali, a espera de qualquer pessoa para depená-lo.

Até apareceu mesmo alguém para tentar levá-lo, mas não conseguiu.

Nesse meio tempo já dirigiam a uma casa previamente alugada, para receber o sequestrado. Ao chegarem ao local, arrastaram aquele jovem para dentro de um quarto e fecharam a porta.
Esconderam os dois veículos na garagem, e ficaram aguardando o desenrolar dos fatos.

O que aconteceu lá dentro daquela casa só Osvandir poderia contar com suas próprias palavras:

“Eu acordei, com a cabeça sangrando, dois homens e uma mulher na sala conversando. Pedi um copo de água, o que veio rapidamente. No quarto uma janela fechada com cadeado e grade do lado de fora.”

“Já se passavam algumas horas e chegou um jantar em marmita. Tudo simples, mas bem limpo. Uma colher e um docinho de leite, envolvidos por um saco plástico”

“Comi, porque estava mesmo com muita fome e fiquei por ali observando alguma coisa. Notei que a casa mais próxima era bem longe, havia alguns lotes vagos. A cama era de casal, um armário do lado direito e o banheiro do lado esquerdo. Liguei o chuveiro, estava funcionando precariamente.”

“A mulher abriu a porta e entrou com alguns remédios para tratar do meu ferimento. Eles estavam apreensivos, pensavam que tinha um corte profundo, mas na realidade foi só de raspão, bem que mereciam alguns pontos. Ela pediu-me que deitasse com a cabeça virada para o lado da janela e começou o tratamento. Passou um medicamento, que imaginava ser para cicatrização e anti-séptico, uma espécie de merthiolate, mas genérico. Observei que a sua região pubiana era muito saliente. Imaginei até que fosse travesti, mas a fala era mesmo de mulher.”

“Após aquela ligeira limpeza e uma gaze em cima, fixado por um esparadrapo, fui deitar naquele colchão de casal. De madrugada ouvi alguns tiros, imaginei ser ali por perto. Deveria ser alguma briga de quadrilhas nos bairros.”

“Na manhã seguinte fui desamarrado para conhecer a casa. Um local para churrasco, lavanderia, banheiro, sala, cozinha, dois quartos e um lote muito grande, com muros bem altos. Pude observar que a construção era de boa qualidade e não estava situada em favela. Ao lado direito uma casa bem distante e ao lado esquerdo um lote vago. Gritar ali, seria tempo perdido.”

(Continua...)

MANOEL AMARAL

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

OSVANDIR E O FOLCLORE

ORIGEM, MITOS E LENDAS


Estavam todos alegres, numa festinha de Grupo Escolar, lá num bairro distante.
No meio daquela discussão Osvandir perguntou:
__ Mas exatamente o que significa a palavra "folclore"?
E o Professor respondeu:

__ Analisando a sua origem, os especialistas chamam isso de "etimologia"- encontramos folk = povo, nação, raça; e lore = ato de ensinar, instrução. Portanto folclore significa "ensinamento do povo", ou seja, a voz do povo.

Saindo daquele grupo Osvandir seguiu direto para casa, tinha que arrumar as malas para seguir viagem no dia seguinte para o interior de Goiás, onde mora seu tio Osmair.

Sentiu um frio vindo das janelas, fechou a do lado do motorista até o topo. Parou o carro na garagem, desceu com o seu inseparável Net book e seguiu direto para o chuveiro.

Sentiu-se bem melhor, acendeu a luz do quarto, olhou a correspondência, alguns convites, fatura do cartão de crédito e uma revista que não quis nem abrir, falava da briga da Rede Globo e TV Record.

Já cochilando, encostou-se num travesseiro bem macio e dormiu.

O carro seguia pela estrada, ao longe viu uma porteira que conheceu logo, já estava chegando ao sítio do seu tio.

Interessante que achou a viagem curta. Viajou muito pouco e já foi encontrando as terras onde nasceu. O que havia acontecido?

Uma bruma cobria todo monte e o lago estava parecendo uma pista gelada. Alguns peixes pulavam para comer insetos sobre as águas. As árvores estavam estranhas, qualquer coisa havia acontecido com sua terra.

Lá no fundo, depois de uma grande moita de bambu e algumas bananeiras, estava a casa sede.
Ele chegou e foi logo convidado a tomar um cafezinho e pensou logo nos adoráveis biscoitinhos de Dona Margarida, uma velha cozinheira do seu tio.

Ao sentar-se à mesa notou que a velha e simpática biscoiteira não estava mais lá. Vinha uma elegante Senhora, com um pano pintadinho amarrado à cabeça. Prestou atenção para decorar o nome dela.

__ Vem cá meu filho. Venha provar dos biscoitinhos da velha.
__ É Osvandir, venha comer o bolo que você tanto gosta. Tia Anastácia caprichou neste de hoje, - disse Osmair.
__ Tia Anastácia? Onde foi parar a Dona Margarida?
__ Faleceu no mês passado.

Osvandir viu outra Senhora gorda com um livro na mão, lendo histórias para as crianças. Quem seria? Foi até lá e apresentou-se:
__ Sou sobrinho do dono do sítio.
__ Muito prazer, sou Dona Benta, velha amiga do Senhor Osmair. Você seria o famoso ufólogo Osvandir?
__ Sim, menos o famoso.
__ Olha, aqui estes dias estão acontecendo muitas coisas interessantes. Agorinha mesmo acabamos de ver a Mãe-de-ouro passando daquela montanha até o riacho. É uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro.

__ Quando estava chegando vi uma criatura esquisita, pensei até em parar o carro. Parecia uma cobra de fogo.
__ É o Boitatá, protege as matas e os animais, tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. No Nordeste é conhecido como “fogo que corre”.
__ Uai, Dona Benta, a Senhora conhece mesmo tudo sobre o folclore, hein? - Disse um dos meninos.
__ A semana passada o Curupira apareceu logo ali na mata. Ele também é protetor das matas e dos animais silvestres. É representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás.

A conversa estava boa, mas Osvandir muito cansado, resolveu ir dormir, aproveitando o seu velho quartinho dos tempos de criança.

Sonhou com Lobisomem, um animal meio lobo e homem numa noite de lua cheia. Quando aquele grotesco bicho veio atacá-lo ele acordou.

__ Saci-Pererê – dizia Dona Benta - é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.

Cochilou de novo e sonhou com a Mula-sem-cabeça surgindo do meio de uma mata cerrada. Lembrou que este estranho animal mitológico é uma mulher que teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformado num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar. Acordou sobressaltado!

Dona Benta ainda lia e resolveu contar a lenda do Boto para as crianças:
__ Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.

Osvandir fechou os olhos novamente e desta vez sonhou com o Unhudo, um homem bem magro, muito feio, parecido com uma múmia e as unhas bem grandes. Ficou com mais medo ainda quando viu que ele pegou uma pessoa e deu um soco na cara do sujeito e ele foi parar lá do outro lado do rio. Acordou de novo.

__ Mãe d’água, - continuava Dona Benta - como o próprio nome diz, também é encontrada nos lagos, rios é parecida com a sereia do mar. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas.

Puxou o ronco novamente e teve a visão do Corpo-seco uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada.

Osvandir acordou e viu que a TV estava ligada e algumas crianças assistiam o Sítio do Pica-pau Amarelo e em outro canal passava aquele filme “Os monstros SA,” com aquela adorável menininha chamada Bu, que tem medo de Bicho Papão.

Foi aí que descobriu que tudo não passara de um sonho dentro de outro sonho e que ainda não tinha nem saído de sua cidade para viajar para Goiás.

Ligou o computador e na página principal do Google indicava: 22 de Agosto, Dia do Folclore.

MANOEL AMARAL

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domingo, 16 de agosto de 2009

OSVANDIR E OS LADRÕES DE GALINHAS


“Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.”
(Osair, Tartaravô do Osvandir)

O primeiro caso, Osvandir tomou conhecimento pela internet. Lá para as bandas de Varginha - MG, na localidade denominada de Carmo da Cachoeira, onde um ladrão foi preso em flagrante por ter furtado duas galinhas e ter perguntado ao delegado:"desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?"
O ladrão tinha o apelido de “Rolinha”.

O interessante foi que o Juiz mandou soltá-lo exarando uma sentença em versos, abaixo apenas dois deles:

"Não deve ficar na prisão
quem furtou duas penosas,
se lá também não estão presas
pessoas bem mais charmosas."

"Se virar homem honesto
e sair dessa sua trilha,
permaneça em Cachoeira
ao lado de sua família,
devendo, se ao contrário,
mudar-se para Brasília!!!"

Outro caso interessante veio de uma outra cidadezinha do interior. Muitas galinhas estavam sumindo dos galinheiros sem ninguém saber como.

Os policiais ficaram vigiando para ver se conseguiam prender alguém e nada. As galinhas continuavam desaparecendo, sem deixar vestígio.

Um dia, por acaso, foi encontrado de madrugada o Zé da Cachaça com quatro galinhas dependuradas num pau, dirigindo-se tranquilamente para sua casa.

O mistério foi resolvido, era ele mesmo o autor dos furtos. Mas uma coisa ainda intrigava o delegado. Como ele conseguia pegar as galinhas sem fazer nenhum barulho?

Foi o próprio ladrão que explicou:
__ Galinha é doida por poleiro, portanto já carrego este aqui, um cabo de vassoura. Chego no galinheiro coloco-o debaixo de seus pés e elas sobem sem nenhum barulho. Na rua amarro todas e levo para casa.

Esta história interessante aconteceu num povoado muito festeiro, no Norte de Minas. Toda semana acontecia uma galinhada na casa de alguém.

Foi numa dessas que Osvandir foi convidado a participar de uma, sem saber como tudo funcionava.

A casa escolhida foi a da Dona Mariazinha, gente finíssima, viúva. Perdera o marido há muito tempo e ia seguindo aquela vidinha de cidade pequena.

A turma matou, depenou e temperou a galinha, bem gordinha e levou para Dona Mariazinha cozinhar para turma apreciar durante a noite, como era de costume.

Quando a hora chegou, os quatro colegas e Osvandir seguiram aquelas ruas estreitas do Povoado e chegaram até a casa.

Tudo já estava bem preparadinho e que cheiro exalava daquela cozinha.

Todos devoraram aqueles pedaços de carne da saborosa galinha com arroz.

No final, o acerto de contas: eles deveriam dividir as despesas entre si.

Conversa vai, conversa vem e um deles falou:
__ Quem vai dar a notícia a Dona Mariazinha?

Notícia, que notícia? Osvandir foi ficando meio preocupado. Um deles se prontificou a resolver todos os problemas. Era o João Gordo, especialista em pilantragem.

__ Podem deixar, vou resolver tudo com Dona Mariazinha.
__ Dona Mariazinha! Venha até aqui, vamos acertar as contas, pagar o trabalho da Senhora...

Ela chegou de mansinho, disse que não ia cobrar nada pelo trabalho. Se quisessem, levariam depois apenas o arroz que foi gasto. Quando João perguntou pelo preço da galinha, o caldo engrossou:
__ Que galinha?
__ A que comemos, era aquela carijó, a mais gordinha de seu galinheiro.

A velhinha virou uma fera e saiu com um cabo de vassoura nas mãos espantando todo mundo da sala. Saiu gente até pelas janelas!

Foi aí que Osvandir ficou sabendo da tradição do lugar. Eles furtavam as galinhas a noite e no dia seguinte voltavam com elas preparadas para o cozimento, na própria casa do dono.

MANOEL AMARAL
Leia toda a sentença em versos aqui:
http://www.soleis.adv.br/sentencafurtogalinhas.htm


terça-feira, 11 de agosto de 2009

OSVANDIR, A FACA E O PORCO

"Porco gordo e sogra rica só dão lucro quando morrem."
(Jesuir, Avô do Osvandir)



Naqueles tempos não era como hoje, que é só a gente ir ao açougue e comprar o que quiser: linguiça, filé, lombo, picanha, alcatra, patinho traseiro e dianteiro, ou qualquer carne de segunda, bem moidinha, para fazer bolinhas ou para colocar nos pastéis.

Tinha que suar o dia inteiro, almoçar ali mesmo no mato, bem cedo, cerca de dez horas da manhã e ao chegar em casa já tinha jantar pronto.

A noite um sono direto, depois pegar no serviço bem cedinho para cortar cana, jogar espiga de milho para os porcos e sal para os bois, plantar milho, feijão ou arroz. Era a lida diária daquela fazenda.

Em época de colheita a movimentação na fazenda era maior: tinha a moagem da cana para fabricação de rapadura. Arrancar os pés de feijão, por para secar. Cortar molhos de arroz, juntando os feixes maiores para depois bater no jirau. Bater vara no feijão dava uma dor terrível nas costas. Capinar cana nova cortava os braços e com o suor, aquilo ardia muito.

Dona Maria avisou:
__ Osmair, a carne acabou.
__ Pode deixar Maria, amanhã a gente mata um leitão.

Levantaram cinco horas para matar o porco. O tio do Osvandir usava uma faca própria, cumprida e fina.

Correram, correram, sujaram de barro, pularam cercas, caíram em buracos, sofreram com espinhos, galhos, mas finalmente pegaram o bicho.

Era um porco novo, magro, bom para tirar mais carne, mas muito esperto.

O tio pegou o porco, segurou suas pernas da frente, mandou o Osvandir segurar as traseiras. Levantou uma de suas patas e cravou a faca por baixo. O sangue jorrou, a faca ficou lá.

Deixaram o animal imóvel no curral e foram buscar os bagaços de cana, palhas de milho e as folhas de bananeira para queimar os pelos do porco.

Qual não foi a nossa surpresa quando chegaram ao local, cadê o porco? Nada. Nadinha de nada havia ali. O porco escafedeu-se, Osvandir até pensou que o dito, havia ressuscitado como diz na bíblia.

O pior que ele sumiu com a preciosa faca do tio Osmair.

No dia seguinte ele apareceu, sem a faca, comendo no cocho junto com os outros, como se nada tivesse acontecido.

MANOEL AMARAL

Você pode ler outros textos do Osvandir em:

http://www.textolivre.com.br/contos

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

OSVANDIR, AVENTURA EM ISRAEL


“Que imenso tesouro pode estar oculto num simples coração.”
Osmair, tio do Osvandir




Osvandir leu num jornal que o Departamento de Antiguidades de Israel colocara em exposição os últimos textos encontrados em 1947, no deserto, numa caverna perto de KHIRBET QUMRÂN, a 128 km de Jericó. Estes textos, na maioria, muito antigos, alguns são datados de aproximadamente 250 antes de Cristo e outros do ano 70 da era comum.

Aproveitou uma viagem que fez ao Oriente Médio, para visitar Israel, mais precisamente em Jerusalém

Ao descer no aeroporto, Osvandir foi convidado a prestar alguns esclarecimentos ao Mossad, Serviço de Inteligência Israelense, sobre o que escreveu falando de Israel no texto “Quem matou este homem” (link: http://osvandir.blogspot.com/2009_04_01_archive.html), que constava em sua ficha policial daquele país.

Osvandir argumentou que aquilo era apenas um conto, bem como quase tudo que escreve, razão pela qual em seu blog, logo abaixo de seu nome, está a informação que os textos tratam de ficção.

Liberado, foi visitar o Museu do Livro, Eichal HaSefer, em Jerusalém, lugar onde são abrigados os Manuscritos do Mar Morto, além de ser um centro de informação e estudos sobre o assunto.

A cúpula do prédio é em formato da tampa dos vasos onde foram encontrados os pergaminhos. O santuário é construído com uma cúpula branca simbolizando os filhos da luz, e uma basalt wall negra - simbolizando os filhos das trevas.

Osvandir achou que parecia com uma nave pousada. Fotografou e enviou uma cópia para o seu amigo Mario Rangel, que coleciona estes tipos de fotos.

Dos documentos exposto, o que mais interessou ao nosso herói, foi o rolo de cobre, cujo conteúdo traz a localização de tesouros do Templo, com mais de 200 toneladas de ouro e prata, enterrados em vários locais.

Os demais documentos trazem orações, rituais e regras provavelmente dos essênios, uma comunidade que viveu em Quran. Estão escritos em várias línguas: hebraico, aramaico e grego.

A secretaria do Museu colocou à disposição de Osvandir um CD-ROM, com cópia exata do rolo de cobre que tanto lhe interessou.

Na manhã seguinte seguiu por uma rodovia asfaltada, até encontrar as famosas cavernas, num deserto de difícil locomoção. Parou o carro em frente a que estava mais próxima, subiu num pequeno morro de pedras, esgueirou-se por entre brechas das rochas e conseguiu entrar naquela que seria uma das mais importantes cavernas, onde encontraram vários documentos antigos.

Conseguiu penetrar até ao fundo projetou a lanterna no teto, depois pelas paredes laterais. Encostou a mão num local onde estava mais liso e empurrou, para sua surpresa viu alguma coisa mover-se, provocando um barulho de terra despencando. Caminhou para direção contrária e escondeu-se atrás de uma grande pedra.

Quando a poeira acabou, focou a lanterna naquele local e o que viu causou-lhe um espanto. Debaixo daquelas pedras que caíram havia um grande vaso, vedado por uma tampa. Ao removê-la, notou vários rolos de pergaminho e no fundo algumas moedas muito antigas. A maioria de prata.

Imediatamente comunicou o fato ao Departamento de Arqueologia de Israel, que enviou várias pessoas para remover o que foi encontrado.

Em agradecimento, Osvandir recebeu daquele departamento, uma réplica de moedas antigas. As autoridades reconheceram o grande valor da descoberta.

Na hora do embarque o aparelho do aeroporto acusou presença de metal. Osvandir mostrou as moedas e o CD-ROM que recebera das Autoridades Israelenses. Analisaram a bagagem de mão e liberaram.

Em casa, desfazendo as malas, encontrou na sua bagagem de mão uma estranha moeda de ouro. Sem saber como aquela relíquia foi parar ali, tentou lembrar dos últimos momentos que passou no aeroporto internacional de Israel. Lembrou que conversara com um Senhor que se identificara como Isaac, dissera ser pesquisador dos pergaminhos antigos e estava muito feliz com a nova descoberta. Estranhou o abraço apertado que recebeu na hora da partida.

No seu escritório, consultando os jornais digitais favoritos, deparou com a seguinte reportagem:
Brasileiro descobre tesouro em Israel
Manoel Amaral