sexta-feira, 24 de julho de 2009

OSVANDIR E OS ATOS SECRETOS


OS desacATOS SECRETOS



Osvandir foi chamado ao Senado Federal para investigar os Atos Secretos. Recebera ao chegar, um envelope do Secretário Geral, com emblema da República e a palavra TOP SECRET, logo mais abaixo o seu nome.

Abriu com cuidado, retirou o conteúdo, era um documento supersecreto, assinado pelo Diretor Geral. Agora só os dois sabiam da existência deste Ato Secreto que recebera o nº. 666, datado de 06/06/06, para disfarçar.

O ato era tão secreto que até a assinatura do Diretor era invisível, só podendo ser vista por aparelhagem especial, existente no Centro Planaltino de Inteligência – CPI, com a ajuda do Mago Merlim.


Eis o documento na íntegra:


ATOS SECRETOS DO DIRETOR-GERAL


NOMEAÇÃO

Ato Secreto Nº. 666, de 06/06/06

O Diretor-Geral, no uso de suas atribuições regimentais e regulamentares RESOLVE nomear, na forma do disposto na Lei Federal, OSVANDIR VIEIRA NICOLAI, para exercer um cargo ULTRA-SECRETO, com lotação e exercício no Centro Planaltino de Inteligência - CPI.

Assinatura Secreta

Até aí tudo corria normalmente, Osvandir recebera um uniforme de administrador de redes de computadores, como logotipo da empresa um enorme “C”, no bolso direito. Uma palavra destacava-se naquele macacão: Confiança. Era o nome da empresa.

Com aquele tipo de serviço ninguém ia desconfiar de nada. Poderia entrar e sair em qualquer lugar, transportar papéis, digitar, etc.

Montou seu QG num quartinho, bem no fundo de um gabinete em reforma.

Começou a ouvir as conversas de todos, dali daquela central. Foi gravando tudo.

Tinha muita gente preocupada com uma lista que ia ser publicada. Tratava-se dos nomes dos Senadores beneficiados pelos ditos Atos Secretos. Eram muitas nomeações de parentes. Até o namorado da filha do chefe estava no meio. Avós, pais, filhos, netos e bisnetos; primos, sobrinhos, irmãos, tios; uma lista interminável de apaniguados dos velhos políticos. Os parentes ganharam cargos sem que seus nomes fossem publicados em órgãos oficiais.

Essas medidas entraram em vigor, gerando gastos desnecessários e suspeitas da existência de funcionários fantasmas, criando cargos e privilégios, aumento de salários sem conhecimento público

Os funcionários, que tudo sabem, mesmo antes dos altos escalões, tomaram conhecimento que havia um investigador trabalhando no meio deles.

Foi uma debandada total, era gente correndo por todos os lados, com relatórios, pastas, arquivos, enfiados nos bolsos e nas sacolas. Papéis foram queimados, outros voando pelas janelas dos prédios, alguns jogados nos rios e no lago do Planalto.

Os telefonemas aumentaram, congestionando as linhas, ninguém conseguia falar nada, uma chiadeira incrível.

Aí o Presidente de Setor, disse para o funcionário:
__ Esses Atos você guarda e aguarda!
Até que alguém, maliciosamente observou:
__ Olha o Guarda!

Foi até engraçado, muitos queriam esconder documentos por todos os lados... Um alto funcionário entrou em desespero e começou a devorar folhas e mais folhas de papel A4, só depois verificou que estavam em branco...

Terminada a investigação, Osvandir entregou o relatório para o Diretor Geral sugerindo exoneração dos envolvidos, que trabalhavam ligados ao comando da Casa. Medidas punitivas também foram incluídas, para evitar mais escândalos oriundos daqueles atos secretos.

Pedindo exoneração daquele cargo ultra-secreto, Osvandir seguiu pelos corredores daquela Egrégia Casa até sumir entre uma porta e uma escadaria.

Aquele fora o último Ato Secreto publicado pelo Diretor Geral que também acabava de ser exonerado!

MANOEL AMARAL

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