terça-feira, 28 de julho de 2009

OSVANDIR E O OBJETO MISTERIOSO


"Uma vida sem festas é como um largo caminho sem pousadas."
(Demócrito)
Osvandir saiu da cidade dos monstros peludos e continuou pelo o interior do Estado.

Num restaurante de beira de estrada viu várias manchetes nos jornais: Jovem com gripe suína...
Jovem internada com bebê morto...
Jovem passou mal com sushi estragado...

As notícias não eram nada animadoras, mas seguiu cada vez mais para o interior. Queria fugir destes fatos que lotam os hospitais, postos de saúdes e farmácias.

Parou próximo a uma ponte, onde corria um rio de água cristalina e ficou por ali um bom tempo. Dizia que era para descansar o corpo e clarear a mente.

Olhou para frente, em linha reta e observou um pasto amarelado pelo capim seco. Lembrou dos tempos que fazia artes botando fogo nos lotes vagos de sua cidadezinha natal. Nem sei por que lembrou disto, talvez fosse pela cor ou mesmo o tipo do capim, o braquiária (brachiaria), que ele detestava. Esta praga africana, onde é plantada, não nasce mais nada.

Entrou no carro, seguiu tranqüilo por meia hora e aí encontrou dois veículos acidentados. Ajudou a transportar as vítimas para o hospital mais próximo. As enfermeiras perguntaram se estava envolvido no acidente, disse que não. Queriam saber se havia mais feridos, Osvandir informou que uma Van trouxera os outros.

Perguntou o nome do local, para um velhinho de barba branca e uma bengalinha nas mãos, ficou sabendo que era uma cidade famosa pelos fatos inusitados que saiam nos jornais do sul do estado.

Resolveu ficar por ali, quem sabe poderia registrar em sua possante máquina digital, as imagens de algum objeto não identificado.

Andou por ruas, becos, trilhas e cavernas, nada de diferente do que já vira em outros locais.

O povo era acolhedor, dado a festas de fins de semana, com churrasco e tudo mais. Belas garotas passeando nas pracinhas depois das aulas e à noite, nos locais denominados “point” pela juventude.

Osvandir até gostou, piscou os olhos para algumas, saiu com outras e tudo ia correndo muito bem. Local para divertir é que não faltava.

Num churrasco, regado a um bom vinho do sul, escutou histórias muito interessantes. Até a do cachorro e a viúva eles já sabiam...

Ficou conhecendo uma garota diferente, numa das festas, era a Flávia, uma jovem quietinha, saía de casa poucas vezes por semana. Suas amigas estavam sempre dizendo:
__ Você precisa sair mais menina. Vamos hoje para a festa de São João.

Ela não estava muito interessada. Dizia que iria ver um bom filme e deitar mais cedo. Outras vezes dizia que tinha prova na segunda-feira e iria estudar.

Assim passava os dias: estudando em seus livros, hora no computador, TV ou uma rápida saída para as ruas do seu bairro. Não estava muito interessada o que o resto da turma fazia ou deixava de fazer.

De tanto ficar em casa e ver estes filmes na TV, às vezes ficava excitada, tinha que correr para o banheiro e tomar um bom banho de água fria.

No sábado, Osvandir saiu com alguns amigos e notaram um movimento maior na casa de Flávia. De repente até a ambulância chegou. Pensaram: “a menina deve ter adoecido de tanto ficar em casa”.

No hospital uma aglomeração impedia Osvandir de aproximar-se e tomar conhecimento do que acontecia.

Como os enfermeiros não diziam o que se passava, ele resolveu aplicar aquele velho esquema dos filmes: vestiu um jaleco branco e foi entrando. As enfermeiras não entenderam nada. Muito menos Osvandir.

Em cima da mesa operatória estava a Flávia, nua, com uma coisa esquisita entre as pernas. Aproximando mais pode notar que era uma pequena garrafa de vidro.

As enfermeiras não sabiam o que fazer mediante aquele fato incomum. O jeito foi Osvandir tomar alguma providência: pediu uma tolha molhada, uma seca e luvas. Aproximou-se da garota e pediu um martelo. As enfermeiras ficaram apreensivas.

Osvandir estendeu a toalha molhadas cobrindo as partes íntimas da garota. Pegou uma placa de metal, colocou por baixo da garrafinha e cobrindo esta com a toalha seca. Deu uma só martelada e estava resolvido o problema. Os cacos foram retirados e o gargalo da garrafa soltou-se sozinho.

Desmaiada, a pobre não percebeu nada do que se passara. Acordou assustada sobre uma aconchegante cama de um hospital.

As enfermeiras queriam saber quem era aquele que fizera um bom trabalho em poucos minutos, parecendo ter caído do céu. Mas Osvandir já tinha tirado o jaleco e sumido na multidão.


MANOEL AMARAL

2 comentários:

  1. Olá, blz?
    Realmente, Osvandir já havia comentado sobre a situação caótica de nossa política.
    Claro que Osvandir foi mais a fundo.
    Colocou o preto no branco.
    Li seu texto no portal, até escrevi um comentário, que tentei enviar, mas parece que não foi possível. Não sei o porque.
    Mas a história é muito legal. Interessante e é até curioso saber, que nosso país foi formado em meio as lendas e mitos.
    Sim, porque, para impedir que os escravos negros, tivesse alguma ação própria, os próprios fazendeiros contavam histórias, o lendas, que eles acreditavam fielmente.
    Dai, surgiu este país, que vive, ainda, de lendas e mitos.
    Mas esta do lobisomem, ou melhor, lobisoma mulher, é novidade. Eu ainda não havia ouvido alguém contar.Osvandir sempre saindo na frente.
    Engraçado, que hoje mesmo eu estava lendo sobre mitos e lendas, pois pretendo escrever algo a respeito.
    Ficou excelente seu texto.
    Parabéns

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  2. Thymonthy,

    Esta história está naquele livro digital AS AVENTURAS DO OSVANDIR, que já lhe passei.
    Tem outra muito boa lá, a do Chupa-cabras, vc deverá atentar par o final da história. O início eu trabalhei com a realidade de jornal como sempre faço, misturando a realidade com a fantasia.
    Veja a história de hoje sobre a Gripe A.
    Para enviar comentários no Texto Livre vc tem que cadastrar-se, coisa simples.

    Abraços,
    Manoel

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