terça-feira, 14 de julho de 2009

OSVANDIR E O GOLPE DO ACIDENTE


“Não tenha medo de tentar nem se culpe
quando fizer algo que não dê certo.”
(Luiz Gasparetto)


Há uns dez anos aconteceu um fato muito interessante em Belo Horizonte, capital de Minas.

Aqueles ônibus loucos, aquelas obras inacabáveis, carros velhos e novos buzinando a todo momento, motos por todo lado, tudo contribuindo para que cada dia o trânsito ficasse cada vez pior.

Osvandir descia lá do alto da Avenida Afonso Pena, com intenção de pegar a Avenida Amazonas e vir para sua terra, mas antes pode observar um fato muito esquisito.

Viu um homem de meia idade, atravessar uma rua em disparada, não deu tempo do motorista da Kombi parar e o infeliz bateu com o corpo todo na lateral direita do veículo, provocando um grande amasso na lataria.

Até aí tudo bem, mais um acidente naquele conturbado trânsito.
Engano, aquilo gerou um rumoroso processo judicial.

O motorista ficou receoso de que o pedestre solicitasse algum valor de indenização na justiça e antes que isso acontecesse pediu a um advogado que preparasse uma Ação de Indenização por Perdas e Danos, contra o infeliz.

Como a justiça é morosa, gastou alguns meses para o Senhor Jairzinho ser citado para a audiência. Achou muito interessante, pois não devia nada a ninguém. Leu a documentação entregue pelo Oficial de Justiça, mas não entendeu muito bem.

Na petição o Advogado fazia uma série de alegações e munido da perícia concluía que o pobre do pedestre havia atropelado o veículo e requeria danos morais e materiais.

Aquele processo serviu de gozação no Fórum local, mas o fato é que ele seguia os trâmites legais.

No dia da audiência, o MM. Juiz notando a pobreza do indivíduo e a malícia do autor, propôs um acordo: o autor pagaria as custas e o advogado, o réu comprometeria perante todos que não reclamaria qualquer tipo de indenização no futuro.

Ambos satisfeitos, declarou-se encerrado mais um processo na primeira audiência.

Tudo estaria esquecido se não fosse uma conversa que Osvandir ouviu, por acaso, depois da audiência:

__ Você conseguiu sair de mais essa, não é mesmo Jairzinho?
__ É, eu errei o cálculo, a minha velocidade não deu para cair na frente do veículo, aí bati na lateral.
__ Como é mesmo esta história? Perguntou Osvandir.
__ O Jairzinho já vinha planejando este acidente há tempos, com a intenção de pedir indenização. Acontece que ele não foi feliz no golpe...
- informou um amigo.

Osvandir saiu dali sem saber quem era o mais esperto, se o motorista ou o atropelado.

MANOEL AMARAL

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