segunda-feira, 29 de junho de 2009

OSVANDIR E LUZES NO MORRO



Dezenove horas no morro, alguns foguetes estourando no céu azul, bem estrelado.

Movimento de carros suspeitos por todos os lados. Polícia só lá embaixo, bem distante do topo.

Osvandir ficou sabendo que por ali estava aparecendo umas luzes estranhas.

Pegou a mochila, sua barraca, equipamentos fotográficos e subiu receoso, aquelas ruelas estreitas e escorregadias.

Dezenove e trinta já estava lá em cima, olhou para baixo, mas que linda visão, que belo horizonte!

Alguns barulhos pareciam de detonação de armas pesadas. Umas mais estrondosas, outras sibilosas.

O vento soprava para o lado leste, uma fina chuva cobria boa parte daquele morro.

Quase ninguém nas ruas, os barracos já estavam com as portas e janelas fechadas.

Osvandir encontrou o seu contato bem no centro da pracinha que existia lá no alto.

Falou baixo:
__ Boa noite.
Ouviu apenas uma voz rouca do outro lado...
__ Boa noite. Quem é?
__ Sou Osvandir, o ufólogo que veio investigar a luzes coloridas.
__ Hãã! Vou levá-lo até ao Professor...

Seguiram os dois, cada um meio desconfiado do outro. Osvandir pediu que o parceiro o ajudasse a levar as suas coisas, que já estavam ficando pesadas.

Quem seria esse tal de Professor? Mistério!

Andaram apenas um quarteirão e chegaram ao local determinado. O ponto mais alto do morro. Janelões de vidros a prova de bala. Cômodos grandes, cheios de caixas e outros utensílios.

Um jovem louro, de óculos, magro, roupas de grife, tênis caro e um sorriso nos lábios, foi apresentado ao Osvandir.

__ Muito prazer, sou Francisco.
__ Igualmente, Osvandir. Vim fazer as pesquisas que solicitei ao Chefe, por telefone.
__ O Chefe aqui sou eu... Pode pesquisar o que quiser, em se tratando de ufologia, tem todo o meu apoio.

Era o famoso Professor. Ele estava ali sozinho, lidando com muitos papéis e pastas. Um livro estava no canto da mesa, sinal que gostava de ler nas horas vagas. As canetas e lápis bem apontados, estavam dentro de um suporte de plástico de cor azul.

No canto, alguns tambores de metal, de cem litros, tinham estampados nos rótulos nomes de produtos químicos.

Osvandir sacou de sua caderneta e começou a anotar tudo que se passava em seu redor. Perguntou ao Professor como eram as luzes estranhas que estavam aparecendo por ali.

__ Olha, amigo, aqui tem luzes de todos os tipos como você já pode notar. Muitas são nossas conhecidas: de foguetes, de explosões de bombas e outras tais. Mas de uns tempos para cá vem aparecendo umas bolas grandes, de cor azul, subindo e descendo aqui no alto. Ficamos pensando que poderia ser novas maneiras de observação da polícia, mas aí elas começaram a aparecer até de dia. Constatamos então que se tratava de outros tipos de luzes muito estranhas e desconhecidas.

__ Quais os horários que elas aparecem mais? E que formato tem?
__ Elas aparecem durante o dia, por volta de 14,00h e depois das 22,00h, exatamente quando não tem mais barulho em nossa comunidade. As cores e tamanhos são diversos, algumas vermelhas, outras azuis. Muito fortes, parece que por trás delas existe algo que não conseguimos detectar até agora.

Osvandir quis saber se faziam barulho e como se moviam. O Professor disse que o movimento era lento e não faziam barulho algum. __ Algumas se desdobram transformando-se em outras e quando tem muitas juntas elas se unem formando uma só...

Tudo ia bem, até que uma rajada de metralhadora lá em baixo, anunciou a chegada de alguns colegas.

Muita gente entrando e saindo, cada um falando mais alto que o outro.
Professor pediu silêncio e todo barulho acabou num instante, que dava para ouvir os grilos lá fora.

__ Osvandir, acho melhor você ir descansar e amanhã a gente continua nossa conversa.
__ Tudo bem Professor, onde posso armar minha barraca?
__ Você não precisa armar barraca, pode ficar em minha casa...

No meio daqueles barulhos todos, Osvandir não conseguiu dormir nem um pouco. Ficou vendo filmes até as três da madrugada, depois deu uns cochilos.

Amanheceu, um sol forte bateu na janela do quarto onde dormia. Olhou o relógio, eram 7,00h.

O Núcleo está sendo atacado! Fogo cruzado, balas perdidas, bombas esplodidas... Um fogaréu no morro...

MANOEL AMARAL

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