quinta-feira, 30 de abril de 2009

OSVANDIR & HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo V
UMA NOITE DE AMOR

"As conseqüências dos nossos atos são sempre tão complexas,
tão diversas, que predizer o futuro é uma tarefa realmente difícil"
Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban.


Para quem não conhece, Salvador é a terra da música, da comida picante, belas mulatas, praias lindas, teatro, cultura. Um povo acolhedor, trata muito bem os turistas, principalmente nas cidades litorâneas.

Foi nesta terra, que Cabral primeiramente aportou em 22 de abril de 1500. O Monte Pascoal, o primeiro avistado, depois aquela praia linda de Santa Cruz de Cabrália que fica acima de Porto Seguro e foi onde os portugueses realizaram a primeira missa no Brasil.

Mas eles estão em Salvador e a sua orla marítima é uma das mais extensas do país. Divididas entre cidade alta e cidade baixa, são cerca de 50km de praias. São muito boas para mergulho, pesca submarina, natação e esporte à vela, além da prática do surfe. Tem ainda alguns locais com piscinas naturais com os tradicionais coqueiros, muito abundante na região.

Osvandir e Harry, foram direto para a praia do Cristo que fica localizada entre a praia da Barra e a praia de Ondina. Lá no alto do morro tem uma estátua do Cristo, razão pela qual ela é assim chamada.

Muita gente frequenta esta praia, mas mesmo assim é bastante tranquila. Muito bonita e serve para ver o por do sol que fica muito lindo entre os coqueiros.

É o melhor local para deliciar-se com uma boa água de coco e comer um acarajé servido na hora, bem quentinho.

Muita gente andando pela praia, o que aguçou a visão de HP, nunca viu em sua vida tantas moças lindas, com pouca roupa, num só local, sem fazer nada, despreocupadas da vida.

Voltando da praia, resolveram ir para o Centro Histórico de Salvador e o guia explicava que “ele é um dos principais pontos turísticos do Brasil, com o maior acervo barroco fora da Europa. Está dividido em três áreas principais: da Praça Municipal ao Largo de São Francisco, Pelourinho e Largo do Carmo, finalizando com o Largo de Santo Antônio Além do Carmo”.

Na hora do almoço, foi procurado um restaurante ali por perto. Com a recomendação de que prestasse atenção a comida que geralmente é muito apimentada. Mas HP não seguiu a orientação de Osvandir e colocou no prato tudo de vermelho que encontrou na mesa.

Quando terminaram a refeição um delicioso sorvete de frutas foi servido de sobremesa. Outras frutas estavam expostas sobre uma longa mesa, com uma visão paradisíaca. Vários animais e pássaros estavam representados naquela fileira de abacaxis, melancias, cajus e outras frutas caraterísticas da região.

Muitas frutas foram provadas por HP e abandonadas. Algumas muito azedas ele não gostou. Os sucos ele tomou os de cores mais fortes, como o de laranja, mamão e um de acerola com leite.
Satisfeitos, seguiram para o hotel onde constaram que haviam trocado de quarto, para um melhor, com visão para o mar. Mais caro, é claro!

Quando o Gerente do Hotel descobriu que os dois tinham dinheiro para gastar e soube por terceiros de suas preferências, chamou logo duas lindas mulheres para servirem de guias, despachando o guia anterior.

Harry ficou muito feliz com aquelas mulheres a seus pés, atendendo a tudo que ele solicitava, com tradução do Osvandir, porque elas que falavam fluentemente o inglês, não conseguiram entender quase nada do que aquele jovem falava. A sorte é que o Net Book estava ali para salvar a ambos de qualquer embaraço. Para piorar a situação tinha ainda as gírias da Bahia e aquele linguajar arrastado que só o povo de lá entende.

Para “olá amigo”, vejam só a quantidade de variantes que eles usam: ‘Colé, meu bródi!’ - ‘Colé, misera!’ - ‘Colé, meu peixe!’ - ‘Colé, men!’ - ‘Diga aê, disgraça!’ - ‘Digái, negão!’ (independente da cor do amigo) - ‘E aí, viado!’ (independente da opção sexual do amigo) - ‘E aê, meu rei!? ‘Ô, véi!’

Assim meu ‘bródi’, fica difícil explicar para alguém, mesmo morando aqui no Brasil, imaginem para um jovem que veio de outro país, não é fácil não.

Mas as meninas aprenderam rápido e ele também, ao final da tarde já estavam até conversando direto.

O pior (ou o melhor?) é que uma delas tinha uma leve aparência com a sua amiga do passado, a Hermione. Tudo complicou, ela muito solícita, pensando nas gordas gorjetas, estava sempre ao lado dele.

À noite, nuns vestidos pretos, colantes, compridos, sensuais, elas os convidaram para uma noitada num clube local, com a caraterística música baiana, o axé. Um importante conjunto da região ia tocar a noite inteira.

Foram e HP gostou tanto que no final da noite já estava dançando perfeitamente como qualquer outro cidadão turista.

Chegou a hora de ir embora, mas num piscar de olhos, já estavam os dois bem agarradinhos na porta do quarto, pronto para entrar. Osvandir atrasou-se propositadamente para deixar os dois a sós. Inventou que teria de ir ao bar do hotel para tomar um vinho antes de dormir. Ficou por lá por quase uma hora. Quando chegou ao quarto o HP já tinha despachado a garota e estava lá com aquele ar de felicidade total.

Muitas histórias ele teria para contar para seus amiguinhos, sobre tudo que viu nesta terra brasileira, nosso povo, nossos costumes, nossa língua.

Mas nem tudo são flores e o roteiro precisava ser seguido, se queria conhecer parte do país, teriam que seguir para outro estado.

As malas estavam prontas e seguiram novamente para tentar chegar até Belém, se as chuvas deixassem.


MANOEL AMARAL

quarta-feira, 29 de abril de 2009

OSVANDIR E HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo IV
MULHERES NA PRAIA

"Para uma mente bem estruturada,
a morte é apenas uma aventura seguinte."
Harry Potter e as Relíquias da Morte


No Rio de Janeiro procuraram um hotel beira-mar, muito conhecido pela sua história, desde 1923. Queriam estar próximos da Praia de Copacabana. Era a intenção de Osvandir mostrar ao Harry apenas as belezas daquela cidade maravilhosa.

Ao ver aquelas águas azuis, as ondas, a areia da praia, as lindas moças de biquíni, Harry ficou muito excitado.

__Aqui no Brasil, os jovens vão a tais lugares para “pegar uma cor”, namorar, beber e gastar. Disse Osvandir, quando estavam chegando a praia.
__ Sei muito bem disso! Já li nas revistas de vocês. Respondeu Harry.

Pediu uma água de coco ao vendedor, uma mesa e uma sombrinha de praia foram providenciadas. O local estava totalmente loteado pelos ambulantes. Tudo ali era alugado, até óculos escuros.

Uma garota passou, olhou, sorriu e o nosso amigo derreteu-se como um sorvete. Aquela pele dele não era boa para resistir ao sol intenso, razão pela qual, quando estava aproximando das dez horas voltaram para o hotel.

O roteiro da parte da tarde seria uma visita ao Cristo Redentor e ao Pão de Açúcar. Seria... Mal atravessaram uma avenida, num sinal de trânsito foram vítimas de seqüestro relâmpago.

Osvandir mais calmo com a situação, já conhecia o ambiente. Harry nem sabia o que estava acontecendo. Foi necessário explicar-lhe a situação:
__ Aqui ele pegam a gente e o carro e levam para outro local, com a finalidade de pegar os seus pertences.
Harry só ouviu e resmungou:
__ Huuummm...

Os bandidos estavam interessados no veículo e seus equipamentos. Os passageiros foram deixados, a pé, num local ermo.

Osvandir chamou um táxi, voltaram ao hotel para refazerem-se do susto! Osvandir avisou a locadora do veículo, que lhe informou para não preocupar-se que o mesmo estava equipado com chip para fins de localização por GPS, via satélite. Tudo estava no seguro.

Ao ouvir estas palavras solicitou-lhes que emitissem a fatura, porque dali para frente iriam de avião devido as longas distância e o tempo curto.

Ao chegar no quarto, HP estava separando presentes e marcando num papel os respectivos donos.

Perguntou-lhe se estava com disposição para ver alguma coisa no final da tarde e ele disse que não. Preferia ir jantar em algum lugar ali por perto onde pudessem ir a pé.

O jantar decorreu tudo em ordem, não fosse um pequeno deslize de Osvandir que comeu uma moqueca de camarão que acabou estragando-lhe os intestinos.

Na manhã seguinte saíram cedo rumo ao aeroporto do Galeão, o mais apropriado para o voo que estavam pretendendo.

As passagens haviam sido reservadas com antecedência, mas estava tudo atrasado, como sempre.

Estava muito difícil explicar-lhe como chegariam a Belém, no Pará. Sendo o Brasil o quinto país do mundo em extensão territorial, e que é praticamente do tamanho de continentes, seria uma coisa praticamente impossível.

__ Temos aproximadamente 170 milhões de habitantes. Disse-lhe Osvandir.

Iriam viajar de avião devido a grande distância a ser percorrida. Quando Harry viu o avião na pista, ficou receoso de entrar no túnel de passageiros. Parece que ele sentia algum presságio. Ficou inquieto.

Já no avião, ficava olhando pela janela. As nuvens branquinhas iam passando aos nossos olhos. Sentia saudade de seus amigos.

Uma escuridão tomou conta, de repente, de todo espaço. Um grande temporal vinha do lado norte. O avião começou a balançar, subir e descer. Até o Osvandir foi ficando receoso. O nosso herói já estava com o coração nas mãos.

A aeromoça avisou que devido a tempestade não iriam prosseguir, retornariam e tentariam pousar em Salvador.

Graças aos deuses tudo deu certo e o avião pode deslizar suavemente nas pistas do aeroporto Luis Eduardo Magalhães, anteriormente conhecido por “Dois de Julho”.

Um táxi foi fretado para levá-los ao hotel do centro de Salvador.

Ao descerem do veículo, Harry ficou espantado com tanta gente de cor negra e aquele cheiro de azeite de dendê em todas as barracas de ambulantes.

As pessoas os receberam muito bem e ofereceram guias para conhecerem toda a cidade.


Manoel Amaral



















terça-feira, 28 de abril de 2009

OSVANDIR & HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo III
A VIAGEM

"Você vai encontrar muitos inimigos em seu caminho,
mas também vai encontrar amigos,
poucos, mais verdadeiros."Harry Potter


Tudo estava preparado para a grande viagem a maior cidade brasileira.
Harry iria conhecer um grande centro urbano, mas também apreciar as matas, córregos, rios e a natureza enfim.

Seguiriam para a capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, onde de avião chegariam rápido a São Paulo. Mas na última hora resolveram ir de carro, para parar quando fosse preciso, atendendo as prioridades do visitante.

A distância bem longa, cerca de 500 km, umas seis horas de viagem, rodando devagar para apreciação das paisagens, uma exigência do ilustre passageiro.

O roteiro bem planejado com paradas nas principais cidades apenas para tomar um cafezinho ou uma leve refeição.

Deveriam passar por Carmo da Mata, Oliveira, Lavras, com parada estratégica em Varginha para almoço. Nesta cidade foi passada ao nosso herói a famosa história do ET, difícil foi explicar-lhe o que seria um Extra Terrestre como este, de saliências na cabeça e de cor marrom.

Outra parada em Pouso Alegre, ainda em Minas, para um cafezinho rápido e observação da paisagem.

Finalmente, depois de mais de seis horas de viagem, ver carros e mais carros na estrada. Acidentes por todo lado, foi interrogado pelo Harry:
__ O que são estas latarias velhas na beira da estrada?
__ São resultado da imprudência, meu caro! O motorista quer passar um dia na praia e acaba passando o resto da vida no cemitério.

O assunto estava ficando fúnebre, então uma música para animar o ambiente. O DVD foi ligado e muitas imagens e emoções foram passadas para aquele jovem ávido de informações sobre o nosso povo.

Aproximando da grande cidade, o movimento aumentando mais ainda. O hotel escolhido foi bem no centro da capital. A ideia era visitar os pontos principais, algumas atrações turísticas. Chegar na Av. Paulista numa sexta-feira, de manhã, aquele movimento todo. Barracas por todo lado. Turistas comprando tudo que encontravam pela frente. Um espetáculo que nenhum visitante poderia perder.

Acomodados num bom hotel, que curiosamente estavam dando um desconto de cinqüenta por cento de desconto para quem ficasse hospedado por mais de três dias.

Lá do alto do edifício, Harry e Osvandir olhavam a paisagem e o primeiro ficava extasiado com tantas construções e o movimento nas ruas. Chegou até a comentar sobre o assunto, mas logo esqueceram, pois o garçom avisara que estava na hora do almoço.

A dificuldade maior de sair com HP era que ele queria comprar muitas coisas, sem saber preços nem nada. Ia só pegando e Osvandir pagando com o Mega Card de Ouro. No fim das contas, no hotel já tinham uma mala cheia só de compras. As jóias eram as preferidas, depois cinturões de couro, sapatos, tênis, camisas, calças e até um blusão muito moderno, com escudo e tudo mais. Comprou algumas roupas de mulher, dizendo que eram para a sua amiga Hermione Granger. Como ele iria levar isto tudo para casa já era outra história.

Estava separando tudo de acordo com seus principais amigos. Ele disse que achava muito prática as sacolas de plástico, que lá no seu pais eles usam mais as de papel, Osvandir que tinha verdadeira aversão ao produto, explicou-lhe que a origem da maior parte da poluição da terra e das águas do Brasil, estava nestas inocentes sacolas de supermercado.

Visitaram museus, livrarias, foram ao teatro, cinema e até divertiram muito num grande parque. Queria entrar em todos os brinquedos, até no trem fantasma. A montanha russa assustou-o um pouco. Levou um grande choque na hora em que estavam fazendo o loop.

Quando estavam saindo pela última vez, daquele centro tumultuado, perto da Praça da Sé, sentiu pela primeira vez o efeito de um “arrastão”, os bandidos levaram quase tudo que eles tinham comprado. Harry e Osvandir tentaram reagir, mas foram avisados por outras pessoas que não se deve fazer nada porque aqueles bandidos estão sempre bem armados. Osvandir não compactuava com estes pensamentos, mas não falou nada. Saíram dali o quanto antes.

Com a sua estadia ao fim, Osvandir procurou pagar as contas do hotel. Recebeu um livreto-guia com todos os locais mais importantes de São Paulo. Ele achou engraçado, não deveriam dar este folheto na chegada do hóspede?

De carro, ainda, seguiram para o Rio de Janeiro.


Manoel Amaral

sábado, 25 de abril de 2009

OSVANDIR & HARRY POTTER NO BRASIL


Capítulo II
HARRY E SEU TESOURO

“Porque onde estiver o vosso tesouro,
aí estará também o vosso coração.”
Harry Potter e as Relíquias da Morte



Tinha numa bolsa de tecido de linho grosseiro, um tesouro: 100 Galeões, moedas de ouro; 80 Sicles, de prata; 10 Niem, de bronze, algumas Harry ganhou no prêmio do torneio Quadribol, realizado nas vésperas de sua partida. Este esporte é muito admirado pelos jovens da terra de HP.

Osvandir deu uma chegadinha com Harry até a casa de seu tio para a primeira troca de roupas.
Algumas serviram como uma luva, outras achou muito apertadas. Jogou a sua sandália de couro debaixo da cama e passou a mão num big tênis, todo colorido. Experimentou, um pouco grande; puxou o cadarço, este ajustou-se ao seu pé. Uma camisa xadrez foi a que mais gostou. Era de um algodão leve. Quis levar um blusão de couro, da Argentina, mas estava fazendo muito calor. Pegou uma calça jeans de marca muito conhecida em sua terra, achou uma maravilha, ajustou perfeitamente ao seu corpo. Conferiu aqueles bolsos fundos e passou a mão sobre os rasgados e remendos próprios da confecção e adorou.

Voltaram para o Hotel JKR, ali no centro onde estava hospedado. O carro seguia normalmente e ele não cansava de escutar as música e ver os vídeos no mini DVD.

Ao chegarem ao hotel o Proprietário, todo solícito, estava a espera para contar as últimas novidades. Ele havia contatado o Banco, para conseguir um Cartão Mega Ouro, sem limites de crédito. Confiando no Osvandir, é claro!

Mas a chegarem ao banco notaram certo alvoroço. O Gerente estava esperando-os e disse-lhes que dois bandidos mascarados acabavam de levar alguns milhões de um Senhor que ia fazer um depósito para sua empresa.

Conversando com Harry, Osvandir pediu-lhe que mostrasse as moedas de ouro (galeões) para o especialista avaliar.

Se fosse pelo peso, cada moeda pesou 25 gramas o que equivaleria a R$1.320,00 cada uma, ou seja, a um preço de R$53,00 por grama, em preço atual. Mas devido ao valor histórico o preço subiu astronomicamente.

O problema crucial para o banco é que não encontraram no seu catálogo nenhuma referência para aquele tipo de moeda. Foi chamado um experiente ourives para medir o grau de pureza. Este ficou maravilhado com a moeda que apresentava 99,0% de puro ouro.

As moedas de prata, também eram muito puras. A prata tinha um preço de mercado a uma base de R$2,00 o grama. Mas também estas pareciam diferentes e o valor histórico fez com que o seu preço ficasse nas alturas.

O Gerente, já um pouco vermelho de tanta emoção, louco para por as mãos naquele ouro todo, cerca de 100 moedas, foi logo liberando a conta especial, com vários cartões de crédito Mega Ouro, inclusive um internacional, outro para viagens aéreas e aquelas baboseiras como canetinhas de brinde, chaveiros, agenda, bolsa de legítimo couro de jacaré do Pantanal, criação exclusiva para aquela entidade.

Com os cartões de crédito em mãos, Osvandir levou HP para um passeio pelos shoppings da cidade.

Tudo que via de diferente, queria pegar, experimentar, cheirar. Aquele jovem, com cara de inglês, meio avermelhado e com algumas sardas no rosto.

Quando viu a escada rolante, ficou com medo de subir, achou-a um pouco diferente das que conhecia.

Numa grande loja com nome em letras bem vermelhas, fez a sua primeira compra: um livro. Adivinhem o título: O sétimo e último nosso conhecido, denominado Harry Potter and the Deathly Hallows, (Harry Potter e as Relíquias da Morte).

Leu alguma coisa, sacudiu a cabeça, parece que entendeu pouco. Fechou o livro e colocou naquela bolsa de couro que ganhou (ou que pagou) daquele banco.

Tentou pedir ao Osvandir alguma explicação, mas sem computador na mão ficou difícil a conversação.

Comprou outras coisas como colares de ouro puro, medalhões e ficou encantado com algumas malas, acabou comprando três, de tamanhos variados.

Convidado a comer alguma coisa, adorou a batatinha frita e alguns tipos de carne. Bebeu guaraná depois um bom vinho do Sul do país.

Retornando ao Hotel JKR tirou uma boa soneca, sonhou coisas terríveis, com aqueles monstros, da sua Escola de Magia. Acordou duas horas depois, tomou um bom banho e encontrou Osvandir ali no Net Book, pequeno objeto de desejo de muitos jovens.

No outro dia a grande viagem para São Paulo.
Manoel Amaral











quinta-feira, 23 de abril de 2009

OSVANDIR & HARRY POTTER NO BRASIL

Capítulo I

A CHEGADA

"As diferenças de costumes e língua não significam

nada se os nossos objetivos forem os mesmos e

os nossos corações forem receptivos." –

Harry Potter e o Cálice de Fogo.

Largando o mundo dos dragões, fênix e hipogrifos, Harry Potter, com sua vassoura mágica, veio voando até encontrar um buraco negro onde viajou, cercado pela escuridão, por um atalho do espaço-tempo.

Nesse meio tempo, aviões, helicópteros, circundavam o espaço e navios negros sondavam o litoral brasileiro, nas proximidades do Rio de Janeiro.

Alguma coisa não estava bem no espaço, diziam as pessoas. Um tremor forte foi sentido no Norte de Minas. Um barulho ensurdecedor foi ouvido no Triângulo Mineiro. E uma espécie de furacão afunilado fez sentir-se no Centro-Oeste do Estado.

O que seria? Prenúncios de 2012? Planeta X? Nebiru? Calendário Maia? Fim do Mundo?

Nada disso! Apenas um bruxinho meio desajeitado, que caira dos céus. Sem saber o que se passava e achando tudo meio estranho, foi para os lados de uma cidade muito grande para seus cálculos.

Não via seus amiguinhos , nem aqueles velhos casarões e nem a estação King's Cross, muito menos o Expresso de Hogwarts.

Tudo estava mudado, não via nem mesmo a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e seus amigos Rony Weasley, Pedro Pettigrew, Hermione Granger, Rúbeo Hagrid ( guardião das chaves), Alvo Dumbledore ( Diretor de Hogwarts), Cho Chang (a belíssima apanhadora do time da Corvinal), Sírius Black (seu padrinho e amigo precioso).

Tudo tinha sumido num piscar de olhos. Pegou sua mochila, verificou a comida, apenas um pedaço de pão velho e um queijo já com mofo.

Viajara por muito tempo e nem sentira, estava um pouco envelhecido.
Lembrava das peripécias com seus amigos onde enfrentavam preconceito, depressão, ódio, sacrifício, pobreza, morte.

Sem saber por que lembrou da morte de seus pais, quando ainda era muito pequeno. A eterna luta do bem contra o mal.

Um barulho no meio do mato, não era um dragão, apenas um pequeno animalzinho da floresta que não soube identificar o que era. Parecia um pequeno porco do mato, marrom, estava na beira do córrego alimentando-se de capim, com quatro filhotes, que saíram em debandada quando se aproximou.

Montou em sua vassoura mágica, deu os sinais de partida, nada! Alguma coisa estava errada! A vassoura não obedecia aos seus comandos. Tentou a varinha mágica numa moita e nada, também não funcionou. Recitou algumas palavras secretas e nenhum efeito prático.

Pensou: “estou num local fantástico, onde meus poderes e meus objetos não funcionam, só pode ser coisa do Senhor das Trevas, o meu maior inimigo”.

Ele não sabia que o seu maior inimigo, no momento, era o tempo!

Continuou caminhando por uma estrada asfaltada. Muito comprida, não acabava mais. Até que chegou as ruas da cidade. Leu uma placa na parede de uma casa, lá estava escrito “Rua Governador Magalhães Pinto”, era apenas um nome qualquer e ele ali sem saber traduzir a mensagem daquela placa.

Viu uma ponte, muito grande, mas não era como as da sua terra natal, que na maioria eram muito melhor elaborada, algumas de ferro. Encontrou uns trilhos e lembrou do Expresso de Hogwarts.

Por sobre esta ponte uns veículos velozes corriam por todo lado.
Ficou maravilhado. Corriam mais que sua vassoura mágica!

Ninguém notara a sua presença. O povo andava às pressas, parecendo que tinham compromissos urgentes.

Encontrou algumas construções diferentes, casas enormes, ruas largas e bem traçadas. Sua cidade tinha muitas construções antigas. Nunca vira nada igual em sua terra. Cidade muito bonita e parecia ter sido construída recentemente.


Viu uma espécie de igreja, nada comparada com as que conhecia. Duas torres bem planejadas, com muitas pinturas no interior. Ao lado um casarão, com uma placa escrita numa linguagem secreta que não conhecia, uma palavra destacava-se: MUSEU.

Osvandir vinha rastreando a descida de um objeto diferente, não era metálico, mas dava para sentir um calor especial naquele corpo que desceu do espaço.

Não sabia onde caira, mas estava à procura a mais de meia hora.
Recebeu por celular, um aviso que uma pessoa completamente estranha estava circulando na Praça da Catedral. Muitos o poderiam considerar como mais um street people, devido as roupas de frio que vestia.

Não pensou duas vezes, saiu ao encontro deste enigma temporal.
Atravessou a ponte Padre Libério, subiu uma rua e foi parar exatamente na Praça. Não precisou olhar muito. Alguém estava tentando comprar um sorvete num carrinho. O vendedor não queria entregar-lhe, sem ver o seu dinheiro. Queria comer, seu estômago estava roncando.

Osvandir chegou de mansinho, bateu-lhe nas costas, pagou o sorvete e entregou-lhe.

Harry devorou aquilo, meio gelado, mas que dava para enganar o estômago.

O jeito foi colocá-lo no carro e levá-lo para longe da curiosidade da população.

A comunicação entre os dois era muito difícil porque ele falava inglêsum e Osvandir sentia dificuldade em entendê-lo.

Uma palavra aqui, outra acolá e ele ficou sabendo que comida seria bread, food e meal. Osvandir entendia um pouco de sua língua, mas conversação era mais difícil.

Ele acenou que estava com fome, barriga roncando, queria água.

No hotel, foi providenciado para que ele tivesse do bom e do melhor.
Algumas coisas ele rejeitou, não comeu o que não conhecia. Adorou o frango, churrasco e outras carnes. Comeu uma maçã e outras frutas.

Enquanto Osvandir estava passando uma mensagem para Pepe, Al, Ilde, Marcio e Thalles, o Harry chegou por perto e ficou observando o computador. Uma versão mais nova dos equipamentos que conhecia.

Achou a máquina meio estranha. Queria saber mais alguma coisa.
Pegou o teclado e foi logo apertando algumas letras formando a palavra: Street. Osvandir digitou: rua.


Os dois encontraram uma boa maneira de se comunicarem de agora em diante. Mas algumas palavras não tinham tradução.

Manoel Amaral

quarta-feira, 15 de abril de 2009

OSVANDIR E O SEGREDO DE UFOLOGIA

"Existem vários caminhos, várias direções.
Cada um deve escolher o seu.
Alguns caminhos se cruzam, outros não.
O importante mesmo é caminhar."
Cláudia Banegas

Osvandir, em uma de suas viagens ao Pará, desta vez a passeio, fazia compras no mercado mais antigo e popular do Brasil, o mercado Ver-o-Peso, em Belém.

Neste mercado podia-se comprar de tudo que fosse comestível e fosse produzido no Brasil.
Osvandir estava impressionado com tantas variedades de alimentos, alguns que ele jamais pudesse imaginar que servisse para alimentar pessoas. Talvez ele até duvidasse que fosse realmente alimento.

O interesse pela variedade de alimentos foi interrompido quando Osvandir ouviu um feirante oferecendo ervas milagrosas vindas do espaço. Osvandir, curioso como é, quis logo saber que ervas eram aquelas.

O feirante falou das ervas e do possível local, sagrado, que ficava bem distante, da cidade e onde ninguém ousava ir, porque quem se aventuva em ir lá nunca mais voltava, se transformava em árvores gigantes. Segundo o feirante, todas as árvores gigantes da floresta, seriam pessoas que tentaram ir naquele local sagrado.

Osvandir não perdeu tempo, quis logo saber como chegaria até aquele local. Mas o feirante insistiu para que ele desistisse, porque segundo os antigos, ninguém tentava ir lá há anos, e por isto não se via novas árvores gigantes.

Mas com tanta insistência de Osvandir, o feirante acabou dizendo que caminho deveria seguir, para ir até o local sagrado, mas garantiu que ele não conseguiria chegar lá e voltar.

Osvandir então perguntou como ele conseguia aquelas ervas para vender. Claro que o feirante não disse, mas Osvandir percebeu que o feirante mentia sobre a origem das ervas.

Intrigado com a história, Osvandir, aventureiro por natureza, pensou algumas vezes, mas depois decidiu arriscar em tentar encontrar o local sagrado.

Partindo, na manhã seguinte, na direção indicada pelo feirante e outros com quem conversou, onde seria o caminho deste local misterioso. Osvandir caminhou a manhã toda. Parou a beira de um riacho de águas límpidas, para saciar a sede e comer um sanduíche, de vários que ele tinha levado.

Depois de um bom descanso, Osvandir seguiu viagem. Mas o que ele via era só mato, algumas árvores bem altas e uma imensa planície. Depois de caminhar um pouco, decidiu segui o pequeno riacho, pois quem quer que viva por lá, precisaria de água. Depois de duas horas caminhando, teve que se afastar do riacho, devido ao difícil acesso, foi caminhando pela mata, até que viu uma pequena floresta, bem fechada.

Já estava anoitecendo, quando entrou na floresta e caminhando com dificuldades, viu um aglomerado de grandes árvores, troncos imensos, que formavam uma copa densa, da qual não se podia ver de cima, o que havia em baixo delas.

Neste momento se lembrou do que disse o feirante, de que pessoas que se aventurassem em busca deste local, se transformariam em árvores gigantes.

Osvandir, disposto a arriscar, aproximou e viu que havia 12 árvores, plantadas de tal maneira, que formavam um círculo quase perfeito. No interior deste, não havia nada plantado, apenas terra batida, vermelha. Em baixo de cada uma daquelas árvores, tinha uma cabana de índios. Uma para cada uma daquelas imensas árvores que formavam o círculo.

Osvandir encheu o peito de coragem e seguiu adiante, entrando no círculo.

Os índios que moravam ali se assustaram com Osvandir e até ficaram com medo, mais que Osvandir deles. Mas se armaram de lanças rudimentares, amarradas com cipó, ficando na posição de ataque. Osvandir rapidamente disse que procurava pela erva milagrosa, que não tinha a intenção de invadir o território deles. Os índios olharam um pouco, depois baixaram as lanças e apenas um veio em direção de Osvandir. Segurou pela mão e o conduziu sem dizer nenhuma palavra, até uma das 12 cabanas.

Deixando-o na porta desta cabana, o índio se retirou. Osvandir, embora com medo do que podia haver ali, mas cheio de curiosidades, não temeu e entrou.

Ao entrar, Osvandir reparou que a cabana tinha muitos objetos estranhos, brilhantes e das mais variadas formas. Enquanto entrava e olhava tudo, deparou com um homem, de aproximadamente uns 25 anos, cabelos loiros, olhos azuis, barba feita, mas que estava vestido como índio.

O tal homem olhou para Osvandir, abriu um pequeno sorriso e perguntou:
__ Porque demorou tanto?
Osvandir, ainda assustado com a imagem do homem, e com tudo que havia ali, ficou boquiaberto e quase gaguejando disse:
__Demorei?
__Sim, estava esperando você. Que não veio por acaso. Eu sabia que viria e até já o esperava.
__Sabia? Como poderia saber? Vim aqui por curiosidade.
__Sua vinda até ao Pará, o feirante falando com você da erva milagrosa e até as pessoas com quem você conversou. Nada foi por acaso.
__Então eu estava sendo vigiado?
__Não. Seus passos, eu já sabia quais seriam. Deixe eu te contar algo. A lenda de que estes índios falam, refere-se a 12 chefes, de 12 tribos indígenas, que saíram pela mata, em busca de um novo local para se estabelecerem. Devem ter encontrado este local. Quando a tribo saiu em busca de seus chefes, chegaram aqui e vieram 12 árvores, disseram que os 12 chefes haviam preparado o local, deixando o terreno limpo, se transformando em árvores, para proteção de toda a aldeia.

__O terreno é limpo, porque a copa das 12 árvores não deixa a luz do sol tocar o solo. Exclamou Osvandir.
__Não. Na verdade, eles encontraram com alienígenas, que desceram aqui, neste mesmo círculo, onde ficou marcado para que voltem. Eles levaram os 12 chefes e deixaram aqui, em troca, 12 grandes árvores. Como você pode ver. As árvores protegem o local onde deverão retornar.
__Então você está dizendo que aqui é um campo de pouso de alienígenas. Que retornarão?
__Sim.
__Mas como você sabe tudo isto? Onde eu entro nesta história?
__Quantas vezes você já olhou para o céu e quis estar muito além das estrelas? Quantas vezes já se perguntou por que tanto gosto pela aventura? Quantas vezes quis desvendar todos os mistérios da vida? Quantas vezes se perguntou de onde veio e não teve resposta? Quando os visitantes do universo partiram, levando os 12 chefes indígenas, deixaram dois membros da equipe aqui, para explorar o local. Um ficou aqui, protegendo as 12 árvores enquanto espera a volta da equipe que partiu para casa. O outro desistiu de esperar e saiu rumo ao desconhecido.
__Está querendo me dizer que é você que eles deixaram aqui? E que eu sou quem partiu para o mundo?
__Isto. Somos irmãos de origem. Eu fiz você vir até aqui. Nosso povo está para chegar. Você precisava estar aqui para irmos embora.
__Então sou de outro planeta! E de qual planeta somos então?
__UFOLOGIA. Chegou a hora de voltarmos pra casa.
__E você lembra como é nossa terra e quem temos lá, como vivemos?
__Não. Viver aqui todo este tempo, fez apagar a memória do que temos lá. Só conseguimos lembrar coisa deste planeta.
__Então como sabe de toda esta história?
__O que foi me foi contado aqui, não esqueço.
__Mas eu não sei se quero voltar. Talvez eu queira ficar por aqui. Este já é meu mundo. Se não posso lembrar o outro, como saber se tudo isto é verdade?
__Não pode saber. Terá que acreditar. Eu continuarei esperando e voltarei para minha terra. Mas você poderá fazer sua escolha.
__Minha escolha, já foi feita.

Thymonthy

sexta-feira, 10 de abril de 2009

OSVANDIR EM VENEZA III

OSVANDIR EM VENEZA


FINAL

É tão triste Veneza,
Quando ouço no ar,
Barcarolas que vem,
Minha dor realçar.
(Agnaldo Timóteo - É tão triste Veneza )

Ao chegar a loja maçônica Osvandir foi escoltado por um irmão-aprendiz, até uma grande sala azul, era a "sala dos passos perdidos", nas quatro paredes tinha uma porta, contando com a porta por onde chegou. O rapaz pediu que ele esperasse ali e assim que ele, aprendiz, saísse o Osvandir deveria escolher uma das portas, abrí-la e entrar.

Assim que o rapaz partiu, Osvandir escolheu a porta que tinha no frontão o desenho de uma estrela com sete pontas, em cada uma delas o símbolo astrológico dos planetas. Começando em cima e no sentido anti-horário, o símbolo do Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, Saturno, Júpiter e Marte.

Ao entrar pela porta foi recebido por nada mais, nada menos, que pelo o irmão Sereníssimo Grão Mestre da Fratellanza Italiana, Osvandir não podia ver o rosto do homem, pois o mesmo estava encoberto por um capuz negro, com duas pequenas aberturas para os olhos. O homem olhou para ele e perguntou por que procurava saber sobre a Guarda Negra, Osvandir então contou sobre o apuro que o seu amigo Sandi estava passando e os acontecimentos no mosteiro, e sabia que só através das informações seculares que a Guarda possuía ele conseguiria elucidar o misterioso caso.

O Sereníssimo então falou que para isso era preciso estar com a consciência desperta, adquirida através da abertura das sete chaves, onde cada etapa consistia em descobrir a chave da porta seguinte, mas que nos tempos que correm é preciso ser mais tolerante com os não iniciados e que o Osvandir poderia perguntar o que achasse necessário.

Osvandir começou perguntando sobre o livro, manual, que tinha pertencido a biblioteca do rei Salomão, o Grão Mestre olhou para ele e disse que o manual servia para montar um aparato científico que possibilitaria entender a formação do universo. Então Osvandir perguntou se isso tinha a ver com os terríveis acontecimentos dos monges do monte Etna e, se sim, de que maneira.

O homem foi até uma lousa, que ficava na parede em frente ao Osvandir, e desenhou um esquema, uma espécie de diagrama, dizendo que na época do rei Salomão foi observado um grande clarão no céu, o que os astrônomos hoje em dia chamam de uma Super Nova, e que esses mesmos cientistas calculavam que a explosão de uma supernova deveria liberar uma enorme quantidade de neutrinos.

Confuso, Osvandir, indagou o que esses tais neutrinos tinham a ver com o mosteiro? O Grão Mestre disse que na verdade o mosteiro abrigava um sofisticado detector de partículas, que existia uma antiga mina de sal nas entranhas da montanha e que o aparato científico tinha sido montado ali para detectar os neutrinos emitidos pela grande explosão inicial do universo, o Big Bang.

A quantidade de partículas capturada pode estar relacionada com questões fundamentais: O Universo teve um começo? Ele está em expansão? Um dia o Universo vai se contrair ou vai continuar se expandindo? Se ele se contrair, depois vai ter um começo de novo?

E ao que parece, pelo estado mental totalmente alterado, os monges esclareceram essas questões, e que os governantes "senhores do mundo" estavam a todo custo tentando manter em sigilo absoluto essa verdade.

Osvandir agradeceu e partiu rejuvenescido e em sua mente veio a figura de Corto Maltese, o marinheiro, e como diria ele, o personagem criado por Hugo Pratt, " há em Veneza três lugares mágicos e secretos: um na "rua dos amores e dos amigos", outro junto da "ponte das maravilhas" e o terceiro na "calle dei marrani", perto de "san geremia", no velho gueto. Quando os venesianos estão fartos das autoridades, vão até esses lugares secretos e, abrindo as portas ao fundo desses pátios, partem para sempre para universos maravilhosos e para outras histórias."

Jose Ildefonso

quinta-feira, 9 de abril de 2009

OSVANDIR E A SEMANA SANTA

QUEM MATOU ESTE HOMEM?

“The State of Israel is at war with the Palestinian people,

people against people, collective against collective.”

Benjamin Netanyahu (primeiro ministro de Israel)


Pelos cálculos, ele nascera em 1976, em Belém-PA, Brasil. Tornara-se conhecido pela sua grande sabedoria. Desejava a paz das Nações. Vivia nas favelas ou periferia das cidades, em companhia dos pobres.


Viajava sempre para Israel e seus arredores. Visitava os palestinos, via as suas misérias, o muro, as bombas, os tanques, explosões a toda hora.


Ensinava ao ar livre, debaixo do que restou das árvores do território palestino, bem como atendia a pedidos para palestrar em grandes recintos fechados, com modernas técnicas de comunicação.


Pregava o igualitarismo radical, tanto em níveis socioeconômicos (alimentação e o uso da água para toda a população), como o religioso-político (liberdade religiosa e política). Essa combinação poderia ter levado a execução deste homem.


Vamos resumir a sua história: saiu do Brasil aos 30 anos. Perambulou pelo mundo, visitando a Índia, a China, a Rússia, praticamente toda Europa. Teve um carinho especial com aquele povo sofrido da África, visitando constantemente aquela região.


Conversou com grandes líderes do G20 para que ajudassem os países mais pobres.


Arrecadou e mandou toneladas de alimentos para o Haiti, Nordeste Brasileiro e onde havia falta de comida. Levou sua palavra de consolo a muitas regiões do planeta.


Pregou nos mais afastados recantos da terra. Atravessou, oceanos, rios e lagos a procura de alguém que precisasse de sua palavra, nestes tempos de aflição.


Passou uma temporada nos Estados Unidos, falando ao povo, em tempos de crise.

Pregou aos grandes como perdoar e fazer a caridade. Ensinou aos pequenos como suportar a dor e continuar vivendo.


Previu que grande crise mundial viria, mas que seria suportada pela população.

Disse aos barões da coca, traficantes, assassinos, colarinhos brancos, políticos e banqueiros corruptos, e demais bandidos que se não mudassem de vida, veriam seu mundo ruir num piscar de olhos.


Foi sentenciado de morte pelos poderosos, queriam que ele fosse banido de Israel. Passou a viver mais tempo do lado palestino, cuidando dos doentes e criancinhas abandonadas.


Criou e sustentou várias escolas e creches ao longo da Faixa de Gaza.

Ajudou muitos peregrinos que iam visitar Jerusalém e que encontravam-se em dificuldades.


Criticava as bases políticas, religiosas, sociais e econômicas de Israel.

Achava que o Rio Jordão e suas águas pertenciam a todos. Pregava sobre a desigualdade social.


O Povo Palestino em menor número, pobre, estraçalhado pelos foguetes de Israel, só poderiam revidar através de atos de terrorismo. A sua religião ensina as crianças a seguir seus líderes, transformando-se crianças em homens bombas.

Homem sereno e transcendental, sozinho, dolorosamente humano.


Naquele dia, numa sexta-feira, foi preso, carregado até o muro das lamentações, torturado, arrastado por jipes de guerra.


Levaram-no até aos portões de entrada para a Palestina. Pela lei dos Judeus seria o seu castigo o apedrejamento, no entanto foi amarrado numa cerca elétrica de arame farpado.


Colocaram uma coroa feita de arame de aço perfurante na sua cabeça e declararam-no Rei dos Judeus.

Quando estava agonizando um soldado israelense deu uma saraivada de balas com sua metralhadora e perfurou-lhe todo seu peito e informaram para a imprensa que o tiro partira de uma arma dos palestinos.


No muro ao lado uma frase: “Quem vive pelo fuzil, pela metralhadora morrerá!”


Manoel Amaral

OSVANDIR EM VENEZA

UMA AVENTURA DE OSVANDIR EM VENEZA


Cap. II

A PONTE

“Uma nova ordem mundial vai emergir da atual crise econômica.”
Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown
“Veneza foi o lugar aonde o homem brincou de ser Deus.”
Guto Graça


Ainda na ala de desembarque do aeroporto de Roma, Osvandir ficou sabendo que alguns voos, inclusive o seu com destino a Veneza, estavam atrasados. a ideia era de Roma seguir em um táxi-aéreo até o aeroporto de Treviso, que fica situado a 30 km da cidade de Veneza.

Uma vez em Treviso, pegaria um trem, ideia do próprio Osvandir, um romântico por natureza, cujas as partidas são em Paris e acontecem todos os dias as 20h30, na Gare de Bercy, uma estação ao sul da Catedral de Notre Dame e que, excepcionalmente nesta semana, faria parada em Treviso antes de finalmente chegar até Veneza.

Depois de muitas horas de leitura dos jornais, regadas ao legítimo capuccino e se interando das últimas notícias do terremoto que assolou a cidade de Áquila, no norte da Itália, finalmente Osvandir embarcou no táxi-aéreo, especialmente fretado para ele, com destino a Treviso.

Cansado da viagem, mas feliz por estar novamente na Veneza das antigas histórias, Veneza das ruelas, das pontes sobre os canais, Veneza da "escada louca" ou “escada turca", onde os personagens da comunidade armeno-judaico-egípcia se reuniam a beira do poço de hera, no "pátio secreto", ou do "arcano". Conta a lenda, que para lá entrar era preciso abrir sete portas, e cada uma delas tinha gravado o nome de um shed, demônio da casta dos Shedim criada por Adão quando foi separado de Eva, após o seu ato de "desobediência".

Ainda nesse estado, meio sonhando acordado, Osvandir voltou rapidamente à lucidez, em um insight, lhe veio a mente o nome Aurélia, só podia ser isso, o nome da proprietária da coleção de livros raros era uma alusão a outra Aurélia, a borboleta, a guardiã da sabedoria gnóstica, que oferecia seu saber a cada um que o desejasse em milhares de reflexos coloridos.

Osvandir pegou o celular e ligou para o seu amigo Sandi, o jovem médico que estava sendo perseguido, dia e noite, por um mercenário na tentativa de silenciar qualquer informação a respeito da estranha doença que vinha atacando os monges do monte Etna. A ligação estava muito ruim, mas Osvandir conseguiu que o amigo, que era nascido na cidade de Toledo, Espanha, se lembrasse das maravilhosas histórias que os mais velhos contavam em sua infância, em uma delas estava a chave que explicava a loucura dos monges.

Agora mais tranquilo, Osvandir resolveu aproveitar e tomar um banho na banheira relaxante do hotel. Pediu uma garrafa de vinho e em sua mente, como em um filme antigo, surgia as palavras proféticas: na vida dos homens que querem saber há sempre as sete portas secretas. Osvandir sabia que a manhã seguinte seria de muito trabalho e aproveitou o bom vinho em seu banho regado a sais e água morna.

Logo ao alvorecer procurou uma R.:L.:Hermes, ou como são mais comumente chamadas, loja maçônica, precisava obter mais informações da lendária Guarda Negra que a séculos pertence á Maçonaria e que anteriormente pertencia a uma ordem monástica militar, a dos Templários.

Começava aí a explicação que o seu perseguido amigo Sandi tanto procurava.

Jose Ildefonso

quarta-feira, 8 de abril de 2009

JADIR AMARAL DOS SANTOS

JADIR AMARAL DOS SANTOS
... La douceur de vivre et s'il va ...


Estava em Paris, tomando um cafezinho no Bienvenue au Delaville Café, ali no 34, Bolevar Bonne Nouvelle, quando viu um rapaz com camisa do Cruzeiro, time de Minas; como era cruzeirense, quis logo saber quem era.

Achou interessante que o rosto parecia-lhe muito familiar. Perguntou-lhe o nome da família o outro respondeu que era da família dos Guimarães e que também era torcedor do mesmo time.

Conversa vai, conversa vem, ficou sabendo que aquela pessoa era brasileira, perguntado sobre o estado de origem, disse-lhe que era de Minas.

Aprofundando mais as origens, tomou conhecimento que era de Belo Horizonte e que sua família era de São Gonçalo do Pará-MG.

__ Mundinho pequeno esse, falou Jadir. Eu moro em Divinópolis mas nasci em São Gonçalo do Pará, família Amaral.
__ Conhece Zezé Perrella? Somos amigos.
__ Conheço demais, mas não votei nele para Deputado!

Ele era assim, muito franco e não gostava de falar do passado. Era otimista por natureza, só falava de coisas positivas.

Vivia intensamente o resto de seus dias. A última mensagem que me enviou pelo computador dizia que tinha viajado para Fortaleza para ficar 15 dias dançando forró e aproveitando a vida.

Deixou todos os filhos, formados e bem encaminhados na vida.
A última vez que conversamos foi ali na esquina da Rua Rio de Janeiro com Antonio Olímpio de Morais, quando vinha da sua aula de inglês. Ele me disse que se morresse no outro dia já tinha aproveitado bem a vida.

Assustei, ainda fazendo curso de inglês? Perguntei. Ele disse que viajaria para os Estados Unidos no mês de maio e já estava com as passagens compradas.

Este é o Jadir Amaral dos Santos, meu adorado sobrinho, que acabou de ser enterrado hoje.

Manoel Amaral
06/04/2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

OSVANDIR E O VENCEDOR DO BBB9


“Vou fazer bicicologia." Francine


1º - Maximiliano - Max, artista plástico, carioca. Vencedor do BBB9.

Maximize-se e minimize-se. Essas são as duas palavras de ordem para o artista plástico Max Porto, de 30 anos. Dono de cinco tatuagens e de um estilo despojado, ele se classifica como um desenho animado vivo. “Consegui me diferenciar pela minha imagem, minha profissão e minhas tatuagens”, opina.

Autodidata, Max tem nas miniaturas que faz a sua maior paixão. Já o seu amuleto está tatuado na pele: o número 12, data do seu aniversário. Nascido no Rio de Janeiro, o artista plástico teve uma infância nômade na capital carioca, mas viveu a maior parte do tempo no subúrbio. “Até hoje ainda sou meio molecão, tipo Peter Pan”, diz. Atualmente, mora com a família em Maricá, na Região dos Lagos do Rio.

Um cara sem pudores e com uma criação liberal, Max Porto diz que ainda não pensou em uma estratégia para o jogo, mas ressalta: “O fato de não ter uma estratégia não significa que eu não seja um bom estrategista. Vou dançar de acordo com a música”. (globo.com)

2º - Priscila - Pri, jornalista e modelo.

À primeira vista, o que mais chama a atenção na morena Priscila, de 26 anos, 1,60m e 60kg é o corpo esculpido na musculação e nas aulas de Muay Thai. Mas a jornalista de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, tem um lado família que faz questão de ressaltar. Com a morte da mãe em um acidente de carro, há sete anos, Priscila assumiu a responsabilidade de cuidar dos dois irmãos mais novos - Paula, hoje com 19 anos, e Felipe, de 17 -, ao lado do padrasto. “Virei a irmã-tudo. Eles são meu orgulho”, disse.

Para cuidar da família, a morena chegou a abrir mão de um convite para seguir a carreira de modelo em São Paulo. “Agora chegou a hora de cuidar de mim”, avisa a jornalista, que deseja não apenas o prêmio de R$ 1 milhão, mas também curtir a fama após o BBB. “Quero faturar quando sair da casa”.

Priscila garante estar preparada para suportar a pressão e o julgamento popular. “Nasci no interior e mulher bonita, na minha cidade, todo dia é julgada”. Solteira desde junho, a morena, dona de duas tatuagens, uma na virilha e outra no cóccix, acaba com as esperanças dos marmanjos da casa: “Meu objetivo não é pegar geral. Estou solteira, mas não estou soltinha”. (globo.com)

3º - Francine - Fran, Professora, gaúcha.

Bebida, homem e festa. Estes são os pontos fracos de Francine, nascida no Rio Grande do Sul há 25 anos. Filha de pais divorciados, ela se mudou para São Paulo para estudar Rádio e TV, onde se formou no final de 2008 – antes disso ela cursou, sem chegar ao fim, Administração, Enfermagem e Arquitetura. Mas a grande paixão desta desajeitada gaúcha são as passarelas. Modelo desde os 12 anos, ela é professora para crianças no ABC Paulista.

Solteira depois de um namoro de quatro meses, Fran, que recentemente fez uma cirurgia para tirar o culote, afirma que vai para o Big Brother 9 pronta para conquistas amorosas, muita diversão e atrás do prêmio de R$ 1 milhão que lhe daria a possibilidade de comprar um apartamento e começar a cursar a faculdade de Gastronomia, seu grande sonho. Um outro desejo é provar que uma mulher vaidosa, bonita e que se arruma não precisa ser fútil para ter sucesso na vida.

Vivendo com uma amiga em São Bernardo do Campo, em São Paulo, Fran, que se considera ao mesmo tempo palhaça e nervosa, não dispensa uma maquiagem, um traje espalhafatoso (preferencialmente rosa) e dois adereços fundamentais: uma medalha de São Bento e uma pulseira com alguns pingentes (um contra o mau olhado, outro para dar sorte e o último com o número 13, coincidentemente o dia de entrada na casa do BBB9). (globo.com)

OUTROS PARTICIPANTES

Ana Carolina, vendedora, saiu da casa em 05/04/2009.

Alexandre - Alex, Administrador de Empresas, Pernambuco, em 03/02.

André, cantor sertanejo, paulista, saiu em 24/03.

Josiane – Josi, Mineira, Juiz de Fora, Psicologia, 29/03.

Emanuel, Santa Catarina, Administrador, saiu em 17/02.

Maíra, de São Paulo, modelo, 10/03.

Flávio, gaúcho, 31/03 (veio do EUA para participar).

Michele, Miss Pernambuco 2008, direito, 20/01, capa Play Boy.

Leonardo, Administrador, 02/02, saiu quarto branco.

Milena, Produtora Eventos, 24/03.

Mirla, Estado do Pará, Direito e Comunicação Social, saiu em 01/03.

Newton, gaúcho, modelo, Produtor de Eventos, 10/02.

Naiá, São Paulo, Prod. Eventos, 17/03.

Norberto, Radialista, SP, 27/01.

Ralf, Empresário Agropecuário, 03/03.

Veja as frases mais batidas do programa.

1ª)“O importante é aproveitar cada momento que passamos nessa casa”

2ª)“A gente já virou uma família”

3ª)“Só voto nele(a) porque tenho que votar em alguém, né?”

4ª)“Hoje a pessoa que sai da casa é completamente diferente da que entrou”

5ª)“Isso aqui é só um jogo”

6ª)“Minha estratégia é ser eu mesmo”

7ª)“Todos aqui são amigos, mas todo mundo quer ganhar 1 milhão também”

8ª)“O Brasil está vendo quem é quem na verdade”

9ª)“Na verdade, todos já somos grandes vencedores”

10ª)“Estou saindo com a consciência tranqüila”

11ª)“Te espero lá fora”

12ª) Francine para Priscila:"Tome conta de sua vida, me deixe viver com o meu bem". (globo.com)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

UMA AVENTURA DE OSVANDIR EM VENEZA

OSVANDIR EM VENEZA


Capítulo III

O GRÃO MESTRE

É tão triste Veneza,
Quando ouço no ar,
Barcarolas que vem,
Minha dor realçar.
(Agnaldo Timóteo - É tão triste Veneza )
Ao chegar a loja maçônica Osvandir foi escoltado por um irmão-aprendiz, até uma grande sala azul, era a "sala dos passos perdidos", nas quatro paredes tinha uma porta, contando com a porta por onde chegou. O rapaz pediu que ele esperasse ali e assim que ele, aprendiz, saísse o Osvandir deveria escolher uma das portas, abrí-la e entrar.
Assim que o rapaz partiu, Osvandir escolheu a porta que tinha no frontão o desenho de uma estrela com sete pontas, em cada uma delas o símbolo astrológico dos planetas. Começando em cima e no sentido anti-horário, o símbolo do Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, Saturno, Júpiter e Marte.
Ao entrar pela porta foi recebido por nada mais, nada menos, que pelo o irmão Sereníssimo Grão Mestre da Fratellanza Italiana, Osvandir não podia ver o rosto do homem, pois o mesmo estava encoberto por um capuz negro, com duas pequenas aberturas para os olhos. O homem olhou para ele e perguntou por que procurava saber sobre a Guarda Negra, Osvandir então contou sobre o apuro que o seu amigo Sandi estava passando e os acontecimentos no mosteiro, e sabia que só através das informações seculares que a Guarda possuía ele conseguiria elucidar o misterioso caso.
O Sereníssimo então falou que para isso era preciso estar com a consciência desperta, adquirida através da abertura das sete chaves, onde cada etapa consistia em descobrir a chave da porta seguinte, mas que nos tempos que correm é preciso ser mais tolerante com os não iniciados e que o Osvandir poderia perguntar o que achasse necessário.
Osvandir começou perguntando sobre o livro, manual, que tinha pertencido a biblioteca do rei Salomão, o Grão Mestre olhou para ele e disse que o manual servia para montar um aparato científico que possibilitaria entender a formação do universo. Então Osvandir perguntou se isso tinha a ver com os terríveis acontecimentos dos monges do monte Etna e, se sim, de que maneira.
O homem foi até uma lousa, que ficava na parede em frente ao Osvandir, e desenhou um esquema, uma espécie de diagrama, dizendo que na época do rei Salomão foi observado um grande clarão no céu, o que os astrônomos hoje em dia chamam de uma Super Nova, e que esses mesmos cientistas calculavam que a explosão de uma supernova deveria liberar uma enorme quantidade de neutrinos.
Confuso, Osvandir, indagou o que esses tais neutrinos tinham a ver com o mosteiro? O Grão Mestre disse que na verdade o mosteiro abrigava um sofisticado detector de partículas, que existia uma antiga mina de sal nas entranhas da montanha e que o aparato científico tinha sido montado ali para detectar os neutrinos emitidos pela grande explosão inicial do universo, o Big Bang.
A quantidade de partículas capturada pode estar relacionada com questões fundamentais: O Universo teve um começo? Ele está em expansão? Um dia o Universo vai se contrair ou vai continuar se expandindo? Se ele se contrair, depois vai ter um começo de novo?
E ao que parece, pelo estado mental totalmente alterado, os monges esclareceram essas questões, e que os governantes "senhores do mundo" estavam a todo custo tentando manter em sigilo absoluto essa verdade.
Osvandir agradeceu e partiu rejuvenescido e em sua mente veio a figura de Corto Maltese, o marinheiro, e como diria ele, o personagem criado por Hugo Pratt, " há em Veneza três lugares mágicos e secretos: um na "rua dos amores e dos amigos", outro junto da "ponte das maravilhas" e o terceiro na "calle dei marrani", perto de "san geremia", no velho gueto. Quando os venesianos estão fartos das autoridades, vão até esses lugares secretos e, abrindo as portas ao fundo desses pátios, partem para sempre para universos maravilhosos e para outras histórias."
Jose Ildefonso


UMA AVENTURA DE OSVANDIR EM VENEZA

Cap. II

A GUARDA NEGRA

“Uma nova ordem mundial vai emergir da atual crise econômica.”
Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown
“Veneza foi o lugar aonde o homem brincou de ser Deus.”
Guto Graça


Ainda na ala de desembarque do aeroporto de Roma, Osvandir ficou sabendo que alguns voos, inclusive o seu com destino a Veneza, estavam atrasados. a ideia era de Roma seguir em um táxi-aéreo até o aeroporto de Treviso, que fica situado a 30 km da cidade de Veneza.

Uma vez em Treviso, pegaria um trem, ideia do próprio Osvandir, um romântico por natureza, cujas as partidas são em Paris e acontecem todos os dias as 20h30, na Gare de Bercy, uma estação ao sul da Catedral de Notre Dame e que, excepcionalmente nesta semana, faria parada em Treviso antes de finalmente chegar até Veneza.

Depois de muitas horas de leitura dos jornais, regadas ao legítimo capuccino e se interando das últimas notícias do terremoto que assolou a cidade de Áquila, no norte da Itália, finalmente Osvandir embarcou no táxi-aéreo, especialmente fretado para ele, com destino a Treviso.

Cansado da viagem, mas feliz por estar novamente na Veneza das antigas histórias, Veneza das ruelas, das pontes sobre os canais, Veneza da "escada louca" ou “escada turca", onde os personagens da comunidade armeno-judaico-egípcia se reuniam a beira do poço de hera, no "pátio secreto", ou do "arcano". Conta a lenda, que para lá entrar era preciso abrir sete portas, e cada uma delas tinha gravado o nome de um shed, demônio da casta dos Shedim criada por Adão quando foi separado de Eva, após o seu ato de "desobediência".

Ainda nesse estado, meio sonhando acordado, Osvandir voltou rapidamente à lucidez, em um insight, lhe veio a mente o nome Aurélia, só podia ser isso, o nome da proprietária da coleção de livros raros era uma alusão a outra Aurélia, a borboleta, a guardiã da sabedoria gnóstica, que oferecia seu saber a cada um que o desejasse em milhares de reflexos coloridos.

Osvandir pegou o celular e ligou para o seu amigo Sandi, o jovem médico que estava sendo perseguido, dia e noite, por um mercenário na tentativa de silenciar qualquer informação a respeito da estranha doença que vinha atacando os monges do monte Etna. A ligação estava muito ruim, mas Osvandir conseguiu que o amigo, que era nascido na cidade de Toledo, Espanha, se lembrasse das maravilhosas histórias que os mais velhos contavam em sua infância, em uma delas estava a chave que explicava a loucura dos monges.

Agora mais tranquilo, Osvandir resolveu aproveitar e tomar um banho na banheira relaxante do hotel. Pediu uma garrafa de vinho e em sua mente, como em um filme antigo, surgia as palavras proféticas: na vida dos homens que querem saber há sempre as sete portas secretas. Osvandir sabia que a manhã seguinte seria de muito trabalho e aproveitou o bom vinho em seu banho regado a sais e água morna.

Logo ao alvorecer procurou uma R.:L.:Hermes, ou como são mais comumente chamadas, loja maçônica, precisava obter mais informações da lendária Guarda Negra que a séculos pertence á Maçonaria e que anteriormente pertencia a uma ordem monástica militar, a dos Templários.

Começava aí a explicação que o seu perseguido amigo Sandi tanto procurava.

Jose Ildefonso



Capítulo I
NOVA ORDEM MUNDIAL
"A Nova Ordem Mundial tornou-se inevitável"
Arthur Compton
(Adaptação)
O Osvandir acordou com a campainha do telefone celular. Meio sonolento olhou para o relógio no pulso esquerdo, eram quatro horas da manhã. Sentou-se na pequena cama de campanha rapidamente e atendeu o chamado.A voz do outro lado só disse duas palavras "Força Omega".
Osvandir desligou o celular, caminhou até o caixote, que servia de armário, onde estava uma pasta de couro de camelo, abriu-a e apanhou o envelope azul. Olhou bem, o papel estava um tanto quanto amassado, e então abriu o envelope com cuidado.

A ordem era bem clara: Parta imediatamente para Veneza e se junte à Força Omega.Durante o longo voo ele foi repassando o objetivo da importante missão que ele fora convocado, seguir a pista de uma rara e valiosa coleção antiga de livros científicos, todos vindos de uma mesma e singular biblioteca, tão misteriosa que o especialista do grupo especial Pepe, o Sábio, viajara antes na tentativa de evitar que uma organização criminosa arrematasse os livros.

Porém, o assassinato da dona da coleção, a enigmática Aurélia, e um inexplicável incêndio onde os livros se encontravam guardados até a hora do leilão, acarreta a precipitação da operação que o Osvandir agora integra.

Ao chegar em Roma, Osvandir, logo descobre que há uma insidiosa intriga envolvendo um livro, na verdade um manual, que pertenceu ao Rei Salomão, mergulhando em um mistério que já vem do tempo dos Templários e envolve práticas sigilosas, levadas a cabo em um laboratório alquímico, atualmente abandonado e soterrado nas entranhas de uma montanha em Adis-Abeba, na Etiópia.

Enquanto isso, em outra parte do país, uma doença desconhecida coloca um remoto mosteiro erguido nas alturas do monte Etna em polvorosa: os monges se tornam psicóticos e assassinos canibais.

Um jovem médico toledano, Justino Sandi, é chamado pelas autoridades do país e, ao chegar ao local, torna-se alvo de um assassino mercenário a mando de forças clandestinas que pretendem silenciar o assunto do mosteiro a todo o custo.

O único aliado de Sandi é o líder da Força Omega, nada mais nada menos que o Osvandir. Como chefe da força de operações especiais ele tinha recebido um prêmio pela última missão cumprida, e por isso estava de férias escalando o Everest, o telefonema inesperado tinha pego-o no pequeno alojamento do refúgio dos alpinistas.

E agora está nas mãos dele salvar o amigo médico, Sandi, enquanto a Força Omega procura desmascarar a trama que há vários séculos procura destruir a atual Nova Ordem Mundial e alterar o destino da humanidade para sempre.

Ildefonso Souza