sexta-feira, 6 de março de 2009

OSVANDIR E OS JOGOS DE LOTERIA


“Se ferradura desse sorte, burro não puxava carroça.” (Avô do Osvandir)


Se você jogar na Mega Sena as probabilidades de acerto são as seguintes: Com 6 números será de 1 (um) acerto para cada 50.063.860 (cinqüenta milhões, sessenta e três mil e oitocentos e sessenta). Portanto nobre amigo é facim, facim. Vamos todos jogar na Mega Sena, encher os cofres do Governo e ficar rico daqui a 100 anos.

Tudo isso é pura ilusão, quem acerta é por sorte!
Não existe fórmula mágica para ganhar, ganha quem joga ou perde quem joga!

No Brasil se o sujeito tiver R$2,00 reais, ela vai na lotérica e compra uma bilhete da Mega (diz o corretor ortográfico que é Meiga) Sena.

Cita-se o caso daquele matuto do Mato Grosso, quando sua mãe pediu-lhe que vendesse a última vaquinha do sítio, para comprar feijão; ele foi até a cidade e comprou tudo em bilhetes.

Passado o susto e a raiva da mãe, ele foi até a cidade e qual não foi a sua surpresa, ganhara sozinho o prêmio.

Entrevistado por uma grande rede de TV o que faria com o dinheiro, disse que a primeira coisa seria colocar dentadura na boca.
O coitado não tinha nem noção do que ganhara.

Outro queria comprar uma casa, carro e passear com a família. Acabou alugando um avião só para si, o resto da família e alguns amigos e foram para praia gastar os reais. Só poderia ser coisa de mineiro!

Aquele outro ganhou na Loteca, antiga Loteria Esportiva, não quis nem saber, deu um pulo tão grande na cama que quebrou tudo!
Foi direto para capital para receber o prêmio. Na segunda-feira o Jornal Estado de Minas publica a seguinte manchete: 40.937 ganhadores da Loteria Esportiva desta semana. O coitado do rapaz tinha ido de táxi, o valor a receber do prêmio era cerca de R$300,00, mal dava para consertar a cama e pagar o táxi, sem falar no almoço regado a vinho e churrasco que devorou até esperar a agência abrir...

A maneira de preparar o jogo são as mais diversas. Aquele ganhador do maior prêmio de alguns anos anteriores jogava baseado nas datas de nascimentos sua, da esposa e dos filhos.

Outro preparava uma cartolina onde colocava açúcar nos 60 quadrados e de acordo com o pouso dos mosquitos ele marcava o cartão. Este nunca ganhou nada.

Aquele fechava os olhos, rezava e marcava o cartão assim de olhos fechados, alguns números não eram marcados, mas aproveita-se a maior parte.

Tem aquele caso de uma menina que não sei de onde, previa os números da sorte. Quem chegava primeiro e pagava um real ela dava o resultado. A maioria chegou a ganhar R$10,00, R$20,00, nunca passava disso.

Outros preferem o bolão, coisa perigosa de jogar, se não receber uma cópia do dito. Aqui aconteceu um caso, que ainda está na justiça:
Vários amigos jogavam na Mega Sena quando ainda era apenas uma vez por semana. Os números eram sempre os mesmos. Um dia saiu uma bolada, primeiro prêmio. Acontece que não foram todos que pagaram, parece-me que uns dois ou três. O que recolhia o dinheiro dos bolões, acabou ficando com a maior parte. Comprou prédios, fazendas e gastou todo o dinheiro. Até hoje os outros jogadores tentam reaver o prêmio.

Às vezes o jogo vira uma cachaça. Juntando as duas, a cachaça e a Mega o assunto toma proporções enormes. O sujeito só fala naquilo, só lê o resultado daquilo, liga para os amigos tecendo comentários do dito jogo é uma sina a tal de Sena! Igualzinho quem é torcedor “doente” de futebol.

Um pescador jogou na loteca e levou o bilhete no bolso para a pescaria. Ao preparar um anzol deixou o bilhete cair ali no meio do pasto. No outro dia saiu o resultado, ele acertara os seis números, sabia por que havia anotado em uma caderneta que sempre guardava para saber quais os números que saiam mais. Foi procurar o bilhete. Onde estava? Não achou, reviraram a casa pro ar atrás do papelzinho, no meio daquela papelada de água, luz, telefone, carnês de compras, supermercado e nada de encontrar. Aí lembrou que havia levado o bilhete para pescaria, correu até o local. A surpresa foi grande: o papel estava lá no chão, mas só a metade, as formigas cabeçudas carregaram o prêmio para o seu ninho. Milhões, debaixo da terra, sabe Deus em que lugar. Um verdadeiro Tesouro Enterrado!

Este assunto veio à tona porque esta semana o Osvandir jogou na Lotofácil, que de fácil não tem nada, assinalou 15 números, ajudou uma Senhora que também fazia o jogo. Ela disse que se ganhasse remeteria a sua comissão de 20%, pediu-lhe o telefone e e-mail. Ele ficou todo empolgado. Saindo o resultado do jogo, foi logo conferir. Ganhou! Que beleza! Então foi ver de quanto seria o seu prêmio, pois havia feito 11 pontos, ficou sabendo que seria de R$2,00. Ficou enfurecido, rasgou os papeis de resultados e o próprio bilhete, disse que não iria na loteca para receber uma porcaria daquela. Telefone tocou, a dita senhora ligou para contar-lhe que ganhara na loteria com o cartão que ele marcara. Quis saber de quanto era o prêmio: R$2,00. Foi aí que ele decidiu não mais jogar em qualquer tipo de loteria.

O caso mais interessante que o Osvandir ouviu sobre loterias e prêmios foi de um maconheiro. Comprara o bilhete na Lotérica Sorte Certa e no outro dia quando saiu o resultado viu que tinha feito os seis números daquele sorteio. Procurou o bilhete por todo lado, até debaixo do colchão. Olhou junto de outros papéis e nada de encontrá-lo, puxou pela memória e lembrou que andou fumando na noite anterior. Foi ao local e achou um resto de cigarro no chão, quando abriu o papelzinho viu um pedaço da letra “M” de Mega Sena, foi ai que percebeu que fumara o bilhete, isto é, enrolou o “fumo” no papel do bilhete e consumiu. Ele ainda teve a cara de pau de levar o pedaço do papel para o Gerente da Instituição controladora dos sorteios para ver o que poderia ser feito.

Talvez o caso mais esquisito aconteceu num pequeno povoado denominado “Fim do Mundo”, onde não tinha mesmo coisa nenhuma.
Não tinha posto de saúde, diversão, cinema, lan house, locadora, padaria, farmácia, comércio grande, supermercado, carro nas ruas, nada, nadinha de nada. Só mariazinha que ficava ali na janela, bordando em cruz os desenhos mais lindos. Alguns turistas que erravam o caminho passavam por ali e compravam os seus trabalhos, cujo preço ela não sabia dizer, eles falavam um valor que logo era aceito pela bordadeira. Foi num dia, num passado distante, na época que não havia estas loterias e sim aquela dos bilhetes comuns que ela resolveu investir num bilhete inteiro que seu Zé bilheteiro vendia de quinze em quinze dias, às vezes nem recebia, deixava para a próxima vez. Mas Mariazinha não sabia ler, como iria conferir tal bilhete. Não precisava preocupar-se, o Zé traria o resultado na próxima vinda. E ele veio na quinzena seguinte segurando o resultado numa mão e várias tiras na outra. Falou para ela buscar o bilhete. Número 5.788, Loteria Federal, de 12 de dezembro de 1957, ela começou a abrir o papel, deu para notar que o primeiro número era 5, o cinco dos cinco dedos da mão. Isso ela sabia bem. Fechou rapidamente aquele bilhete inteiro e entregou-o ao bilheteiro. Zé não acreditou, ela acertara na “cabeça”: 5...7...8...8. Mariazinha foi ficando amarela, era branquinha, depois vermelha que nem peru e caiu de barriga para cima. Tentaram reanimá-la, estava morta, sofrera um ataque cardíaco.

Manoel Amaral – Escritor Fantasma
“GHOST WRITER: Essa profissão remonta ao Egito Antigo, onde a classe dos escribas servia diuturnamente os faraós e altos membros da corte para a confecção de documentos e decretos reais.” Waldo Luis Viana

3 comentários:

  1. Confesso que x ou outra, joga na mega Sena. Sempre os mesmos 6 números.
    Também não fico verificando se deu o número, quando não joguei.

    O dia que eu der "Azar", eu ganho. rsrsrs

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  2. Li o primeiro artigo, amigo. Muito bom. Você escreve bem. Você aceita colaborações? Também escrevo humor (curto). Abraços.

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  3. O anônimo aí de cima é o Jomba. Abraços

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