sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

OSVANDIR EM: DRAGA É UMA DROGA!

"Uma chave de ouro abre todas as fechaduras." (Christoph Martin Wieland)



Já há algum tempo Osvandir foi passear na casa de sua avó, nos dias de folga do carnaval.
Ficou impressionado com o número de carretas que passava por dia em frente a casa da velhinha.
Contou aproximadamente 50 carretas por dia com nomes de várias empresas, mas todas carregando toneladas de areia.

Perguntou para um vizinho de onde vinha e para onde ia, ele informou que tudo aquilo saia da Fazenda das Tabocas ia para Belo Horizonte, para a construção civil.

Fez os cálculos: cada carreta carregaria entre 20 a 50 toneladas, na média umas trinta toneladas cada uma. Trinta multiplicado por 50 carretas, daria umas 1.500 toneladas diariamente.

Era muita areia para vender! Osvandir resolveu ir até o local da extração. Pegou emprestado, um fusca 1500, ano 1972, azul da cor do céu e saiu para a beirada do rio.

Quando lá chegou deparou com 20 dragas retirando areia do fundo do rio, dia e noite, e uns 5 tratores de esteira revirando os barrancos.

O estrago ambiental era de grandes proporções. O rio já estava quase sem água na época da seca. Só se via pedras e árvores caídas por todo lado.

Conversando com o administrador ficou sabendo que a empresa tinha todos os documentos para extração. Resolveu ir até o escritório e verificou que na realidade ela tinha apenas um velho alvará da Prefeitura local.

Indignado com tudo aquilo foi até a Prefeitura e conversou com o Prefeito, um tipo bonachão que deixava todas as riquezas do Município irem embora sem nada em troca.

O que a empresa deixava no Município? Praticamente nada! Pagava somente um valor ridículo, por ano, para renovação do alvará.

Osvandir quis saber dos projetos de recuperação da área degradada do rio e o Prefeito informou que não existiam nada na Prefeitura. E ainda falava: “a natureza é pródiga, dentro de alguns anos tudo voltará como era antes”.

Devido ao volume de extração por dia, Osvandir ficou meio desconfiado e voltou novamente no local da extração. Desta vez não estava presente aquele Senhor que administrava. Apenas um rapaz de dentes cariados, rosto queimado, chapéu de palhas, descalço e um sorriso amarelo.

Ele muito tímido, levou o Osvandir para tomar um cafezinho no rancho de sapé.
__ Foi coado ainda há pouco, quando acabamos de almoçar. O que Senhor deseja saber?
__ Queria apenas o endereço da empresa em Belo Horizonte, pois pretendo comprar alguns caminhões de areia.

O rapazola saiu com um pedaço de papel onde tinha o telefone e o endereço completo da empresa.

Depois do carnaval, quando a purpurina já havia desaparecido dos salões, apenas alguns sinais de confetes e garrafa pet entupiam os bueiros de enxurradas, Osvandir resolveu ir até a capital.
O bairro era meio afastado, a segurança era total. Ninguém poderia entrar ou sair, sem autorização, devido os altos muros.

Na portaria conversou com um sorridente guarda, sinal que ganhava muito bem. Ele informou que naquele horário não tinha ninguém no escritório.

De relance pode notar que havia no centro do pátio umas máquinas esquisitas, parecia muito antigas, mas rodavam fazendo uma barulheira danada.

Curioso, resolveu bater um papo com o sorridente serviçal. Notou que ele adorava futebol, coisa que Osvandir detestava, mas tinha um pequeno conhecimento devido a leitura de jornais diários.
Falaram muito sobre a situação do Cruzeiro e do Atlético e de outros grandes times de Minas.
O guarda estava muito empolgado por uma cervejinha gelada adquirida por ali mesmo, foi falando tudo que Osvandir desejava saber dos movimentos da empresa. Disse que a areia não vinha só daquele local que ele visitou, mas de vários rios de Minas, principalmente do Centro-Oeste.
__ Mas e aquelas máquinas grandes, para que servem?
__ Ninguém aqui pode saber, mas vou revelar para você, que parece ser gente fina. Elas extraem ouro das areias dos rios.
__ Ouro? Como assim! Então não tem nada de construção civil no meio?
__ Não! O patrão vende a areia lavada por um preço baixíssimo. E se for pouca quantidade não precisa nem pagar, pode levar de graça...
__ Muito bom este seu patrão, hein?
__ Ele é inglês mas já está falando bem o português e foi para o Rio neste o carnaval.

Osvandir saiu dali injuriado. Então aquele esperto cidadão inglês estava saqueando o nosso ouro, como antigamente e portando-se como um simples empresário vendedor de areia para construção civil.

Posteriormente ficou sabendo que o dito Senhor, vermelho como ele só, pelo escaldante sol da região, tinha um esquema montado, com máquinas mais modernas, no estado do Mato Grosso.
Procurando mais informações em Prefeituras do Estado recebeu notícias que ele já estaria atuando também no Amazonas.

Por aí vocês vêem como é fácil sair de nosso país com qualquer mineral valioso...

Manoel Amaral

Nenhum comentário:

Postar um comentário