sábado, 28 de fevereiro de 2009

OSVANDIR E A GAROTA DA CADEIRA 11

"O amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu."- Michelangelo

O ônibus, novo, corria como se tive asas, voava. As pesadas máquinas de terraplanagem estavam trabalhando um trecho de estrada. O asfalto ia ser recapeado.

Num gesto, com a mão direita, o rapaz deu sinal, o ônibus parou no acostamento.

Subiu os degraus apressado, olhou até ao fundo, lotado! Somente a cadeira 12 estava vaga.

Na cadeira 11 havia uma garota de olhos castanhos, batom e esmaltes da mesma cor. Blusa de malha riscada horizontalmente, em cores variadas e claras, a calça azul, dessas que estão usando agora, com listras coloridas junto às costuras, enviesada, com metais bem brilhante.

Muito bonita a garota! E o rapaz ficou naquela vontade louca de saber para onde ia, como se chamava e de onde vinha, se estudava: porém ela nada falava...
Cadeira 11 = .........
Cadeira 12 = ??????

Seus longos brincos de ouro, balançavam com as oscilações do veículo.

Olhou para suas mãos. Queria saber se era noiva ou casada. No seu dedo anular da mão direita havia apenas um anel, com uma pérola no centro e pequenas pedras azuis em volta. Eh! A garota era solteira!
Cadeira 11= ......
Cadeira 12 = !!!!!!

Entretanto não havia maneira de iniciar um papo. Idéia !!! Perguntar se ela fazia faculdade? Ou se trabalhava e onde?

Os traços fisionômicos eram lindos: nariz pequeno, olhos castanhos, cabelos longos e lábios carnudos. O corpo muito bem estruturado...
Cadeira 11 = .....
Cadeira 12 = ????

Uma rajada de vento chegou ao rapaz atrapalhando-lhe os cabelos. Passou a mão no rosto impaciente e fechou a janela.

Um desastre na estrada. Oba! Chance de iniciar uma conversa com a Garota da Cadeira 11. Um Wolkswagen ao fazer uma manobra para atravessar o asfalto e entrar num posto de combustível, bateu num caminhão-tanque. Dois feridos.

No entanto:
Cadeira 11 = ......
Cadeira 12 = ... ... ...

Chegou num terreno montanhoso, paisagem encantadora! Céu azul lá no fundo. Algumas nuvens branquinhas. Asfalto cheio de curvas e aquele balança-pra-cá, balança-pra-lá. Uma freada brusca, uma derrapada e a garota encostou o braço no rapaz.
Cadeira 11 = ...(Um sorriso) ...
Cadeira 12 = _ Não tem problema!
Cadeira 10 = (Toca a campainha do ônibus)
Cadeira 12 = !?!?!?!?
Cadeira 10 _ Vamos Márcia (Bate na cadeira 11)...
Cadeira 12 = !!!!!!
Cadeira 10 = (dirigindo ao rapaz: __ Esta menina me dá um trabalho!)

Foi aí que o rapaz da cadeira 12 pode observar que por traz daqueles olhos castanhos, misteriosos e dos lábios carnudos, havia um bonito sorriso de menina-moça surda-muda!

Manoel Amaral
(original escrito em 1973)

2 comentários:

  1. Oi. blz?
    legal esta história. rsrsrsrsrs
    É o cotidiano.
    Abraços
    Thymonthy

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