segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

OSVANDIR E A PALESTRA

Osvandir ia viajar para fazer uma palestra para um grupo de ufologia, numa pequena cidade do sul de Minas.

Pegou o carro, conferiu os detalhes: pneus, óleo, extintor de incêndio, limpador de pára-brisas, lanternas, documentos e tudo mais.

Poderia viajar descansado, não seria barrado na estrada por um guarda irado e nem receberia multa por uma lâmpada queimada ou por outro qualquer detalhe.

Seguia assim tranqüilo, depois de passar por Itapecerica, um pouco antes de chegar em Campo Belo viu uma mocinha pedindo carona na estrada. Estava um pouco longe, não deu para distinguir direito, mas tinha alguém junto a ela.

Ao aproximar-se viu uma velha magrinha e banguela, cabelos enrolados no alto da cabeça e fixo com muitos grampos.

O que fazer? Dar carona para as duas? Assim foi feito. Abriu as portas de seu carro e o seu azar foi tanto que a velha assentou-se no banco da frente, ao lado do motorista.

Conversa vai, conversa vem, elas informaram que ficariam ali bem próximo, a distância de um tiro de espingarda.

O carro rodou, rodou e nada da chegar onde iriam descer as forasteiras.
Será que já teria passado do local? Resolveu interrogar as duas.
__ Como é o nome e a entrada para onde vocês vão, tem alguma referência?

A mais nova foi logo dizendo:
__ Tem uma grande árvore de pequi e algumas palmeiras na estrada.
__ É antes ou depois de Campo Belo?
__ Bem antes...
__ Então já temos um problema, já ultrapassamos esta cidade.
__ Eu falei pro Senhor que era da distância de um tiro de espingarda...

E agora o que fazer?
__ Posso voltar para deixá-las na rodoviária de Campo Belo, de lá vocês seguirão para onde moram.
__ Muito bom, seu moço, pode deixar a gente por aqui mesmo, neste posto de gasolina.

Resolveu parar também para tomar o seu café com um pedaço de queijo Araxá. Estacionou o veículo próximo de uma carreta e foi para o bar.
Quando estava quase esquecendo das duas, viu pela janela que elas entravam num caminhão carregado de telhas.

Conversando com um motorista resolveu contar a história da velhinha e da mocinha. O motorista riu e disse que não se preocupasse com elas pois ficavam sempre por aquele trecho indo de um lado para outro e nunca chegavam ao destino. Coisas de beira de estrada.

Passou Alfenas, Machado e Poços de Caldas, não contando os lugarejos esquisitos, bares com instalações precárias, muitos cafés frios, chegou ao local da palestra.

Uma rápida olhada pela pequena cidade, estava um pouco tarde, resolveu almoçar. Perguntou para um velho de cabeça branquinha, onde poderia encontrar um restaurante.
__ Restaurante mesmo você não vai encontrar por aqui. Tem um bar ali na esquina que serve uma comidinha caseira, coisa aqui da região.

Satisfeito com a alimentação Osvandir resolveu dar mais uma olhada na cidade. Saiu procurando o endereço complicado. Viu várias pessoas aglomeradas próximas a um salão e concluiu: deve ser aqui mesmo!

A palestra estava marcada para 19,30 horas, era um pouco cedo. Procurou um local para descansar e achou logo adiante uma velha pensão familiar de nome até sugestivo: Pensão da Vovó.

Repassou os principais temas da palestra: ufologia e religião. Tirou o notebook da mochila, digitou algumas palavras e passou para o papel um texto do Profeta Ezequiel.

“Enquanto eu olhava os seres viventes, vi uma roda sobre a terra junto aos seres viventes, dos quatro lados. O aspecto das rodas e a sua obra era semelhante à cor do crisólito (topázio, turquesa, berilo). E as quatro tinham uma mesma semelhança; a sua aparência e a sua obra eram como roda no meio de roda. Quando andavam, moviam-se para os seus quatro lados; não se viravam quando andavam. E os seus aros altos e espantosos, e cheios de olhos ... Às rodas, ouvi eu, gritavam-lhes: Roda! E quando os seres viventes andavam, as rodas andavam entre eles; e quando os seres viventes se levantavam da terra, as rodas se levantavam.“

Osvandir lembrou logo das rodinhas dos carrinhos de supermercados que giram pelos quatro lados, mas aquela palavra também poderia ser traduzida como círculo, disco, esfera, etc.

Rodas cheias de olhos poderiam ser janelas da nave espacial e roda dentro da roda era uma coisa que intrigava.

Deu os últimos retoques, preparou tudo e desceu a rua apressado, já estava na hora.

Chegando ao local viu o parlatório e para lá se dirigiu, deu uma olhada nos participantes e achou alguma coisa estranha. Normalmente nestes encontros ufológico comparecem poucas mulheres e ali tinha muitas, inclusive crianças.

Tomou um pouco da água que lá estava e começou a falar. Discorreu sobre os discos voadores na bíblia e todos prestavam muita atenção.
Encerrou a palestra falando sobre o Profeta Ezequiel. Deu a sua opinião pessoal. Despediu-se de todos e ficou impressionado como tantas pessoas vinham abraçá-lo.

Saiu direto para a pensão onde hospedara. Alguém estava a sua espera, jovem e muito falante.

Osvandir conversou bastante e daí a pouco o rapaz disse que o horário da palestra foi remarcado para 21,00 horas, pois ficaram sabendo que devido um acidente, vários veículos ficaram aguardando a liberação da estrada.
__ Mas o Senhor não disse o seu nome? Disse o rapaz.
__ Sou Osvandir. Será que houve um engano? Acabei de falar sobre ufologia, naquele salão ali embaixo, nesta mesma rua.
__ Mas ali é o salão da igreja Santa Cruz e neste horário estão celebrando missa ou fazendo reunião da paróquia! O Senhor foi convidado para falar em outro local.

E lá se foi o ufólogo, para outro local e desta vez falar para as pessoas realmente interessadas em ufologia.

Manoel Amaral


Pesquisa de texto e imagem:http://ovni.do.sapo.pt/principal/OVNISTORIA/ovnistoria_pt/ezequiel.htm

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