quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES

JOSINO E A ÁGUA FRIA
Parte III

"Existe apenas um momento exato para ir pescar, e esse momento é sempre que você puder." (Diron Talbert)

Aquele dia ele não estava bem, falou para todo mundo que não ia voltar mais para casa.
A briga foi feia com seu irmão mais velho, tudo por causa de dinheiro emprestado. Ele pescava muito, mas quando trabalhava, guardava o dinheiro, era muito econômico, não gastava com qualquer coisa.

Pegou um pedaço de corda, a rede de dormir, a espingarda velha, a barraca, varas de pescaria, biscoitos fritos e alguns pedaços de bolo de fubá. Foi ao quintal, cavou próximo a uma bananeira, onde estava mais úmido, conseguiu umas minhocas boas. Colocou-as numa lata de óleo vazia, com uma alça de arame, cobriu-as com um pouco de terra e seguiu para a beira do rio.

Caminhou tristonho por um quilômetro, voltou a ficar alegre quando viu um joão-de-barro construindo sua casinha num galho de uma mangueira.

No milharal, já em ponto de colheita, viu um revoada de pássaros, pensou tratar-se de pombos, na realidade eram as trocais que se alimentavam de milho.

Próximo do arrozal, em vôo baixo, um bando de aves agitava o local. Rolinhas, melros, tico-ticos, pássaros-pretos, tizius, papa-capins, canarinhos e até pardais estavam ali, comendo arroz ou outras sementes de capim.

Josino era cabeçudo, quando dizia que iria sumir, estava com a intenção de ficar alguns dias por ali. Chegou ao rio, não quis pescar de imediato, apesar dos peixes estarem pulando de um lado para o outro na água.

Deixou a sacola com os biscoitos e a lata de iscas dependurados num galho, as varas jogou-as em qualquer lugar.

Pegou a barraca e armou-a num local bem plano, subiu numa árvore de ingá, que crescia na beira do barranco, cortou um galho que se estendia sobre as águas e colocou uma ponta da rede nele. Procurou uma árvore mais próxima e com um nó de escoteiro, caprichado, amarrou a outra ponta.

Tudo pronto, pensou logo em tirar uma soneca. Acontece que não contava com os truques do destino que às vezes pode mudar tudo.

Uma luz forte apareceu sobre as árvores, uns pássaros denominados naquela região de anus pretos voaram por todos os lados. Josino se assustou, pisou na velha espingarda que disparou, o tiro partiu a corda da rede e um pesado corpo foi parar na água do rio.

Um grito ecoou por toda vargem e Josino todo molhado resmungou:
__ Se soubesse que a água estava tão fria não tinha armado a rede!

Manoel

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES


Parte I

CHUVA ESTRANHA
"A pesca assemelha-se à poesia: é necessário nascer pescador."(Izaak Walton)

Todo fim de ano Osvandir viaja para o interior de Goiás, sua terra natal.
Ali ainda contam todo tipo de história de pescador, de assombração, de caminhoneiro, de mentiroso e outras mais, afirma ele.

Numa destas rodas, à beira do fogo, um senhor franzino, bigode branco e fino, cerca de sessenta anos, contou uma história complicada.

Diz ele que no povoado de Arranca Toco, no interior do interior, lá bem longe, onde a TV e nem o computador ainda não poluíram a mente de ninguém, existia um teimoso pescador que às vezes ficava horas e horas à beira do rio e não conseguia pescar nada que valesse a pena.

Era nervoso e por pouca coisa estava sempre brigando com a família. Xingava todo mundo, pegava as varas, os anzóis, a lata de iscas e ia pescar.

Quando pescava muito num lugar, o peixe rareava, resolvia mudar de lugar e onde pescava ultimamente, perto da cachoeira Véu de Noiva estava acontecendo isso. Nada de piabas, só mosquitos.

Numa destas idas e vindas ficou sabendo de umas luzes que estavam aparecendo lá para os lados da fazenda Céu Azul, do Senhor Jerônimo. Resolveu ir até aquele local para analisar os fatos.

Naquele dia, apesar das discussões costumeiras, ele saiu cedo, despreocupado, iria fazer uma grande pescaria. Havia chovido a noite e a água estava um pouco turva, boa para certos tipos de peixes que ficam pulando toda hora para abocanhar um inseto ou alguma frutinha que dá na beira do rio.

Pegou uma minhoca bem grande, iscou o anzol, já bem gasto pelas centenas de vezes utilizado e começou a pegar peixes de todos tipos e tamanhos. Alguns que nunca vira naquela região, saiam grudados no anzol.O pescador nem tinha como levar para casa tudo que estava pescando.

Um barulho estranho veio das árvores do outro lado do rio, apesar da calmaria, parecia um redemoinho. Uma chuva de peixes caiu do céu, depois de uma ventania forte, que tombou várias árvores e formou um misterioso círculo no canavial mais próximo.

Josino, o insistente pescador, descobriu logo porque tinha tanto peixe no rio e alguns que nunca tinha visto.

No meio da estrada ficou cheio de peixes de todos tamanhos, pegou alguns e ia colocando na sacola mas notou que nenhum deles se mexia. Olhou melhor e pode constatar que estavam mortos há um bom tempo.

Não entendeu nada, voltou ao local do poço onde pescava e colocou na sacola somente os estavam vivos.

De volta para o povoado contou para a turma o que aconteceu e ninguém acreditou.

Quando saiu, seguindo para sua casa, alguém falou:
__ Isso é história de pescador!

Parte II
O PODER DAS ÁGUAS

"Existe uma tênue diferença entre pescar e ficar na margem, em pé como um idiota." (Abraham Lincoln)

Josino, o nervoso pescador, depois de mais uma desavença em casa, mesmo tendo chovido muito a noite inteira, resolveu ir pescar que era a coisa que entendia muito bem. Cada peixe um tipo de isca, anzol apropriado e vara certa. Tem até peixe que nem se pega com anzol.

Desta vez ele ficou só observando o rio, a enchente tomava conta de todo o espaço do terreno. Muitos objetos da cidade mais próxima estavam descendo rio abaixo: sofás, colchões, geladeiras, fogões. Muitos animais domésticos também lutavam contra as águas.

No povoado de Pedra Grande “Seo” Souza bebia o último gole de pinga num boteco de fim de rua, sempre acompanhado de seu inseparável cavalo de nome Gigante, apesar de ser pequeno.

O Senhor Quim, conhecedor da região, insistiu para que Souza não prosseguisse viagem, poderia até ficar em sua casa naquela noite.

Teimoso, o cavaleiro bêbado, seguiu para a beira do rio, onde ficava sua fazenda lá do outro lado.

Ao aproximar-se das águas o velho animal empacou. Com espora no lombo nadou cerca de cem metros, foi levado pela correnteza, rio abaixo. Nadou para beira de um barranco onde um galho de uma frondosa árvore arrancou o cavaleiro dos arreios do “poderoso” Gigante. O cavalo seguiu rodando, com o poder das águas.

Josino olhou para o lado direito e viu um animal arreado, que conhecia muito bem, debatendo-se no meio da enchente.

Resolveu largar a pescaria e seguiu rio acima. Não tinha esperança de encontrar o Senhor Souza, vivo.

Andou quinhentos metros no meio de barro, mato, canavial e na curva do rio vislumbrou uma árvore grande com qualquer coisa na copa.

Era gozado e trágico ao mesmo tempo, Souza lá estava num galho da árvore, imaginando estar montado em seu cavalo, mais parecia o D. Quixote do sertão.

Josino lembrou que quando subia notou uma corda dependurada numa galhada, voltou lá e com um pouco de astúcia conseguiu retirá-la da árvore. Enrolou-a de maneira que ficasse mais fácil o transporte e voltou correndo para onde se encontrava o cavaleiro perdido, que lutava contra as águas.

Amarrou um pedaço de pau curto e grosso na ponta da corda e jogou-a para o lado da árvore. A primeira tentativa não deu resultado, quase perdeu-a. Entrou mais um pouco na água e atirou novamente mirando bem o centro da copa da árvore. Deu sorte, o pau enroscou-se num dos galhos da árvore.

Josino gritou para Souza amarrar bem a ponta da corda em algum ponto mais resistente. Daí a pouco vinha aquele velho homem debatendo-se na água, a sua amarração não ficou bem feita, o nó soltou-se; acontece que o pescador, precavido, havia amarrado a outra ponta num velho toco no meio do mato.

São e salvo, Souza chegou ao povoado em companhia do pescador Josino e foi logo convidando todos para tomar uma rodada de pinga.

Quando contou o que aconteceu e Souza ali confirmando, alguém do meio da turma disse:
__ Isso que é verdadeira história de pescador!

Manoel

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Lançamento E-book

AS AVENTURAS DO OSVANDIR





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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

OSVANDIR E O VENDEDOR DE ADUBOS

"A terra se esgota para te alimentar, mas adubada, se refaz." (Lucrécio)

O velhinho, de repente, resolveu vender adubo. Comprou uma carreta cheia e mandou descarregar no seu quintal, num velho galpão.

Todos fazendeiros da região ficaram sabendo da história do adubo, o preço era baixo e a qualidade muito boa.

Alguns até acharam engraçado a idéia do Senhor Antônio; vender adubo, que coisa mais estranha.

Não passou nenhum mês e lá estava o inusitado vendedor de adubo novamente com mais uma carreta na porta, para descarregar. As vendas estavam indo de vento em popa!

Senhor Antônio estava bem feliz, o povo estava comprando só ali. Sua esposa falecera há alguns meses antes dele instalar o depósito de adubo.

Uma jovenzinha de uns 18 anos, olhos verdes claros, cabelos louros, um pouco encaracolados, estava trabalhando na lida da casa, sem nenhum comprometimento amoroso com o patrão, que era muito respeitoso.

Alguns meses se passaram e tudo ia tranqüilo, quando o velho vendedor de adubo sofreu um ataque cardíaco e faleceu.

Belinha, a empregada, ficou sem saber o que fazer. Chamou o vizinho que tomou as providências funerárias. Foi um enterro com muitas pessoas, o maior que já viram na localidade.

Até arranjar outro emprego, ela ficou ali naquela casa. No dia seguinte foi ao porão pegar alguns produtos de limpeza e assustou-se com aquela grande máquina, aí lembrou do barulho que ouvia diariamente.

Um advogado apareceu na casa pedindo informações para o inventário, mas Belinha não ajudou muito, apenas mostrou os documentos.

Osvandir, passando por aquela cidade, tomou conhecimento da história do velhinho, vendedor de adubos.

Nesse meio tempo a empregada recebeu a notícia que havia um depósito de três milhões de reais, em seu nome, no banco da cidade. Como não tinha a menor idéia da quantia, perguntou para o professor Marcos, que lecionava matemática no colégio, se aquele valor dava para comprar uma casinha, ele respondeu que dava para comprar uma rua inteira do bairro.

Belinha não resistiu a grande emoção e também faleceu.

Osvandir ficou desconfiado que o adubo estava servindo para ocultar alguma coisa. Fez logo um levantamento na casa inteira. Começou pela parte superior da casa, não encontrou nada de importância. Desceu para o porão e viu a máquina que a empregada havia mencionado. Alguns sacos de adubos abertos, uns dez fechados e três tambores de metal com capacidade para cem litros cada.

A máquina era um triturador. Os tambores estavam queimados na parte interna. Os sacos de adubo abertos, continham apenas a metade, parece que esperavam alguma mistura.

Na manhã seguinte um fazendeiro, cliente do Senhor Antônio, chegou na casa procurando o Osvandir. Encontrara um pedaço de nota de cem reais, lá na sua roça de feijão, na beira do rio, na sua Fazenda do Morro Redondo.

Declarara ainda que o adubo de “seu” Antônio era de uma cor esverdeada, diferente dos demais.

Mediante tais informações Osvandir verificou melhor o triturador e os tambores. Encontrou pequenos pedaços de papéis verdes, quem ampliados, pareciam ser dinheiro.

Procurou a Caixa Econômica da cidade e confirmou: era mesmo dinheiro e a maioria de notas de cem reais. Descobriu mais um fato novo ao conversar com o gerente. O Senhor Antônio era um dos ganhadores do grande prêmio da mega-sena, mas ninguém na cidade sabia disso.

Consultando os extratos das contas, tomaram conhecimento que ele vinha fazendo saques semanalmente e no dia em que faleceu a conta estava zerada.

O único valor que restara seria o da conta da empregada Belinha. Fizeram a consulta, através de seu advogado, tiveram uma grande surpresa. No dia de seu falecimento o dinheiro de sua conta, desaparecera misteriosamente. Contam na cidade que foi obra de um hacker.

Finalmente Osvandir descobriu o segredo do Vendedor de Adubo. Ele estava triturando todo o dinheiro que ganhara na loteria e misturando ao adubo que vendia. Uma nova maneira de gastar dinheiro!

Manoel