terça-feira, 4 de novembro de 2008

OSVANDIR E AS BOLAS DE FOGO

“Este mundo é uma bosta!” Mensagem recebida por Zé do Mato


Ele ficava até altas horas da noite olhando para o céu...
Um dia viu uma bola de fogo vindo por detrás da serra, até perto da matinha, quando explodiu e partiu em vários pedaços luminosos.

Zé ficou extasiado com aquilo tudo. Procurou por toda a região, nada encontrou, a não ser cinco pequenas pedras pretas e duras, cada uma num ponto diferente do pasto.

A vegetação do local ficou um pouco queimada e pequenos buracos, de cerca de um palmo, foram vistos pelo local.

Os fazendeiros próximos da Serra do Segredo contaram que na noite anterior viram uma bola de fogo cruzar o espaço, deixando um rastro luminoso para trás.

O Senhor Antonio carroceiro foi o primeiro a falar:
__ Nunca vi uma coisa igual, uma bola do tamanho de uma abóbora grande, com muita luz...

O Quim catireiro completou:
__Parecia um sol andando rápido e baixinho...

Dona Maria do Córrego Fundo foi quem mais se aproximou da verdade:
__Era como se fosse um cometa, só que estava sobre as árvores, largou um rastro de purpurina para trás, caiu lá perto da casa do Zé.

Era um simples meteorito, dizem que caem aos milhões pela terra durante o ano, mas ali, aquilo soava meio estranho.

Zé até parou de beber. Falava e escrevia coisas estranhas que estavam além de sua compreensão. Física, química, astronomia e outras ciências estavam todas lá nos papéis que anotava diariamente.

A igreja foi chamada a dar a sua opinião, mas omitiu-se. Ufólogos de todas as crenças se dirigiam a cidade. Até romaria já estavam sendo planejadas. O comércio da cidade estava vendendo muito, um fenômeno comercial para aquele lugarejo perdido no meio de uma planície.

Muitas visitas estavam aparecendo no lugar. Foi aí que alguém contatou o Osvandir.

Nesse meio tempo, um fato misterioso estava acontecendo, toda noite, na cidade de Queimada, onde Zé morava. Os orelhões telefônicos amanheciam todos pintados de bosta, um fedor insuportável.

Depois foram os bancos da pracinha que amanheceram cobertos de fezes.

Na manhã seguinte a porta da Prefeitura tinha uma cruz de cocô verde.

A Câmara Municipal foi totalmente bloqueada por um carrinho de estrume.

Na pracinha da igreja, com um coreto no meio, apareceu merda por todo lado.

Nem os bancos propriamente ditos, foram perdoados; várias notas de um real, devidamente preparadas e enfiadas debaixo das portas de vidro. Um carnição ficou no ar, espantando toda a clientela durante o dia.

Ninguém ficou sabendo de onde apareceu tanta sujeira. Seria obra do Demo?

A polícia investiga daqui, olha dali e pelas conclusões do brilhante Delegado foram chegar à casa do Zé.

Interrogou-o como de praxe, mas nada ficou resolvido. O Zé não sabia de coisa alguma.

Foi aí que Osvandir viu sobre a mesa do quarto as cinco pedras pretas que diziam ser “pedras do raio” e perguntou:
__ Porque você guarda as pedras aqui no seu quarto, Zé?
__ Você não sabe? É por elas que recebo as mensagens!
__ E as sujeiras na cidade? Você tem alguma coisa haver com isso?
__ Não conte pra ninguém não, mas são as mensagens que os Et’s estão enviando para todos. Que cada um interprete à sua maneira!
Osvandir saiu de lá meio encabulado e a partir daí não apareceu mais nada de estranho naquela cidade. Bem... a não ser aquele misterioso caso de desaparecimento do pescador Jerimum.

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