sexta-feira, 31 de outubro de 2008

OSVANDIR E O TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

Capítulo II

O NAVIO MISTERIOSO

"Alguns relatórios dizem que até 100 navios e aviões desapareceram na área, com mais de mil vidas perdidas. .” Lee Ann Obringer


Osvandir, munido de celular com “pen-drive” para gravação de voz e lanterna impermeável de duas pilhas, foi o primeiro a subir pela corda até à amurada do grande navio. Outros três tripulantes o seguiram, portando celulares e lanternas impermeáveis. Era necessário ser alpinista, ter muita força nos bíceps para galgar uma altura de cerca de 10 m.
Colocaram uma das pernas por cima da amurada e passaram para o convés, muito sujo e liso. Com dificuldade conseguiram segurar-se na amurada. O nevoeiro encobria a visão a uma distância maior que uns 10 m.

O piso de madeira era muito liso e sujo necessitando cuidado para não escorregar. Só se ouvia as ondas se chocarem contra o casco. Havia um silêncio de cemitério.
O que poderiam esperar ver, eram apenas ossadas humanas. Caminharam em direção à Ponte de Comando, que ficava na extremidade da popa. Os porões se estendiam desde aí até à proa da embarcação.

Por uma escada muito enferrujada, mas ainda forte, desceram em direção á proa onde estavam os porões. Não havia ninguém lá. O que era metálico estava muito estragado.Desceram e dirigiram-se ao porão por uma portinhola que saia da Ponte de Comando. Desceram como medo que os degraus quebrassem. Um terrível cheiro de mofo contagiava o ar. Não havia nenhum mau cheiro de organismo morto. Lá estava tudo morto.

Tiveram acesso a um porão muito abaixo da linha d’água e o que viram lá foram apenas aparelhos sanitários de louça, como pias, bidês, vasos sanitários, ainda embalados em tiras de madeira que por ser de boa qualidade haviam resistido ao tempo e umidade.

Na escuridão reinante, com o local sendo iluminado apenas com as lanternas que trouxeram na cintura, chegaram ao outro porão, depois de algum tempo. Havia uma quantidade enorme de bombas hidráulicas elétricas, também embaladas em tiras de madeira.

O cargueiro era muito comprido, podendo ter quase uns cem metros. O terceiro porão continha um infinidade de canos de plástico para serviço hidráulico. Parece que era um carregamento de peças para infra-estrutura sanitária.

Subiram por escadas de ferro a um nível mais alto que os porões. Lá depararam com um alojamento para dormitório com vários beliches desarrumados.Um refeitório com restos ressecados de alimentos, com talheres e pratos na mesa, como se a tripulação houvesse abandonado o recinto, às pressas. Logo a seguir estava a cozinha, também parece haver sido abandonada repentinamente pelos cozinheiros e serviçais.

O silencio reinava entre os quatro visitantes, que nada diziam, mas pensavam, e parece que o que pensavam eram as coisas piores possíveis.No fim da cozinha depararam-se com um esqueleto pequeno, de osso finos e longos. Um corpo pequeno tinha o crânio descarnado. Era triangular e grande.

Tinha órbitas ovais, mandíbula pequena e pequenos dentes. Tórax estreito, com uma faca de cozinha, comprida e enferrujada, enfiada entre as costelas. Também possuía a bacia estreita. Ossos dos braços e pernas eram longos e finos.

Viram o segundo esqueleto. Ossos carbonizados, do tamanho médio de um homem, deitado no solo em frente ao pequeno esqueleto esfaqueado. A visão deixou os quatro exploradores calados e perplexos pela visão inconcebível pela razão natural de verem as coisas corriqueiras da vida.
Osvandir parou, tentou ligar-se com o comandante John, mas o celular não funcionou. Usou o celular com pen-drive para gravar os restante da operação, uma vez que já havia feito as gravações dos parcos acontecimento da viagem até aquele local.

Ele emitiu suas opiniões pessoais sobre os fatos presenciados, mas guardou as informações para enviar pelo Fax de Miami, em forma codificada, para o CUB. Quando daria por terminada sua missão de pesquisa.A um gesto de Osvandir os três tripulantes o seguiram e em fila, segurando-se à corda do gancho, desceram já sem maiores dificuldades para bordo do “Alice”.

Imediatamente o capitão perguntou pela não comunicação do Osvandir com ele. Osvandir respondeu que os celulares não funcionavam no interior do navio. Diante dos fatos, o capitão não se admirou do fato. O que assistiu nunca mais esqueceria.

Osvandir e os tripulantes fizeram planos para rebocar aquele imenso navio para a respectiva posse.A grande névoa foi dissipando-se e todos verificaram que o cargueiro havia desaparecido, sem mergulhar no oceano. Ninguém tocou naquele assunto para não ser mentiroso. Estabeleceu-se entre eles a “lei do silêncio”.

O reboque do navio foi impossível e essa esperada fonte de renda esfumou-se como o cargueiro. Os planos para aplicar o dinheiro ficou apenas no sonho.Osvandir e os tripulantes descansaram, tomaram um banho frio e trocaram as roupas suadas por causa do grande calor existente no interior do grande cargueiro. Alimentaram-se bem, com a ração-fria e empreenderam a viagem de volta para Miami, onde o capitão e os tripulantes receberiam a metade da gorda remuneração já adrede cominada.

Na volta gastaram 35 dias, com as ondas encapeladas empurrando o barco, de leste para oeste. A embarcação elevava a proa e em seguida mergulhava para a água, para logo subir até à crista das ondas. O rebocador media uns vinte metros, mas era uma embarcação pesada, por causa dos apetrechos que ela conduzia, visando situações de emergência inesperadas.

Finalmente na manhã do dia 31 de março de 2007, o “Alice” aportou no píer de Miami. Osvandir dirigiu-se ao centro comercial daquele porto e no interior do Banco do Brasil em Miami finalizou o pagamento dos prestativos ajudantes.

Em uma agência de Xerox e emissão de Fax codificado para o CUB, Osvandir escreveu:”Encontramos o cargueiro Milton Artrides com carga de material sanitário intacta, mas havia somente um esqueleto pequeno como o de um Grey esfaqueado com faca comprida, de cozinha, por um homem que estava com esqueleto calcinado. Sei que houve desaparecimento de aviões até 1976.

Conclusão – Minha opinião que os Greys, a raça desonesta no que respeita a abduções. Suponho que os greys podem estar em estado de extinção e estão abduzindo humanos para formarem seres híbridos ou usarem órgãos para transplantes. As fêmeas deles podem estar fora da função natural de procriar. Roubam sêmem e óvulos. Pelo que eu observei esta deve ter sido uma das últimas visitas de greys, utilizando um portão comum de comunicação entre Portais Dimensionais. Devem ter fechado este Portal alarmados com o assassinato de um dos elementos de sua raça. A teoria das bolhas de Metanol, deve ser apenas uma das teorias, ou o Metano acabou-se.

Osvandir – OO8 Moura/Manoel - 28-10-08 "

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

OSVANDIR E O TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

Capítulo I

O TRIÂNGULO DO DIABO
O mistério do Triângulo provavelmente começou com o primeiro desaparecimento a tomar um bom espaço na mídia, em 1945, quando cinco aviões Avengers da marinha norte-americana desapareceram na área.
Lee Ann Obringer -

O Triângulo das Bermudas, ou Triângulo do Diabo está situada no Oceano Atlântico. É limitado pela Flórida, Ilhas Bermudas e Porto Rico. Muitos navios e aviões desapareceram misteriosamente naquela região.

Só no ano de 1973 a Guarda Costeira dos EUA recebeu cerca de uns 8.000 pedidos de ajuda. Consta que por volta de 40 navios e 15 aviões se desapareceram na referida zona, durante o século XX.

No dia 13 de janeiro de 2007 o Centro de Ufologia Brasileira - CUB – contratou os serviços do Osvandir, agente de uma ONG brasileira, para averiguar por que desde 1976 nenhum avião ou navio haviam desaparecido no Triângulo das Bermudas. Em 1998 um cientista havia concluído que o que produzia os desastres naquele trecho do Atlântico era apenas a presença de Metanol que vinha do fundo do mar, que fazia aviões explodirem.

Ele não explicou porque alguns navios desapareciam por um lapso de tempo, mas depois eram encontrados em outros locais, com toda a carga ou valores, mas não havia tripulação. Outros desapareciam totalmente.

Isso era intrigante, pois o fenômeno não se repetiu após 1976. O CUB escolheu Osvandir por causa de sua longa experiência em pesquisa sobre UFOs e fenômenos paranormais.
Osvandir viajou de avião até a Flórida – EUA, de onde partiria rumo ao centro do Triângulo do Diabo, onde desaparecera a maioria das aeronaves e navios cargueiros ou petroleiros.

Em Miami alugou um rebocador de dois motores, o "Alice" que tinha como comandante John Smith que falava espanhol e um pouco de português. A tripulação composta por cinco homens que também falavam espanhol e português, por causa do convívio deles com sul-americanos.

A viagem poderia demorar mais de um mês por causa da grande área a ser varrida, mesmo dispondo de radar e sonar, para ouvir o fundo do oceano. A finalidade do rebocador entre a causa principal, que já era sabida por toda a tripulação era também a de rebocar alguma embarcação que estivesse à deriva no oceano, que já pertenceria a quem a rebocasse, pelas Leis Internacionais de Navegação.

Havia bastante combustível (diesel) e ração fria, bem como uma grande reserva de água potável.Alice partiu rumo às ilhas Bermudas para cumprir a missão que Osvandir tinha pela frente. Empiricamente percorreria uma distância de 300 km, até à Ilhas Bermudas, a uma velocidade média de 60 nós, que duraria cerca de 50 dias.

Ás vezes enfrentando um mar revolto ou períodos de calmaria. Um dos tripulantes era encarregado da observação com binóculos normais durante o dia e de visão noturna à noite.
Às vezes ele era auxiliado por outro tripulante na observação do horizonte, para que nada escapasse.Ao pôr do Sol do 40º. dia, 23 de fevereiro, a bombordo surgiu uma neblina sobre o oceano que ia até uma grande altura. O Radar de bordo não acusou nenhum objeto.

O capitão John colocou a proa da embarcação rumo à bruma, que estava ao norte e aumentou a velocidade.O vento estava soprando do leste p/oeste, que encrespava as ondas para o estibordo de forma que o barco balançava muito, lateralmente.

Depois de quase uma hora de viagem em direção à névoa o capitão fez tocar a sirene do barco para ser ouvido por quem estivesse por trás do nevoeiro. Não houve resposta, mas de repente uma forma gigantesca surgiu à frente do rebocador.

O comandante girou o barco para bombordo para evitar chocar-se no casco negro do imenso navio que estava parado no nevoeiro.Navegou lentamente ao redor do que aparentava ser um navio cargueiro de grande comprimento. Quando ele chegou próximo à popa da grande embarcação ele viu o nome.

Milton Artrides era o nome que quase não se podia ler na popa do imenso cargueiro. As letras em branco estavam bastante desbotadas, com muita ferrugem por baixo, mas o nome escrito era grande e ainda dava para ler com dificuldade.Osvandir conseguir decifrar o nome por ser um nome português. A imaginação completava a letra e todo o nome.

Ele havia lido sobre navios e aviões desaparecidos naquela região. Por isso ele esta ali pesquisando. Lembrou-se que aquele cargueiro estava desaparecido desde março de 1973.

Um outro navio, o Anita, cargueiro alemão, de 20.000 toneladas e uns 30 tripulantes, também havia desaparecido na mesma época, na mesma região, mas a imprensa informou que ele já havia sido localizado, sem a tripulação.Osvandir não se lembrou aonde este navio teria sido encontrado. O fato é que agora estavam diante de um navio velho desaparecido em 1973.

Toda a tripulação ficou paralisada contemplando aquele achado inesperado, misterioso e inexplicável. O rebocador deu a volta ao redor do navio e novamente viram o mesmo nome escrito na proa, com letras brancas e grandes, gastas pela ferrugem.

A corrente da âncora estava esticada para a água. O navio estava fundeado no meio do oceano, preso no leito pela âncora. A estibordo do cargueiro havia uma escada de ferro bastante enferrujada, em paralelo com o casco. Seus degraus não deveriam mais, merecer confiança.

Um tripulante tomou de um cabo grosso contendo quatro ganchos soldados em um mesmo eixo, na outra extremidade. Segurando o cabo com a mão esquerda e girando com sua mão direita um raio de corda de uns 2 m, após uma grande velocidade angular feita pelo gancho ele soltou a corda, pela tangente e gancho quádruplo passou por cima da amurada do cargueiro. Estava feita a preparação para a abordagem.

Esse dispositivo serviu para que Osvandir e os tripulantes aproximarem-se do casco do navio. Amarraram uma ponta da corta no rebocador e imitando alpinistas, subiram com dificuldade pela corta esticada até chegar à amurada do navio.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

OSVANDIR NO AMAZONAS II

Capítulo III
CANDIRUS

"É um peixinho transparente e chega a ser invisível dentro d'água. Tanto os nativos como os banhistas têm grande temor ao candiru, porque - atraído pela urina e pelo sangue - ele nada e penetra em qualquer orifício corporal (vagina, pênis ou ânus).”
www.folhadomeio.com.br


Jorge, um dos olheiros, imediatamente compreendeu que estava havendo um ataque de Candirus, pequenos peixes que sobem pela urina, penetram na uretra e se alojam na bexiga. Nesse caso só com cirurgias em hospitais podiam reparar esses danos.

O olheiro soube logo que esta era uma grande “baixa” na força invasora. Quase todos os rios da região na descida da serra Cuano-Cuano, eram infestados por esses minúsculos peixes malvados. Se você pegava um na sua mão, logo ele procurava uma brecha entre seus dedos para se infiltrar.

Jorge, um caboclo, calculou que outros tantos soldados também estariam banhando-se no mesmo rio, pois a tropa vinha em linha ampla e poderia estacionar na margem do mesmo rio.

Havia muito calor dentro dos uniformes pesados. Principalmente nas cabeças, onde havia três coberturas. A temperatura era quase fria, mas ela não atravessava os uniformes. Os soldados invasores deveriam estar sentindo muito calor.

Os militares atacados pelos peixinhos foram deixados no chão úmido e folhoso, pelos enfermeiros. Não havia nada a fazer. Logo as formigas foram tomando contas daqueles corpos. Os soldados estavam fora de ação para sempre.

Por causa dos informes de Felipe e Jorge, todos os outros olheiros procuraram aproximar-se mais da tropa americana, pela retaguarda.

Osvandir ordenou que os nove agentes que haviam ido para Paracaíma fossem deslocados para a retaguarda da tropa invasora. Por isso, já estavam viajando para trás da retaguarda invasora, na serra Cuano-Cuano, em veículos 4x4, pois a distância era muito grande.

Da Reserva Raposa para a Serra do Sol havia uma distância de uns 100 km de terreno aberto, consistindo de savanas e campos, porém cheio de ondulações. Teriam que atravessar por uma ponte, o Rio Branco que corta Roraima de Norte a Sul, dividindo a Terra Indígena. Depois de umas quatro horas de viagem, conseguiram alcançar Serra do Sol pela parte norte e descer a pé, pela serra Cuano-Cuano, um lado da formação da tropa americana que estava posicionada em linha, nas proximidades de Uiramutã.

Usavam binóculos e celulares para gravarem, verbalmente as informações sobre o que viam. Estes “olheiros” foram caminhando, paralelamente por trás das linhas invasoras, procurando manter mais ou menos, um km de distância entre eles e a linha inimiga.

Essa distância era coberta pelos HT e as palavras eram gravadas nos celulares. Esperaram o anoitecer para se aproximarem mais e ver o que acontecia durante as refeições individuais da tropa, ao redor das 19 horas. Os militares usavam “ração-fria”, individual.

Os informantes não possuíam binóculos de visão noturna, como o Osvandir, que chegou com uma maleta contendo vários utilitários eletrônicos e sua pistola CZ – 27 – calibre 7,65 mm.

Depois do jantar individual, a maioria ingeriu o resto de água do cantil, possivelmente com água clorada, para evitar micro-organismos patogênicos. Os militares dormiam em uma barraca para 2 homens. Alguns deles, ninguém sabe quantos, foram picados no rosto por aranhas “armadeiras”, pois tiveram o azar de deitar próximo a uma colônia delas, que se abrigavam sob as raízes das árvores.

Chico, um macuxí, ouviu vários gritos em uma faixa de uns 200 metros, que era a largura abrangida pelo sua audição, do local onde estava abrigado.

A picada da armadeira produz muita dor abdominal, náuseas, edema, sudorese e até parada cárdiorespiratória. Não se sabe qual foi o número de baixa dos invasores, que teriam sido picados no rosto, que era a parte exposta durante o sono.

Esse informe foi transmitido ao agente mais próximo dos 5 km, como fora estabelecido, por causa do alcance dos HT.

Chico informou na manhã seguinte, via HT que mais da metade dos soldados não havia saído das barracas. Eram mais baixas fatais nas forças inimigas.

Não dava para estimar as perdas, por causa da grande extensão da linha de ataque. Como não havia identificação na farda nem nos capacetes, todos pareciam ser soldados, mas alguns deles destacavam-se pelo ato de darem ordem em voz alta.

Muriatá, um macuxi, estando a observar a tropa que estava mais para o lado da Guiana, informou que os militares continuaram acampados nas margens do rio, esperando algo acontecer.

Dos pontos mais altos, os soldados americanos observavam com binóculos a região mais baixa onde estava o município de Uiramutã. Nenhum soldado americano entrou mais no rio. Iam lá, apenas para encher os cantis, depois de observarem demoradamente o local. Talvez com medo dos peixinhos.

Essa informação foi passada pelo HT, ao seu companheiro Karacuí, distante uns cinco km dele. Essas informações em cadeia chegavam até Osvandir que as gravava. Ele já havia percebido que o Comando do 1º. BIS estava enviando tropas para os municípios de Normandia, Paracaíma e Uiramutã, por helicópteros de transporte de tropas. Canhões antiaéreos, transportados, já estavam fora dos muros daquele quartel.

Karacuí, também macuxi, estava distante do companheiro Muriatá, pelo seu lado direito observando os militares.

Quando escureceu, na segunda noite, os militares recolheram-se às barracas onde teriam feito a última refeição do final do dia. Lá pelas 17:30 h, com o Sol se pondo, Karacuí começou a ouvir gritos e gemidos dentro das barracas e pôde ainda ver soldados saltitando, saindo das barracas, com medo de pisarem no chão, ou segurando o rosto, onde estariam sentindo dores.

Inúmeras barracas começaram a ser derrubadas e o mastro do centro era usado como cacete para bater em alguma coisa no solo. Não dava para observar bem porque as barracas estavam armadas nos espaços das raízes, entre as grandes árvores e estava ficando escuro.

Karacuí, que era conhecedor da região, desde criança, logo calculou que fosse um ataque de jararacas pico-de-jaca, de até 3 m de comprimento. Elas atacavam pessoas ou animais, mesmo sem serem molestadas. Naquela parte da selva, seus ninhos estavam sob as raízes das árvores. Ele até se admirou pelo fato delas não haverem atacado os militares, desde a primeira noite em que as barracas foram armadas lá.

Alguns soldados caíram torcendo-se e gemendo no solo, enquanto outros ficaram sobre as raízes proeminentes, pois parecia ser o lugar mais seguro, já que não podiam subir nas árvores por causa da grande circunferência.

Essa informação foi transmitida em cadeia, para Osvandir por meio dos HT.

Karacuí, que não dormiu no restante da noite, mesmo tendo escolhido um local seguro na floresta, ficou observando a movimentação dos invasores. Ele só ouvia gemidos profundos, que aos poucos iam desaparecendo. Poderia haver muitos soldados morrendo na escuridão. Aquilo parecia o Inferno Verde.

Osvandir recebeu um memorando da ONG “Ordem e Progresso”, sediada em Brasília, informando que o Ministério da Defesa não iria esperar por uma invasão aérea ou motorizada.

O Ministério informava que os invasores acampados na serra Cuano-Cuano, entre Uiramutã e a Guiana estavam apenas esperando reforços aéreos para atacarem de uma só vez os municípios que rodeavam o Território Indígena, bem como Boa Vista.

A ONG deu ordem a Osvandir para que ele fizesse a retirada, o mais rápido possível dos “agentes”, pois uma contra-ofensiva já estaria sendo planejada.

Osvandir fez a informação circular entre os “olheiros” que se deslocaram rapidamente para Uiramutã, descendo a serra, por trás da tropa inimiga. Os últimos agentes a chegar, estavam a mais de 20 km de distância, gastando umas 10 horas para chegarem a Boa Vista, por causa da caminhada vagarosa por cima das raízes das grandes árvores.

Osvandir respondeu à ONG, em um Fax criptografado insinuando que aquele local era muito chegado a queimadas. Uma a mais ou a menos seria normal.

O Comando do 1º. BIS, enviou para Uiramutã uma tropa numerosa de Infantaria de Selva, em helicópteros Pantera (H -1) e Esquilos. Os artilheiros conduziam Lança-rojão – M1 – Bazooka, Morteiros Pesados 120 M2 R, para retardar a marcha dos pára-quedistas americanos, bem como uma tropa especial munida de Lança-Chamas.

A Aeronáutica enviou para a região do conflito, 4 aviões Mirage 2000C, conduzindo bombas americanas, de Napalm, pois a idéia era incendiar ao mesmo tempo, uma faixa de 200 m a partir do sopé da montanha, onde se encontrava grande linha de frente inimiga.

Continua...
MOURA/MANOEL

terça-feira, 7 de outubro de 2008

OS ELEITOS

Depois destas eleições as pesquisas estão definitivamente desacreditadas.

Osvandir

Eles batalharam, gastaram sola de sapato. Tomaram café frio e velho, pinga da roça e roeram biscoitos velhos nas feiras.

As fazendas os receberam de braços abertos. O roceiro ou caipira é muito bom de papo, recebe a todos muito bem em suas casas, mas na hora de votar digita os números que já estavam na sua cabeça desde o início.

Houve muita pressão de vários candidatos que agora estão arrependidos, cabeça baixa, perderam a eleição.

Os santinhos, das mais variadas cores e nomes, usaram até os pássaros, animais, apelidos sem pé nem cabeça, outros exóticos mesmo.

Uns prometendo cuidar dos animais, esquecendo-se das criancinhas abandonadas nas ruas.

Outros mais evoluídas apelaram para o meio ambiente, prometendo despoluir o rio, os córregos e lagoas.

Faltaram os brindes, mas sobraram idéias novas.Os cartazes estavam nas mãos nos estacionamentos, nas ruas, nos becos, nas avenidas, em toda parte. Alguns muito criativos.

Muitos cartazes até em bicicletas, rodaram pelas ruas.
Os candidatos estavam bem mais novos nos santinhos do que na realidade, sinal que o Photoshop trabalhou bastante nesta eleição.

Muitos serviram-se do telemarketing, ligando para os pobres eleitores já cançados de bancos oferecendo cartões de créditos, casas de drogados, pinguços, hospitais, tais e tais pedindo dinheiro.

Outros usaram até a internet enviando spans para todos cidadãos.
Alguns mais espertos criaram uma página pessoal ou um blog. Usaram até o orkut.

Os carros de som, enfeitados de cartazes, rodaram pela cidade inteira, anunciando o seu produto, o candidato “X”. D. Mariazinha até achou graça e falou:
-- Eles aparecem por aqui só em época de eleição.

Tudo acabou rápido, no fim do dia. Quem trabalhou bem, ganhou; quem trabalhou mal perdeu.

Os votos em exagero contracenaram com os que receberam poucos votos. Votos de toda parte, muitos candidatos, ficaram admirados, não esperavam tantos. Por incrível que pareça, teve candidato que não recebeu nenhum voto.

O candidato vitorioso foi aquele que trabalhou honestamente, apresentando suas idéias. Nenhum eleitor é burro e nem palhaço!

Manoel

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A VITÓRIA

A VITÓRIA

Quando bateu 17 horas no relógio da matriz, no centro, um silêncio mortal caiu sobre a cidade.

As festas foram adiadas para mais tardes e muitas ficariam para daqui a quatro anos.

O primeiro boletim saiu, ninguém acreditou, ele estava na frente. Muitos pularam freneticamente de alegria. Gritaram, rasgaram as camisas, levantaram ameaçadoramente as bandeiras.

Os votos foram aos poucos sendo vomitados nas tirinhas do equipamento eletrônico. A tristeza começou a aparecer nos rostos de alguns.

Os candidatos a vereadores anotando os votos. Os cabos eleitorais carregando a raiva, a alegria ou a tristeza.

Todos os candidatos com um só pensamento: vencer a eleição!
As pesquisas ficaram totalmente desacreditadas pelo candidato que pretendia vencer, a qualquer custo, as eleições.

O candidato que figurava em segundo lugar foi parar no terceiro. O que estava em terceiro foi para o primeiro lugar. E quem pretendia vencer as eleições caiu para o segundo lugar.

Uma coisa aprendemos com essas eleições: pesquisa verdadeira não adianta nada. Representa apenas um instante. As falsas pesquisas fazem apenas muito mal a população. Quem falou que votaria, não votou. A prisão acabou! A porteira do curral eleitoral foi aberta. O eleitor votou livremente.

Hoje estamos com a alma lavada, novas cores já brilham em nossa cidade. Podemos comemorar com alegria a vitória de nosso candidato!

Manoel
Blog: http://www.guihost.com.br/blog/mane/

Nota: Este texto pode ser reproduzido desde que seja cidatada a fonte.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

OSVANDIR NO PANTANAL

OSVANDIR NO PANTANAL

“O que não se compreende, desperta admiração”.
Benedito Ruy Barbosa


Foi numa destas histórias que só Freud explica, Osvandir foi parar no Pantanal, nos anos noventa.

Viu a Juma Marruá, a mulher que vira onça pintada, na beira do rio, fazendo trocas na chalana. Alguém perguntou por José Leôncio, ela respondeu que ele estava em Campina Grande-MT, voltaria à tardinha.

Osvandir seguiu para fazenda, onde recebem todo mundo que chega naquela região. Estava interessado em ouvir histórias fantásticas daqueles pantaneiros.

Com suas tralhas dependuradas ao pescoço andou um pouco e viu ao longe o casarão da fazenda. Muito verde e água, pássaros, animais selvagens e bois por todo lado.

Ao entrar naquelas amplas varandas encontrou aquele peão que só sabia dizer: --Sei lá! Sei lá!
Era o Tadeu, vaqueiro e piloto, filho da companheira de José Leôncio. Aquele que namora todas as moças que aparece por aquelas redondezas.

Osvandir resolveu bater um papo com aquele peão. Perguntou-lhe se teria avistado luzes no ninhal e ele respondeu:

--Sei lá! Nunca vi luzes por lá. Sei lá!
Deu-se por encerrada a conversa e foi saindo para montar em seu cavalo que só anda de rabo arrebitado.

Juventino vinha chegando e o papo pode continuar, ele que conhecia mais destas coisas.

--Olá amigo, sou Osvandir, venho de Minas. Estou pesquisando sobre discos voadores nesta região.

-- Olha, ver eu não vi, mas fotografei umas coisas muito esquisitas nestes lagos, vou buscar para você ver.

Saiu da sala, subiu a escada do andar superior e após alguns minutos desceu com um pacote de fotos que fizera daquela região.

Os dois investigavam foto por foto, mas o que viam era só aves voando naquela extensa região. De repente Juventino parou, examinou e falou:

-- É essa aqui, olha, fotografei lá no ninhal.

Osvandir olhou, virou de cabeça para baixo, pegou a lupa para ver melhor, colocou ao sol, próximo da janela e deu o seu veredicto:

-- Pode ser um ufo, vou levar, se você não se importar.

-- Não tem a menor importância, se precisar pode pegar. Amanhã cedo se quiser poderemos ir até o local onde fiz esta foto.

-- Quero sim, estou coletando dados desta região e lá em Campina Grande já peguei um bom material.

-- Aqui tem boas histórias para você levar, é só ouvir da pessoa certa. Tem muitas lendas, como a da Juma que vira onça e a do Velho do Rio que vira sucuri. Sobre as piranhas tem uma porção de fatos reais.

-- Vou anotar tudo, gosto de saber das coisas. Hoje tem cantoria?

-- Tem, logo mais, lá pelas sete e meia da noite estaremos ouvindo os cantores Tibério e Trindade cantando as melhores músicas caipiras da região.

-- Vão cantar o Cavalo Preto? Meu pai gostava de ouvir era a Mula Preta...

-- Aqui todos gostam de ouvir nossos cantores.

-- Vou aguardar, lendo algum material que recolhi hoje.

Joventino foi ver a Juma na sua tapera lá no meio do mato, bem longe da sede da fazenda.

Uma sucuri de dez metros de comprimento estava rondando um bezerrinho, assim que colocou as patas na água, foi agarrado e morto por constrição e depois engolido suavemente por aquela bocarra.

Zé Lucas, outro filho bastardo de José Leôncio, proprietário daquelas terras, acabava de chegar e quis saber de onde eu vinha. Falei que morava em Minas, mas que era nascido em Goiás.

O dia já ia terminando e uma friagem dava lugar aquele calor insuportável do dia. O céu começou a escurecer, parecendo que ia chover. O sol foi indo embora sem se despedir de ninguém.

O fogo já esta aceso lá no terreiro e no galpão as pessoas se acomodavam como podiam, naqueles bancos toscos.

Um acorde de viola foi ouvido, era Trindade, que dizem que ele tem pacto com o demônio. Uma música, arrancada do violão ou da viola começou a emocionar a todos. Zé Leôncio já estava pedindo o “Cavalo Preto”, música de sua preferência. Os violeiros resistiram até o final, quando cantaram aquela bela canção, uma composição de Anacleto Rosas Junior:

Tenho um cavalo preto
Por nome de ventania
Um laço de doze braças
No couro de uma novilha
Tenho um cachorro bragato
Que é pra minha companhia
Sou um caboclo folgado
Ai, Eu não tenho família

E seguia naquele ritmo até o final, com todos batendo palmas para aqueles artistas do sertão.

Na manhã seguinte Osvandir e Joventino foram até ao ninhal onde tem uma variedade de pássaros muito grande e bateram várias fotos, com máquinas fotográficas convencionais, dos anos noventa.

Uma coisa esbranquiçada apareceu por trás de uma latada de cipós e eles fotografaram tudo. Osvandir muito contente, imaginava mil e um ufos por ali.

Na volta mais uma foto de um vôo de pássaros em “V”. A chegarem a sede da fazenda arrumou suas tralhas e partiu para Campo Grande num aviãozinho do fazendeiro, pilotado por Joventino. De lá foi para Belo Horizonte, onde não se conteve e mandou revelar todas as fotos.

Ao examiná-las achou duas com grandes possibilidades de serem ufos. Mostrou para o Fábio , que foi logo descartando, dizendo ser pássaros em vôo sobre as águas.

A outra, examinada por outro especialista, parecia várias garças pousadas numa moita, na beira do rio.

Decepcionado, Osvandir disse que nunca mais voltaria ao Pantanal, caiu na real dos anos dois mil e quatorze.

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

Aqui você poderá assistir parte da novela, Cap. 01:
https://www.youtube.com/watch?v=nbxYN8Qvmxc