domingo, 14 de setembro de 2008

OSVANDIR EM BRASÍLIA

O GRAMPO MISTERIOSO
Meu nome é Bond, James Bond.”.
“My name is Bond, James Bond”!
De um filme dos anos 60

Com todos esses rumores de grampos/escutas telefônicas/arapongas rondando o alto escalão do governo, o Ministro da Defesa ficou muito preocupado com a situação do telefone de seu gabinete. Pensou em tomar alguma medida para se precaver desse tipo de espionagem. Mas teria que ser tudo muito sigiloso, para que os criminosos não suspeitassem da investigação, caso fosse verdade.

Conversando com um funcionário seu de confiança, vislumbrou a solução.

- Tenho uma grande amiga em Santa Catarina que conhece um grande investigador independente, Senhor. Ele não está ligado a nenhum governo, nem qualquer organização. Se quiser, entro em contato com ela imediatamente.
- E que investigador seria esse?
- É o Osvandir.
- Ah, já ouvi falar dele...

O que ninguém sabe é que o Ministro também acompanhava as aventuras do Osvandir no blog.

Alguns minutos depois, Anna recebia uma ligação em sua casa, em Santa Catarina. Era o funcionário do Ministério. Conversaram por alguns minutos e logo em seguida Anna ligou para Osvandir.

- Tens uma missão, meu amigo. Vá para Brasília imediatamente. Kelly estará lhe esperando no aeroporto.

Um minuto depois, o telefone de Kelly tocava em Brasília...

Quando o avião de Osvandir sobrevoou a Capital Federal já era noite. Das janelas da aeronave era possível ver as belas luzes da cidade lá embaixo. Parecia que a Terra havia sumido, e tudo era só céu, cheinho de estrelas. Ao longe, Osvandir viu a Torre de TV, imponente, toda iluminada, apontando para o céu. Deu pra ver também o Congresso e a magnífica Ponte JK, com seus arcos cruzados, que parecem dançar e brincar com quem os observa. Lembrou que ela foi construída por um engenheiro de Minas. Osvandir ficou admirado com a beleza da cidade, assim como o personagem da canção Faroeste Caboclo, da Legião Urbana, a banda de Renato Russo. Ele já conhecia a cidade, mas nunca a tinha visto sob esse ângulo.

No aeroporto, Osvandir encontrou Kelly no setor de desembarque. Pegaram um táxi por medida de segurança e foram encontrar o Ministro na casa do Assessor (aquele que era amigo de Anna). Ele explicou-lhes tudo e disse o que queria que eles fizessem. Bolaram um plano. Osvandir e Kelly se vestiriam com o uniforme do pessoal da limpeza e entrariam no prédio ainda no horário do expediente. Ninguém poderia desconfiar de nada, nem mesmo o pessoal da segurança. Então eles esperariam o fim do expediente e entrariam no gabinete a fim de descobrir o tal grampo.

Depois de tudo decidido e a reunião encerrada, Osvandir reclamou que estava com fome. Kelly perguntou o que ele gostaria de comer. Ele disse que gostaria de experimentar o prato típico da cidade. Ela levou-o até a Rodoviária, mais precisamente na Pastelaria Viçosa. Lá, dois pastéis com um copo de caldo de cana custa apenas R$ 1,20. Enquanto cada um saboreava o seu “Trio Viçosa”, Kelly explicou a Osvandir que Brasília não tinha prato típico, e que aquela pastelaria era tão tradicional, que todo mundo dizia que aquele era o prato típico da cidade.

Agora era hora de descansar, pois o dia seguinte seria longo e extenuante.

Ao amanhecer, Osvandir e Kelly se reuniram para preparar toda a logística que colocaria o plano em ação. Dando uma volta pela cidade, Osvandir notou que algumas pessoas o reconheceram. Um garotinho veio até mesmo lhe pedir um autógrafo. Ele ficou muito feliz e lisonjeado. Mas o que o deixou mais contente foi um senhor que veio lhe contar suas experiências ufológicas. Mas isso é assunto para outra aventura.

Com todo o equipamento em ordem, era hora de começar a colocar o plano em prática. Vestiram os uniformes da empresa de limpeza que o Assessor do Ministro havia conseguido para eles e entraram no edifício. Ninguém percebeu que eram desconhecidos. O chefe da limpeza encontrou-os no corredor térreo:

- O que fazem aqui parados? Deveriam estar limpando os banheiros do 4º andar.

Osvandir e Kelly se olharam, respiraram fundo e foram caminhando até o elevador. Aquilo fazia parte do trabalho, isso eles compreendiam.

Muitas coisas acontecem por dentro de um Ministério. Osvandir e Kelly ouviram e viram muitas coisas que não deveriam ouvir nem ver. Mas isso também é assunto pra outra aventura.

O tempo passou e chegou a hora de fazer o que eles realmente estavam ali pra fazer: procurar um grampo. O gabinete do Ministro estava vazio, conforme o combinado. Só teriam que tomar cuidado para não serem descobertos pela segurança do prédio. Entraram e fecharam a porta atrás de si. Estava um verdadeiro “breu” dentro da sala. Kelly acendeu a lanterna e procurou pelas persianas. Abriu-as e permitiu que a luminosidade de fora iluminasse suavemente o recinto. Agora dava para ver bem melhor o ambiente todo. Era uma sala bem ampla. Havia uma mesa de reuniões com oito lugares. Ali devem ser tomadas muitas das decisões importantes sobre a defesa nacional, ponderou Osvandir. Não havia nada em cima dela. Ao lado desta mesa havia um sofá. Certamente era para reuniões mais informais, ou para o Ministro tirar uma pestana quando estivesse muito cansado... Osvandir riu com esse pensamento. Em uma das paredes havia pendurada uma foto do Presidente da República, ladeado pela Bandeira Brasileira. Em outra, uma TV de tela plana de 52”. “Espero que ele me chame para assistir a próxima Copa do Mundo aqui”, pensou Osvandir.

Voltando-se para Kelly, que estava dando uma olhada na mesa do Ministro, Osvandir deparou-se com muitos grampos. Mostrou-os a Kelly:

Ela riu e continuaram a busca.

Osvandir tirou de uma maleta um laptop ultramoderno, com toda a parafernália tecnológica necessária para construir outro Colisor de Hádrons (CLH), bem no meio da Capital Federal. Mas ele queria apenas captar alguns sinais de rádio. Pediu à Kelly que fizesse uma ligação, do telefone do Ministro até o celular dele. Ela fez. Ficaram ouvindo por alguns instantes e notaram chiados e estalos na ligação. Osvandir apertou alguns botões do laptop e “voila”... descobriu um grampo. Precisava descobrir o local de recepção do sinal. Para isso, ele tinha uma ferramenta, desenvolvida por dois amigos seus, os Profs. Márcio Mendes e o físico Ildefonso, que ligava o Google Earth a alguns provedores e sistemas que poderiam identificar de onde vinha qualquer sinal na face da Terra. Era uma ferramenta que, se colocada em mãos erradas, poderia acabar com o planeta. Mas só quem sabe desse segredo, além de Osvandir, Kelly e os Profs. Mendes e Ildefonso, somos eu e você caro leitor. Não vai contar nada pra ninguém, ok?

Então, Osvandir conseguiu detectar a origem do sinal. Descobriu inclusive a identidade dos responsáveis pela arapongagem: um grupo de ufólogos que queria a qualquer custo uma evidência de que os militares brasileiros mantinham contatos com ufos. Eles escutavam as ligações do Ministro na busca insana por uma prova oficial de que os ufos existem. Neste momento, ouviu-se um barulho, como que de um trovão, e o laptop do Osvandir explodiu e soltou uma fumaça tremenda. Assustada, Kelly abriu a janela do gabinete, para dispersar a fumaça. Neste momento, ela viu um jogo de luzes multicoloridas muito próximas ao prédio onde estavam.

Kelly chamou Osvandir para ver aquilo, mas ele estava desmaiado com a explosão do laptop. Ela começou a ficar assustada, pois a segurança devia ter ouvido a explosão e estaria na porta do gabinete a qualquer momento. Por outro lado, os arapongas deviam saber, àquela altura, que sua escuta havia sido descoberta. Kelly precisava agir rápido e desconectar o grampo do telefone... mas como faria isso? Grampo... grampo... grampo... é isso! Lembrou-se que trazia alguns grampos para cabelo, no bolso da calça. Tirou um e, com a lanterna, localizou o aparelhinho do lado de fora da janela.

No melhor estilo “Missão Impossível”, Kelly pendurou-se para fora da janela e, com seu grampo em mãos, desligou o “talzinho” e arrancou-o do local onde estava.

Mais que depressa, Kelly tentou acordar Osvandir. Precisavam sair dali rapidamente. Osvandir recobrou os sentidos no mesmo momento em que alguns seguranças batiam na porta do gabinete. Kelly só viu uma saída: a janela.

Felizmente eles estavam preparados para tudo e já estavam com o equipamento de rapel pronto para qualquer emergência. Penduraram as cordas e desceram. Lá embaixo, alguns seguranças ainda tentaram pegá-los, mas eles conseguiram se safar. Foram para o hotel em que Osvandir estava hospedado.

A perda do laptop foi irreparável. O coitado foi parar no lixo mesmo. Não conseguiram entender o que aconteceu. Kelly contou a Osvandir sobre o ufo e sobre o grampo na janela. Juntaram o material que conseguiram, fizeram um relatório e entregaram-no ao Ministro, que agradeceu imensamente a ajuda que lhe prestaram.

No dia seguinte a toda essa aventura, os funcionários da limpeza foram fazer uma faxina no gabinete do Ministro. Uma das funcionárias notou algo estranho no cabo do telefone da mesa do Ministro: era um grampo. Não uma escuta, mas um grampo de cabelo. Estava com a parte de metal encostada numa parte desencapada do fio. Ela o retirou. Incrivelmente, o telefone do Ministro voltou a funcionar normalmente, sem aquelas chiadeiras e estalos.

Três dias depois, um outro funcionário foi hospitalizado porque a janela caiu bem em cima da cabeça dele, enquanto ele fazia a limpeza externa dos vidros do gabinete. Alguém havia tirado um dispositivo de segurança que havia ali...

O Jornal de Brasília estava sobre a mesa do Ministro e anunciava em manchete:
Polícia Federal entrega maletas de escuta à Justiça Federal
Por
Kelly Lima e Manoel
Brasília/DF
12/09/2008

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