segunda-feira, 11 de agosto de 2008

OSVANDIR NAS OLIMPÍADAS

OSVANDIR NAS OLIMPÍADAS INDÍGENAS
Capítulo I
“O NINHO”

Terminada a fase da busca pela base secreta, Osvandir chegou nas aldeias de seus amigos, os Katumãs e os Piatãs, índios louros, os primeiros e negros os últimos, onde foi saudado pelos chefes. Eles estavam na maior festa do ano: “As Olimpíadas Indígenas”.

Um estádio foi feito às pressas, para abrigar os torcedores dos jogos. Para construir aquela obra o arquiteto baseou-se no ninho de anu, pássaro preto, que vive a beira dos brejos, voando sempre em bandos. Botam até trinta ovos em cada ninho, depois ficam naquela cantoria danada para chocá-los; o tempo todo.

A construção foi toda trançada por madeira roliça e também por bambu. Cerca de trezentas pessoas poderiam assistir aos jogos, sentados. As arquibancadas não eram lá grandes coisas, mas dava para “quebrar o galho”, como dizia o “Anta”.

Várias modalidades de esportes estavam programados para aquele dia e nos seguintes. Havia começado no dia 08.08.2008, às 8 horas e 8 minutos, exatamente como programado, sem nenhum atraso.

A festa de abertura deixou todo mundo de queixo caído. Os caciques fizeram uma reunião e conseguiram alguns “reais” para compra de foguetes de lágrimas, busca-pés, sem contar as bombas cabeça de negro (sem racismo), espanta-coiós, traques e outros fogos, na maioria desconhecidos dos índios.

Vários representantes de aldeias indígenas de Mato Grosso, Goiás, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão estavam ali participando dos jogos.

A imprensa estava num local especial, com cobertura de folhas de palmeiras buriti, comendo deliciosas frutas da região como: açaí, cupuaçu, manga, castanhas, maná cubiu, graviola e uma infinidade de cocos e outras frutas miúdas, sem faltar o saboroso ananás. Algumas como nomes muito estranhos, outras de um maravilhoso colorido e algumas muito azedas. O cheiro podia ser percebido à distância.

Neste festival de saúde também figurava umas pimentas bem vermelhinhas, para sacanear os menos avisados. Noutra mesa os sucos já preparados, onde se destacava o guaraná.

Naquele momento os índios estavam jogando uma espécie de basquete, mas a cesta era uma enorme argola de ferro ou madeira, instalada num paredão de pedra de cerca de 5 metros de altura. A argola ficava numa posição tal que o indivíduo poderia jogar a bola e esta passaria por ela, marcando assim os pontos. Mas não era em queda livre como no basquete que conhecemos. A bola era de borracha pura, interiça, e quando atirada ela atravessava o aro na direção norte/sul indo cair lá longe, próximo dos outros jogadores. Alguns subiam um pouco nas paredes, com um salto. Era muito divertido, porque a maioria caía. O público delirava.

Após este jogo, as crianças vinham todas correndo, na tradicional corrida de São Sumé, uma espécie de São Sivestre mirim. Era curumim esparramado por todos os lados.

Osvandir acabou dando algumas idéias para os organizadores do evento, o que tornou algumas partidas mais interessantes. Por exemplo: lembrou de sua infância, lá em Goiás, disse aos colegas índios que buscassem no mato vários paus, bem roliços e sem galhos, de mais ou menos 3 a 4 metros. Descascaram a madeira e untaram com gordura de capivara, deixando ali no sol até a tardinha.

Colocaram os paus nuns buracos, socaram bem a terra. No topo de cada um havia algum agrado ou umas espécies de bijuterias baratas. Até um arco foi colocado naquele maior e central.
As crianças tentavam subir naquele pau-de-sebo, mas não era fácil. Quando pensavam que já haviam conquistado o prêmio, escorregavam lá de cima e caíam na areia. Muitas gargalhadas e alguns até ofereciam mais prêmios para os indiozinhos, hábeis em subirem em coqueiro, mas ali tudo era diferente. Eles não passavam de dois metros do chão.

No meio de tantas brincadeiras, algumas mulheres também tentaram e caíram mais rápido ainda.

Foi quando apareceu um indiozinho magricela, olhos fundos, calção azul, até parecia que era filho do “Unhudo”, começou a subir no primeiro pau, no segundo, no terceiro e no quarto. Ganhou quase todos, só não pegou o prêmio do quinto pau-de-sebo porque um deles já havia retirado o brinde.

Todos os demais foram se achegando, queriam saber o segredo de tanta desenvoltura na subida daquele pau escorregadio. Ele não queria contar com medo de perder os prêmios. Todos os organizadores disseram que poderia contar, não iria perder nada, tudo era diversão!
Aí ele enfiou as mãozinhas nos bolsos do calção e mostrou que estavam cheias de areia e numa pontinha do bolso havia um furinho de maneira que quando ele avançava mais areia caía entre seus pezinhos. Eis o segredo: a areia impedia que ele escorregasse pau abaixo.

Todos riram, acharam muito engraçado. A esperteza do indiozinho foi aplaudida por todos. Osvandir enfiou a mão no bolso e entregou-lhe um canivete suíço! O presente foi guardado com muito carinho.

Lucida numa abraço aperto, aprovou aquela brilhante idéia de Osvandir.
As Olimpíadas Indígenas ainda tinha muito a mostrar!

(Continua...)
Manoel

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