sábado, 30 de agosto de 2008

OSVANDIR NO CEARÁ

A CHEGADA
Ah, minha amiga, meu amigo, (no Brasil) nada se cria, tudo se desvia.
Tem gente que desvia avião, um troço grande daquele,
imagine merenda escolar, que cabe no bolso da calça.”
Ricardo Kelmer – Jornal O Povo – Fortaleza-CE

Osvandir resolveu sair da Bahia, onde viveu aquela aventura na casa assombrada. Al estava certo, ele ficara um pouco abalado com os últimos acontecimentos. Mesmo assim resolveu voltar para a casa do Manoel que havia sofrido um acidente feio. Uma queda quebrara-lhe o nariz e várias escoriações pelo corpo. O rosto estava ainda inchado, vários dentes foram afetados. A arcada dentária deveria ser recuperada através de cirurgia.

Moura havia solicitado a sua presença no Ceará, havia bastante tempo, o recurso era ir para aquele estado verificar os estranhos acontecimentos ufologícos.

Enquanto seguia para aquele estado recebeu notícias do Bahia, pelo amigo JJ, que em Conceição do Almeida, naquele Estado, estaria aparecendo uma luz, ao cair da noite, que muda de cor. Uns acham que é a Mãe do Ouro, outros acreditam tratar-se de naves espaciais.

Osvandir deverá voltar aquele estado para verificar estes fenômenos.

Saiu de Belo Horizonte, em vôo direto para Fortaleza, no Ceará. Tempo bom, muito sol, viagem sem nenhum contra tempo.
Ao descer do avião, pegou uma de suas malas e seguiu até o setor de informações do Aeroporto Internacional Pinto Martins.

Deu uma ligeira olhada para pista, calculou que teria uns dois quilômetros e meio, mais ou menos, bem acabados e bem equipados, com luzes noturnas em perfeito funcionamento.

No pátio de estacionamento vários aviões de médio e grande porte, em posição de vôo.

Dirigiu-se ao Serviço de Informações Turísticas para saber alguns detalhes sobre hotéis e passeios pela capital Fortaleza.

Logo após, esteve na Praça de Alimentação, tomou um chope, comeu algumas batatinhas fritas, olhou vitrines, passou por uma banca de revistas e adquiriu os jornais O Povo e o Diário do Nordeste. No último uma manchete o preocupou:

TAXISTA ACUSADO DE ASSALTO
Não quis nem abrir o resto do jornal. Pegou o outro e as manchetes eram:
Tentativa de assalto deixa homem baleado
Onda de furtos no Centro assusta comerciantes


Informava que na Avenida Imperador a coisa andava feia. Os comerciantes estavam fechando as portas por causa dos crimes.

O Moura tinha toda razão, as coisas no seu Estado não andavam bem.
Ao chegar ao Hotel Fortaleza Othon Pálace, próximo da praia, deu uma olhada no local. Um sol bom para se bronzear, muita gente deslocando-se para as barracas, muita comida e bebida, artesanato e outras coisitas mais.

Confirmou a reserva feita pela internet, pegou as chaves do apartamento e subiu para um banho. Ao ligar a TV, outra notícia não lhe agradou:
Igreja fechada por falta de segurança...
O café da manhã, com frutas, biscoitos, bolos, queijos, presuntos, pães, e várias outras iguarias era um verdadeiro almoço.

Deu uma passada pela piscina, sala de massagem, sauna e acabou chegando ao restaurante. Três salões enormes, para eventos, chamou a atenção de Osvandir. O Hotel era mesmo um dos melhores de Fortaleza.

O encontro com Moura estava programado para o dia seguinte.
Tudo seguiria normalmente, se não fosse um pequeno incidente ocorrido na rua. Três jovens viciados em drogas abordaaram Osvandir solicitando dinheiro. Este reagiu e um deles arrancou uma faca e o outro um revólver 38...

Continua
Manoel
http://www.othonhotels.com/H00693/POR_index.asp

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

OSVANDIR E A CASA ASSOMBRADA

A CASA ASSOMBRADA

Osvandir foi convidado para passar uns dias na fazenda de um amigo lá no interior de Minas. No caminho para a fazenda acabou se perdendo. Ele resolveu seguir a pé para ir conhecendo melhor a região. A distância da cidade até a fazenda é de seis léguas (dezoito quilômetros), segundo informou um morador da cidade. Mas Osvandir não se importou e resolveu ir caminhando mesmo. Era bem cedinho. O tempo parecia ser quente naquele dia. Tirou a gravata, paletó, calçou umas botas de fazendeiro e botou o pé na estrada.

Logo na saída da cidade notou uma cocheira, onde havia alguns cavalos amarrados. Mais à frente, quase fora do centro urbano, entrou por um largo corredor com vários coqueiros. Os moradores do local o olhavam com curiosidade.

As horas se passaram. Era mais um dia de aventuras para aqueles dois irmãos. O mais velho montava um cavalo chamado Pampinha. Na garupa do animal, o irmão mais novo. Estavam indo tirar ingá, fruta típica do local, bastante apreciada pelos meninos. É comprida, parecida com a vagem, um pouco mais larga. O caroço da ingá é coberto por uma polpa branca de sabor adocicado.

Sempre andavam juntos quando crianças. Naquelas paragens, sem energia elétrica no local, muito menos computador com internet, o passa-tempo predileto era a natureza.

Viveram dias difíceis nos períodos da seca. Com a falta de água era preciso caminhar várias léguas até o rio Jequitionha. Apesar de tudo, a Fazenda Cristal era boa e dava belos frutos na época das chuvas.

Os dois irmãos chegaram no brejo. De cara, um grande pé de ingá bem na beira do brejo. Os galhos estavam tão carregados que nem foi preciso descer do cavalo para pegá-las. Tiraram várias frutas e amarraram.

Enquanto estavam distraídos com as frutas, um assustador rugido veio de dentro do mato. Naquele tempo as matas eram bem fechadas, o capim podia esconder qualquer espécie de bicho.

O cavalo empinou, quase derrubando os dois meninos. Em seguida saiu em disparada como nunca havia feito antes. Era manso e não costumava correr tanto daquele jeito. No meio do caminho uma forte chuva desabou.

O cavalo seguia desenfreado. O irmão mais novo segurava firmemente na sela para não cair. As ingás, naquele momento, já não importavam mais. O medo adentrou pela alma daqueles pobres meninos aventureiros.

Um sujeito que caminhava pela estrada quase foi pisoteado pelo cavalo em disparada. Ao avistar o animal indo bem para cima dele, deu um salto e caiu em cima de um barranco, sujando-se ainda mais de lama.

O cavalo finalmente parou, ofegante, em frente à casa da fazenda. Os dois meninos estavam encharcados, ainda assustados com o que acabara de acontecer. A chuva continuava forte.

Apearam e saíram correndo para dentro de casa. Lá dentro a mãe preparava o almoço. Ao ver os meninos com olhar assustado e ensopados pela água da chuva, indagou sobre o ocorrido. Os meninos mal conseguiam falar, tamanho foi o medo que passaram.
Mais calmos e recuperados do susto, contaram detalhadamente o que havia se passado, minutos antes, inclusive sobre o sujeito andando pela estrada que quase foi atropelado pelo cavalo em disparada. Provavelmente era algum vizinho andando pelas proximidades. Naquela chuvarada toda não dava para ir lá fora ver quem era.

O almoço estava servido à mesa. De repente ouve-se alguém batendo à porta. A mãe dos meninos levantou-se e foi até lá. Ao abrir a porta deparou-se com um sujeito magro e cabelos pretos. Estava segurando uma mala preta. Suas roupas estavam molhadas, cobertas de lama e estrume de gado.

O estranho apresentou-se como sendo Osvandir, ufólogo e pesquisador de fenômenos inexplicáveis. Estava indo para a fazenda de um amigo e acabou se perdendo pelas diversas trilhas da região.

Após as apresentações, Osvandir foi convidado a almoçar com a família. Os meninos o fixavam com curiosidade. Percebendo que os meninos não tiravam os olhos dele, Osvandir resolveu puxar conversa. Quis saber por que o cavalo corria tanto, quase passando por cima dele.

Ouvindo atentamente a história, Osvandir perguntou se o barulho ouvido pelos meninos não teria sido um boi perdido no mato. Pareceu o rugido de uma onça. Se tivesse sido um boi o cavalo não teria se assustado tanto porque ele conhece o mugido - Responderam os meninos.

Mais tarde, depois que a chuva havia parado, Osvandir saiu com os meninos para conhecer a fazenda. Tinha comido feito uma onça. Comida muito gostosa como nunca tinha experimentado igual. A mãe dos meninos cozinhava muito bem.

No pequeno curral para eqüinos da fazenda tinha um lindo cavalo branco, o Bossanova, nome dado em homenagem ao estilo musical criado no final dos anos 50 e início dos anos 60. No flanco direito do cavalo um grande ferimento impossibilitava o animal de ser montado. Osvandir quis saber o que causou o ferimento, mas os meninos não souberam explicar. Um dia ele apareceu daquele jeito.

O tempo passou rápido na fazenda. O entardecer não demorou a chegar. Osvandir fez amizade com os meninos. Eles já não o olhavam mais com curiosidade. Pescou na empoeira – uma espécie de pântano que ficava numa baixada próximo da casa. Tomou banho na represa e contou algumas histórias pelas quais havia passado. Histórias sobre assombrações e alienígenas.

Osvandir ficou conhecendo vários nomes de frutas que jamais tinha ouvido falar. Até anotou tudo para não esquecer. Também ficou impressionado com a quantidade de animais peçonhentos nas proximidades. Na descida para a lagoa quase pisou numa cobra atravessada no meio do caminho. Em outro local, mais duas cobras disputavam um apetitoso anfíbio. Sentiu arrepios ao ver a cena.

Na fazenda, sem internet e televisão, todo mundo ia dormir cedo. Raramente alguém dormia depois das 21 horas. A não ser por um velho rádio antigo sobre a cômoda, não havia outro meio de passar o tempo durante à noite. Mas aquela seria uma noite bem diferente das anteriores.

Algo estranho estava acontecendo. Uma luz que vinha do curral chamou a atenção de todos. Parecia a luz de um candeeiro se movimentando entre o gado. Todos se amontoaram na janela da cozinha para verem melhor a estranha luz. No momento em que se preparava para pegar seu binóculo de visão noturna, Osvandir perdeu tempo, suficiente para ver a luz se apagar e sumir no meio do curral.

Aquele fenômeno no curral já havia acontecido em outras ocasiões. Porém, a estranha luz não seria o único fato intrigante naquela noite. Algo ainda bem mais assustador estaria por vir.

No cair da madrugada estavam todos dormindo. Osvandir dormia no quarto de visitas. No outro quarto, os meninos e a mãe dormiam juntos. O sono foi interrompido pelo barulho do rádio que estava em cima da cômoda, na sala. Estava chiando. Era o chiado típico da emissora já fora do ar.

Na estante, que ficava na mesma sala, um barulho parecido com o de uma pessoa batendo na madeira deixou ainda mais assustadora aquela noite. Deve ter alguém lá na sala – pensaram.

Alguns minutos de silêncio tomaram conta do local. Osvandir estava com os olhos esbugalhados, coberto dos pés à cabeça. A noite era muito escura na fazenda. Quando as luzes dos candeeiros se apagavam, não se via nem um palmo à frente do nariz.

Aquela parecia ser uma noite bem longa. Quando todos imaginavam que o mistério tinha acabado, um barulho vindo da cozinha fez subir calafrios pelo corpo. Parecia que todas as panelas da prateleira tinham vindo ao chão.

A mãe dos meninos tomou coragem e resolveu levantar junto com eles para averiguar o que estava ocorrendo. Osvandir, vendo a luz do candeeiro sendo acesa, levantou-se também. Deu um salto para fora da cama ao perceber uma caranguejeira bem próxima, descendo lentamente pela parede. Era enorme.

Reunidos na sala, perceberam que não havia mais ninguém ali a não ser eles mesmos. O rádio estava desligado e não havia ninguém atrás da estante. Na cozinha, todas as panelas estavam em seus devidos lugares, como se nada tivesse acontecido. Teria sido fantasma?

O dia finalmente clareou. Era uma bela manhã de primavera. Osvandir estava de mala em punho, pronto para voltar à cidade e de lá pegar o ônibus de volta para casa. Soube que a fazenda do amigo que o convidou ficava a cerca de três quilômetros dali. Inclusive dava para ver a casa ao longe. Ele optou por voltar em outra oportunidade, afinal a noite anterior foi o suficiente para fazer ele esquecer que estava de férias. O mistério continua.

Al Cruz
* * *

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

OSVANDIR & OSVALDIR NO RIO

Capítulo II
O CAVEIRÃO

“A violência destrói o que ela pretende defender:
a dignidade da vida, a liberdade do ser humano”
Papa João Paulo II

Tudo parecia tranqüilo naquela manhã de quinta-feira, Osvandir acabava de chegar de mais um passeio turístico pelas praias de Copacabana.

Tomara banho e seguira para o Restaurante Pérgula para almoçar. Quando estava saboreando o último gole do vinho francês Chateauneff du Pape que estava sobre a mesa, o seu celular tocou. Era a Adalgiza, mulher do Osvaldir, solicitando ajuda. Alguém iria passar no Hotel para apanhar Osvandir e levá-lo até o local.

Naquela apreensão sem saber o que seria, Osvandir ficou lendo uma revista Veja, ou melhor, olhando as figuras. Mulheres lindas desfilavam na calçada de Copacabana. Um friozinho vinha do mar e assolava a todos.

Um carro parou na entrada do hotel, o coração de Osvandir começou a bater mais forte, mas acalmou-se logo após, quando notou uma bela mulher loura, descer do veículo.
Era a acompanhante que iria levá-lo até onde estaria o seu novo amigo Osvaldir. O motorista, meio suspeito, portava uma estranha barba ruiva e um longo bigode a atravessar-lhe o rosto. Um chapéu panamá encobria-lhe parte da cabeça. Os óculos escuros de aro largo, cobria todo seus olhos. Tinha mais ou menos uns 35 anos. Falava pouco e media as palavras.
Um mistério rondava o ar, o que seria que estava para acontecer? Osvaldir estaria em perigo de vida? Fora assaltado mais uma vez?

Torturado por estes pensamentos começou logo a conversar com a passageira, sua acompanhante.
__ O que foi que aconteceu? Mais um assalto?
__ Não! Não! Você vai ficar sabendo logo que chegarmos a Favela da Rocinha.

Um barulho, já seu conhecido, fez-se ouvir lá nos morros. Era uma metralhadora, cuspindo fogo em algum lugar.

Num balanço do veículo, Osvandir pode notar uma arma na cintura do motorista. Parecia uma Pistola Taurus PT 92, para 12 tiros. O medo foi tomando conta do nosso aventureiro.

Rio de Janeiro não era brincadeira não. Uma autoridade paralela governava o Estado. Estava escrito no rosto daquele motorista.

Os Grupos de Elite, das favelas possuem armas muito mais pesadas e mais possantes que as armas dos policiais.Tem até um Fuzil HK G3 - de calibre 7.62x51 mm atira 600 tiros por minuto e suas balas percorrem mil metros em um segundo. Olha só o absurdo, 600 tiros por minuto. É bala que não acaba mais. Por esta razão que existe tantas mortes por bala perdida. Não são perdidas, saem desta arma, quando os atiradores, bêbados ou drogados, saem atirando a esmo.
Dava para perceber que se aproximavam do local, devido a barulhada de balas cruzando no espaço. A Favela da Rocinha é a maior da América Latina, tem 150.000 habitantes, que na maioria é gente simples, honestas, que trabalha para ganhar o seu suado pão de cada dia. Tem de tudo, é uma cidade dentro da cidade. Tem até governo próprio.Os traficantes dominam maior parte do local, com seus possantes AK-47 que é a arma mais usada por eles, em São Paulo e Rio de Janeiro.

Desceram num local nada recomendável, havia um barracão lá no fundo, com telhas de amianto e uma pequena varanda na frente. Estava ainda por terminar, as paredes de tijolos velhos, sem reboque.

Osvandir ficou com um pé atrás, com a pulga atrás da orelha. Qualquer coisa não ia bem. Os homens estavam nervosos, correndo para um beco bem estreito e escuro. Vários tiros foram ouvidos ali por perto, anunciavam qualquer coisa.

A mulher agachou-se atrás de uns velhos tambores de óleo. O motorista sacou a arma e atirou para os lados do beco. O clima estava quente. Os seqüestradores perderam o homem da TV Globo. Osvaldir havia fugido do cativeiro. Não havia nada que negociar. Osvandir também arrumou um jeito de escapar daqueles dois.

Enquanto o Caveirão, carro especial da Polícia, roncavam lá em baixo e um confronto era montado, as pessoas fugindo do local. O comércio cerrava as portas. Tudo parecia um clima de guerra. Quem não está acostumado com aquilo, fica muito assustado.

Foi aí, que por um milagre, apareceu no começo da rua, um táxi. Osvandir deu sinal e ele foi parar mais embaixo. Entrou apressadamente e mandou e que seguisse para o Hotel Copacabana Pálace:
__ Vá direto, não faça nenhuma parada, pago o dobro da corrida!
__ Sim Doutor! Disse o taxista.

Quando já refeito do susto, saboreando um copo de água mineral, Osvandir ficou sabendo pela TV que havia um confronto na Favela pelo desaparecimento de Osvaldir da TV Globo, do cativeiro.
Os repórteres informavam que ninguém sabia de mais detalhes...
Manoel

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

OSVANDIR E OSVALDIR NO RIO


Capítulo I
COPACABANA PALACE

Ainda rememorando as aventuras por que passou no meio da floresta Amazonas, com o dicionário de Topônimos Brasileiros de Origem Tupi, de Luiz Caldas Tibiriçá na mão, onde lia algumas palavras mais pronunciadas naquela região, veio-lhe na mente alinda imagem de Caá-Potyra, a “Flor do Mato”, morena de olhos azuis, com aquela meiguice de índia ainda não aculturada.

O avião moveu-se para cima e depois para baixo, qualquer coisa não ia bem. Uma fumaça saía de um lado da asa direita. Passageiros em polvorosa. As máscaras de gazes caíram, dando a impressão que a coisa era mesmo grava. Mas já estávamos próximo ao aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro.

Naquela segunda-feira, uma névoa intensa cobria a região, não se avistava ninguém, nem nada, a partir de uns 50 metros de distância.

Ao apanhar as malas notou um motorista de táxi de bigode fino, olhos castanhos, magro, de uns 30 anos, nem bonito nem feio, aquele tipo de pessoa que qualquer um pode reconhecer na rua. Ali estava OSVALDIR, motorista de táxi, típico carioca, com aquele linguajar característico, soltando o “s”, contador de histórias.
__ Olha só quem eu encontro no Rio, falou Osvandir.
__ Sim Senhor, para onde vai?
__ Para Copacabana.
__ Vou levar o Senhor para um bom hotel, pode deixar.

No trajeto, Osvaldir começou a contar uma história, mas Osvandir estava com sono e não ouvia muita coisa. O motorista aproveitou-se para dar umas voltas, enquanto o velocímetro rodava, rodava e os valores iam subindo. A corrida teve seu preço triplicado.

Ele pegou a Via Perimetral, virou na Av. Presidente Vargas, passou pela Praça da República, virou a esquerda e já estava saindo do centro.

Uma parada acordou Osvandir, um barulho de metralhadora pipocou no ar. Eram as quadrilhas em constante luta pela posição de comando nas favelas. Estávamos atravessando a Favela Dona Marta.
__ Já estamos quase chegando doutor, pode ficar tranqüilo.

Agora sim, ele contornara uma rua estreita, naquela escuridão e voltara para o local indicado: Copacabana.

Passou pelo túnel André Rebouças seguiu direto beira mar, pegando a Av. Atlântica e algumas quadras depois deixou Osvandir no Copacabana a, aquele lindo hotel que os chineses estão tentando construir uma réplica lá em Pequim.
__ Osvaldir, quando foi inaugurado o Copacabana Palace?
__ Em setembro de 1923, considerado o mais suntuoso edifício do gênero que possui a América do Sul e um dos mais lindos do mundo.O hotel tornou-se um ponto de convergência da alta sociedade carioca e turistas do mundo inteiro. Tenho trazido para cá pessoas dos EUA, França, Alemanha, Rússia, são tantas que nem lembro mais.

Ao descer do veículo Osvandir dirigiu-se a portaria do hotel para confirmar sua reserva.

__ Apartamento Luxo Clássico, com vista para a praia de Copacabana e sala de estar. Falou o atendente.
__ “Rio, Cidade Maravilhosa". Temos atrações incríveis como museus, igrejas e prédios históricos e com suas belezas naturais como o Pão de Açúcar, o Corcovado, o Jardim Botânico e o Parque Lage o Rio é uma cidade incomparável! O carregador de malas não cansava de explicar.

Osvandir cansado, dirigiu-se ao apartamento para uma soneca.
Uma hora depois desceu para o café da manhã no Restaurante Pérgula, próximo à piscina.

Naquele primeiro dia iria visitar o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, na parte da manhã.
Ligou para o Osvaldir, o celular não atendia. Aguardou alguns instantes e tornou a ligar.
__ Alô, é o Osvaldir? Aqui é o Osvandir, lembra-se, de ontem, quando você levou-me até o Copacabana Palace Hotel.
__ Onde você está?
__ Estou na portaria do Hotel.

Meia hora depois chegou o motorista de táxi, apavorado, dizendo que tinha sido assaltado pela terceira vez neste mês.

Explicou onde queria ir e seguiram rápido, primeiro para o Cristo Redentor, aquela estátua maravilhosa de onde pode avistar-se grande parte da cidade maravilhosa. Várias pessoas e paises diferentes estavam ali aos pés de uma das maravilhas do mundo.

Seguindo para o Pão de Açúcar, uma pequena parada para tomar água de coco e devorar aquele churrasquinho de camarão.

__ Osvandir, o bondinho do Pão de Açúcar é considerado um dos mais seguros do mundo. As atuais linhas são dotadas de dispositivos de segurança, com alarme em todos os pontos. O percurso é todo programado e controlado por equipamento eletrônico.
__ Sei disso Osvaldir, são três estações – a da Praia Vermelha, Morro da Urca e Pão de Açúcar – interligadas por quatro bondinhos.
__ Você vai subir comigo?
__ Não! Tenho medo de altura!

Enquanto nosso amigo subiu da Urca até o Pão de Açúcar o Osvaldir ficou por ali, batendo papo com turista e se metendo em confusão.

Do bondinho podia-se ver a Praia Vermelha e adjacências.

De volta para o hotel, Osvandir resolveu ler os jornais do dia.
Pegou o Estadão e a primeira manchete que viu foi a seguinte:

Globo pode encerrar programa “Faça Sua História”

A seguir tecia uns comentários sobre a audiência do programa que não ia bem, não atingindo nem 20 pontos no Ibope.

Faça Sua História” é o programa do taxista Osvaldir, estreado em 06 de abril de 2008, na Rede Globo de Televisão.

(Continua)Manoel

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

FONTES PESQUISAS AMAZONAS

FONTES: OSVANDIR NO AMAZONAS

www.noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2230155-EI8139,00.html

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070618125023AAG7lPi

http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?

www.funai.gov.br/indios/conteudo.htm - 40k

www.brasilcult.pro.br/indios/tribos02.htm - 6k

http://portalamazonia.globo.com/artigo_amazonia_az.php?idAz=470 - 34k -

http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/internacional/2005/03/11/jorint20050311005.html

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070618125023AAG7lPi

http://www.agenciaamazonia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=282&Itemid=112

http://www.pstu.org.br/jornal_materia.asp?id=4608&ida=0

http://www.metalica.com.br/pg_dinamica/bin/pg_dinamica.php?id_pag=107

http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=6349

http://merciobasso.blogspot.com/2007/08/vietn-e-o-agente-laranja-danos.html

www.viafanzine.jor.br/ufovia

http://www.acasicos.com.br/html/verdade.htm

www.raceandhistory.com/historicalviews/ancientamerica.htm

http://www.amazonia.com.br/folclore/lenda_amazonas.asp

http://www.viafanzine.jor.br/

Alberto Cruz
Fábio Bettinassi
João Américo Peret
Marleno de Paula Moura
Pepe Chaves

Livro:
"Grandes Enigmas da Humanidade" (págs 96-100), Editora Vozes - Luiz C. Lisboa e Roberto P. Andrade

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

OSVANDIR NAS OLIMPÍADAS

OSVANDIR NAS OLIMPÍADAS INDÍGENAS
Capítulo I
“O NINHO”

Terminada a fase da busca pela base secreta, Osvandir chegou nas aldeias de seus amigos, os Katumãs e os Piatãs, índios louros, os primeiros e negros os últimos, onde foi saudado pelos chefes. Eles estavam na maior festa do ano: “As Olimpíadas Indígenas”.

Um estádio foi feito às pressas, para abrigar os torcedores dos jogos. Para construir aquela obra o arquiteto baseou-se no ninho de anu, pássaro preto, que vive a beira dos brejos, voando sempre em bandos. Botam até trinta ovos em cada ninho, depois ficam naquela cantoria danada para chocá-los; o tempo todo.

A construção foi toda trançada por madeira roliça e também por bambu. Cerca de trezentas pessoas poderiam assistir aos jogos, sentados. As arquibancadas não eram lá grandes coisas, mas dava para “quebrar o galho”, como dizia o “Anta”.

Várias modalidades de esportes estavam programados para aquele dia e nos seguintes. Havia começado no dia 08.08.2008, às 8 horas e 8 minutos, exatamente como programado, sem nenhum atraso.

A festa de abertura deixou todo mundo de queixo caído. Os caciques fizeram uma reunião e conseguiram alguns “reais” para compra de foguetes de lágrimas, busca-pés, sem contar as bombas cabeça de negro (sem racismo), espanta-coiós, traques e outros fogos, na maioria desconhecidos dos índios.

Vários representantes de aldeias indígenas de Mato Grosso, Goiás, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão estavam ali participando dos jogos.

A imprensa estava num local especial, com cobertura de folhas de palmeiras buriti, comendo deliciosas frutas da região como: açaí, cupuaçu, manga, castanhas, maná cubiu, graviola e uma infinidade de cocos e outras frutas miúdas, sem faltar o saboroso ananás. Algumas como nomes muito estranhos, outras de um maravilhoso colorido e algumas muito azedas. O cheiro podia ser percebido à distância.

Neste festival de saúde também figurava umas pimentas bem vermelhinhas, para sacanear os menos avisados. Noutra mesa os sucos já preparados, onde se destacava o guaraná.

Naquele momento os índios estavam jogando uma espécie de basquete, mas a cesta era uma enorme argola de ferro ou madeira, instalada num paredão de pedra de cerca de 5 metros de altura. A argola ficava numa posição tal que o indivíduo poderia jogar a bola e esta passaria por ela, marcando assim os pontos. Mas não era em queda livre como no basquete que conhecemos. A bola era de borracha pura, interiça, e quando atirada ela atravessava o aro na direção norte/sul indo cair lá longe, próximo dos outros jogadores. Alguns subiam um pouco nas paredes, com um salto. Era muito divertido, porque a maioria caía. O público delirava.

Após este jogo, as crianças vinham todas correndo, na tradicional corrida de São Sumé, uma espécie de São Sivestre mirim. Era curumim esparramado por todos os lados.

Osvandir acabou dando algumas idéias para os organizadores do evento, o que tornou algumas partidas mais interessantes. Por exemplo: lembrou de sua infância, lá em Goiás, disse aos colegas índios que buscassem no mato vários paus, bem roliços e sem galhos, de mais ou menos 3 a 4 metros. Descascaram a madeira e untaram com gordura de capivara, deixando ali no sol até a tardinha.

Colocaram os paus nuns buracos, socaram bem a terra. No topo de cada um havia algum agrado ou umas espécies de bijuterias baratas. Até um arco foi colocado naquele maior e central.
As crianças tentavam subir naquele pau-de-sebo, mas não era fácil. Quando pensavam que já haviam conquistado o prêmio, escorregavam lá de cima e caíam na areia. Muitas gargalhadas e alguns até ofereciam mais prêmios para os indiozinhos, hábeis em subirem em coqueiro, mas ali tudo era diferente. Eles não passavam de dois metros do chão.

No meio de tantas brincadeiras, algumas mulheres também tentaram e caíram mais rápido ainda.

Foi quando apareceu um indiozinho magricela, olhos fundos, calção azul, até parecia que era filho do “Unhudo”, começou a subir no primeiro pau, no segundo, no terceiro e no quarto. Ganhou quase todos, só não pegou o prêmio do quinto pau-de-sebo porque um deles já havia retirado o brinde.

Todos os demais foram se achegando, queriam saber o segredo de tanta desenvoltura na subida daquele pau escorregadio. Ele não queria contar com medo de perder os prêmios. Todos os organizadores disseram que poderia contar, não iria perder nada, tudo era diversão!
Aí ele enfiou as mãozinhas nos bolsos do calção e mostrou que estavam cheias de areia e numa pontinha do bolso havia um furinho de maneira que quando ele avançava mais areia caía entre seus pezinhos. Eis o segredo: a areia impedia que ele escorregasse pau abaixo.

Todos riram, acharam muito engraçado. A esperteza do indiozinho foi aplaudida por todos. Osvandir enfiou a mão no bolso e entregou-lhe um canivete suíço! O presente foi guardado com muito carinho.

Lucida numa abraço aperto, aprovou aquela brilhante idéia de Osvandir.
As Olimpíadas Indígenas ainda tinha muito a mostrar!

(Continua...)
Manoel