quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES

JOSINO E A ÁGUA FRIA
Parte III

"Existe apenas um momento exato para ir pescar, e esse momento é sempre que você puder." (Diron Talbert)

Aquele dia ele não estava bem, falou para todo mundo que não ia voltar mais para casa.
A briga foi feia com seu irmão mais velho, tudo por causa de dinheiro emprestado. Ele pescava muito, mas quando trabalhava, guardava o dinheiro, era muito econômico, não gastava com qualquer coisa.

Pegou um pedaço de corda, a rede de dormir, a espingarda velha, a barraca, varas de pescaria, biscoitos fritos e alguns pedaços de bolo de fubá. Foi ao quintal, cavou próximo a uma bananeira, onde estava mais úmido, conseguiu umas minhocas boas. Colocou-as numa lata de óleo vazia, com uma alça de arame, cobriu-as com um pouco de terra e seguiu para a beira do rio.

Caminhou tristonho por um quilômetro, voltou a ficar alegre quando viu um joão-de-barro construindo sua casinha num galho de uma mangueira.

No milharal, já em ponto de colheita, viu um revoada de pássaros, pensou tratar-se de pombos, na realidade eram as trocais que se alimentavam de milho.

Próximo do arrozal, em vôo baixo, um bando de aves agitava o local. Rolinhas, melros, tico-ticos, pássaros-pretos, tizius, papa-capins, canarinhos e até pardais estavam ali, comendo arroz ou outras sementes de capim.

Josino era cabeçudo, quando dizia que iria sumir, estava com a intenção de ficar alguns dias por ali. Chegou ao rio, não quis pescar de imediato, apesar dos peixes estarem pulando de um lado para o outro na água.

Deixou a sacola com os biscoitos e a lata de iscas dependurados num galho, as varas jogou-as em qualquer lugar.

Pegou a barraca e armou-a num local bem plano, subiu numa árvore de ingá, que crescia na beira do barranco, cortou um galho que se estendia sobre as águas e colocou uma ponta da rede nele. Procurou uma árvore mais próxima e com um nó de escoteiro, caprichado, amarrou a outra ponta.

Tudo pronto, pensou logo em tirar uma soneca. Acontece que não contava com os truques do destino que às vezes pode mudar tudo.

Uma luz forte apareceu sobre as árvores, uns pássaros denominados naquela região de anus pretos voaram por todos os lados. Josino se assustou, pisou na velha espingarda que disparou, o tiro partiu a corda da rede e um pesado corpo foi parar na água do rio.

Um grito ecoou por toda vargem e Josino todo molhado resmungou:
__ Se soubesse que a água estava tão fria não tinha armado a rede!

Manoel

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

OSVANDIR E AS HISTÓRIAS DE PESCADORES


Parte I

CHUVA ESTRANHA
"A pesca assemelha-se à poesia: é necessário nascer pescador."(Izaak Walton)

Todo fim de ano Osvandir viaja para o interior de Goiás, sua terra natal.
Ali ainda contam todo tipo de história de pescador, de assombração, de caminhoneiro, de mentiroso e outras mais, afirma ele.

Numa destas rodas, à beira do fogo, um senhor franzino, bigode branco e fino, cerca de sessenta anos, contou uma história complicada.

Diz ele que no povoado de Arranca Toco, no interior do interior, lá bem longe, onde a TV e nem o computador ainda não poluíram a mente de ninguém, existia um teimoso pescador que às vezes ficava horas e horas à beira do rio e não conseguia pescar nada que valesse a pena.

Era nervoso e por pouca coisa estava sempre brigando com a família. Xingava todo mundo, pegava as varas, os anzóis, a lata de iscas e ia pescar.

Quando pescava muito num lugar, o peixe rareava, resolvia mudar de lugar e onde pescava ultimamente, perto da cachoeira Véu de Noiva estava acontecendo isso. Nada de piabas, só mosquitos.

Numa destas idas e vindas ficou sabendo de umas luzes que estavam aparecendo lá para os lados da fazenda Céu Azul, do Senhor Jerônimo. Resolveu ir até aquele local para analisar os fatos.

Naquele dia, apesar das discussões costumeiras, ele saiu cedo, despreocupado, iria fazer uma grande pescaria. Havia chovido a noite e a água estava um pouco turva, boa para certos tipos de peixes que ficam pulando toda hora para abocanhar um inseto ou alguma frutinha que dá na beira do rio.

Pegou uma minhoca bem grande, iscou o anzol, já bem gasto pelas centenas de vezes utilizado e começou a pegar peixes de todos tipos e tamanhos. Alguns que nunca vira naquela região, saiam grudados no anzol.O pescador nem tinha como levar para casa tudo que estava pescando.

Um barulho estranho veio das árvores do outro lado do rio, apesar da calmaria, parecia um redemoinho. Uma chuva de peixes caiu do céu, depois de uma ventania forte, que tombou várias árvores e formou um misterioso círculo no canavial mais próximo.

Josino, o insistente pescador, descobriu logo porque tinha tanto peixe no rio e alguns que nunca tinha visto.

No meio da estrada ficou cheio de peixes de todos tamanhos, pegou alguns e ia colocando na sacola mas notou que nenhum deles se mexia. Olhou melhor e pode constatar que estavam mortos há um bom tempo.

Não entendeu nada, voltou ao local do poço onde pescava e colocou na sacola somente os estavam vivos.

De volta para o povoado contou para a turma o que aconteceu e ninguém acreditou.

Quando saiu, seguindo para sua casa, alguém falou:
__ Isso é história de pescador!

Parte II
O PODER DAS ÁGUAS

"Existe uma tênue diferença entre pescar e ficar na margem, em pé como um idiota." (Abraham Lincoln)

Josino, o nervoso pescador, depois de mais uma desavença em casa, mesmo tendo chovido muito a noite inteira, resolveu ir pescar que era a coisa que entendia muito bem. Cada peixe um tipo de isca, anzol apropriado e vara certa. Tem até peixe que nem se pega com anzol.

Desta vez ele ficou só observando o rio, a enchente tomava conta de todo o espaço do terreno. Muitos objetos da cidade mais próxima estavam descendo rio abaixo: sofás, colchões, geladeiras, fogões. Muitos animais domésticos também lutavam contra as águas.

No povoado de Pedra Grande “Seo” Souza bebia o último gole de pinga num boteco de fim de rua, sempre acompanhado de seu inseparável cavalo de nome Gigante, apesar de ser pequeno.

O Senhor Quim, conhecedor da região, insistiu para que Souza não prosseguisse viagem, poderia até ficar em sua casa naquela noite.

Teimoso, o cavaleiro bêbado, seguiu para a beira do rio, onde ficava sua fazenda lá do outro lado.

Ao aproximar-se das águas o velho animal empacou. Com espora no lombo nadou cerca de cem metros, foi levado pela correnteza, rio abaixo. Nadou para beira de um barranco onde um galho de uma frondosa árvore arrancou o cavaleiro dos arreios do “poderoso” Gigante. O cavalo seguiu rodando, com o poder das águas.

Josino olhou para o lado direito e viu um animal arreado, que conhecia muito bem, debatendo-se no meio da enchente.

Resolveu largar a pescaria e seguiu rio acima. Não tinha esperança de encontrar o Senhor Souza, vivo.

Andou quinhentos metros no meio de barro, mato, canavial e na curva do rio vislumbrou uma árvore grande com qualquer coisa na copa.

Era gozado e trágico ao mesmo tempo, Souza lá estava num galho da árvore, imaginando estar montado em seu cavalo, mais parecia o D. Quixote do sertão.

Josino lembrou que quando subia notou uma corda dependurada numa galhada, voltou lá e com um pouco de astúcia conseguiu retirá-la da árvore. Enrolou-a de maneira que ficasse mais fácil o transporte e voltou correndo para onde se encontrava o cavaleiro perdido, que lutava contra as águas.

Amarrou um pedaço de pau curto e grosso na ponta da corda e jogou-a para o lado da árvore. A primeira tentativa não deu resultado, quase perdeu-a. Entrou mais um pouco na água e atirou novamente mirando bem o centro da copa da árvore. Deu sorte, o pau enroscou-se num dos galhos da árvore.

Josino gritou para Souza amarrar bem a ponta da corda em algum ponto mais resistente. Daí a pouco vinha aquele velho homem debatendo-se na água, a sua amarração não ficou bem feita, o nó soltou-se; acontece que o pescador, precavido, havia amarrado a outra ponta num velho toco no meio do mato.

São e salvo, Souza chegou ao povoado em companhia do pescador Josino e foi logo convidando todos para tomar uma rodada de pinga.

Quando contou o que aconteceu e Souza ali confirmando, alguém do meio da turma disse:
__ Isso que é verdadeira história de pescador!

Manoel

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Lançamento E-book

AS AVENTURAS DO OSVANDIR





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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

OSVANDIR E O VENDEDOR DE ADUBOS

"A terra se esgota para te alimentar, mas adubada, se refaz." (Lucrécio)

O velhinho, de repente, resolveu vender adubo. Comprou uma carreta cheia e mandou descarregar no seu quintal, num velho galpão.

Todos fazendeiros da região ficaram sabendo da história do adubo, o preço era baixo e a qualidade muito boa.

Alguns até acharam engraçado a idéia do Senhor Antônio; vender adubo, que coisa mais estranha.

Não passou nenhum mês e lá estava o inusitado vendedor de adubo novamente com mais uma carreta na porta, para descarregar. As vendas estavam indo de vento em popa!

Senhor Antônio estava bem feliz, o povo estava comprando só ali. Sua esposa falecera há alguns meses antes dele instalar o depósito de adubo.

Uma jovenzinha de uns 18 anos, olhos verdes claros, cabelos louros, um pouco encaracolados, estava trabalhando na lida da casa, sem nenhum comprometimento amoroso com o patrão, que era muito respeitoso.

Alguns meses se passaram e tudo ia tranqüilo, quando o velho vendedor de adubo sofreu um ataque cardíaco e faleceu.

Belinha, a empregada, ficou sem saber o que fazer. Chamou o vizinho que tomou as providências funerárias. Foi um enterro com muitas pessoas, o maior que já viram na localidade.

Até arranjar outro emprego, ela ficou ali naquela casa. No dia seguinte foi ao porão pegar alguns produtos de limpeza e assustou-se com aquela grande máquina, aí lembrou do barulho que ouvia diariamente.

Um advogado apareceu na casa pedindo informações para o inventário, mas Belinha não ajudou muito, apenas mostrou os documentos.

Osvandir, passando por aquela cidade, tomou conhecimento da história do velhinho, vendedor de adubos.

Nesse meio tempo a empregada recebeu a notícia que havia um depósito de três milhões de reais, em seu nome, no banco da cidade. Como não tinha a menor idéia da quantia, perguntou para o professor Marcos, que lecionava matemática no colégio, se aquele valor dava para comprar uma casinha, ele respondeu que dava para comprar uma rua inteira do bairro.

Belinha não resistiu a grande emoção e também faleceu.

Osvandir ficou desconfiado que o adubo estava servindo para ocultar alguma coisa. Fez logo um levantamento na casa inteira. Começou pela parte superior da casa, não encontrou nada de importância. Desceu para o porão e viu a máquina que a empregada havia mencionado. Alguns sacos de adubos abertos, uns dez fechados e três tambores de metal com capacidade para cem litros cada.

A máquina era um triturador. Os tambores estavam queimados na parte interna. Os sacos de adubo abertos, continham apenas a metade, parece que esperavam alguma mistura.

Na manhã seguinte um fazendeiro, cliente do Senhor Antônio, chegou na casa procurando o Osvandir. Encontrara um pedaço de nota de cem reais, lá na sua roça de feijão, na beira do rio, na sua Fazenda do Morro Redondo.

Declarara ainda que o adubo de “seu” Antônio era de uma cor esverdeada, diferente dos demais.

Mediante tais informações Osvandir verificou melhor o triturador e os tambores. Encontrou pequenos pedaços de papéis verdes, quem ampliados, pareciam ser dinheiro.

Procurou a Caixa Econômica da cidade e confirmou: era mesmo dinheiro e a maioria de notas de cem reais. Descobriu mais um fato novo ao conversar com o gerente. O Senhor Antônio era um dos ganhadores do grande prêmio da mega-sena, mas ninguém na cidade sabia disso.

Consultando os extratos das contas, tomaram conhecimento que ele vinha fazendo saques semanalmente e no dia em que faleceu a conta estava zerada.

O único valor que restara seria o da conta da empregada Belinha. Fizeram a consulta, através de seu advogado, tiveram uma grande surpresa. No dia de seu falecimento o dinheiro de sua conta, desaparecera misteriosamente. Contam na cidade que foi obra de um hacker.

Finalmente Osvandir descobriu o segredo do Vendedor de Adubo. Ele estava triturando todo o dinheiro que ganhara na loteria e misturando ao adubo que vendia. Uma nova maneira de gastar dinheiro!

Manoel

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

OSVANDIR ENTREVISTA OBAMA

OSVANDIR ENTREVISTA OBAMA

Nesta terça-feira Osvandir acordou em Grant Park de Chicago, onde realizaria a festa comemorativa da vitória de Barack Obama।

Ele viajara aos EUA para fazer uma entrevista com Obama, para o Jornal Via Fanzine, de Itaúna, mas no meio daquele tumulto no fim das eleições americanas, o eleito recomendou ao entrevistador que voltasse no dia seguinte para um bate papo.

Nesta quarta-feira, a primeira dama Michelle Obama, ao lado do presidente eleito lá estavam esperando o Osvandir para uma rápida entrevista.

As perguntas foram formuladas e logo ele disparava nas respostas, mais rápido que um raio. Estava com pressa, queria sair para comemorar a grande vitória.

Um livro: As Aventuras do Osvandir.

Uma música: Adoro todo tipo de música, até a brasileira.

Viagem Inesquecível: Ao Iraque.

Próximo destino: Casa Branca.

Time: Não tenho time (tempo).

Nome na Política: Mac Clain.

Ídolo: Jesus Cristo.

Uma bebida: Rum.

Prato Preferido: Operação Prato.

Ponto do País que mais gosta: Nova York.

Maior qualidade: Sabedoria.

Maior defeito: Inveja.

Ufos, ET’s: Eu queria acreditar!

Frase: Nunca tantos mentiram tanto na política।

Agradecendo e despedindo-se Osvandir foi logo pensando naquelas sábias palavras do Presidente Kennedy: “não pergunte o que o seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pelo seu país”।

terça-feira, 4 de novembro de 2008

OSVANDIR E AS BOLAS DE FOGO

“Este mundo é uma bosta!” Mensagem recebida por Zé do Mato


Ele ficava até altas horas da noite olhando para o céu...
Um dia viu uma bola de fogo vindo por detrás da serra, até perto da matinha, quando explodiu e partiu em vários pedaços luminosos.

Zé ficou extasiado com aquilo tudo. Procurou por toda a região, nada encontrou, a não ser cinco pequenas pedras pretas e duras, cada uma num ponto diferente do pasto.

A vegetação do local ficou um pouco queimada e pequenos buracos, de cerca de um palmo, foram vistos pelo local.

Os fazendeiros próximos da Serra do Segredo contaram que na noite anterior viram uma bola de fogo cruzar o espaço, deixando um rastro luminoso para trás.

O Senhor Antonio carroceiro foi o primeiro a falar:
__ Nunca vi uma coisa igual, uma bola do tamanho de uma abóbora grande, com muita luz...

O Quim catireiro completou:
__Parecia um sol andando rápido e baixinho...

Dona Maria do Córrego Fundo foi quem mais se aproximou da verdade:
__Era como se fosse um cometa, só que estava sobre as árvores, largou um rastro de purpurina para trás, caiu lá perto da casa do Zé.

Era um simples meteorito, dizem que caem aos milhões pela terra durante o ano, mas ali, aquilo soava meio estranho.

Zé até parou de beber. Falava e escrevia coisas estranhas que estavam além de sua compreensão. Física, química, astronomia e outras ciências estavam todas lá nos papéis que anotava diariamente.

A igreja foi chamada a dar a sua opinião, mas omitiu-se. Ufólogos de todas as crenças se dirigiam a cidade. Até romaria já estavam sendo planejadas. O comércio da cidade estava vendendo muito, um fenômeno comercial para aquele lugarejo perdido no meio de uma planície.

Muitas visitas estavam aparecendo no lugar. Foi aí que alguém contatou o Osvandir.

Nesse meio tempo, um fato misterioso estava acontecendo, toda noite, na cidade de Queimada, onde Zé morava. Os orelhões telefônicos amanheciam todos pintados de bosta, um fedor insuportável.

Depois foram os bancos da pracinha que amanheceram cobertos de fezes.

Na manhã seguinte a porta da Prefeitura tinha uma cruz de cocô verde.

A Câmara Municipal foi totalmente bloqueada por um carrinho de estrume.

Na pracinha da igreja, com um coreto no meio, apareceu merda por todo lado.

Nem os bancos propriamente ditos, foram perdoados; várias notas de um real, devidamente preparadas e enfiadas debaixo das portas de vidro. Um carnição ficou no ar, espantando toda a clientela durante o dia.

Ninguém ficou sabendo de onde apareceu tanta sujeira. Seria obra do Demo?

A polícia investiga daqui, olha dali e pelas conclusões do brilhante Delegado foram chegar à casa do Zé.

Interrogou-o como de praxe, mas nada ficou resolvido. O Zé não sabia de coisa alguma.

Foi aí que Osvandir viu sobre a mesa do quarto as cinco pedras pretas que diziam ser “pedras do raio” e perguntou:
__ Porque você guarda as pedras aqui no seu quarto, Zé?
__ Você não sabe? É por elas que recebo as mensagens!
__ E as sujeiras na cidade? Você tem alguma coisa haver com isso?
__ Não conte pra ninguém não, mas são as mensagens que os Et’s estão enviando para todos. Que cada um interprete à sua maneira!
Osvandir saiu de lá meio encabulado e a partir daí não apareceu mais nada de estranho naquela cidade. Bem... a não ser aquele misterioso caso de desaparecimento do pescador Jerimum.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

100 POSTAGENS

Chegamos ao número cem! É sinal que vamos bem! Amanhã nova história para todos vocês!
No fundo a capa do livro "As Aventuras do Osvandir", lançamento programado para 12/12/2008. A partir de Dezembro, vendas também pela internet em formato de e-book.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

OSVANDIR E O TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

Capítulo II

O NAVIO MISTERIOSO

"Alguns relatórios dizem que até 100 navios e aviões desapareceram na área, com mais de mil vidas perdidas. .” Lee Ann Obringer


Osvandir, munido de celular com “pen-drive” para gravação de voz e lanterna impermeável de duas pilhas, foi o primeiro a subir pela corda até à amurada do grande navio. Outros três tripulantes o seguiram, portando celulares e lanternas impermeáveis. Era necessário ser alpinista, ter muita força nos bíceps para galgar uma altura de cerca de 10 m.
Colocaram uma das pernas por cima da amurada e passaram para o convés, muito sujo e liso. Com dificuldade conseguiram segurar-se na amurada. O nevoeiro encobria a visão a uma distância maior que uns 10 m.

O piso de madeira era muito liso e sujo necessitando cuidado para não escorregar. Só se ouvia as ondas se chocarem contra o casco. Havia um silêncio de cemitério.
O que poderiam esperar ver, eram apenas ossadas humanas. Caminharam em direção à Ponte de Comando, que ficava na extremidade da popa. Os porões se estendiam desde aí até à proa da embarcação.

Por uma escada muito enferrujada, mas ainda forte, desceram em direção á proa onde estavam os porões. Não havia ninguém lá. O que era metálico estava muito estragado.Desceram e dirigiram-se ao porão por uma portinhola que saia da Ponte de Comando. Desceram como medo que os degraus quebrassem. Um terrível cheiro de mofo contagiava o ar. Não havia nenhum mau cheiro de organismo morto. Lá estava tudo morto.

Tiveram acesso a um porão muito abaixo da linha d’água e o que viram lá foram apenas aparelhos sanitários de louça, como pias, bidês, vasos sanitários, ainda embalados em tiras de madeira que por ser de boa qualidade haviam resistido ao tempo e umidade.

Na escuridão reinante, com o local sendo iluminado apenas com as lanternas que trouxeram na cintura, chegaram ao outro porão, depois de algum tempo. Havia uma quantidade enorme de bombas hidráulicas elétricas, também embaladas em tiras de madeira.

O cargueiro era muito comprido, podendo ter quase uns cem metros. O terceiro porão continha um infinidade de canos de plástico para serviço hidráulico. Parece que era um carregamento de peças para infra-estrutura sanitária.

Subiram por escadas de ferro a um nível mais alto que os porões. Lá depararam com um alojamento para dormitório com vários beliches desarrumados.Um refeitório com restos ressecados de alimentos, com talheres e pratos na mesa, como se a tripulação houvesse abandonado o recinto, às pressas. Logo a seguir estava a cozinha, também parece haver sido abandonada repentinamente pelos cozinheiros e serviçais.

O silencio reinava entre os quatro visitantes, que nada diziam, mas pensavam, e parece que o que pensavam eram as coisas piores possíveis.No fim da cozinha depararam-se com um esqueleto pequeno, de osso finos e longos. Um corpo pequeno tinha o crânio descarnado. Era triangular e grande.

Tinha órbitas ovais, mandíbula pequena e pequenos dentes. Tórax estreito, com uma faca de cozinha, comprida e enferrujada, enfiada entre as costelas. Também possuía a bacia estreita. Ossos dos braços e pernas eram longos e finos.

Viram o segundo esqueleto. Ossos carbonizados, do tamanho médio de um homem, deitado no solo em frente ao pequeno esqueleto esfaqueado. A visão deixou os quatro exploradores calados e perplexos pela visão inconcebível pela razão natural de verem as coisas corriqueiras da vida.
Osvandir parou, tentou ligar-se com o comandante John, mas o celular não funcionou. Usou o celular com pen-drive para gravar os restante da operação, uma vez que já havia feito as gravações dos parcos acontecimento da viagem até aquele local.

Ele emitiu suas opiniões pessoais sobre os fatos presenciados, mas guardou as informações para enviar pelo Fax de Miami, em forma codificada, para o CUB. Quando daria por terminada sua missão de pesquisa.A um gesto de Osvandir os três tripulantes o seguiram e em fila, segurando-se à corda do gancho, desceram já sem maiores dificuldades para bordo do “Alice”.

Imediatamente o capitão perguntou pela não comunicação do Osvandir com ele. Osvandir respondeu que os celulares não funcionavam no interior do navio. Diante dos fatos, o capitão não se admirou do fato. O que assistiu nunca mais esqueceria.

Osvandir e os tripulantes fizeram planos para rebocar aquele imenso navio para a respectiva posse.A grande névoa foi dissipando-se e todos verificaram que o cargueiro havia desaparecido, sem mergulhar no oceano. Ninguém tocou naquele assunto para não ser mentiroso. Estabeleceu-se entre eles a “lei do silêncio”.

O reboque do navio foi impossível e essa esperada fonte de renda esfumou-se como o cargueiro. Os planos para aplicar o dinheiro ficou apenas no sonho.Osvandir e os tripulantes descansaram, tomaram um banho frio e trocaram as roupas suadas por causa do grande calor existente no interior do grande cargueiro. Alimentaram-se bem, com a ração-fria e empreenderam a viagem de volta para Miami, onde o capitão e os tripulantes receberiam a metade da gorda remuneração já adrede cominada.

Na volta gastaram 35 dias, com as ondas encapeladas empurrando o barco, de leste para oeste. A embarcação elevava a proa e em seguida mergulhava para a água, para logo subir até à crista das ondas. O rebocador media uns vinte metros, mas era uma embarcação pesada, por causa dos apetrechos que ela conduzia, visando situações de emergência inesperadas.

Finalmente na manhã do dia 31 de março de 2007, o “Alice” aportou no píer de Miami. Osvandir dirigiu-se ao centro comercial daquele porto e no interior do Banco do Brasil em Miami finalizou o pagamento dos prestativos ajudantes.

Em uma agência de Xerox e emissão de Fax codificado para o CUB, Osvandir escreveu:”Encontramos o cargueiro Milton Artrides com carga de material sanitário intacta, mas havia somente um esqueleto pequeno como o de um Grey esfaqueado com faca comprida, de cozinha, por um homem que estava com esqueleto calcinado. Sei que houve desaparecimento de aviões até 1976.

Conclusão – Minha opinião que os Greys, a raça desonesta no que respeita a abduções. Suponho que os greys podem estar em estado de extinção e estão abduzindo humanos para formarem seres híbridos ou usarem órgãos para transplantes. As fêmeas deles podem estar fora da função natural de procriar. Roubam sêmem e óvulos. Pelo que eu observei esta deve ter sido uma das últimas visitas de greys, utilizando um portão comum de comunicação entre Portais Dimensionais. Devem ter fechado este Portal alarmados com o assassinato de um dos elementos de sua raça. A teoria das bolhas de Metanol, deve ser apenas uma das teorias, ou o Metano acabou-se.

Osvandir – OO8 Moura/Manoel - 28-10-08 "

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

OSVANDIR E O TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

Capítulo I

O TRIÂNGULO DO DIABO
O mistério do Triângulo provavelmente começou com o primeiro desaparecimento a tomar um bom espaço na mídia, em 1945, quando cinco aviões Avengers da marinha norte-americana desapareceram na área.
Lee Ann Obringer -

O Triângulo das Bermudas, ou Triângulo do Diabo está situada no Oceano Atlântico. É limitado pela Flórida, Ilhas Bermudas e Porto Rico. Muitos navios e aviões desapareceram misteriosamente naquela região.

Só no ano de 1973 a Guarda Costeira dos EUA recebeu cerca de uns 8.000 pedidos de ajuda. Consta que por volta de 40 navios e 15 aviões se desapareceram na referida zona, durante o século XX.

No dia 13 de janeiro de 2007 o Centro de Ufologia Brasileira - CUB – contratou os serviços do Osvandir, agente de uma ONG brasileira, para averiguar por que desde 1976 nenhum avião ou navio haviam desaparecido no Triângulo das Bermudas. Em 1998 um cientista havia concluído que o que produzia os desastres naquele trecho do Atlântico era apenas a presença de Metanol que vinha do fundo do mar, que fazia aviões explodirem.

Ele não explicou porque alguns navios desapareciam por um lapso de tempo, mas depois eram encontrados em outros locais, com toda a carga ou valores, mas não havia tripulação. Outros desapareciam totalmente.

Isso era intrigante, pois o fenômeno não se repetiu após 1976. O CUB escolheu Osvandir por causa de sua longa experiência em pesquisa sobre UFOs e fenômenos paranormais.
Osvandir viajou de avião até a Flórida – EUA, de onde partiria rumo ao centro do Triângulo do Diabo, onde desaparecera a maioria das aeronaves e navios cargueiros ou petroleiros.

Em Miami alugou um rebocador de dois motores, o "Alice" que tinha como comandante John Smith que falava espanhol e um pouco de português. A tripulação composta por cinco homens que também falavam espanhol e português, por causa do convívio deles com sul-americanos.

A viagem poderia demorar mais de um mês por causa da grande área a ser varrida, mesmo dispondo de radar e sonar, para ouvir o fundo do oceano. A finalidade do rebocador entre a causa principal, que já era sabida por toda a tripulação era também a de rebocar alguma embarcação que estivesse à deriva no oceano, que já pertenceria a quem a rebocasse, pelas Leis Internacionais de Navegação.

Havia bastante combustível (diesel) e ração fria, bem como uma grande reserva de água potável.Alice partiu rumo às ilhas Bermudas para cumprir a missão que Osvandir tinha pela frente. Empiricamente percorreria uma distância de 300 km, até à Ilhas Bermudas, a uma velocidade média de 60 nós, que duraria cerca de 50 dias.

Ás vezes enfrentando um mar revolto ou períodos de calmaria. Um dos tripulantes era encarregado da observação com binóculos normais durante o dia e de visão noturna à noite.
Às vezes ele era auxiliado por outro tripulante na observação do horizonte, para que nada escapasse.Ao pôr do Sol do 40º. dia, 23 de fevereiro, a bombordo surgiu uma neblina sobre o oceano que ia até uma grande altura. O Radar de bordo não acusou nenhum objeto.

O capitão John colocou a proa da embarcação rumo à bruma, que estava ao norte e aumentou a velocidade.O vento estava soprando do leste p/oeste, que encrespava as ondas para o estibordo de forma que o barco balançava muito, lateralmente.

Depois de quase uma hora de viagem em direção à névoa o capitão fez tocar a sirene do barco para ser ouvido por quem estivesse por trás do nevoeiro. Não houve resposta, mas de repente uma forma gigantesca surgiu à frente do rebocador.

O comandante girou o barco para bombordo para evitar chocar-se no casco negro do imenso navio que estava parado no nevoeiro.Navegou lentamente ao redor do que aparentava ser um navio cargueiro de grande comprimento. Quando ele chegou próximo à popa da grande embarcação ele viu o nome.

Milton Artrides era o nome que quase não se podia ler na popa do imenso cargueiro. As letras em branco estavam bastante desbotadas, com muita ferrugem por baixo, mas o nome escrito era grande e ainda dava para ler com dificuldade.Osvandir conseguir decifrar o nome por ser um nome português. A imaginação completava a letra e todo o nome.

Ele havia lido sobre navios e aviões desaparecidos naquela região. Por isso ele esta ali pesquisando. Lembrou-se que aquele cargueiro estava desaparecido desde março de 1973.

Um outro navio, o Anita, cargueiro alemão, de 20.000 toneladas e uns 30 tripulantes, também havia desaparecido na mesma época, na mesma região, mas a imprensa informou que ele já havia sido localizado, sem a tripulação.Osvandir não se lembrou aonde este navio teria sido encontrado. O fato é que agora estavam diante de um navio velho desaparecido em 1973.

Toda a tripulação ficou paralisada contemplando aquele achado inesperado, misterioso e inexplicável. O rebocador deu a volta ao redor do navio e novamente viram o mesmo nome escrito na proa, com letras brancas e grandes, gastas pela ferrugem.

A corrente da âncora estava esticada para a água. O navio estava fundeado no meio do oceano, preso no leito pela âncora. A estibordo do cargueiro havia uma escada de ferro bastante enferrujada, em paralelo com o casco. Seus degraus não deveriam mais, merecer confiança.

Um tripulante tomou de um cabo grosso contendo quatro ganchos soldados em um mesmo eixo, na outra extremidade. Segurando o cabo com a mão esquerda e girando com sua mão direita um raio de corda de uns 2 m, após uma grande velocidade angular feita pelo gancho ele soltou a corda, pela tangente e gancho quádruplo passou por cima da amurada do cargueiro. Estava feita a preparação para a abordagem.

Esse dispositivo serviu para que Osvandir e os tripulantes aproximarem-se do casco do navio. Amarraram uma ponta da corta no rebocador e imitando alpinistas, subiram com dificuldade pela corta esticada até chegar à amurada do navio.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

OSVANDIR NO AMAZONAS II

Capítulo III
CANDIRUS

"É um peixinho transparente e chega a ser invisível dentro d'água. Tanto os nativos como os banhistas têm grande temor ao candiru, porque - atraído pela urina e pelo sangue - ele nada e penetra em qualquer orifício corporal (vagina, pênis ou ânus).”
www.folhadomeio.com.br


Jorge, um dos olheiros, imediatamente compreendeu que estava havendo um ataque de Candirus, pequenos peixes que sobem pela urina, penetram na uretra e se alojam na bexiga. Nesse caso só com cirurgias em hospitais podiam reparar esses danos.

O olheiro soube logo que esta era uma grande “baixa” na força invasora. Quase todos os rios da região na descida da serra Cuano-Cuano, eram infestados por esses minúsculos peixes malvados. Se você pegava um na sua mão, logo ele procurava uma brecha entre seus dedos para se infiltrar.

Jorge, um caboclo, calculou que outros tantos soldados também estariam banhando-se no mesmo rio, pois a tropa vinha em linha ampla e poderia estacionar na margem do mesmo rio.

Havia muito calor dentro dos uniformes pesados. Principalmente nas cabeças, onde havia três coberturas. A temperatura era quase fria, mas ela não atravessava os uniformes. Os soldados invasores deveriam estar sentindo muito calor.

Os militares atacados pelos peixinhos foram deixados no chão úmido e folhoso, pelos enfermeiros. Não havia nada a fazer. Logo as formigas foram tomando contas daqueles corpos. Os soldados estavam fora de ação para sempre.

Por causa dos informes de Felipe e Jorge, todos os outros olheiros procuraram aproximar-se mais da tropa americana, pela retaguarda.

Osvandir ordenou que os nove agentes que haviam ido para Paracaíma fossem deslocados para a retaguarda da tropa invasora. Por isso, já estavam viajando para trás da retaguarda invasora, na serra Cuano-Cuano, em veículos 4x4, pois a distância era muito grande.

Da Reserva Raposa para a Serra do Sol havia uma distância de uns 100 km de terreno aberto, consistindo de savanas e campos, porém cheio de ondulações. Teriam que atravessar por uma ponte, o Rio Branco que corta Roraima de Norte a Sul, dividindo a Terra Indígena. Depois de umas quatro horas de viagem, conseguiram alcançar Serra do Sol pela parte norte e descer a pé, pela serra Cuano-Cuano, um lado da formação da tropa americana que estava posicionada em linha, nas proximidades de Uiramutã.

Usavam binóculos e celulares para gravarem, verbalmente as informações sobre o que viam. Estes “olheiros” foram caminhando, paralelamente por trás das linhas invasoras, procurando manter mais ou menos, um km de distância entre eles e a linha inimiga.

Essa distância era coberta pelos HT e as palavras eram gravadas nos celulares. Esperaram o anoitecer para se aproximarem mais e ver o que acontecia durante as refeições individuais da tropa, ao redor das 19 horas. Os militares usavam “ração-fria”, individual.

Os informantes não possuíam binóculos de visão noturna, como o Osvandir, que chegou com uma maleta contendo vários utilitários eletrônicos e sua pistola CZ – 27 – calibre 7,65 mm.

Depois do jantar individual, a maioria ingeriu o resto de água do cantil, possivelmente com água clorada, para evitar micro-organismos patogênicos. Os militares dormiam em uma barraca para 2 homens. Alguns deles, ninguém sabe quantos, foram picados no rosto por aranhas “armadeiras”, pois tiveram o azar de deitar próximo a uma colônia delas, que se abrigavam sob as raízes das árvores.

Chico, um macuxí, ouviu vários gritos em uma faixa de uns 200 metros, que era a largura abrangida pelo sua audição, do local onde estava abrigado.

A picada da armadeira produz muita dor abdominal, náuseas, edema, sudorese e até parada cárdiorespiratória. Não se sabe qual foi o número de baixa dos invasores, que teriam sido picados no rosto, que era a parte exposta durante o sono.

Esse informe foi transmitido ao agente mais próximo dos 5 km, como fora estabelecido, por causa do alcance dos HT.

Chico informou na manhã seguinte, via HT que mais da metade dos soldados não havia saído das barracas. Eram mais baixas fatais nas forças inimigas.

Não dava para estimar as perdas, por causa da grande extensão da linha de ataque. Como não havia identificação na farda nem nos capacetes, todos pareciam ser soldados, mas alguns deles destacavam-se pelo ato de darem ordem em voz alta.

Muriatá, um macuxi, estando a observar a tropa que estava mais para o lado da Guiana, informou que os militares continuaram acampados nas margens do rio, esperando algo acontecer.

Dos pontos mais altos, os soldados americanos observavam com binóculos a região mais baixa onde estava o município de Uiramutã. Nenhum soldado americano entrou mais no rio. Iam lá, apenas para encher os cantis, depois de observarem demoradamente o local. Talvez com medo dos peixinhos.

Essa informação foi passada pelo HT, ao seu companheiro Karacuí, distante uns cinco km dele. Essas informações em cadeia chegavam até Osvandir que as gravava. Ele já havia percebido que o Comando do 1º. BIS estava enviando tropas para os municípios de Normandia, Paracaíma e Uiramutã, por helicópteros de transporte de tropas. Canhões antiaéreos, transportados, já estavam fora dos muros daquele quartel.

Karacuí, também macuxi, estava distante do companheiro Muriatá, pelo seu lado direito observando os militares.

Quando escureceu, na segunda noite, os militares recolheram-se às barracas onde teriam feito a última refeição do final do dia. Lá pelas 17:30 h, com o Sol se pondo, Karacuí começou a ouvir gritos e gemidos dentro das barracas e pôde ainda ver soldados saltitando, saindo das barracas, com medo de pisarem no chão, ou segurando o rosto, onde estariam sentindo dores.

Inúmeras barracas começaram a ser derrubadas e o mastro do centro era usado como cacete para bater em alguma coisa no solo. Não dava para observar bem porque as barracas estavam armadas nos espaços das raízes, entre as grandes árvores e estava ficando escuro.

Karacuí, que era conhecedor da região, desde criança, logo calculou que fosse um ataque de jararacas pico-de-jaca, de até 3 m de comprimento. Elas atacavam pessoas ou animais, mesmo sem serem molestadas. Naquela parte da selva, seus ninhos estavam sob as raízes das árvores. Ele até se admirou pelo fato delas não haverem atacado os militares, desde a primeira noite em que as barracas foram armadas lá.

Alguns soldados caíram torcendo-se e gemendo no solo, enquanto outros ficaram sobre as raízes proeminentes, pois parecia ser o lugar mais seguro, já que não podiam subir nas árvores por causa da grande circunferência.

Essa informação foi transmitida em cadeia, para Osvandir por meio dos HT.

Karacuí, que não dormiu no restante da noite, mesmo tendo escolhido um local seguro na floresta, ficou observando a movimentação dos invasores. Ele só ouvia gemidos profundos, que aos poucos iam desaparecendo. Poderia haver muitos soldados morrendo na escuridão. Aquilo parecia o Inferno Verde.

Osvandir recebeu um memorando da ONG “Ordem e Progresso”, sediada em Brasília, informando que o Ministério da Defesa não iria esperar por uma invasão aérea ou motorizada.

O Ministério informava que os invasores acampados na serra Cuano-Cuano, entre Uiramutã e a Guiana estavam apenas esperando reforços aéreos para atacarem de uma só vez os municípios que rodeavam o Território Indígena, bem como Boa Vista.

A ONG deu ordem a Osvandir para que ele fizesse a retirada, o mais rápido possível dos “agentes”, pois uma contra-ofensiva já estaria sendo planejada.

Osvandir fez a informação circular entre os “olheiros” que se deslocaram rapidamente para Uiramutã, descendo a serra, por trás da tropa inimiga. Os últimos agentes a chegar, estavam a mais de 20 km de distância, gastando umas 10 horas para chegarem a Boa Vista, por causa da caminhada vagarosa por cima das raízes das grandes árvores.

Osvandir respondeu à ONG, em um Fax criptografado insinuando que aquele local era muito chegado a queimadas. Uma a mais ou a menos seria normal.

O Comando do 1º. BIS, enviou para Uiramutã uma tropa numerosa de Infantaria de Selva, em helicópteros Pantera (H -1) e Esquilos. Os artilheiros conduziam Lança-rojão – M1 – Bazooka, Morteiros Pesados 120 M2 R, para retardar a marcha dos pára-quedistas americanos, bem como uma tropa especial munida de Lança-Chamas.

A Aeronáutica enviou para a região do conflito, 4 aviões Mirage 2000C, conduzindo bombas americanas, de Napalm, pois a idéia era incendiar ao mesmo tempo, uma faixa de 200 m a partir do sopé da montanha, onde se encontrava grande linha de frente inimiga.

Continua...
MOURA/MANOEL

terça-feira, 7 de outubro de 2008

OS ELEITOS

Depois destas eleições as pesquisas estão definitivamente desacreditadas.

Osvandir

Eles batalharam, gastaram sola de sapato. Tomaram café frio e velho, pinga da roça e roeram biscoitos velhos nas feiras.

As fazendas os receberam de braços abertos. O roceiro ou caipira é muito bom de papo, recebe a todos muito bem em suas casas, mas na hora de votar digita os números que já estavam na sua cabeça desde o início.

Houve muita pressão de vários candidatos que agora estão arrependidos, cabeça baixa, perderam a eleição.

Os santinhos, das mais variadas cores e nomes, usaram até os pássaros, animais, apelidos sem pé nem cabeça, outros exóticos mesmo.

Uns prometendo cuidar dos animais, esquecendo-se das criancinhas abandonadas nas ruas.

Outros mais evoluídas apelaram para o meio ambiente, prometendo despoluir o rio, os córregos e lagoas.

Faltaram os brindes, mas sobraram idéias novas.Os cartazes estavam nas mãos nos estacionamentos, nas ruas, nos becos, nas avenidas, em toda parte. Alguns muito criativos.

Muitos cartazes até em bicicletas, rodaram pelas ruas.
Os candidatos estavam bem mais novos nos santinhos do que na realidade, sinal que o Photoshop trabalhou bastante nesta eleição.

Muitos serviram-se do telemarketing, ligando para os pobres eleitores já cançados de bancos oferecendo cartões de créditos, casas de drogados, pinguços, hospitais, tais e tais pedindo dinheiro.

Outros usaram até a internet enviando spans para todos cidadãos.
Alguns mais espertos criaram uma página pessoal ou um blog. Usaram até o orkut.

Os carros de som, enfeitados de cartazes, rodaram pela cidade inteira, anunciando o seu produto, o candidato “X”. D. Mariazinha até achou graça e falou:
-- Eles aparecem por aqui só em época de eleição.

Tudo acabou rápido, no fim do dia. Quem trabalhou bem, ganhou; quem trabalhou mal perdeu.

Os votos em exagero contracenaram com os que receberam poucos votos. Votos de toda parte, muitos candidatos, ficaram admirados, não esperavam tantos. Por incrível que pareça, teve candidato que não recebeu nenhum voto.

O candidato vitorioso foi aquele que trabalhou honestamente, apresentando suas idéias. Nenhum eleitor é burro e nem palhaço!

Manoel

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A VITÓRIA

A VITÓRIA

Quando bateu 17 horas no relógio da matriz, no centro, um silêncio mortal caiu sobre a cidade.

As festas foram adiadas para mais tardes e muitas ficariam para daqui a quatro anos.

O primeiro boletim saiu, ninguém acreditou, ele estava na frente. Muitos pularam freneticamente de alegria. Gritaram, rasgaram as camisas, levantaram ameaçadoramente as bandeiras.

Os votos foram aos poucos sendo vomitados nas tirinhas do equipamento eletrônico. A tristeza começou a aparecer nos rostos de alguns.

Os candidatos a vereadores anotando os votos. Os cabos eleitorais carregando a raiva, a alegria ou a tristeza.

Todos os candidatos com um só pensamento: vencer a eleição!
As pesquisas ficaram totalmente desacreditadas pelo candidato que pretendia vencer, a qualquer custo, as eleições.

O candidato que figurava em segundo lugar foi parar no terceiro. O que estava em terceiro foi para o primeiro lugar. E quem pretendia vencer as eleições caiu para o segundo lugar.

Uma coisa aprendemos com essas eleições: pesquisa verdadeira não adianta nada. Representa apenas um instante. As falsas pesquisas fazem apenas muito mal a população. Quem falou que votaria, não votou. A prisão acabou! A porteira do curral eleitoral foi aberta. O eleitor votou livremente.

Hoje estamos com a alma lavada, novas cores já brilham em nossa cidade. Podemos comemorar com alegria a vitória de nosso candidato!

Manoel
Blog: http://www.guihost.com.br/blog/mane/

Nota: Este texto pode ser reproduzido desde que seja cidatada a fonte.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

OSVANDIR NO PANTANAL

OSVANDIR NO PANTANAL

“O que não se compreende, desperta admiração”.
Benedito Ruy Barbosa


Foi numa destas histórias que só Freud explica, Osvandir foi parar no Pantanal, nos anos noventa.

Viu a Juma Marruá, a mulher que vira onça pintada, na beira do rio, fazendo trocas na chalana. Alguém perguntou por José Leôncio, ela respondeu que ele estava em Campina Grande-MT, voltaria à tardinha.

Osvandir seguiu para fazenda, onde recebem todo mundo que chega naquela região. Estava interessado em ouvir histórias fantásticas daqueles pantaneiros.

Com suas tralhas dependuradas ao pescoço andou um pouco e viu ao longe o casarão da fazenda. Muito verde e água, pássaros, animais selvagens e bois por todo lado.

Ao entrar naquelas amplas varandas encontrou aquele peão que só sabia dizer: --Sei lá! Sei lá!
Era o Tadeu, vaqueiro e piloto, filho da companheira de José Leôncio. Aquele que namora todas as moças que aparece por aquelas redondezas.

Osvandir resolveu bater um papo com aquele peão. Perguntou-lhe se teria avistado luzes no ninhal e ele respondeu:

--Sei lá! Nunca vi luzes por lá. Sei lá!
Deu-se por encerrada a conversa e foi saindo para montar em seu cavalo que só anda de rabo arrebitado.

Juventino vinha chegando e o papo pode continuar, ele que conhecia mais destas coisas.

--Olá amigo, sou Osvandir, venho de Minas. Estou pesquisando sobre discos voadores nesta região.

-- Olha, ver eu não vi, mas fotografei umas coisas muito esquisitas nestes lagos, vou buscar para você ver.

Saiu da sala, subiu a escada do andar superior e após alguns minutos desceu com um pacote de fotos que fizera daquela região.

Os dois investigavam foto por foto, mas o que viam era só aves voando naquela extensa região. De repente Juventino parou, examinou e falou:

-- É essa aqui, olha, fotografei lá no ninhal.

Osvandir olhou, virou de cabeça para baixo, pegou a lupa para ver melhor, colocou ao sol, próximo da janela e deu o seu veredicto:

-- Pode ser um ufo, vou levar, se você não se importar.

-- Não tem a menor importância, se precisar pode pegar. Amanhã cedo se quiser poderemos ir até o local onde fiz esta foto.

-- Quero sim, estou coletando dados desta região e lá em Campina Grande já peguei um bom material.

-- Aqui tem boas histórias para você levar, é só ouvir da pessoa certa. Tem muitas lendas, como a da Juma que vira onça e a do Velho do Rio que vira sucuri. Sobre as piranhas tem uma porção de fatos reais.

-- Vou anotar tudo, gosto de saber das coisas. Hoje tem cantoria?

-- Tem, logo mais, lá pelas sete e meia da noite estaremos ouvindo os cantores Tibério e Trindade cantando as melhores músicas caipiras da região.

-- Vão cantar o Cavalo Preto? Meu pai gostava de ouvir era a Mula Preta...

-- Aqui todos gostam de ouvir nossos cantores.

-- Vou aguardar, lendo algum material que recolhi hoje.

Joventino foi ver a Juma na sua tapera lá no meio do mato, bem longe da sede da fazenda.

Uma sucuri de dez metros de comprimento estava rondando um bezerrinho, assim que colocou as patas na água, foi agarrado e morto por constrição e depois engolido suavemente por aquela bocarra.

Zé Lucas, outro filho bastardo de José Leôncio, proprietário daquelas terras, acabava de chegar e quis saber de onde eu vinha. Falei que morava em Minas, mas que era nascido em Goiás.

O dia já ia terminando e uma friagem dava lugar aquele calor insuportável do dia. O céu começou a escurecer, parecendo que ia chover. O sol foi indo embora sem se despedir de ninguém.

O fogo já esta aceso lá no terreiro e no galpão as pessoas se acomodavam como podiam, naqueles bancos toscos.

Um acorde de viola foi ouvido, era Trindade, que dizem que ele tem pacto com o demônio. Uma música, arrancada do violão ou da viola começou a emocionar a todos. Zé Leôncio já estava pedindo o “Cavalo Preto”, música de sua preferência. Os violeiros resistiram até o final, quando cantaram aquela bela canção, uma composição de Anacleto Rosas Junior:

Tenho um cavalo preto
Por nome de ventania
Um laço de doze braças
No couro de uma novilha
Tenho um cachorro bragato
Que é pra minha companhia
Sou um caboclo folgado
Ai, Eu não tenho família

E seguia naquele ritmo até o final, com todos batendo palmas para aqueles artistas do sertão.

Na manhã seguinte Osvandir e Joventino foram até ao ninhal onde tem uma variedade de pássaros muito grande e bateram várias fotos, com máquinas fotográficas convencionais, dos anos noventa.

Uma coisa esbranquiçada apareceu por trás de uma latada de cipós e eles fotografaram tudo. Osvandir muito contente, imaginava mil e um ufos por ali.

Na volta mais uma foto de um vôo de pássaros em “V”. A chegarem a sede da fazenda arrumou suas tralhas e partiu para Campo Grande num aviãozinho do fazendeiro, pilotado por Joventino. De lá foi para Belo Horizonte, onde não se conteve e mandou revelar todas as fotos.

Ao examiná-las achou duas com grandes possibilidades de serem ufos. Mostrou para o Fábio , que foi logo descartando, dizendo ser pássaros em vôo sobre as águas.

A outra, examinada por outro especialista, parecia várias garças pousadas numa moita, na beira do rio.

Decepcionado, Osvandir disse que nunca mais voltaria ao Pantanal, caiu na real dos anos dois mil e quatorze.

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

Aqui você poderá assistir parte da novela, Cap. 01:
https://www.youtube.com/watch?v=nbxYN8Qvmxc

sábado, 27 de setembro de 2008

OSVANDIR E OS CANDIDATOS

CANDIDATOS CRIAM ASSOCIAÇÃO
http://osvandir.blogspot.com/

“Os benefícios do PAC ficam no centro para os burgueses enquanto para o povo sobram ruas esburacadas, favelas, miséria, violência etc.” Padre Orvandil


Enquanto aquele candidato ralava nas ruas a procura de votos, os eleitores nem aí, um senhor já de idade, apareceu e perguntou:
-- Onde o Senhor vai aplicar as verbas do PAC?
-- PAC? Como PAC? O que é PAC? Ninguém me avisou nada!

-- Caro Candidato desinformado, PAC significa Programa de Aceleração do Crescimento, projeto lançado pelo governo federal em janeiro de 2007, com o objetivo de promover diversas ações de infra-estrutura logística, energética, social e urbana em todo o país.
-- Heim?!
-- Significa que o Governo Federal vai investir pesado nestas eleições. Onde tiver um candidato do PT, ou coligação em que ele entre, o dinheiro vai estar sobrando.

-- Pac-pac era uma rapadura bem clarinha que a gente comia lá na roça, falou Osvandir. Eles tinham que bater muito para ela tornar-se daquele jeito, por isso chama-se pac-pac.
-- Lembro bem desta rapadura, hoje quase a gente não vê, até o formato era diferente, não era quadrada.

-- Mas voltemos ao PAC – Programa de Aceleração de Crescimento, políticos são todos bandidos, sem vergonha, canalhas, querem que o Governo libere muitas verbas para as cidades para beneficiar eleitoralmente só o seu partido, conforme já afirmou um ministro.
-- Fala baixo Osvandir que tem alguns candidatos a vereador ali no salão do hotel fazendo reunião.

No salão o wisky era servido a todos, em copos de cristal. O luxo era tanto que o tapete do hotel tinha mais de cinco centímetros de altura. Todo mundo ali reunido queria aprender alguma coisa nova para apresentar na campanha de sua cidade.

Alguns já estavam gastando a grana que ainda não tinham recebido. A maioria estava trabalhando por uma reeleição, macacos velhos da política de cada cidade.
Na Sala de Reunião, tudo em polvorosa...

-- Foi pena não convidarmos o candidato C(*) de Apito, lá do Ceará e o Pé na Cova para participarem desta nossa reunião, falou o Presidente da reunião, o Formigão de Betim.
-- Faltou convidar o Rola Bosta de Belo Horizonte, mas vamos lá.

-- Os Deputados querem é por a mão na grana, construir umas obras com material de terceira e aplicar o resto do dinheiro na campanha, falou o Cachorro, de Divinópolis, que promete cuidar dos cachorrinhos da cidade, inclusive aplicar vacina anti-rábica.

-- Esse negócio do Governo Federal jogar este dinheirão na mão de políticos desonestos, em ano eleitoral é o cúmulo. Vai tudo para o ralo, como dizia o Zé do Mato outro candidato a Vereador.

-- Estes asfaltos que estão construindo por aí, não vão agüentar nem as próximas chuvas, vão descer pelas ruas abaixo, informou Gambá que concorre a uma vaga em Pitangui e acrescentou mais: deixa feder!

-- Nós iremos eleger um novo candidato e as ruas já estarão velhas novamente, disse o sábio Bode,de Cláudio.
-- Esta reunião foi boa, sairemos daqui com mais condições de sermos eleitos, falou o Popó, de Araponga-MG.

-- Dois Córregos-SP, agora vai ter um representante de verdade, disse Trombeta, um bom candidato.
-- E aí Burrinho, o que você vai aprontar em Araújos-MG, sua terra?

-- Vou acabar com o Salário Mínimo e criar o Salário Máximo, com meu amigo Zé Prajá.
-- Caçarola, e você o que vai aprontar em Araxá-Mg, perguntou Quem é de Arcos.

-- Vou abolir a Lei da Gravidade, caros candidatos Pirulito de Bambuí e Amigo do Povão de Betim-MG.
-- Mulambo, o que você vai fazer naquela boa terra de Bom Despacho?

-- Eu e o Roxo, vamos trabalhar para remover todos os quebra-molas que estão quebrando todos os carros da cidade. E você Pagaluz, o que poderá fazer com as verbas de Camacho?
-- Olha pessoal, não entro nestas jogadas, vou mandar asfaltar todas as rodovias da zona rural. O Cazaco de Campo Belo falou que vai fazer o mesmo.

-- E aí Detetive, vai pesquisar os maridos chifrudos ou as obras das escolas, que estão parados nesta boa cidade de Campos Altos?
--O Cuçu de Carmo da Mata falou pro Tusquela de Carmo do Cajuru que vai aumentar os salários dos vereadores logo depois das eleições, na surdina.

-- Caros Amigos, o dia já está terminando e precisamos encerrar a reunião, só que alguns candidatos não falaram nada. O Cachorrão de Abaeté, o Pezão Sempre Povão de Araxá, o Barata de Arcos, o Gereba de Bambuí, João do Povão e Rompendo em Fé de Betim, Mato Seco de Bom Despacho, Leréia de Camacho, Faraó de Campo Belo, Zé do Dólar de Campos Altos, Tomate de Carmo da Mata, Cabritinho de Cajuru e Mosquito de Cláudio, devem assinar a ata da reunião. Se eleitos teremos o compromisso de fundar a Associação de Vereadores com nomes exóticos.
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

OSVANDIR E AS TESTEMUNHAS

AS TESTEMUNHAS

“A caçada para o índio, representa uma luta até as últimas
conseqüências, com o objetivo da matança”.
Rosane Volpato

Numa daquelas noites, depois do trabalho duro na mata, à beira da fogueira, Osvandir ouviu do Pajé Katimbú esta história:

“Foi há muito tempo, quando tudo era só mata fechada naquela região. Os índios tinham como costume iniciar os jovens guerreiros em uma caçada no meio da floresta.

O primeiro grande animal que aparecesse era para caça do índio iniciante. Ninguém podia atacá-lo, salvo em caso de perigo eminente para ele.

Assim foram preparados para o grande dia, as cerimônias de iniciação dos jovens. O Cacique da tribo acompanharia a todos nesta caçada, pois seu filho também estaria entrando na fase de jovem para guerreiro. Era o ritual tradicional da caça. Alguns pintavam o corpo, destacando-se o vermelho e preto e usavam o termo "mrü kubin" que quer dizer “matar caça”.

No centro da mata, um barulho forte de um grande animal correndo. Todos de armas em punho. Era hora de demonstração de força, ação e reação. Luta corporal para vencer ou ser derrotado.

O guerreiro partiu de um lado, do outro a onça pintada, faminta, sem saber por onde atacar.

O ponto de encontro seria numa velha árvore próximo de um desfiladeiro.
A visão do animal um pouco embaçada, ia mais pelo olfato, de acordo com o vento.

O homem, também com visão prejudicada, via com os sentidos, pelo tato.
Ela ouviu um grito, ele ouviu um urro. Lança em punho, garras estendidas.
A luta era eminente. Ela sentiu um gosto de sangue na boca, ele um estranho contorcer do estômago.

Eles nem perceberam que por ali estavam mais sete guerreiros da tribo.
Um bem próximo da cena, outro bem afastado. Aquele lá embaixo no desfiladeiro e além, o do alto da pedra gigante. Um na frente e outro atrás.

A luta ia começar quando o valente guerreiro caiu sobre o animal que também estava morto.

A testemunha que estava próxima afirmava que tinha visto tudo. O Valente guerreiro transpassara o animal com a sua lança, mas recebera uma flechada de outro guerreiro que assistia a cena. Só que a flecha era para o animal.

A segunda testemunha que se encontrava mais distante disse que tudo ocorrera ao contrario. O animal foi morto pela lança do guerreiro e que uma faca atirada na onça por outro, acertou o índio.

A terceira foi mais objetiva, ela observava do alto da pedra gigante; disse que ao atacar, a onça se espetou sozinha na lança e o guerreiro caiu em cima de sua faca.

A quarta que estava lá no fundo da grota informou que o fato se deu da seguinte maneira: o guerreiro veio correndo tropeçou numa moita ao atirar a lança, esta atingiu o animal que lhe deu uma dentada na veia jugular.

A quinta veio da frente falou que tanto a onça como o guerreiro, deram uma trombada, a lança espetou-se no animal e o guerreiro com a faca na mão cortou o outro pulso e morreu.

A sexta que estava atrás da moita, disse que não pôde observar direito porque o mato atrapalhou a sua visão, mas o que viu por último foi os dois caindo, primeiro a onça e depois o guerreiro.

O pajé que tudo ouvia, sem nada dizer, resolveu chamar a alma do guerreiro. A fumaça branca subia pelo céu azul, um cheiro forte de alecrim e outras plantas pairava no ar.

Aos poucos uma pequena imagem, parecida com holografia, foi se formando ao lado de um arbusto. Todos em silêncio. Uma fina brisa caía sobre a mata.
Pajé Katimbú fumava um cachimbo indígena, feito de barro; cada baforada trazia uma nova mensagem, segundo suas crenças.

Daí a um certo tempo ele contou como tudo aconteceu segundo lhe foi revelado pela alma do índio.

Eu vinha correndo em direção ao animal para matá-lo. Atirei a lança, que acertou em seu coração. A minha faca caiu ao lado da onça. Ao ver a caça ali no chão, sofri um ataque cardíaco de tanta emoção. A morte foi instantânea. Este é o meu depoimento”.

O sábio Pajé da mata levantou-se, bateu a poeira, deu um espirro e falou:
__ Nem tudo é o que parece ser, nesta grande floresta.
Manoel
Fonte Frase:
www.rosanevolpatto.trd.br/armacaca.html - 84k

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O GRAMPO DOS ARAPONGAS

“Meu nome é Vieira, Osvandir Vieira.”.
“My name is Vieira… Osvandir Vieira”
Do Livro “As Histórias do Osvandir
”.



Não é que os Arapongas resolveram mostrar as caras, enfrentando nada menos que a Polícia Federal e grampeando até o do Presidente da República.

Dizem que a antiga ABIN, nunca foi desativada conforme acreditavam os políticos. Na época do Collor o SNI (Serviço Nacional de Inteligência) foi desativado, mas vários Servidores continuaram em outros Departamentos, outros Setores. Quando foi criada a ABIN, eles voltaram.

Outro dia passei em frente à casa de um político e notei um tênis novo dependurado num dos fios de telefone pelo cadarço. Dizem que eles fazem isso para ter maior poder de escuta.

Hoje você pode sentir que o seu telefone não vai bem quando está chiando muito. Aliás, nos Estados Unidos dizem que quem matou JK foram as telefônicas. Aqui é a mesma coisa. Todos grampeiam todo mundo.

Tancredo Neves, aquele sábio político, quando tinham que transmitir uma ordem mais secreta jamais usava telefone ou falava dentro de seu gabinete. Dizia que estava tudo grampeado. Chamava o cidadão para um passeio na rua e transmitia as mensagens. Isso já não é mais seguro.

Hoje ficou tudo pior, nem na rua estamos a salvos de sermos gravados. Existem pequenas antenas, tipo parabólica, usadas em carros, que capturam vozes e outros sons a uma distância muito grande.

Candidatos, também pessoas importantes, todas estão sujeitas a gravações de telefones e conversas de rua, portanto tome cuidado. Sempre existe alguém espionando atrás de um muro, uma árvore ou mesmo na outra ponta da linha.

Até estes inocentes MP4, gravam com muita perfeição. Ainda temos minicâmeras que filmam com muita nitidez. Não fale bobagem pelo telefone.

Um inocente pau de fósforo ou palito, podem estar ocultando uns microfones, minicâmeras ou uma antena de transmissão à curta distância.

Osvandir estava fazendo pesquisas para um trabalho na Universidade, quando de repente notou na sua mesa um pequeno fio debaixo de alguns papéis. Foi puxando, puxando e foi dar numa câmara instalada dentro de um suporte para lâmpadas.

Mandou fazer uma varredura total em seu escritório. Várias vezes já recebeu telefonemas ameaçadores dizendo que iriam publicar algumas fotos suas e uma mulher. Não deu crédito, quando na manhã seguinte recebeu algumas fotos pelo correio onde fizeram montagens muito boas, mas comprometedoras.

É assim que muitos agem na política, nos negócios. E por falar nisso, os grandes negócios realizados de uns tempos para cá, todos os participantes estavam grampeados. Os grupos interessados já sabiam dos resultados muito antes de serem realizados.

Nas licitações de grandes obras os grampos voam nas Prefeituras e Câmaras. Sem contar violação de envelopes e outros documentos para favorecer a terceiros. Estamos no Brasil, onde tudo pode acontecer.

Na sua vinda do Ceará para Minas Osvandir ouviu algumas história bem cabeludas sobre grampos telefônicos. Algumas de políticos e outras de grandes industriais.

Osvandir acha que estava livre de grampos uma vez que usa mais o Celular, ledo engano é justamente este aparelho que está mais sujeito a grampos e não é nem um pouco seguro.

As tais de varreduras ambientais não resolvem nada, de fora do prédio podem monitorar as ligações. Além do mais eles têm muita gente infiltrada nas companhias telefônicas.

Temos quase certeza que esta comissão da CPI do Grampo deve estar totalmente grampeada bem como os seus representes máximos.

As tais maletas da ABIN fazem muito mais do que estão anunciando. Osvandir sabe muito bem disso, já estudou o assunto a fundo.

Quando houve aquele roubo dos Notebooks da Petrobrás eles já estavam sabendo há muito tempo. Todas as descobertas de petróleo eles ficam sabendo muito antes que todo mundo.

Estão lembrados da história do Mensalão? Tudo começou com uma gravação clandestina onde um cidadão dos correios recebia uma propina e aí o Jefferson liga o caso ao Mensalão, onde os Deputados recebiam do Banco Rural propinas para votarem em projetos do Governo.
A confusão foi geral e apareceu aquele tal de Marcos Valério. Dizem que ele tem outros casos interessantes que deveriam ser investigados. Lacerda suspeita de conexão com Satiagraha,(“caminho da verdade”) exatamente este esquema que deu origem aos tão falados grampos da CPI. Outros até acham que existe conexão internacional,(Portugal Telecon) é só abrir o jornal e tudo está lá.

Osvandir como é curioso, pergunta?
-- A quem interessa isso tudo?

Quando acabou de fazer esta pergunta viu cair do céu um objeto estranho, quadrangular, um ufo, em alta velocidade. As luzes se apagaram? Não! O objeto caiu na cabeça de Osvandir e ele desmaiou.
Era uma maleta preta, tipo James Bond, bem fechada...

Manoel

domingo, 14 de setembro de 2008

OSVANDIR EM BRASÍLIA

O GRAMPO MISTERIOSO
Meu nome é Bond, James Bond.”.
“My name is Bond, James Bond”!
De um filme dos anos 60

Com todos esses rumores de grampos/escutas telefônicas/arapongas rondando o alto escalão do governo, o Ministro da Defesa ficou muito preocupado com a situação do telefone de seu gabinete. Pensou em tomar alguma medida para se precaver desse tipo de espionagem. Mas teria que ser tudo muito sigiloso, para que os criminosos não suspeitassem da investigação, caso fosse verdade.

Conversando com um funcionário seu de confiança, vislumbrou a solução.

- Tenho uma grande amiga em Santa Catarina que conhece um grande investigador independente, Senhor. Ele não está ligado a nenhum governo, nem qualquer organização. Se quiser, entro em contato com ela imediatamente.
- E que investigador seria esse?
- É o Osvandir.
- Ah, já ouvi falar dele...

O que ninguém sabe é que o Ministro também acompanhava as aventuras do Osvandir no blog.

Alguns minutos depois, Anna recebia uma ligação em sua casa, em Santa Catarina. Era o funcionário do Ministério. Conversaram por alguns minutos e logo em seguida Anna ligou para Osvandir.

- Tens uma missão, meu amigo. Vá para Brasília imediatamente. Kelly estará lhe esperando no aeroporto.

Um minuto depois, o telefone de Kelly tocava em Brasília...

Quando o avião de Osvandir sobrevoou a Capital Federal já era noite. Das janelas da aeronave era possível ver as belas luzes da cidade lá embaixo. Parecia que a Terra havia sumido, e tudo era só céu, cheinho de estrelas. Ao longe, Osvandir viu a Torre de TV, imponente, toda iluminada, apontando para o céu. Deu pra ver também o Congresso e a magnífica Ponte JK, com seus arcos cruzados, que parecem dançar e brincar com quem os observa. Lembrou que ela foi construída por um engenheiro de Minas. Osvandir ficou admirado com a beleza da cidade, assim como o personagem da canção Faroeste Caboclo, da Legião Urbana, a banda de Renato Russo. Ele já conhecia a cidade, mas nunca a tinha visto sob esse ângulo.

No aeroporto, Osvandir encontrou Kelly no setor de desembarque. Pegaram um táxi por medida de segurança e foram encontrar o Ministro na casa do Assessor (aquele que era amigo de Anna). Ele explicou-lhes tudo e disse o que queria que eles fizessem. Bolaram um plano. Osvandir e Kelly se vestiriam com o uniforme do pessoal da limpeza e entrariam no prédio ainda no horário do expediente. Ninguém poderia desconfiar de nada, nem mesmo o pessoal da segurança. Então eles esperariam o fim do expediente e entrariam no gabinete a fim de descobrir o tal grampo.

Depois de tudo decidido e a reunião encerrada, Osvandir reclamou que estava com fome. Kelly perguntou o que ele gostaria de comer. Ele disse que gostaria de experimentar o prato típico da cidade. Ela levou-o até a Rodoviária, mais precisamente na Pastelaria Viçosa. Lá, dois pastéis com um copo de caldo de cana custa apenas R$ 1,20. Enquanto cada um saboreava o seu “Trio Viçosa”, Kelly explicou a Osvandir que Brasília não tinha prato típico, e que aquela pastelaria era tão tradicional, que todo mundo dizia que aquele era o prato típico da cidade.

Agora era hora de descansar, pois o dia seguinte seria longo e extenuante.

Ao amanhecer, Osvandir e Kelly se reuniram para preparar toda a logística que colocaria o plano em ação. Dando uma volta pela cidade, Osvandir notou que algumas pessoas o reconheceram. Um garotinho veio até mesmo lhe pedir um autógrafo. Ele ficou muito feliz e lisonjeado. Mas o que o deixou mais contente foi um senhor que veio lhe contar suas experiências ufológicas. Mas isso é assunto para outra aventura.

Com todo o equipamento em ordem, era hora de começar a colocar o plano em prática. Vestiram os uniformes da empresa de limpeza que o Assessor do Ministro havia conseguido para eles e entraram no edifício. Ninguém percebeu que eram desconhecidos. O chefe da limpeza encontrou-os no corredor térreo:

- O que fazem aqui parados? Deveriam estar limpando os banheiros do 4º andar.

Osvandir e Kelly se olharam, respiraram fundo e foram caminhando até o elevador. Aquilo fazia parte do trabalho, isso eles compreendiam.

Muitas coisas acontecem por dentro de um Ministério. Osvandir e Kelly ouviram e viram muitas coisas que não deveriam ouvir nem ver. Mas isso também é assunto pra outra aventura.

O tempo passou e chegou a hora de fazer o que eles realmente estavam ali pra fazer: procurar um grampo. O gabinete do Ministro estava vazio, conforme o combinado. Só teriam que tomar cuidado para não serem descobertos pela segurança do prédio. Entraram e fecharam a porta atrás de si. Estava um verdadeiro “breu” dentro da sala. Kelly acendeu a lanterna e procurou pelas persianas. Abriu-as e permitiu que a luminosidade de fora iluminasse suavemente o recinto. Agora dava para ver bem melhor o ambiente todo. Era uma sala bem ampla. Havia uma mesa de reuniões com oito lugares. Ali devem ser tomadas muitas das decisões importantes sobre a defesa nacional, ponderou Osvandir. Não havia nada em cima dela. Ao lado desta mesa havia um sofá. Certamente era para reuniões mais informais, ou para o Ministro tirar uma pestana quando estivesse muito cansado... Osvandir riu com esse pensamento. Em uma das paredes havia pendurada uma foto do Presidente da República, ladeado pela Bandeira Brasileira. Em outra, uma TV de tela plana de 52”. “Espero que ele me chame para assistir a próxima Copa do Mundo aqui”, pensou Osvandir.

Voltando-se para Kelly, que estava dando uma olhada na mesa do Ministro, Osvandir deparou-se com muitos grampos. Mostrou-os a Kelly:

Ela riu e continuaram a busca.

Osvandir tirou de uma maleta um laptop ultramoderno, com toda a parafernália tecnológica necessária para construir outro Colisor de Hádrons (CLH), bem no meio da Capital Federal. Mas ele queria apenas captar alguns sinais de rádio. Pediu à Kelly que fizesse uma ligação, do telefone do Ministro até o celular dele. Ela fez. Ficaram ouvindo por alguns instantes e notaram chiados e estalos na ligação. Osvandir apertou alguns botões do laptop e “voila”... descobriu um grampo. Precisava descobrir o local de recepção do sinal. Para isso, ele tinha uma ferramenta, desenvolvida por dois amigos seus, os Profs. Márcio Mendes e o físico Ildefonso, que ligava o Google Earth a alguns provedores e sistemas que poderiam identificar de onde vinha qualquer sinal na face da Terra. Era uma ferramenta que, se colocada em mãos erradas, poderia acabar com o planeta. Mas só quem sabe desse segredo, além de Osvandir, Kelly e os Profs. Mendes e Ildefonso, somos eu e você caro leitor. Não vai contar nada pra ninguém, ok?

Então, Osvandir conseguiu detectar a origem do sinal. Descobriu inclusive a identidade dos responsáveis pela arapongagem: um grupo de ufólogos que queria a qualquer custo uma evidência de que os militares brasileiros mantinham contatos com ufos. Eles escutavam as ligações do Ministro na busca insana por uma prova oficial de que os ufos existem. Neste momento, ouviu-se um barulho, como que de um trovão, e o laptop do Osvandir explodiu e soltou uma fumaça tremenda. Assustada, Kelly abriu a janela do gabinete, para dispersar a fumaça. Neste momento, ela viu um jogo de luzes multicoloridas muito próximas ao prédio onde estavam.

Kelly chamou Osvandir para ver aquilo, mas ele estava desmaiado com a explosão do laptop. Ela começou a ficar assustada, pois a segurança devia ter ouvido a explosão e estaria na porta do gabinete a qualquer momento. Por outro lado, os arapongas deviam saber, àquela altura, que sua escuta havia sido descoberta. Kelly precisava agir rápido e desconectar o grampo do telefone... mas como faria isso? Grampo... grampo... grampo... é isso! Lembrou-se que trazia alguns grampos para cabelo, no bolso da calça. Tirou um e, com a lanterna, localizou o aparelhinho do lado de fora da janela.

No melhor estilo “Missão Impossível”, Kelly pendurou-se para fora da janela e, com seu grampo em mãos, desligou o “talzinho” e arrancou-o do local onde estava.

Mais que depressa, Kelly tentou acordar Osvandir. Precisavam sair dali rapidamente. Osvandir recobrou os sentidos no mesmo momento em que alguns seguranças batiam na porta do gabinete. Kelly só viu uma saída: a janela.

Felizmente eles estavam preparados para tudo e já estavam com o equipamento de rapel pronto para qualquer emergência. Penduraram as cordas e desceram. Lá embaixo, alguns seguranças ainda tentaram pegá-los, mas eles conseguiram se safar. Foram para o hotel em que Osvandir estava hospedado.

A perda do laptop foi irreparável. O coitado foi parar no lixo mesmo. Não conseguiram entender o que aconteceu. Kelly contou a Osvandir sobre o ufo e sobre o grampo na janela. Juntaram o material que conseguiram, fizeram um relatório e entregaram-no ao Ministro, que agradeceu imensamente a ajuda que lhe prestaram.

No dia seguinte a toda essa aventura, os funcionários da limpeza foram fazer uma faxina no gabinete do Ministro. Uma das funcionárias notou algo estranho no cabo do telefone da mesa do Ministro: era um grampo. Não uma escuta, mas um grampo de cabelo. Estava com a parte de metal encostada numa parte desencapada do fio. Ela o retirou. Incrivelmente, o telefone do Ministro voltou a funcionar normalmente, sem aquelas chiadeiras e estalos.

Três dias depois, um outro funcionário foi hospitalizado porque a janela caiu bem em cima da cabeça dele, enquanto ele fazia a limpeza externa dos vidros do gabinete. Alguém havia tirado um dispositivo de segurança que havia ali...

O Jornal de Brasília estava sobre a mesa do Ministro e anunciava em manchete:
Polícia Federal entrega maletas de escuta à Justiça Federal
Por
Kelly Lima e Manoel
Brasília/DF
12/09/2008

sábado, 13 de setembro de 2008

OSVANDIR NO CEARÁ VIII

Capítulo VIII

DISCO VOADOR

-- Adeus Osvandir! Até na próxima, disse o Moura,
olhando para um avião que voava no céu azul de Fortaleza.

Continuou na estrada de pedras que a seguir foram rareando e a estrada foi se tornando cheia de lombadas íngremes, com descidas e subidas, curvas em seqüências para ambos os lados da estrada. Osvandir viajou os quilômetros restantes, a baixa velocidade com a marcha 4L, reduzida engatada, o que permitia maior aderência no terreno.

A baixa velocidade o permitira fazer curvas fechadas e inesperadas. Aquela pista fora feita para acabar com carros ou com os motoristas. Atingindo o ponto final, que era uma clareira no mato, com um alpendre espaçoso, viu uma oficina mecânica e alguns jipes, bikes e MotoCross, bem arrumados, enfileirados lado a lado. Um dos ajudantes avisou à estação de partida, que Osvandir tinha chegado, por um HT, ( Habd -Talk" - transceptor portátil, em FM) e que não havia ruído de outros carros atrás dele. Osvandir informou que os outros três estavam atolados na pista.

Osvandir sentiu-se pouco satisfeito, porque não houve disputa com campeões, mas adorou fazer o que gostava.Entraram no hotel e viram algumas das moças, colegas de excursão. Cuidaram da higiene pessoal e sentaram-se à mesa para o almoço. Trocaram informações a respeitos dos lugares visitados pelos três grupos.

Osvandir aproveitou seu tempo escrevendo o seu diário no notebook.A tarde a guardiã loura, avisou que todos iriam visitar a Serra do Estevão, onde poderiam ver os principais pontos turísticos.

Depois de mais ou menos uma hora, chegaram ao município de Dom Maurício. As pessoas se dividiram e foram visitar os locais indicados pela guardiã.

Osvandir resolveu ir até ao Pico da Torre que estava a uns 760 m de altitude, para ver melhor a panorâmica de Quixadá e a Pedra da Galinha Choca. Pedalou sua bike por uns 5 km subindo lentamente uns 300 metros a ladeira. De longe avistou as torres de repetição equipadas com pequenas antenas parabólicas apontando para várias direções.

Ele estava com sua mochila conduzindo o que era necessário, como máquina fotográfica digital, binóculos, faca de mato etc. Sua pistola estava nas costas entre a calça e o lombo.

Seus olhos não saiam da figura da Galinha Choca, que era admirada pelas formas perfeitas. De repente, vindo do sul, viu um objeto com o perfil de um prato virado contra o outro, cor de alumínio, brilhando no sol. Atravessou lentamente o Complexo Rochoso, por trás da Galinha Choca. Muito nervoso e apressado retirou imediatamente sua câmera digital da mochila, que estava sobre suas pernas e já estando preparado para foco infinito, ligou, apontou e clicou por várias vezes. O objeto veio para mais perto e mergulhou de vértice por trás da Pedra da Galinha Choca, ocasião em que viu que o objeto era discóide.

O aparelho desapareceu no mergulho sobre a montanha de pedra.Tudo foi fotografado, não conseguiu acreditar que um objeto voador entrasse em uma serra de pedra, sem haver abertura. Conferiu as fotos de sua câmera e novamente viu o aparelho mergulhar na rocha, sem abertura alguma.
-- Ganhei na Loteria e agora posso voltar para Fortaleza, disse Osvandir em voz baixa, só para ele.

Os visitantes foram chegando aos poucos e guardando suas bicicletas no alpendre, onde um empregado as examinava rapidamente.

Todos chegaram, subiram na van e esta desceu a serra em direção ao hotel em Quixadá.
-- Srta. Elizabete, lamento informar, que apesar de estar gostando do passeio e do bom trato, tenho que voltar urgente para Minas, disse Osvandir.
-- Nós lamentamos muito sua ausência, mas como há urgência, não há outro jeito.-- Obrigado pela compreensão. Poderia me dar o endereço da estação rodoviária?- Sim, depois do almoço chamarei um táxi para levá-lo até lá.

Osvandir levantou-se e despediu-se de cada componente da excursão, bem como da guardiã. Voltou para seu quarto, onde apanhou as duas malas e o notebook.

Já no hotel, em Fortaleza, antes de deitar-se completou seu diário no notebook, ressaltando seu avistamento incrível. Transferiu as fotos da máquina para seu notebook.

Agendou um encontro com seu amigo para aquele mesmo dia:
-- Moura, passei aqui para despedir-me e mostrar-lhe o que consegui em Quixadá, veja a seqüência de fotos na minha câmera!

Moura manejou a máquina fotográfica para ver as fotos. Na primeira ele logo reconheceu o perfil de um disco voador, muito distante sobre umas montanhas. No final chegou a foto em que o aparelho mergulha para dentro da rocha por trás da Galinha Choca.
-- Osvandir, acredito porque estou vendo a foto e não houve tempo para você praticar qualquer truque. Vem a pergunta. Eles vêm do céu ou do centro da Terra?
-- Acho que ninguém sabe. Ufologia é um terreno cheio de ilusões para nossos sentidos. Só nos baseamos neles, pois são os detectores das nossas realidades. O que pode ser realidade para uma pessoa, pode não ser para outra. Passou daí, só há conjecturas, lendas que são acreditadas, na falta e outras realidades. De qualquer forma estou muito satisfeito com o que consegui, respondeu Osvandir.

Final
Moura – Fortaleza – CE – 6 / 9 / 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

OSVANDIR NO CEARÁ - FINAL

Capítulo V
OS ESPORTES RADICAIS
“A escuta telefônica desmascara os "honestos".
Acho que isso não cabe na nossa democracia,
mas há tanta ladroagem que esta é a
única maneira de conhecer nossos políticos.” (Moura)

Bebericaram e o tempo passou. Mais ou menos as 12 hora a loura avisou a todos que poderiam almoçar quando quisessem.

As mulheres chegaram e ocuparam duas mesas perto dos homens, que já haviam feito o pedido para o almoço. Cada uma fez o pedido pelo menu. O prato mais solicitado e oferecido foi o peixe Tilápia, muito criado nos açudes do Ceará. O almoço foi regado a cerveja ou vinho. A sobremesa variou com vários doces.

Terminado o almoço, o grupo ficou falando sobre coisas comuns a cada grupo. As mulheres se divertiram no açude, mas os homens desistiram do banho por causa da cobra do Osvandir.
Lá pelas 13:30 horas a loura avisou que iríamos ver outros pontos turísticos, a começar com o Santuário Imaculada Conceição Rainha do Sertão, onde também havia a prática do vôo livre. Fica na Serra do Tucum.

A van percorreu uns 15 km para chegar ao Santuário. È uma bela arquitetura. Todos desceram e se espalharam entre edificações como restaurantes, a Igreja e os homens depois de olhar o que podiam falaram com a guia, avisando que iriam para o local da rampa de vôo livre e poderiam demorar umas duas horas. Ela aquiesceu e olhou para seu relógio. Osvandir ficou satisfeito.

O local era aberto aos excursionistas. Já eram mais de 14 horas e o calor do sol queimava a pele exposta. Os companheiros de Osvandir notaram que ele estava exultante com a próxima aventura. Abrigaram-se sob uma árvore frondosa.

Francisco disse:- Há uns anos atrás um campeão de asa delta morreu na serra de Maranguape, quando deu uma ventania e ele foi jogado contra a pedra, com muita violência. Quem pratica isso tem muita coragem.
-- Podemos voar na asa delta? Perguntou Osvandir.
-- Se você já tem experiência é só colocar o capacete e pegar a asa que você quiser. Respondeu o ajudante.
-- Já competi em Itamonte, Minas Gerais, contra Gustavo Saldanha e outros, em 2005. Ainda não estou enferrujado. Posso usar apenas o capacete, sem o macacão oficial?
-- Pode sim. Você já é craque nisso, não há risco algum.

Colocou um capacete colorido, fechou a jugular do capacete. Apanhou uma asa delta e foi por trás do início da rampa de corrida para o salto.

Os três jovens, acompanhando toda a movimentação embaixo de uma árvore, comentaram que ele, ou era doido ou era um campeão. Mas ficaram maravilhados quando a asa ficou suspensa no ar com Osvandir dirigindo o vôo.

Ele colou-se sob a asa segurando a haste de direção. Verificou se o apoio para os pés estava no comprimento certo para sua altura. Viu que tudo estava correto, ergueu o tórax, segurando a haste da asa e correu com velocidade ladeira abaixo. O calor que subia a serra auxiliou a subida da asa, que se afastou da rampa e inflou o pano.

Depois de um tempo esticou as pernas e colocou seus pés dentro das argolas na traseira da asa.
Sobrevoou a mata, em círculos, por mais de uma hora, e foi descendo em forma de espirais largas para poder estar sempre vendo o ponto de pouso. Viu a cidade, os monólitos próximo à Galinha Choca, mas não viu nada que talvez pudesse atrair discos voadores. Não viu brechas sobre os montes de pedra. Analisou toda a mata e gostou do que viu.

Continuou seu vôo descendente em direção ao alvo, que era uma larga clareira com um ‘xis’ de pano colocado no chão. Ao chegar mais próximo viu outro ajudante com um HT na mão, talvez informando sobre a chegada do turista no solo. Quando chegou perto do solo e do alvo, arremeteu um pouco e deixou-se cair lentamente sobre o ‘xis’ preto.

Havia um grupo de homens esperando por ele. Um disse?
-- Ele já voou com o Gustavo Saldanha.
Todos bateram palmas para ele. O nome do Gustavo não lhes era desconhecido, pois os presentes pareciam todos entendidos e hobystas de vôo-livre.
-- Obrigado pela festa, disse Osvandir, sorrindo.
-- Agora vou deixá-lo no Santuário. Da sua turma ninguém vai mais saltar, disse o motorista de uma Kombi.

Mais ou menos às 16 horas o veículo estacionou próximo à igreja. Lá estavam seus companheiros, as mulheres e a loura.

Estavam passando o tempo em um dos restaurantes, onde era mais fresco e havia o que comer. Também visitaram a Igreja. Nem todos eram católicos. mas entraram para ver a suntuosidade do interior. Também foram ver as estátuas de mais ou menos 1 e 80 de altura, que representavam a Paixão de Cristo.

- Soube que você se foi bem na asa delta. Foi bem recebido lá embaixo pelos suicidas do vôo-livre, disse sorrindo a guia loura, ainda com um HT (Hyper-Threading) na mão para se comunicar com ponto da plataforma o e alvo na mata. Dá a impressão de que você é bem vivido e experimentado na Vida!

- Isso é verdade, disse Osvandir sorrindo de alegria e um pouco de vaidade.
Osvandir correspondeu ao sorriso e os demais bateram palmas para ele. Isso foi o acontecimento mais falado pelos colegas, posou de herói o resto do dia.

Capítulo VI
CHALÉ DA PEDRA
A PF prende muito, mas há pouquíssimos encarcerados. (Moura)

O Chalé da Pedra fica na cidade, no centro da Praça da Cultura e vizinha ao Centro Cultural Raquel de Queiroz.

Todos subiram na van. Desceram a serra e chegaram ao centro da cidade, já em direção ao Chalé de Pedra. O que havia de antigo era somente o Chalé que estava construído sobre um monte de pedra na centro da Praça da Cultura. Tinha três entradas idênticas, sendo uma para frente e duas laterais, em posições antagônicas. Não era um prédio grande, mas tinha história.

Havia sido uma Loja Maçônica em tempos idos. O prédio novo era o Centro Cultural Raquel de Queiroz. Edificação moderna com cores suaves. Seu interior era quase luxuoso, tendendo para o bonito. Não havia muita coisa para ver. Mas fazia parte do percurso do turismo. Era uma obrigação a visitação.
- Terminamos a excursão e agora vamos voltar para o nosso hotel, disse a guardiã loura, de cabelos cacheados, olhos azuis e um narizinho quase arrebitado que lhe dava graça ao rosto quase quadrado. Onde teria nascido?

Todos entraram no veículo e voltaram para o hotel, para tomar banho e depois aguardar o jantar. Osvandir deitou-se, já sonhando com o dia seguinte. Conseguiu dormir bem. Acordou, espreguiçou, tomou um banho frio e foi tomar café, acompanhados de variedade de frutas regionais.

Foi servido até leite “mugido”, aquele quentinho tirado da vaca naquele momento, mas foi alertado pelo garçom, para uma possível diarréia, não tocou no leite fresco.
Às oito horas os excursionistas estavam em frente ao hotel esperando o veículo de transporte. A guardiã loura desceu e duas lindas mulheres desceram também.

A guia loura reuniu os visitantes, formando um meio círculo e informou que haviam 3 veículos que iriam para três destinos diferentes, conforme o desejo dos excursionistas. Dessa forma o grupo foi separado em três, os quatro homens foram em uma só van.

As oito mulheres se separaram em dois grupos, indo cada grupo em uma van diferente, unidas pelo mesmo objetivo.
- Bem, agora vocês quatro homens, irão visitar a Lagoa dos Monólitos onde poderão praticar, mountain bick, motocros, ou Off Road. O Parque fica no anel viário da CE-285 que liga Quixadá à Morada Nova.
-- Eu os acompanharei, disse a loura, nossa guardiã, subindo no veículo, após a entrada dos quatro homens.

A van percorreu aproximadamente uns 50 km, pelo anel rodoviário CE-285 para chegar ao Parque Ecológico da Lagoa dos Monólitos. Há uma grande lagoa e uma serra de pedra em um lado. O Parque é pequeno e pouco povoado, as edificações são novas e o pavimento em paralelepípedo está em excelente estado.

O veículo parou em baixo de uma sombra de árvore, próxima à estação de partida para, mountain bike, MotoCross e Off Road. Todos desceram e os homens seguiram para lá, pretendendo uma aventura motorizada. Eram quase 10 horas. A guia olhou para o relógio e usou o HT para se comunicar com a Agência, informando o destino de chegada.

A guia foi com os homens e informou a encarregados dos veículos que eles eram turistas registrados na Agência Sertão & Pedras Turismo. Imediatamente o encarregado franqueou os veículos para visitantes. Poderiam utilizar quaisquer um. Ele forneceria os mapas das trilhas. No local de chegada havia empregados usando HT para informar o acontecido. Do ponto de chegada um veículo os levaria para Morada Nova de onde voltariam para Quixadá pela CE 285, de 72 km.

Capítulo VII

CORRIDA DE JIPE
“Noventa por cento da população pasta a grama
enquanto dez por cento são donos das fazendas.” (Osvandir)

Haviam estacionados, várias bikes, motocicletas para motocross, e uns dez jipes com tração 4 x 4, usando pneus de Buggy, com capota, “Santo Antônio”, um pneu sobressalente e caixa de ferramentas.

Os quatro dirigiram-se para os jipes, sentaram-se, regularam os bancos, pisaram nas embreagens para saber se estavam na altura certa, acertaram a posição dos bancos, apertaram os pedais de freios, observaram o ponteiro da gasolina. Aceleraram um pouco para frente e testaram novamente as embreagens, os freios, inclusive os freios de serviço.

Estando os veículos testados e aprovados foram saindo de um em um, em busca do início da trilha que era de piçarra. Osvandir saiu em terceiro lugar, seguindo os demais, com a alavanca de transferência de eixos, na posição 4L, reduzida, que permitia o veículo andar em velocidade abaixo dos 50 km/hora.

Francisco, que vinha atrás, logo ultrapassou Osvandir, que já tinha prática nesse esporte e até participou do campeonato em Bambuí, em Minas Gerais, em junho de 2008, pressentiu logo, que ele iria entrar na pista de piçarra com uns 80 por hora. Qualquer saída para um lado seria uma derrapagem perigosa. Não sabia ainda como os outros se comportariam. O que valia era chegar inteiro.

Percorreu uns 5 km e logo viu o jipe do Francisco com a traseira toda no mato ao lado da estrada e acelerando muito para sair de um buraco que ele cavou com as rodas traseiras.
- Já ganhei desse, disse Osvandir em voz baixa, para ele mesmo.

Continuou devagar, depois de mais ou menos um km, a uns 40 km por hora e deparou-se com uma pista estreita, de piçarra, com pedras soltas, o que diminuía o atrito nas rodas.
Depois de uns 3 km, a partir do desastre do Francisco, viu o Bacus atravessado na pista, indo e voltando no espaço estreito para ficar novamente de frente da estrada.

Osvandir pediu passagem, pois não podia perder tempo, e não foi atendido. Deu um ligeiro sorriso para o colega e disse:
-- Obrigado. Ainda há muito chão pela frente.
Seguiu a uns 40 km por hora, na terceira marcha, para evitar derrapagens. Continuava com a marca 4L engatada pela alavanca pequena.

Depois de viajar uns 5 km avistou um pequeno riacho, largo mas raso, passando por um leito de barro. Viu isso quando reduziu a velocidade para uns 5 km por hora, e atravessou o riacho a uma fundura de meio metro. Logo após havia uma curva fechada à direita.

A trilha tinha muitos sulcos de pneus e estava molhada. Notou que escorregava como sabão. Continuou na mesma velocidade, com a tração da 4 rodas presas no solo viscoso e liso.

Foi fazendo a curva, lentamente para direita e deparou-se com o jipe de Fábio atolado na argila macia e de lado na estrada.
- Olá Fábio. Perece que você não escolheu um bom carro. Deve ser por causa dos pneus carecas, sem biscoitos. São pneus de Buggy! Disse Osvandir achando graça.
E continuou andando a uns 30 km por hora, gastando a gasolina que tinha direito. Deveria estar gastando uns 4 litros por km.

Logo depois defrontou-se com uma pista cheia de pedras toscas, pequenas, como as que usam como calçamento nas ruas. Estavam espalhadas sobre uma camada de barro seco. Os pneus poderiam passar em um dos lados de uma elas e lançá-las para o interior do fundo do carro ou jogá-las para o exterior. De qualquer forma o jipe mudava de direção quando as rodas dianteiras giravam sobre as laterais das pedras. Os pneus grandes, traseiros, se comportavam normalmente, pois estavam calibrados com 8 a 10 libras.

De repente um animal vindo em boa velocidade, do interior do mato lançou-se com violência contra o motor do seu carro, pelo lado esquerdo, ele sair de frente para o lado direito. Era um veado com poucas galhas, animal existente na região, preservado na Reserva Ecológica.

Osvandir tomou um tremendo susto e imediatamente analisou o acontecimento. Olhou para os lados. Desceu do jipe e foi observar o animal. Ele achou que o animal também deveria ter jugular, carótida e coração. Tocou com os dedos no pescoço do garboso animal e não sentiu pulsação.

Colocou seu ouvido no tórax do animal e não ouviu ruído algum. Colocou o nariz próximo ao do animal e não sentiu nenhum odor saindo pelas narinas.
- Está morto, disse em voz baixa. Eu o matei. Não vou me acusar, Não tive culpa. Vou esconder o corpo no mato. E assim fez.

Utilizou todos os seus músculos e puxou o pobre animal para o lado esquerdo da mata, de onde viera. Puxou-o por uns dez metros mata adentro. Voltou para a estrada cheia de pedras. Olhou para o mato e viu a trilha deixada pelo corpo do animal. Achou que ninguém iria desconfiar de nada.