sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

OSVANDIR E O IMPLANTE

OSVANDIR E O IMPLANTE

Primeiro foi uma coceirinha, depois uma inflamação. Algo estava querendo aflorar no rosto dele. Dia a dia aquilo aumentava um pouco. Seria a raiz de cabelo, inflamada? Um pequeno tumor? Um bicho-de-pé? Ninguém sabia...

Com o passar dos dias aquela desagradável saliência foi aumentando bem próximo do nariz. Como doía muito, foi aconselhado a procurar um médico especialista daquela área.

No consultório viu muitas coisas piores que a sua, uma simples verruga. Conversou com várias pessoas e muitos estavam esperando a consulta pelo SUS - Sistema Único de Saúde, há mais de três meses, com uma papelada nas mãos, indo e voltando várias vezes por causa da burocracia. Muitos haviam falecido na espera de tratamento.

Osvandir sentia pena daquele povão que sofria nas mãos de médicos, enfermeiros, porteiros, faxineiros, etc. O Sistema de Saúde, completamente falido, não tem condições de atender bem a população.

Depois de esperar quase duas horas, mesmo pagando a consulta, foi atendido pelo médico Dr. Jorge. Aperta daqui e dali, resolveu solicitar vários exames de sangue, urina e colheu uma partícula para laboratório. Marcada nova consulta para o mês seguinte.

Aquela coisinha perturbava o Osvandir tanto, que ele nem dormia direito. Ficava matutando o que seria aquilo. Pensou até em implante extraterrestre. Lembram daquela vez que ele foi abduzido? Uma luz forte partiu do disco e o paralisou, um tubo transparente o levou até a nave. Pois é, ele também lembrou e ficou muito preocupado.

Fez todos os exames exigidos pelo médico, tudo normal, apenas o colesterol um pouquinho alto, coisa que resolveria com uma caixa de remédio e alteração na alimentação.

O doutor falou que havia necessidade de operar. Operar? Ir para hospital por causa de uma coisa tão pequena? O dia da internação foi marcado e os cuidados foram tomados, tais como medicamentos a serem adquiridos e comunicação com o hospital para reserva do apartamento. Internaria à tarde e a “operação” seria na manhã do outro dia.

Só de entrar no hospital o Osvandir sentiu um friozinho na coluna vertebral. Não dormiu direito. Sonhou que tinham ET´S fazendo implantes por todo seu corpo, inclusive no dedão do pé. Eram coisa muito moderna, como aquela máquina de rebitar metal. Um clique e pronto, a pessoa já estava implantada.

De manhã acordou aliviado, era tudo um pesadelo. Tomou um banho, vestiu aquela bata branca, com as partes íntimas de trás, visíveis.

O horário para arrancar aquela coisinha impertinente foi marcado para 11 horas. Passeia pra lá, pra cá e o tempo correndo muito lentamente. O ponteiro dos minutos do relógio andava tão lentamente que nem tartaruga. O recurso era fazer palavras cruzadas.

Foi ao banheiro, parece que alguma coisa o compelia a olhar no espelho... Qual não foi a sua surpresa! Aquela pequena verruga (?) havia caído, era como se nada houvesse acontecido no seu rosto!

Teriam os ET´S feito mesmo a “operação” naquela noite, no hospital? E o que seria aquela verruguinha? Um implante verdadeiro? Fica para o leitor dar a sua opinião.

Manoel

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

OSVANDIR E O PRESENTE DE NATAL

O PRESENTE DE NATAL
Todo ano a ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos promove o Papai Noel dos Correios. Funciona da seguinte forma: as crianças enviam as cartas pedindo os presentes para o correio, que ficam numa enorme caixa. As pessoas interessadas passam por lá pegam a carta que achar mais interessante e levam o presente para as crianças em suas casas ou deixam lá para que eles façam a entrega.

Osvandir conversando com o seu tio Osmair sobre crianças pobres, que viu num bairro da periferia, tomou conhecimento sobre o assunto das cartas ao Papai Noel, e resolveu passar pelos Correios para ver.

A primeira carta que pegou não abriu, levou para casa. Olhou no envelope o endereço, era um bairro bem distante. Abriu e leu: “Sou um menino pobre, de 12 anos, tenho duas irmãzinhas, uma de 9 e outra de 11 anos. Gostaríamos de receber presentes do Papai Noel”.

O restante da carta tecia vários comentários sobre suas vidas solitárias naquele bairro, sem ter com que e com quem brincar. Dizia que os pais eram muito pobres e moravam numa casinha branca lá meio do quarteirão. Citavam a rua sem o número.

No outro dia Osvandir saiu para fazer as compras. Ai surgiu o problema: as crianças lá naquele ermo, bairro afastado, sem contato com a cidade, o que poderiam querer como presentes.

Osmair, seu tio, mais experiente, deu a sugestão: bicicleta para o menino, bonecas e bolas coloridas para as meninas. Andaram a cidade em busca de outras dicas. Tinha uma infinidade de bonecas e bolas. Bicicleta era mais fácil, a diferença era praticamente nas cores.

Bem antes do Natal já estava decidido: a bicicleta seria vermelha, com vários decalques e as bonecas, um modelo maior; quanto as bolas procuraria aquelas listradas com várias cores.

Com os presentes devidamente preparados, pegou o carro e saiu à procura daquele bairro chamado Raio de Sol. Como estava difícil de localizá-lo, pediu ajuda a um trocador de ônibus da linha local.

“Olha, meu Senhor, este bairro é tão longe, perto da cachoeira, nem tem linha que vai até lá. É um local abandonado pela administração, ninguém vai para aqueles lados. Pode seguir em linha reta até terminar a rua principal, anda mais uns três quilômetros em estrada de terra, depois vira a direita no próximo cruzamento, mais uns cinco quilômetros e chegará ao local”.

As informações eram precárias, mas resolveu arriscar. Era 8 horas da manhã, céu claro, bom tempo. Seguiu as instruções do trocador, mas as distâncias eram bem maiores. Marcou no velocímetro do veículo quando saiu, já estava aproximando dos 10 Km rodados e nada de aparecer o tal bairro, pensou até que tinha perdido no caminho.

Quando estava pensando em desistir, viu um barracão ao longe. Acelerou o carro e encontrou uma velha senhora regando as plantas de sua horta, com uma lata. Foi logo perguntando:
__ Aqui é o Bairro Raio de Sol?
__É!
__Onde fica a casa do menino Rafael?
__Como se chama seus pais?
__Sr. Raimundo e D. Mariazinha...
__Ah! É lá pros lados do ribeirão, é só seguir direto pela rua de baixo. Aqui, as ruas não tem nomes, nem as casas tem números, poucos tem água e apenas alguns tem energia elétrica em casa.
__Muito obrigado minha Senhora.

Mais alguns minutos e Osvandir estava no local procurado. Era mesmo uma casa modesta. Com o barulho do carro as crianças vieram todas correndo para saber o que se tratava.
__Procuro o Rafael e suas duas irmãs.
__Sou o Rafael, aquela é a “Ninha” e esta a “Tiana”.
__Sou o Osvandir, eu peguei sua carta nos Correios...
__Foi minha mãe quem escreveu, eu não sei ler. Ela não está em casa, foi capinar na roça.
__Está bem, como sua mãe não disse os presentes, eu trouxe para você uma bicicleta e para suas irmãs, bonecas e bolas coloridas.
__É tio, o Senhor está por fora, eu queria era um vídeo game...
__Mas na sua casa nem tem energia...
__A gente joga na casa do vizinho...
__Está tudo bem e as meninas querem as bonecas?
__Não tio, eu queria um MP3 e a “Ninha” um celular para conversar com as amigas.
__CLARO! Respondeu Osvandir.
__Então um OI pro Senhor – disse Aninha.
__Pode ser um bem baraTIM, falou “Tiana”, sorrindo.
__Fique VIVO, meu Senhor, falou Rafa.
__Tem alguma rua aqui que eu possa usar para chegar mais rápido na estrada?
__Pegue a rua de cima que tem menos buracos.

Com os presentes no carro, Osvandir saiu daquele local meio triste pelo ocorrido. Quando estava quase chegando a estrada alguém pediu carona.

Para, não para, eis o dilema. Parou! O que mais poderia acontecer com um Papai Noel frustrado? O homem entrou no carro.

Conversa vai, conversa vem, o motorista acabou contando toda a história para o caroneiro.
Com um sorriso no rosto o homem falou:
__Pare o carro! Isto é um assalto! Vou levar os brinquedos, menos o carro, que não sei dirigir.
__Pode levar o que quiser.
Quando os brinquedos estavam bem amarrados na bicicleta, o homem disse:
__Pode seguir em paz, moço. Esqueci de te dizer, sou o Raimundo, pai do Rafael! Crianças não entendem nada de presentes. Obrigado e Feliz Natal!

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

HISTÓRIAS DE FIM DE ANO

OSVANDIR CAÇANDO UFOS


Osvandir tomou conhecimento do aparecimento de luzes no céu de Ribeiros, Povoado de Carmo do Cajuru-MG, próximo a Pedra do Calhau, a cerca de 15 Km de Divinópolis.

Pegou suas tralhas eletrônicas, detector de ufos, sinalizadores, bússola, alimentação e colocou tudo num novo veículo que acabara de adquirir.

O tempo estava bom, sol ameno e nuvens lindas no horizonte. Dez horas da manhã ele partiu para mais uma grande empreitada. Até Cajuru a estrada estava boa, depois alguns buracos, mas nada que a cabeça do “Caçador de Ufos” não pudesse resolver. Andou uns 3 km e deparou com uma grande quantidade de mangueiras. Havia manga de muitas qualidades: Jatobá, Pequi, Coração de Boi, Doce de Leite, Manga Maçã, Espada, Rosa, e outras com nomes estrangeiros, mas nem por isso deixavam de ser deliciosas.

Osvandir ficou possesso, nunca tinha visto tanta manga num só lugar. Parou o carro imediatamente e começou atacar aquelas belezuras. As sombras das mangueiras eram enormes e ali o lugar ideal para armar a barraca. Desceu tudo do seu veículo e armou uma rede entre dois frondosos troncos. Mas as mangas continuavam a ser devoradas com muita rapidez. Já tinha comido dez, quinze, ou vinte mangas, não sabia. Cada uma com o seu sabor especial. Acreditem, encontrou uma com sabor de abacaxi.

No meio de tanta fruta os pássaros soltando os seus cantos. Até Canarinho Chapinha que há muito tempo não ouvia, estavam ali saboreando a diversidade da natureza. Um Sabiá Laranjeira chamou-lhe a atenção: fazia um ninho de gravetos, capim e barro bem num galho, logo acima de uma casinha de João de Barro.

Tirou uma soneca e quando olhou o relógio já estava muito tarde para o almoço, mesmo assim comeu um sanduíche que levara. Pegou o binóculo e vasculhou o céu azul em busca de alguma coisa que pudesse fotografar. Nada. 

Tudo estava como Deus criou. A noite vinha chegando, para lado Oeste o sol escondia-se por trás das montanhas.

Osvandir não havia prestado atenção nas redondezas pela preocupação com as mangas. Do lado direito um lindo lago refletia os últimos raios solares e mais adiante as luzes de um loteamento de chácaras.

Alguns mosquitos perturbavam o sono de nosso herói. Quando tudo parecia calmo um barulho esquisito e muitas luzes, fez com que ele levantasse às pressas pegasse a lanterna e verificasse o que se passava. Era meia-noite, a sua barriga começou a roncar. Era o efeito purgativo das mangas. Correu para o mato. Atrás de uma moita de murici ele ficou por um bom tempo lembrando o que passou em Itaúna, quando usou como papel higiênico algumas folhas de Aroeirinha. Mas desta vez ele estava prevenido. Sacou da sacola aquele rolo de 60 metros e usou a vontade...

Assim que terminou aquele ato fisiológico, já refeito, foi pesquisar pelas redondezas. Do lado do lago avistou umas luzes de cor azul, que subiam e desciam, fez algumas fotos. Caminhou em linha reta, em direção a pedra do Calhau, estava muito escuro. Uma coruja voou ao seu lado. Assustou-se. 

Caminhou mais um pouco. Por entre os galhos e ramagem daquelas árvores de cerrado vislumbrou o que procurava. Uma luz forte ofuscou seus olhos. Levou a mão direita a procura de seu binóculo, mas não o encontrou. A solução era bater algumas fotos. Aproximou mais um pouco do local, algumas árvores prejudicavam a visão. Mudou de posição. De repente grandes luzes verde, azul e vermelha começaram a piscar e outras amarelas, bem pequenas, giravam em torno daquele objeto não identificado.

Depois de farto material fotográfico colhido Osvandir voltou satisfeito para seu acampamento. Agora ninguém poderia dizer que ele era um “Ufólogo Maluco”. Tinhas as provas de um verdadeiro ufo. Já era manhãzinha e ele resolveu voltar para casa.

O primeiro impulso foi jogar as imagens no computador e verificar com mais calma. De tanta emoção atrapalhou-se todo. Não conseguia fazer o seu moderno equipamento funcionar quando mais precisava dele. A solução foi procurar o Asa Color para revelar as fotos digitais.

De posse de 20 fotos, reveladas às pressas, notou um aparelho esquisito que não deu pare ser identificado.

Mediante o fato, Osvandir resolveu voltar ao locar imediatamente. Talvez a nave estivesse avariada e ainda estaria naquele local. Parou onde havia acampado. Entrou no mato e andou cerca de um quilômetro e descobriu aquele objeto ainda no mesmo local.

A noite nem tinha notado que havia uma casa ali perto. Aproximou mais e encontrou a dona da casa que foi logo cumprimentando:

__Bom dia, meu senhor!

__Bom dia.

Como Osvandir olhava muito em certa direção ela foi logo explicando:

__Ficou bonita, não moço? Aproveitei esta antena parabólica velha e fiz esta árvore de natal, bem diferente.

__Ficou linda, minha senhora.


Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

sábado, 1 de dezembro de 2007

SÉRIE: HISTÓRIAS DE FIM DE ANO

OSVANDIR CHOROU!

A D. Oldair, tia do Osvandir, foi quem nos contou essa história, baseada em fatos reais:
A família estava passando por muitos problemas; o marido desempregado por mais de um ano, seis crianças para cuidar. A filha mais velha, com apenas 11 anos já ajudava em tudo, naquele barraco emprestado por um vizinho de bom coração. A mulher de Joãozito foi internada para fazer exames, ficou sabendo que a coisa andava preta para seu lado: o primeiro exame constatou um tumor no seu seio direito. Retirado material para análise, ficou comprovado que era maligno.

Internada às pressas no Hospital do Câncer, para as primeiras sessões de radiação e logo os seus cabelos foram caindo. Isabelita foi visitá-la, mas foi impedida de entrar no hospital pela burocracia. “Crianças com menos de 12 anos não podem entrar”, repetiu o moço da portaria.

Como esperta que era, esperou um cochilo do porteiro e entrou, procurou o quarto 1313 e lá encontrou a sua pobre mãezinha entre aqueles equipamentos do hospital. Notou que ela usava um lenço amarrado a cabeça e perguntou: “Pra que isso mamãe?” A mãe disse que era parte do tratamento hospitalar.

Isabelita falou dos irmãos, todos sentiam a sua falta e do pai que cada vez bebia mais. Mas no meio de tanta notícia ruim apareceu uma boa, e aí Izabelita era só sorrisos: “vou começar amanhã num novo emprego, mamãe, vou vender doces e frutas na rodovia, pertinho daquele posto de gasolina.”

Noutra visita à mãe, dizia que estava ganhando o suficiente para levar alimento para os outros cinco irmãos e seu pai. A sua mãe pediu-lhe que abrisse a gaveta do móvel do quarto e retirasse a sua bolsa. Tentou recostar-se na cabeceira da cama, não conseguiu, pediu ajuda, as enfermeiras a colocaram na posição solicitada. Abriu a bolsa, pegou uma caneta e uma velha foto sua e do marido, escreveu, com as mãos trêmulas, uma mensagem no verso. Entregou a foto para Isabelita.

A menina saiu do hospital com aquela foto junto ao coração. Ao chegar a sua casa, pegou um lápis de seu irmão e também escreveu uma frase logo abaixo da que sua mãe escrevera.

Os dias foram passando rapidamente e Isabelita ali naquele ambiente nada bom para crianças, mas ela sabia se defender muito bem. Quando alguém tentava qualquer coisa, ela dizia: “antes de me fazer mal, pense em sua filha ou sua irmã”. E o resultado era impressionante, aquelas palavras, ditas com tanta simplicidade e inocência, atingia os corações das pessoas.

Ela ficou famosa no local, apareceu até numa reportagem sobre menores que trabalham nas estradas. Muitos que circulavam por ali conheciam a história de sua família e contribuíam independente de receber qualquer mercadoria.

Mas o tempo voava e a doença de sua mãe agravara, o câncer atingira várias partes do corpo. Debilitada, ela já não conhecia quase ninguém, os remédios sempre muito fortes a deixava dopada o dia inteiro.

Numa das visitas, nova confusão na portaria que não permitia a sua entrada. Com pena, outro porteiro, deixou a criança entrar. Isabelita pode ficar só alguns instantes com sua mãe. Ela estava pálida, da cor dos alvos lençóis do hospital. Conseguiu apenas levantar a mão direita parecendo dizer adeus.

Isabelita voltou para casa muito triste, colocou comida na mesa para seus irmãos e perguntou pelo pai, ninguém sabia onde ele estava.

No outro dia Isabelita levantou-se mais cedo, com vários pensamentos na cabeça, algo lhe dizia que vida de sua mãe estava no fim.

Correu ao hospital, mas não conseguiu entrar, ficou por ali observando até a tardinha, quando notou uma ambulância saindo. Procurou informações e ficou sabendo que aquele carro levava o corpo de uma mulher para o necrotério.

Aquela mulher fora enterrada em cova rasa, com despesas pagas pela Prefeitura local.

No outro dia Isabelita sumiu; ninguém tinha notícia dela, o irmão de nove anos esteve no seu ponto de trabalho e não conseguiu nenhuma informação.

Andando por uma vala da rodovia encontrou uma fotografia de sua mãe e de seu pai. Atrás da foto uma mensagem: “Isabelita querida, cuide bem de seus irmãos”.
Logo abaixo outra frase: “Pode deixar mamãe, vou cuidar bem dos meus irmãos e do papai.”