domingo, 21 de outubro de 2007

OSVANDIR - SÉRIE ASSOMBRAÇÃO II


ASSOMBRAÇÃO – Osvandir na Bahia


Um sujeito estranho estava em pé lendo um jornal da região, encostado no muro do terminal rodoviário. Pelo visto acabara de chegar à cidade. Ao seu lado estava uma maleta preta. Dobrou o jornal cuidadosamente, abriu a maleta e o guardou. No momento em que estava colocando o jornal deu para perceber alguns apetrechos eletrônicos que ele carregava. Parece que não havia outra coisa na mala a não ser os equipamentos. Provavelmente estava de passagem para algum lugar.
O sujeito pegou a mala cuidadosamente e veio em minha direção. Ao passar perto de mim deixou algo cair no chão. Era um pequeno gravador de bolso. Ele não percebeu que tinha deixado o objeto cair. Apanhei o gravador e o segui rapídamente para devolver. Dei um tapinha em suas costas. Ele virou-se rapidamente, batendo com a mala na minha perna. Deu um risinho amarelo, pedindo desculpas. Mostrei a ele o gravador que havia deixado cair. Me agradeceu pela gentileza, pegou o gravadorzinho e enfiou no mesmo bolso. Outra vez caiu no chão. Meio desajeitado, meteu a mão no bolso do paletó escuro e percebeu que estava furado. Escolheu outro bolso e o guardou. Antes verificou se estava tudo certo, sem furos. Perguntei se poderia ajudar. Pegou a mala, abriu e retirou novamente o jornal. Perguntou-me se sabia algo a respeito do que estava escrito no título principal “Objetos Estranhos Invadem Maiquinique”. Respondi que sim, que tinha ouvido falar, mas nada foi comentado nos telejornais. Disse-lhe inclusive que me interessava pelo assunto. Osvandir se revelou Ufólogo e que estava indo para Maiquinique averiguar o caso. Fez perguntas sobre a distância e como faria para chegar lá. Conversamos algum tempo sobre OVNIS e ETs. Em seguida o levei para um hotel da cidade. Osvandir disse que seu carro arrebentou a suspensão dianteira ao passar por um buraco enorme no meio da pista a poucos quilômetros da chegada. Por isto teve que fazer o resto do percurso de ônibus. A viagem de Minas para a Bahia foi bastante longa para seu velho Fiat 147. No mesmo dia providenciou o reboque e o conserto do carro.
Osvandir acordou cedo. O tempo estava nublado, ameaçando chover a qualquer instante. Ligou para a oficina. O mecânico avisou que o carro só ficaria pronto no meio da tarde.

“Maldito buraco! Depois os pilantras dizem que a culpa é do motorista quando ocorre algum acidente”. Pensou Osvandir.
Como não havia nada a fazer naquela cidade, ficou no hotel lendo jornal e vendo tv.
À tarde voltou a ligar. Ficou feliz ao saber que o carro estava pronto. Sem perder tempo, pegou suas tralhas, enfiou num táxi e foi para a oficina. De lá partiu em direção a Maiquinique no seu carro, ao som do Depeche Mode, Strange Love. Osvandir adora as músicas dos anos 80.

Seguindo as orientações do amigo que havia encontrado no dia anterior, Osvandir chegou próximo ao Marçal. A pista principal estava interditada porque uma parte do asfalto havia cedido. Uma placa indicava um desvio por uma estrada de terra. Estava enlameada devido às chuvas constantes dos dias anteriores, fazendo com que desenvolvesse baixa velocidade.
Cerca de 15 quilômetros à frente Osvandir teve que parar. Era o começo da famosa Serra. Puxou a manga do paletó. O relógio marcava pouco mais de 17 horas. Saiu do carro para averiguar a situação. Era uma descida imensa, tomada pela lama. Dava medo só de olhar para baixo. Osvandir tinha que tomar uma decisão rápida, arriscar descer e ficar atolado no meio da estrada ou ficar por ali mesmo até chegar alguém. O tempo fechado fazia a noite cair mais rápido do que o normal. Olhou ao seu redor. Parece que não havia alma viva naquele local. Abriu o porta-malas do carro, pegou sua maleta e um binóculo de boa potência. Olhou novamente a região. No alto da Serra avistou uma pequena casinha, quase encoberta pela vegetação. Aliviado com a possibilidade de passar a noite ali, Osvandir decidiu não arriscar a descida. Naquele momento uma fina camada de chuva começou a cair. Pegou rapidamente sua maleta e foi em direção à casa com lama já pela metade das canelas e a roupa molhada. Subiu a Serra com certa dificuldade. A trilha estava escorregadia, cheia de pedras. A escuridão estava tomando conta do local. Osvandir pegou sua lanterninha de pilhas, deu umas sacudidas para ligar. Iluminando o local, Osvandir sentiu arrepios ao ver a velha casa, dando a impressão de estar abandonada à primeira vista. Estava tudo lacrado, portas e janelas. No interior não dava para notar qualquer sinal de vida. Era um breu total. Do lado da casa uma árvore velha de galhos secos chamava a atenção por seu aspecto tenebroso. Mais ao fundo, no quintal, algo que parecia duas cruzes quase caindo de lado, em cima de um monte de terra tomada pelo mato. Osvandir estava tremendo mais de medo do que de frio. Bateu três vezes na porta e aguardou algum instante. Lá dentro, nenhum movimento que indicasse a presença de alguém. Bateu três vezes novamente, agora com mais força. Em seguida ouviu o ruído de alguém destravando a porta, que abria apenas pela metade por estar emperrada. Osvandir ficou paralisado ao iluminar aquele rosto que apareceu detrás da porta. Era uma linda mulher entre 20 e 25 anos de idade. Seus cabelos eram lisos e longos, negros como a noite. Seus olhos grandes e também negros, refletiam a luz da lanterna do Osvandir. Abrindo um sorriso encantador ela o convidou para entrar, pegou um lampião e acendeu. A luz revelou um pouco do interior da casa. Não havia móveis, apenas uma mesa forrada com panos limpos, um prato e comida, como se já estivesse esperando por sua chegada. As paredes estavam rachadas e o teto da casa coberto por teias de aranha. Uma enorme caranguejeira caminhava lentamente pela madeira de sustentação do telhado. Osvandir tinha pavor de aranhas. Mas a beleza daquela moça o fez esquecer de tudo, até do medo. Era estranho o fato daquela moça estar ali sozinha, naquela casa velha. Ela pediu para que fosse tomar um banho e trocar de roupa. Osvandir reparou que estava tudo preparado para ele. A bacia com água morna, as roupas em cima de uma cama e a comida esperando na mesa. Era bom demais para ser verdade. Osvandir perguntou de quem eram as duas cruzes lá fora e se a bela moça morava ali sozinha. Ela respondeu que era o túmulo dos seus pais. Era filha única e morava ali sozinha desde os treze anos, quando seus pais vieram a falecer. Depois disto ela pediu licença e sumiu por algum tempo. Osvandir tomou o banho morno, trocou suas roupas enlameadas e devorou a suculenta refeição. Estava esfomeado. Logo após a moça retornou, apertando contra o seu peito um gato de pelos brancos. Ela o afagava carinhosamente. Osvandir estava encantado com a beleza e delicadeza daquela mulher. Parecia um menino apaixonado. Estaria vivendo um sonho? Era difícil acreditar que aquilo estivesse acontecendo. Seus pensamentos foram cortados quando ela o convidou a se recolher. A cama era simples, mas arrumada, com lençóis limpos. Osvandir estava exausto, pegando logo no sono assim que deitou. No meio da noite, acordou assustado, o corpo lavado em suor. Foi um terrível pesadelo. Acendeu a lanterna e viu uma caranguejeira próximo à cama. Tentou acertá-la com o sapato, mas ela fugiu rapidamente para dentro da rachadura na parede. Abriu a janela do quarto para tomar um ar fresco. Lá fora não dava para ver nem um palmo à frente do nariz, apenas quando uns clarões surgiam no céu. Uma coruja soltou um pio agourento. Osvandir sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha de norte a sul. Onde estaria a moça? Fechou a janela, ficou um tempo sentado na beira da cama sem saber o que fazer. Depois voltou a adormecer.
Finalmente a noite acabou. Osvandir levantou-se, andou pela casa e nem sinal da moça. Lá fora viu suas roupas estendidas num varal. Estavam limpas e secas. A manhã estava ensolarada. Pegou, vestiu e aguardou algum tempo para ver se a moça aparecia. Ouviu uma buzina insistente lá embaixo. Pegou seu binóculo e observou. Era um carro aguardando passagem atrás do carro do Osvandir. Sem saber se esperava a moça para agradecer ou se descia, Osvandir optou por descer devido à insistência da buzina. Saiu quase correndo com sua maleta em punho, tropeçou numa pedra no meio do caminho e saiu rolando ladeira abaixo. Com o corpo cheio de escoriações, abanou a roupa, ajeitou-se, verificou os equipamentos para ver se tinham sofrido algum dano, mas estava tudo certo. Lá de dentro do carro o motorista continuava buzinando. Osvandir se aproximou, explicando ao motorista a situação que o obrigou a largar o carro ali. Falou da moça e da noite que tinha passado naquela casa lá no alto da Serra. O motorista arregalou os olhos, respondendo que faziam anos que ninguém morava naquele local e que a família toda tinha morrido num acidente de carro naquela mesma ladeira. Explicou que os corpos dos pais estavam enterrados ali mesmo, nos fundos da casa. O corpo da filha de treze anos jamais foi encontrado. Quase ninguém passava por ali desde que começaram a ouvir histórias estranhas sobre a moça. Ela aparecia de repente e sumia do mesmo jeito na ladeira. Muitos carros quebraram por ali. Osvandir ouviu toda a história perplexo. Entrou no seu Fiat, desceu a ladeira e foi embora na direção de Maiquinique. O sol da manhã deixou a estrada seca, possibilitando sua passagem sem problemas. Sem dúvida aquele acontecimento estranho ficaria um bom tempo martelando sua mente.

AL CRUZ

sábado, 13 de outubro de 2007

OSVANDIR - SÉRIE ASSOMBRAÇÃO


OSVANDIR E O CARRO PRETO
Foi meu tio Osmair quem contou-me:
“Senhor Antonio havia acabado de trocar o motor 1300 de seu fusca 80 por um mais possante, 1600, cor bege, Fafá de Belém, lanternas traseiras redondas e bem grandes, meio estranhas para a época, 1990.
Fazia viagens curtas, visitava várias cidades para vender os seus produtos, num raio de 250 Km.
Trabalhava às vezes até tarde e retornava para sua casa até meia-noite.
Não era como agora que o motorista pode ser morto ali naquele sinal da esquina, por um par de tênis. Mas também não tinha estes confortos de hoje, quando o vendedor pode passar o pedido por um fax, um e-mail de seu Note Book ou pelo equipamento, tipo Palmtop muito usado por grandes empresas.
Tinha que viajar muito, convencer o cliente, carregar pesadas malas de mostruário, dormir em pensões nada recomendáveis e restaurantes desagradáveis. Para emitir o pedido era um enorme sacrifício, citando item por item, retornar a empresa e entrega-los. Passar em casa, ver a esposa e filhos e no outro dia de novo ganhando a estrada. A estrada era a sua casa.
Prestava socorro em caso de acidentes ou de defeito nos veículos. Dava carona para quem conhecia ou quem achava que. Até porque não gostava de viajar sozinho.
Seqüestro relâmpago não existia, nem em filme. Acontecia nestes sertões de Minas de encontrar na beira da estrada algum motorista que teve o seu caminhão roubado, mas era raro.
As estradas eram melhores e a frota de veículos era menor.
Seguia nosso herói, às 17 horas pela Rodovia Federal, de Divinópolis para Pitangui, próximo ao cruzamento com a BR – 262, quase sobre a ponte, pelo espelho retrovisor, divisou ao longe um veículo bonito, todo preto. Vinha acompanhando-o há muito tempo, desde a última curva em esse.
Por uma questão de segundos o caro sumiu, não houve ultrapassagem. O motorista do fusca achou aquilo muito estranho, seu corpo sentiu aquele arrepio. Virou bruscamente o seu carro, parou no acostamento, olhou pra frente, para trás, em todas as direções, nada de carro preto.
Virou o carro e voltou cerca de dois quilômetros, bem devagar para ver se via alguma estrada vicinal, de terra, naquele trecho: nada!
Pesquisou rastos e rastros para ver se o carro havia voltado, também sem resultados.
Foi aí que resolveu seguir em frente. Lá no alto da subida, perto de um velho pequizeiro, próximo de uma curva, visualizou um vulto acenando. Era um rapaz de uns 25 nos pedindo carona, com um pedaço de papelão indicando Pitangui, em letras mal escritas. O motorista parou o carro e perguntou:
___ Vai mesmo para Pitangui?
___ Vou...
___ Suba, amigo...
Os dois seguiram estrada afora, meio calados. Após passar o cruzamento da BR – 262, o motorista resolveu quebrar o gelo:
___ Vinha eu cortando estrada, de repente apareceu no espelho um carro preto. Continuei e num dado momento o carro desapareceu da minha visão, sendo que não havia ultrapassado meu veículo...
___ É o Monza preto...
___ Que Monza preto?
___ O Senhor não sabe?
___ Não!
___ Virou lenda. Ele está sempre aparecendo por aqui.
___ Mais alguém já viu?
___ Muita gente, dizem que foi um rapaz de uns 25 anos que faleceu num terrível acidente aqui por perto.
A conversa foi boa, esclarecedora que nem viram o tempo passar e aí já estavam chegando em Pitangui.
___ Pode parar o carro, vou ficar por aqui...
O motorista parou o carro, já estava escuro, o rapaz desceu, agradeceu e sumiu...
Ao verificar em que local havia parado, o motorista assustou-se, havia parado bem em frente ao velho portão de um centenário cemitério!"

Manoel

sábado, 6 de outubro de 2007

OSVANDIR, O INTRÉPIDO II

IMPLANTADO EM ITAÚNA

* Por Pepe Chaves

Como vimos no capítulo anterior, Osvandir aportou em Itaúna, Terra de Sant’Ana, situada a 80 km a Oeste de Belo Horizonte-MG. Veio de ônibus, pois o fusca “histórico” comprado em Araxá fora vendido a preço de banana pelo caminho, já que fundira o motor ainda no Triângulo Mineiro. Xingou Bettinassi e ao chegar com o estômago ainda revirando da viagem e o excesso das iguarias de Araxá, foi recepcionado logo que desceu na Churrascaria do Trevo, em Itaúna, por ninguém menos que Van der Birdies, famoso homem-pássaro que voa por todo Brasil e na ocasião, realizava em Itaúna pesquisa com os prováveis “Starlies”, seres em formato de estrelas que costumam pairar sobre sua cabeça. Os “lies” são uma incógnita para o pesquisador que busca prová-los a todo custo.

Birdies contou ao Osva que Itaúna era uma terra mística e cheia de muros extraplanetários, seres estelares e acreditava que ele se sentiria em casa. Birdies contou que era paranormal e que havia tido um sonho, na noite anterior, a mostrar que, Osvandir passaria por Itaúna, mas sairia da cidade com um implante alienígena. Osvandir se sentiu importante com aquilo que, para ele, era mais do que um elogio. Pepe Chaves, que vive em Itaúna, pelo celular, combinou com ambos um encontro para discutirem sobre os UFOs e ETs da cidade e fornecer as coordenadas dos locais de pesquisa para Osvandir.

Eles se encontraram na praça da matriz e sentados num mesmo banquinho traçaram os planos: uma excursão na Serra Mata da Onça, local com maior índice de avistamento de UFOs na cidade. Osvandir lembrou que estava devendo a seu primo e conterrâneo, Osvaerd, diretor de UFA! (requintada revista de ETs terrestres), uma reportagem sobre os UFOs em Minas e resolveu fazê-la naquela oportunidade. No outro dia de manhã, os três, com suas mochilas nas costas e uma barraca em punho subiram a serra em busca dos ETs itaunenses. Na penosa subida, encontraram os antigos muros de pedras, atribuídos popularmente aos escravos, mas tidos por alguns pesquisadores como sendo anteriores à época dos escravos. Osvandir ficou boquiaberto com o muro que serpenteava por centenas de metros a adentrar uma frondosa floresta de cerrado. Sabia que aquilo era obra de ET, pois, quem mais teria tecnologia para construir um muro no meio daquela mata, há séculos? Quebrou pequenos pedaços das pedras e colocou numa bolsinha de pano, afirmando que levaria amostras para análise do bio-ufólogo Paulo Aníbal em São Paulo. Ele e Aníbal (que visitou Itaúna noutra ocasião) acreditavam na possibilidade de aquelas pedras da Mata da Onça, assim como seus arquitetos, serem de outro planeta.

Chegando no alto da serra, armaram a barraca, vários: equipamentrômetros” , além de um usual “UFO detector” e diversas luzes sinalizadoras ETs. Osvandir espalhou nada menos que 10 luzes piscantes por todo o topo da serra. Segundo ele, aquilo atrairia qualquer UFO que passasse pela região. Acontece que os moradores do bairro Jadir Marinho, localizado logo abaixo da serra é que foram atraídos por aquelas luzes piscantes espalhadas no topo da serra e logo chamaram a Polícia e a TV City que, imediatamente, subiram a serra para averiguar as luzes coloridas.

Osva, Pepe e Birdies saboreavam cachorro-quente (de pão-de-queijo, claro) quando ouviram passos na mata escura. Espertamente, apagaram a fogueira e se esconderam atrás de arbustos quase rasteiros e silenciaram. Logo, viram que o barulho era acompanhado por luzes no mato que estavam se aproximando. As luzes eram como se fossem lanternas, mas Birdies e Osvandir garantiram, aos sussurros empolgados, que aquilo se tratava de sondas eteístas. Ouviram barulho de gravetos pisados e a adrenalina subiu em todos, pois, as luzes agora dançavam na mata, como que procurando por algo. Osvandir já filmava tudo com sua câmera chinesa, lembrando da cara que Osvaerd faria quando assistisse aquilo! Já Birdies, soltando palavrões em sussurros, esbravejava contra sua câmera que acabara de comprar e não queria funcionar por nada deste mundo – nem de outros.

Entretanto, do outro lado das luzes se encontravam, em verdade, o delegado da comarca de Itaúna acompanhado por dois policiais militares munidos de lanterna e esperando topar com um ET a cada passo que era dado na mata sombria. Eles sabiam da fama do lugar e naquele instante avistaram uma das lâmpadas sinalizadoras do Osvandir. Um dos policiais disse de pronto: “cuidado, não se aproximem muito, esta mini-nave pode ser radioativa ou decolar em alta velocidade pra cima da gente”. Empolgado, Osvandir exclama baixinho aos amigos: “Meu Deus, eles falam a nossa língua!”. Pepe argumenta que, logicamente, aquilo não seria sondas, tampouco ETs, mas seres humanos empunhando lanternas. Ambos visitantes discordam dessa teoria e Birdies roga uma praga final contra sua filmadora, argumentando que ela parou de funcionar, porque aqueles seres eram os “lies”, vindos da constelação de Otários e a energia deles e suas sondas atuaram no campo magnético em que se encontrava a câmera e a travou. Mas como a filmadora de Osvandir continuava funcionando? Simples: acontece que a filmadora do Osva era made in China e a do Birdies, do Paraguai. E, como todos sabem, as produções paraguaias são mais sensíveis a altos campos magnéticos.

Do outro lado, o delegado, já descrente, disse aos policiais: “isso deve ser brincadeira de algum maconheiro desocupado”, ao que, o soldado, formado em “eletrônica prática” por correspondência, garantiu: “pode até ser, mas se não for, não podemos nos aproximar disso, pois se for radioativo morreremos em poucas horas”. Ao ouvir aquilo, Pepe teve certeza que aqueles vultos eram mesmo de seres bem humanos que estavam ali do outro lado com suas lanternas, apenas checando as alarmantes luzes sinalizadoras do Osvandir, que deveriam ter sido avistadas da cidade.

Mas, eis que, naquele exato instante, para a surpresa de todos, surge a verdadeira mãe-do-ouro: uma bola de luz dourada aparece e todos saem correndo pela mata, inclusive, o delegado e os policiais. Birdies jogou sua encrencada filmadora para trás e “esticou” pela mata, Osvandir também se livrou de sua filmadora e, enquanto se safava, reclamava por não ter conseguido filmar a bola de luz voadora. Só conseguia pensar na cara do seu primo, rindo dele, ao contar o que se passara naquela “quase abdução” pela mãe-do-ouro. Pepe, que corria à frente, dirigindo os dois pelo escuro, dizia a eles para não fazerem barulho no mato e se calarem. Foi um deus-nos-acuda, pois a mãe-do-ouro, sobrevoando suas cabeças, soltava faíscas atônitas e estalos periódicos, como que enfurecida, não parecendo estar feliz com aquele movimento “alienígena” em sua área milenar.

Depois de duas horas de silêncio total, saíram os três de um esconderijo na mata e não viram mais as lanternas dos policiais nem a bola de luz voadora. O céu estava de brigadeiro e resolveram voltar ao local do acampamento pra comer um enlatado qualquer com pão-de-queijo e procurarem as filmadoras que descartaram no mato. Não acharam as filmadoras, mas, em compensação, se fartaram de almôndegas enlatadas a rechear pão-de-queijo à revelia. Depois foi a vez de doces com pão-de-queijo: pasta de goiabada e doce de leite como recheio. Ao amanhecer, antes de descerem a serra, tomaram um café com pão-de-queijo recheado com mussarela.

Retornando à cidade, Osvandir disse a Birdies e Pepe que visitaria a Barragem do Benfica, para fazer umas reflexões e checar a incrível casuística do maior espelho d’água da região de Itaúna. Van der Birdies que se despediu dos dois e quase perdeu o ônibus de volta para sua cidade, se encontrava inconformado por não ter conseguido filmar as três sondas que rondaram pela mata, tampouco a bola de luz dourada que sobrevoou a todos em polvorosa. Tinha ele certeza ser aquele o chefe dos “lies” se manifestando aos terrestres. “Esta sim, teria sido a prova de tudo o que ele venho falando a todos os céticos”, lastimou Birdies.

Já Osvandir, munido de todas as tralhas necessárias, pegou o ônibus Itaúna/Itatiaiuç u e desceu na região da Barragem do Benfica, a 10km da cidade. Seguiu rumo a uma das margens do lago, atravessou uma cerca e acampou na praia. Logo escureceu e ele armou todos os seus aparatos sinalizadores e “radarísticos”, na espera de que um UFO aparecesse e que um ET lhe fizesse contato.

Ele levou lanches de Itaúna para passar a noite lá: uma dúzia de pastéis gigantes “Massa Macia” e dois litros de Coca-cola. As horas foram passando e o melhor a fazer era comer os pastéis de camarão, considerados os melhores da cidade, pois UFOs não apareciam por ali. Por volta de 3h da manhã, o estômago de Osvandir reclama por ele ter comido tão rapidamente todos os 12 pastéis gigantes apimentados - e ainda teve a sobremesa: uma lata de meio quilo de doce de leite, que serviu de recheio para, nada menos que, 10 bigs pães-de-queijo! Atordoado, estomacalmente falando, Osvandir procurou a primeira moita que viu, se desafogou, mas lembrara que não trouxera papel higiênico na bagagem... “Oh my God!”, pensou consigo! Mas, inteligente que é, usou sua lanterninha e verificou a sua volta se havia alguma folha apropriada para substituir o papel. Logo encontrou uma planta espalmada e com aspecto confortável que atenderia ao serviço solicitado. Terminada a sessão, saiu do mato e foi tomar água, quando começou a sentir uma insuportável ardência nas partes baixas, exatamente onde usara a planta. Aquilo foi intensificando e se transformando numa dor insuportável, acompanhada por um ardente desejo de expelir as próprias tripas. Osvandir – e disso ele ficaria sabendo somente no hospital, mais tarde - havia feito de papel higiênico, nada menos que uma folha da famosa “aroeira do sertão”, planta tóxica que, em contato com a mucosa humana, queima e provoca feridas cutâneas.

Literalmente, com “fogo no rabo”, Osvandir não teve outra alternativa, senão, às 3h30 da amanhã, num frio do cão, quebrar o espelho da barragem do Benfica com um mergulho profundo naquelas doces águas. Ali, se lavou e bendisse ao frio que sentia noutras partes do corpo. No entanto, quanto mais se lavava, mais a coisa ardia e quando verificou, o local estava crítico: tivera problema com as hemorróidas. Depressa, juntou suas coisas e correu pra estrada, o sol ainda não havia saído, mas ele tentou pegar uma carona. Foi de uma sorte tremenda, pois uma ambulância do SUS de Itatiaiuçu que levava um doente a Itaúna passava por ali e o levou junto para o hospital “Manoel Gonçalves”. Lá chegando, Osva recusou ser analisado localmente e se limitou em apenas explicar sua situação. O médico disse que a planta era tóxica e recomendou a ele, o uso contínuo de supositórios farmacêuticos, durante as próximas 48h, garantindo que os mesmos aliviariam o ardor.

Assim, contra sua vontade, Osvandir entrou na primeira farmácia que viu e comprou um estoque de supositórios. No ato, ironicamente, lembrou da previsão de Birdies, de que ele “seria implantado em Itaúna”. Mas deveria ser por ETs, ora, bolas! “Videntezinho de merda”, pensou! De volta ao hotel e já devidamente “implantado”, Osvandir resolveu subir o morro do Bonfim, o mirante central da cidade e lá passar a noite. Sabia que ali também se deram alguns avistamentos inexplicáveis e esperava, antes de partir na manhã seguinte, fazer contato extraplanetário em Itaúna, por isso, comprou uma nova filmadora nas Casas Pernambucanas para registrar aquela noite.

No alto do Bonfim, ele captou pelo rádio um estranho sinal que dizia: “terráqueos, o dia de nossa volta se aproxima. Chegaremos em uma frota de milhares de naves, capitaneadas por Jesus, o Cristo”. A mensagem seguiu dizendo: “se você estiver em qualquer lugar do mundo agora, olhe a leste e verá uma luz chegando”. Descrente, Osvandir olhou e, de fato, havia uma luz se aproximando pelo céu, incrivelmente vinda de leste! Rapidamente, pegou a filmadora e começou a filmar, pensando consigo: “agora quero ver quem não vai acreditar em mim, se prepara pra arrebentar, Osvaerd!”. E a voz do rádio prosseguia: “esta que você vê agora, é nossa nave-mãe que está em missão de reconhecimento na Terra e serve de prenúncio para nossa grande chegada”. A luz se aproximava cada vez mais e começou a piscar, piscar, piscar... E ao passar sobre sua cabeça seguiu um forte ronco de turbina! Aquilo era somente um avião que decolara do Aeroporto de Confins, em BH, rumo ao Centro-Oeste do Brasil e, como se sabe, trafegava na rota Leste-Oeste, que passa exatamente em cima do Morro do Bonfim, em Itaúna.

O ronco da aeronave terrestre foi um balde d’água fria nas expectativas do Osvandir. Mas, a voz do rádio continuou prevendo: “Se você vê coisas estranhas e está nos ouvindo agora, é porque você é um dos nossos! O seu lugar está seguro entre aqueles que herdarão o reino da Terra”. Osvandir descobriu depois que estava sintonizado era na rádio Osborne, que transmitia ao vivo, uma fala de Jan Val Ellan.

Mas a frustração durou pouco, porque, fantasticamente, um disco voador todo iluminado estava pousando a poucos metros dali. Apressado, Osva empunhou sua câmera para filmar a descida do disco, mas viu que esta não funcionava – certamente, deveria ser pelo campo magnético do disco voador que o fez tremer como vara-verde e arrepiar todos os pelos do corpo, acreditava. Sorrateiramente, Osva se aproximou do objeto já pousado e ainda fumegante. Meio escondido pelo mato e muito surpreso, viu sair do disco dois seres que falaram um para o outro: “Xruuuuvruuuubuuuuu?” e “Yruuuuuuuuuuvruuubi iiiii!”. Eles rondaram o objeto iluminado e Osvandir pensou logo em se apresentar como o embaixador terrestre, mas lembrou do famoso “Caso Rivalino”, ocorrido em Minas e escrito por Alberto do Carmo (que lera em UFOVIA) e teve medo de ser levado por eles, assim como o desaparecido protagonista desse caso mineiro.

Porém, ao buscar maior aproximação para melhor averiguar a fisionomia dos humanóides ETs, ele pisou num galho seco que se quebrou e denunciou aos aliens sua presença no local. Osva tremeu, agora de pavor, pois não conseguira correr, vez que seus joelhos se debatiam entre si ao constatar que os humanóides se aproximavam em sua direção. A respiração ficou ofegante e, ao parar diante dele, o ET que parecia ser o chefe olhou pra ele com uma cara de “quem comeu e não gostou”. Então, o gray abdutor colocou a mão direita (composta por somente três dedos) em sua testa e o contatado Osvandir desfaleceu imediatamente. ..

Na manhã seguinte, Osvandir, maltrapilho, acorda numa praça pública na vizinha cidade de Divinópolis, sem nenhuma explicação lógica para o que havia ocorrido na noite anterior. Vítima de lavagem cerebral extraterrestre, esquecera ele, até mesmo, que havia visto o disco voador gray descer no morro do Bonfim em Itaúna e que um dos seres se aproximou dele. Apenas estranhava algumas coisas: 1) o fato de acordar em Divinópolis, se estava em Itaúna; 2) o fato de estar ali sem suas tralhas, nem mesmo com seus documentos ou dinheiro; 3) no lugar do supositório que estava usando à noite, aparecera outro, das mesmas dimensões, porém, composto de nióbio – diga-se, que curou, da noite para o dia, todas as suas queimaduras cutâneas.

Mais que depressa ele entrou numa lanchonete e pediu um catálogo para encontrar o telefone de Mano el Amaral, famoso pesquisador mineiro que reside em Divinópolis e a quem pediria ajuda para desvendar seus últimos mistérios relacionados ao tempo perdido que vivera na noite anterior, além de pedir também um café com pão-de-queijo e uma grana emprestada para voltar a Itaúna e pegar os seus pertences. Contudo, ainda que não se lembrasse de nada que ocorrera na noite anterior, de uma coisa Osvandir tinha certeza absoluta (graças ao implante de nióbio que lhe foi introduzido) : fora abduzido pelos ETs de Araxá, que o seguiu até Itaúna e o deixou no centro da Divinópolis. Birdies estava certo!


Pepe Chaves