sexta-feira, 17 de agosto de 2007

OS TIOS DO OSVANDIR

OSMAIR E O BANCO DO BRASIL

Foi ele mesmo quem contou-me:

"_ Quando aposentei-me, podia retirar o fundo do PIS - PASEP , só que era em Divinópolis. Eu fiquei assim meio "cabrero" porque apesar de ter trabalhado a terra a vida inteira, nunca tinha posto os pés no Banco do Brasil.

Levantamos cedo, a OSAIR e eu, preparamos o cafezinho, comemos uns biscoitos e fomos para o ponto de ônibus.

O ônibus "tava" demorando muito, fui conferir o relógio, nós é que tínhamos ido muito cedo para o ponto; às 8:00 ele chegou.

A viagem foi quase normal, se não fosse um Sr. do Ribeirão que entrou com um balaio de ovos e colocou mesmo ao meu lado. Fui ficando preocupado com aquilo estorvando minha canela e pensando como seria na hora de descer. A sorte que o bendito Senhor desceu antes de chegar na rodoviária velha.

Ao descermos quisemos pegar um táxi para ir até ao Banco, mas o taxista era legal e disse:

__ Não precisa, o Banco do Brasil fica ali do outro lado da rua.

Agradecemos, atravessamos a rua e entramos na fila.

Ficamos ali por umas duas horas ouvindo conversas de todo mundo.

Chegou uma senhora com uma menina no colo, puseram ela na frente. Outro velhinho de barba branca, também foi para lá. Uma passou mal na nossa frente e foi menos uma que diminuiu na fila.
Uma briga de dois rapazes que queriam ficar lá na frente e o guarda não deixou.

Até que enfim a porta abriu-se, fiquei olhando aquele povo todo passando pela porta giratória, parecendo "formiga cabeçuda" entrando no buraco, ou gado entrando no curral.

Quando estava aproximando a nossa vez eu fiquei confuso, fiz que fui , mas não fui, a Osair vinha atrás, me empurrou e eu fui parar lá dentro do banco, assustado, imaginando que todo mundo estava olhando para nós.

A fila só diminuindo, à nossa frente um rapazinho com uma mala preta, ao aproximar-se do caixa abriu a mala e caíram vários papéis no chão. Ajudei-o a pegar os papéis e o desgraçado nem me agradeceu, foi correndo direto pro caixa.

Uma mulher ficou conversando com outra que estava na fila, em nossa frente e quando percebemos ela já tinha entrado atrás da outra, apesar dos protestos de todos.

Finalmente chegou a nossa vez de receber o PIS. O meu coração estava batendo forte. Eu pensava que era uma "mirrecazinha", mas quando o caixa veio com uma "bolada" de dinheiro, pensei que ele tinha errado o dono. Peguei aquilo, soquei na sacola de brim marrom e nem conferi.

Ao sair do Banco, o mesmo problema da porta, aquele trem é muito complicado, porque a porta gira e tem gente entrando e saindo ao mesmo tempo.

Desta vez eu fiz que fui e fui mesmo, a OSAIR acabou entrando na mesma repartição da porta e nós dois "esprimidinhos" fomos espirrar lá fora no meio do povo.

Na volta segurei a sacola debaixo do braço até minha cidade, com medo de ladrões. Foi uma festa! "

Manoel Amaral

Nota do Autor:
Cabrero: desconfiado
Formiga cabeçuda: saúva
Mirrecazinha; pouca coisa, pouco valor.

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