domingo, 15 de abril de 2007

O COMETA

O COMETA – CAPÍTULO I
Osvandir Vieira Nicolai

Osvandir foi para o Triângulo Mineiro, pensando ver melhor o novo cometa. Pegou a luneta, o binóculo, máquina fotográfica convencional, tripé, guarda-chuva e rumou para bem próximo de Araxá.
No alto da Serra da Canastra, onde o queijo é o melhor de Minas, procurou um bom abrigo e um campo de observação. O melhor lugar que conseguiu foi onde uns rapazes fazem vôos com asa delta e praticam outros esportes radicais, o Horizonte Perdido.
Na parte da manhã ia até Araxá para matar as saudades de quando hospedava-se no Hotel da Previdência, que hoje encontra-se em eterna reforma pelo Governo do Estado.
Ali naquele local passou bons momentos com a família. Lá no pátio do Grande Hotel, construído por Benedito Valadares, na época de Getúlio Vargas, colocava as crianças para brincar nas bicicletas alugadas.
Só uma vez ficou no Grande Hotel, que fica pertinho do Hotel da Previdência, foi num congresso. Osvandir não tinha dinheiro para hospedar-se lá, pois uma diária daria para ficar a semana inteira no outro hotel. As vagas ficavam então para os turistas estrangeiros ou Paulistas.
Passando pelo Mercado Municipal, no centro da cidade, comprou alguns queijos e resolveu retornar para o seu local de observação próximo a BR-262.
No primeiro dia bateu vária fotos ao por do sol. Uma delas chamou a atenção. Um estranho objeto surgiu no canto direito da foto. Osvandir ficou entusiasmado. Pensou:
“valeu a pena, vou mandar pro Márcio e o Fábio”.
Mas sua alegria durou pouco. No outro dia passeando por Araxá, perguntou por Bettinassi e alguém se prontificou a levá-lo até a sua casa. Lá bateu um longo papo com ele sobre ufologia, estudos telúricos e celestes. Pediu para ver os desenhos e pinturas digitais que ele fazia pro Ufovia e o Via Fanzine.
Fábio disse que não trabalhava com isso que ele estava fazendo confusão, era o Fábio Vieira.
Mostrou-lhe a foto que tirara no alto da serra e a decepção foi geral, trata-se de um simples inseto, muito abundantes naquela região.
Osvandir, mais conhecido como OVNI, ficou babando, nunca vira um arquivo assim, não organizado e tanto material de pesquisa.
Leu o original do artigo “Elemento 118:
O que isso tem a ver com nossas vidas? “ Onde Fábio faz um conexão entre a descoberta do Elemento 118 e a Operação Prato e informa que “que materiais superpesados sabidamente existentes na região Norte do Brasil, sobretudo no Estado do Pará, estariam sendo extraídos e pesquisados naqueles finais dos anos de 1970, por potências militares capazes de encenar os mais intrincados truques e estratégias para acobertar, enganar, disfarçar e desinformar, nada mais que a sua própria ganância pelo poder.”


O COMETA – CAPÍTULO II
Osvandir recebeu de brinde vários CDs e DVDs com documentário sobre Óvnis.
Como já estava escurecendo saiu rápido da casa do seu novo amigo e rumou para seu abrigo no alto da Serra da Canastra.
Na primeira noite não conseguiu ver nada, pois o tempo estava nublado, só deu chuva.
Dormir fora de casa para ele era um sacrifício muito grande, sempre acostumado com a sua cama, computador e seu aparelho de DVD. Viu alguns programas de TV que ainda estavam falando do Buraco de São Paulo. Lembrou que lera em alguma revista de curiosidades que existe um túnel que vai do Brasil até Machu Picchu. Outros túneis no Rio de Janeiro, em Pernambuco e vários em Minas Gerais, estes devido à mineração. Até na Serra da Canastra diz existir um secreta entrada de uma caverna.
No outro dia levantou-se animadíssimo, colocou a máquina no pescoço, o binóculo na mão direita, arrumou uma garrafinha de água mineral e partiu para mais uma aventura no cerrado e montanhas.
Encontrou araçás, gabirobas, mamacadelas, bacupari e até as esquecidas ameixas pretas. Muitas árvores com a casca queimada pelos incessantes incêndios da região.
Ouviu o barulho de uma grande cachoeira, mas não quis ir até lá. Pensava só no cometa, como mesmo era o nome dele?
2006 P1 McNaught? Seria esse o nome daquele cometa que o Márcio fala tanto e que deixa um rastos de luz? Acho que era esse mesmo, comentou o Osvandir.
A tarde vinha chegando de mansinho sobre a serra, os grilos cantando, um urutau voando pela noite, corujas se aninhando no toco de pau.Tudo conforme a natureza previra.
Um brilho surgiu no céu, Osvandir sacou sua máquina fotográfica, fez seis fotos seguidas, sem mesmo verificar nada na máquina e na imagem que estava tentando capturar. Foi embora para o abrigo satisfeito, o cometa estava registrado em seu filme.
Na manhã seguinte pegou suas coisas, passou no próximo posto de gasolina abasteceu o carro, esbravejou contra o governo pelo preço do combustível e lá se foi para sua cidade. Desceu a serra até sem perceber de tanta alegria.
A chegar em casa, foi logo enrolando o filme e levou depressa para revelação.
O jovem atendente disse que poderia procurar dentro de uma hora mais ou menos. Osvandir não quis ir para casa, resolveu ficar ali no centro da cidade mesmo. Entrou numa loja viu uma roupas, comprou o jornal, novamente o buraco de São Paulo. Todos comentando sobre o assunto. O horário marcado era 11 horas, mas como demova passar o tempo.
Enfim chegou no local exatamente no horário combinado.
Ao abrir o envelope, trêmulo, com o rosto em brasa, viu a primeira foto, nada pegou apenas algumas árvores do cerrado. A segunda meio desfocada , não deu para saber nada. A terceira e quarta sim estavam nítidas e bem claras: ele fotografara o farol de um caminhão que subia a serra!