sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

OSVANDIR E O IMPLANTE

OSVANDIR E O IMPLANTE

Primeiro foi uma coceirinha, depois uma inflamação. Algo estava querendo aflorar no rosto dele. Dia a dia aquilo aumentava um pouco. Seria a raiz de cabelo, inflamada? Um pequeno tumor? Um bicho-de-pé? Ninguém sabia...

Com o passar dos dias aquela desagradável saliência foi aumentando bem próximo do nariz. Como doía muito, foi aconselhado a procurar um médico especialista daquela área.

No consultório viu muitas coisas piores que a sua, uma simples verruga. Conversou com várias pessoas e muitos estavam esperando a consulta pelo SUS - Sistema Único de Saúde, há mais de três meses, com uma papelada nas mãos, indo e voltando várias vezes por causa da burocracia. Muitos haviam falecido na espera de tratamento.

Osvandir sentia pena daquele povão que sofria nas mãos de médicos, enfermeiros, porteiros, faxineiros, etc. O Sistema de Saúde, completamente falido, não tem condições de atender bem a população.

Depois de esperar quase duas horas, mesmo pagando a consulta, foi atendido pelo médico Dr. Jorge. Aperta daqui e dali, resolveu solicitar vários exames de sangue, urina e colheu uma partícula para laboratório. Marcada nova consulta para o mês seguinte.

Aquela coisinha perturbava o Osvandir tanto, que ele nem dormia direito. Ficava matutando o que seria aquilo. Pensou até em implante extraterrestre. Lembram daquela vez que ele foi abduzido? Uma luz forte partiu do disco e o paralisou, um tubo transparente o levou até a nave. Pois é, ele também lembrou e ficou muito preocupado.

Fez todos os exames exigidos pelo médico, tudo normal, apenas o colesterol um pouquinho alto, coisa que resolveria com uma caixa de remédio e alteração na alimentação.

O doutor falou que havia necessidade de operar. Operar? Ir para hospital por causa de uma coisa tão pequena? O dia da internação foi marcado e os cuidados foram tomados, tais como medicamentos a serem adquiridos e comunicação com o hospital para reserva do apartamento. Internaria à tarde e a “operação” seria na manhã do outro dia.

Só de entrar no hospital o Osvandir sentiu um friozinho na coluna vertebral. Não dormiu direito. Sonhou que tinham ET´S fazendo implantes por todo seu corpo, inclusive no dedão do pé. Eram coisa muito moderna, como aquela máquina de rebitar metal. Um clique e pronto, a pessoa já estava implantada.

De manhã acordou aliviado, era tudo um pesadelo. Tomou um banho, vestiu aquela bata branca, com as partes íntimas de trás, visíveis.

O horário para arrancar aquela coisinha impertinente foi marcado para 11 horas. Passeia pra lá, pra cá e o tempo correndo muito lentamente. O ponteiro dos minutos do relógio andava tão lentamente que nem tartaruga. O recurso era fazer palavras cruzadas.

Foi ao banheiro, parece que alguma coisa o compelia a olhar no espelho... Qual não foi a sua surpresa! Aquela pequena verruga (?) havia caído, era como se nada houvesse acontecido no seu rosto!

Teriam os ET´S feito mesmo a “operação” naquela noite, no hospital? E o que seria aquela verruguinha? Um implante verdadeiro? Fica para o leitor dar a sua opinião.

Manoel

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

OSVANDIR E O PRESENTE DE NATAL

O PRESENTE DE NATAL
Todo ano a ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos promove o Papai Noel dos Correios. Funciona da seguinte forma: as crianças enviam as cartas pedindo os presentes para o correio, que ficam numa enorme caixa. As pessoas interessadas passam por lá pegam a carta que achar mais interessante e levam o presente para as crianças em suas casas ou deixam lá para que eles façam a entrega.

Osvandir conversando com o seu tio Osmair sobre crianças pobres, que viu num bairro da periferia, tomou conhecimento sobre o assunto das cartas ao Papai Noel, e resolveu passar pelos Correios para ver.

A primeira carta que pegou não abriu, levou para casa. Olhou no envelope o endereço, era um bairro bem distante. Abriu e leu: “Sou um menino pobre, de 12 anos, tenho duas irmãzinhas, uma de 9 e outra de 11 anos. Gostaríamos de receber presentes do Papai Noel”.

O restante da carta tecia vários comentários sobre suas vidas solitárias naquele bairro, sem ter com que e com quem brincar. Dizia que os pais eram muito pobres e moravam numa casinha branca lá meio do quarteirão. Citavam a rua sem o número.

No outro dia Osvandir saiu para fazer as compras. Ai surgiu o problema: as crianças lá naquele ermo, bairro afastado, sem contato com a cidade, o que poderiam querer como presentes.

Osmair, seu tio, mais experiente, deu a sugestão: bicicleta para o menino, bonecas e bolas coloridas para as meninas. Andaram a cidade em busca de outras dicas. Tinha uma infinidade de bonecas e bolas. Bicicleta era mais fácil, a diferença era praticamente nas cores.

Bem antes do Natal já estava decidido: a bicicleta seria vermelha, com vários decalques e as bonecas, um modelo maior; quanto as bolas procuraria aquelas listradas com várias cores.

Com os presentes devidamente preparados, pegou o carro e saiu à procura daquele bairro chamado Raio de Sol. Como estava difícil de localizá-lo, pediu ajuda a um trocador de ônibus da linha local.

“Olha, meu Senhor, este bairro é tão longe, perto da cachoeira, nem tem linha que vai até lá. É um local abandonado pela administração, ninguém vai para aqueles lados. Pode seguir em linha reta até terminar a rua principal, anda mais uns três quilômetros em estrada de terra, depois vira a direita no próximo cruzamento, mais uns cinco quilômetros e chegará ao local”.

As informações eram precárias, mas resolveu arriscar. Era 8 horas da manhã, céu claro, bom tempo. Seguiu as instruções do trocador, mas as distâncias eram bem maiores. Marcou no velocímetro do veículo quando saiu, já estava aproximando dos 10 Km rodados e nada de aparecer o tal bairro, pensou até que tinha perdido no caminho.

Quando estava pensando em desistir, viu um barracão ao longe. Acelerou o carro e encontrou uma velha senhora regando as plantas de sua horta, com uma lata. Foi logo perguntando:
__ Aqui é o Bairro Raio de Sol?
__É!
__Onde fica a casa do menino Rafael?
__Como se chama seus pais?
__Sr. Raimundo e D. Mariazinha...
__Ah! É lá pros lados do ribeirão, é só seguir direto pela rua de baixo. Aqui, as ruas não tem nomes, nem as casas tem números, poucos tem água e apenas alguns tem energia elétrica em casa.
__Muito obrigado minha Senhora.

Mais alguns minutos e Osvandir estava no local procurado. Era mesmo uma casa modesta. Com o barulho do carro as crianças vieram todas correndo para saber o que se tratava.
__Procuro o Rafael e suas duas irmãs.
__Sou o Rafael, aquela é a “Ninha” e esta a “Tiana”.
__Sou o Osvandir, eu peguei sua carta nos Correios...
__Foi minha mãe quem escreveu, eu não sei ler. Ela não está em casa, foi capinar na roça.
__Está bem, como sua mãe não disse os presentes, eu trouxe para você uma bicicleta e para suas irmãs, bonecas e bolas coloridas.
__É tio, o Senhor está por fora, eu queria era um vídeo game...
__Mas na sua casa nem tem energia...
__A gente joga na casa do vizinho...
__Está tudo bem e as meninas querem as bonecas?
__Não tio, eu queria um MP3 e a “Ninha” um celular para conversar com as amigas.
__CLARO! Respondeu Osvandir.
__Então um OI pro Senhor – disse Aninha.
__Pode ser um bem baraTIM, falou “Tiana”, sorrindo.
__Fique VIVO, meu Senhor, falou Rafa.
__Tem alguma rua aqui que eu possa usar para chegar mais rápido na estrada?
__Pegue a rua de cima que tem menos buracos.

Com os presentes no carro, Osvandir saiu daquele local meio triste pelo ocorrido. Quando estava quase chegando a estrada alguém pediu carona.

Para, não para, eis o dilema. Parou! O que mais poderia acontecer com um Papai Noel frustrado? O homem entrou no carro.

Conversa vai, conversa vem, o motorista acabou contando toda a história para o caroneiro.
Com um sorriso no rosto o homem falou:
__Pare o carro! Isto é um assalto! Vou levar os brinquedos, menos o carro, que não sei dirigir.
__Pode levar o que quiser.
Quando os brinquedos estavam bem amarrados na bicicleta, o homem disse:
__Pode seguir em paz, moço. Esqueci de te dizer, sou o Raimundo, pai do Rafael! Crianças não entendem nada de presentes. Obrigado e Feliz Natal!

Manoel Amaral
www.afadinha.com.br


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

HISTÓRIAS DE FIM DE ANO

OSVANDIR CAÇANDO UFOS


Osvandir tomou conhecimento do aparecimento de luzes no céu de Ribeiros, Povoado de Carmo do Cajuru-MG, próximo a Pedra do Calhau, a cerca de 15 Km de Divinópolis.

Pegou suas tralhas eletrônicas, detector de ufos, sinalizadores, bússola, alimentação e colocou tudo num novo veículo que acabara de adquirir.

O tempo estava bom, sol ameno e nuvens lindas no horizonte. Dez horas da manhã ele partiu para mais uma grande empreitada. Até Cajuru a estrada estava boa, depois alguns buracos, mas nada que a cabeça do “Caçador de Ufos” não pudesse resolver. Andou uns 3 km e deparou com uma grande quantidade de mangueiras. Havia manga de muitas qualidades: Jatobá, Pequi, Coração de Boi, Doce de Leite, Manga Maçã, Espada, Rosa, e outras com nomes estrangeiros, mas nem por isso deixavam de ser deliciosas.

Osvandir ficou possesso, nunca tinha visto tanta manga num só lugar. Parou o carro imediatamente e começou atacar aquelas belezuras. As sombras das mangueiras eram enormes e ali o lugar ideal para armar a barraca. Desceu tudo do seu veículo e armou uma rede entre dois frondosos troncos. Mas as mangas continuavam a ser devoradas com muita rapidez. Já tinha comido dez, quinze, ou vinte mangas, não sabia. Cada uma com o seu sabor especial. Acreditem, encontrou uma com sabor de abacaxi.

No meio de tanta fruta os pássaros soltando os seus cantos. Até Canarinho Chapinha que há muito tempo não ouvia, estavam ali saboreando a diversidade da natureza. Um Sabiá Laranjeira chamou-lhe a atenção: fazia um ninho de gravetos, capim e barro bem num galho, logo acima de uma casinha de João de Barro.

Tirou uma soneca e quando olhou o relógio já estava muito tarde para o almoço, mesmo assim comeu um sanduíche que levara. Pegou o binóculo e vasculhou o céu azul em busca de alguma coisa que pudesse fotografar. Nada. 

Tudo estava como Deus criou. A noite vinha chegando, para lado Oeste o sol escondia-se por trás das montanhas.

Osvandir não havia prestado atenção nas redondezas pela preocupação com as mangas. Do lado direito um lindo lago refletia os últimos raios solares e mais adiante as luzes de um loteamento de chácaras.

Alguns mosquitos perturbavam o sono de nosso herói. Quando tudo parecia calmo um barulho esquisito e muitas luzes, fez com que ele levantasse às pressas pegasse a lanterna e verificasse o que se passava. Era meia-noite, a sua barriga começou a roncar. Era o efeito purgativo das mangas. Correu para o mato. Atrás de uma moita de murici ele ficou por um bom tempo lembrando o que passou em Itaúna, quando usou como papel higiênico algumas folhas de Aroeirinha. Mas desta vez ele estava prevenido. Sacou da sacola aquele rolo de 60 metros e usou a vontade...

Assim que terminou aquele ato fisiológico, já refeito, foi pesquisar pelas redondezas. Do lado do lago avistou umas luzes de cor azul, que subiam e desciam, fez algumas fotos. Caminhou em linha reta, em direção a pedra do Calhau, estava muito escuro. Uma coruja voou ao seu lado. Assustou-se. 

Caminhou mais um pouco. Por entre os galhos e ramagem daquelas árvores de cerrado vislumbrou o que procurava. Uma luz forte ofuscou seus olhos. Levou a mão direita a procura de seu binóculo, mas não o encontrou. A solução era bater algumas fotos. Aproximou mais um pouco do local, algumas árvores prejudicavam a visão. Mudou de posição. De repente grandes luzes verde, azul e vermelha começaram a piscar e outras amarelas, bem pequenas, giravam em torno daquele objeto não identificado.

Depois de farto material fotográfico colhido Osvandir voltou satisfeito para seu acampamento. Agora ninguém poderia dizer que ele era um “Ufólogo Maluco”. Tinhas as provas de um verdadeiro ufo. Já era manhãzinha e ele resolveu voltar para casa.

O primeiro impulso foi jogar as imagens no computador e verificar com mais calma. De tanta emoção atrapalhou-se todo. Não conseguia fazer o seu moderno equipamento funcionar quando mais precisava dele. A solução foi procurar o Asa Color para revelar as fotos digitais.

De posse de 20 fotos, reveladas às pressas, notou um aparelho esquisito que não deu pare ser identificado.

Mediante o fato, Osvandir resolveu voltar ao locar imediatamente. Talvez a nave estivesse avariada e ainda estaria naquele local. Parou onde havia acampado. Entrou no mato e andou cerca de um quilômetro e descobriu aquele objeto ainda no mesmo local.

A noite nem tinha notado que havia uma casa ali perto. Aproximou mais e encontrou a dona da casa que foi logo cumprimentando:

__Bom dia, meu senhor!

__Bom dia.

Como Osvandir olhava muito em certa direção ela foi logo explicando:

__Ficou bonita, não moço? Aproveitei esta antena parabólica velha e fiz esta árvore de natal, bem diferente.

__Ficou linda, minha senhora.


Manoel Amaral
www.afadinha.com.br

sábado, 1 de dezembro de 2007

SÉRIE: HISTÓRIAS DE FIM DE ANO

OSVANDIR CHOROU!

A D. Oldair, tia do Osvandir, foi quem nos contou essa história, baseada em fatos reais:
A família estava passando por muitos problemas; o marido desempregado por mais de um ano, seis crianças para cuidar. A filha mais velha, com apenas 11 anos já ajudava em tudo, naquele barraco emprestado por um vizinho de bom coração. A mulher de Joãozito foi internada para fazer exames, ficou sabendo que a coisa andava preta para seu lado: o primeiro exame constatou um tumor no seu seio direito. Retirado material para análise, ficou comprovado que era maligno.

Internada às pressas no Hospital do Câncer, para as primeiras sessões de radiação e logo os seus cabelos foram caindo. Isabelita foi visitá-la, mas foi impedida de entrar no hospital pela burocracia. “Crianças com menos de 12 anos não podem entrar”, repetiu o moço da portaria.

Como esperta que era, esperou um cochilo do porteiro e entrou, procurou o quarto 1313 e lá encontrou a sua pobre mãezinha entre aqueles equipamentos do hospital. Notou que ela usava um lenço amarrado a cabeça e perguntou: “Pra que isso mamãe?” A mãe disse que era parte do tratamento hospitalar.

Isabelita falou dos irmãos, todos sentiam a sua falta e do pai que cada vez bebia mais. Mas no meio de tanta notícia ruim apareceu uma boa, e aí Izabelita era só sorrisos: “vou começar amanhã num novo emprego, mamãe, vou vender doces e frutas na rodovia, pertinho daquele posto de gasolina.”

Noutra visita à mãe, dizia que estava ganhando o suficiente para levar alimento para os outros cinco irmãos e seu pai. A sua mãe pediu-lhe que abrisse a gaveta do móvel do quarto e retirasse a sua bolsa. Tentou recostar-se na cabeceira da cama, não conseguiu, pediu ajuda, as enfermeiras a colocaram na posição solicitada. Abriu a bolsa, pegou uma caneta e uma velha foto sua e do marido, escreveu, com as mãos trêmulas, uma mensagem no verso. Entregou a foto para Isabelita.

A menina saiu do hospital com aquela foto junto ao coração. Ao chegar a sua casa, pegou um lápis de seu irmão e também escreveu uma frase logo abaixo da que sua mãe escrevera.

Os dias foram passando rapidamente e Isabelita ali naquele ambiente nada bom para crianças, mas ela sabia se defender muito bem. Quando alguém tentava qualquer coisa, ela dizia: “antes de me fazer mal, pense em sua filha ou sua irmã”. E o resultado era impressionante, aquelas palavras, ditas com tanta simplicidade e inocência, atingia os corações das pessoas.

Ela ficou famosa no local, apareceu até numa reportagem sobre menores que trabalham nas estradas. Muitos que circulavam por ali conheciam a história de sua família e contribuíam independente de receber qualquer mercadoria.

Mas o tempo voava e a doença de sua mãe agravara, o câncer atingira várias partes do corpo. Debilitada, ela já não conhecia quase ninguém, os remédios sempre muito fortes a deixava dopada o dia inteiro.

Numa das visitas, nova confusão na portaria que não permitia a sua entrada. Com pena, outro porteiro, deixou a criança entrar. Isabelita pode ficar só alguns instantes com sua mãe. Ela estava pálida, da cor dos alvos lençóis do hospital. Conseguiu apenas levantar a mão direita parecendo dizer adeus.

Isabelita voltou para casa muito triste, colocou comida na mesa para seus irmãos e perguntou pelo pai, ninguém sabia onde ele estava.

No outro dia Isabelita levantou-se mais cedo, com vários pensamentos na cabeça, algo lhe dizia que vida de sua mãe estava no fim.

Correu ao hospital, mas não conseguiu entrar, ficou por ali observando até a tardinha, quando notou uma ambulância saindo. Procurou informações e ficou sabendo que aquele carro levava o corpo de uma mulher para o necrotério.

Aquela mulher fora enterrada em cova rasa, com despesas pagas pela Prefeitura local.

No outro dia Isabelita sumiu; ninguém tinha notícia dela, o irmão de nove anos esteve no seu ponto de trabalho e não conseguiu nenhuma informação.

Andando por uma vala da rodovia encontrou uma fotografia de sua mãe e de seu pai. Atrás da foto uma mensagem: “Isabelita querida, cuide bem de seus irmãos”.
Logo abaixo outra frase: “Pode deixar mamãe, vou cuidar bem dos meus irmãos e do papai.”

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

OSVANDIR EM PORTUGAL

OSVANDIR EM PORTUGAL


Osvandir começava a ficar estressado com os casos de UFOs no Brasil e resolveu: "vou visitar meus amigos em Portugal". Primeiro ligou para Marina, esquecendo-se da diferença horária. "Alô, Marina, aqui é o Osvandir", Marina que tinha acordado altas horas (Era meia-noite em Portugal) e ficou furiosa, "Osvandir, isso são horas de ligar a alguém?" e desligou o telefone voltando a adormecer.

Osvandir depois de verificar a diferença horária, ligou de novo para Portugal, desta vez para Nuno Alves que ficou surpreendido por ele resolver viajar para Portugal, pois achava que ele não gostava do clima do país. Nuno disse a ele que arranjaria um tempo para recepcioná-lo, pois tinha ficado encarregado de dar mamadeira e trocar a fralda do Miguel.

Osvandir estava com receio de voltar a ligar para Marina, mas contou ao Nuno que o fez tentar de novo falar com Marina. Meio sem graça, desfez-se em desculpas e combinou as coisas com Marina que se prontificou a ir ao aeroporto buscá-lo. Chegado o dia, Nuno e Marina foram ao aeroporto buscar Osvandir. Miguel, filho de Nuno, estava muito alegre e quis o colo de Osvandir que não gostava muito de crianças.

Para começar bem a visita, visitaram Lisboa, a torre de Belém e a história de seu mito.
"Conta-se que", disse Marina, "aqui na Torre existe um portal que nos permite passar para o futuro". Nuno replicou, "não só para o futuro como também para o passado". Osvandir ficou pasmado com o que se dizia sobre os monumentos portugueses e o lado místico que existia em cada recanto.

Decidiram então no dia seguinte fazer uma expedição á Serra da Gardunha, famosa pelos avistamentos ufológicos. De madrugada se levantaram os amigos e se reuniram na casa de Nuno Alves, de onde partiram levando tendas, mantimentos e tudo o que seria necessário para um bom acampamento.

Chegando à Gardunha se deparam com pessoas assustadas. Os nossos amigos questionam-se o que se estava a se passar. "Um grande disco voador sobrevoou a área fazendo muito barulho", gritava uma senhora de idade "Salve-se, Deus está a castigar-nos", arrematou.

Osvandir não quis mais "arredar o pé", queria saber o que realmente se passava ali. Resolveram então, colher relatos daquilo que as pessoas se lembravam do avistamento. Todas as testemunhas diziam que a nave se dirigia para a serra. Sem mais demoras pegaram nas mochilas e resolveram subir a serra e montar acampamento.

Meia da noite, depois de umas sardinhas do Porto, ouve-se um crepitar ao longe. Osvandir dizia que seriam os extraterrestres que estavam a se dirigir para as tendas dos três amigos, Marina, retrucava que seria o guarda florestal e Nuno replicou "não, isto são só outros campistas". Decidiram então averiguar.

Pegaram nas lanternas e se puseram no caminho. Pé-ante-pé, lá foram bastante cautelosos. Ao chegar num caminho mais estreito começaram a ouvir barulhos semelhantes a zunidos. Estranharam, pois nenhuma máquina faria tal som naquele local. Ao se aproximarem viram a coisa mais fascinante que alguma vez tinham visto: uma nave enorme! Não conseguiam ver os tripulantes, mas acreditavam tratar-se de alienígenas. Nuno e Marina se lembraram que, talvez, Osvandir tivesse levado a máquina fotográfica com ele, mas se enganaram.

Ao tentar sair de mansinho para não ser descoberto, Osvandir, como sempre, pisou um galho seco, delatando todos aos tripulantes que saiam do UFO. Os tripulantes ficaram de sobressalto e os nossos amigos começaram a correr cada um por si, para não serem capturados.

O primeiro a chegar ao acampamento foi o Nuno, depois a Marina, mas passada meia hora "onde está Osvandir?", perguntou Nuno. "Não digas que ele foi abduzido!". “ Calma, vamos procurá-lo”. Seguiram o mesmo caminho que tinham tomado nas buscas pela nave e ao se depararem com o local onde a nave tinha estado pousada, não viram nada. Osvandir fora abduzido!

"Não podemos fazer nada a não ser esperar, vamos voltar para o acampamento e esperar por amanhã", dizia Marina. Ninguém dormiu naquela noite, ambos permaneceram vasculhando o céu a procurar pela nave que teria levado Osvandir.

No dia seguinte, ambos esgotados pelo cansaço, ouviram um berro: “SOCORRO!”. Marina, alarmada, gritou de volta, "Osvandir, é você?". E desatou a correr em busca do som que ouvia. Nuno, mais sonolento ainda levou uns momentos até acordar.

Ao chegar até uns arbustos de onde vinha o som, Marina viu que se tratava realmente de Osvandir cansado, esfarrapado e esfomeado. “Metera-se em encrenca!”, pensou Nuno que apressou para buscar água.

"Osvandir, que susto! Como você está?", "Marina, foi a melhor aventura da minha vida, voltarei vezes a este local. Afinal, eles são bem bacanas, me mostraram a missão deles aqui na Terra, mas me impediram de revelá-la".

Nunca mais as pessoas de Gardunha se assustaram como no dia anterior à abdução do Osvandir. Todos voltaram para casa e Osvandir regressou ao Brasil com a vontade de voltar em breve a Portugal.
Marina Pereira - Portugal

domingo, 21 de outubro de 2007

OSVANDIR - SÉRIE ASSOMBRAÇÃO II


ASSOMBRAÇÃO – Osvandir na Bahia


Um sujeito estranho estava em pé lendo um jornal da região, encostado no muro do terminal rodoviário. Pelo visto acabara de chegar à cidade. Ao seu lado estava uma maleta preta. Dobrou o jornal cuidadosamente, abriu a maleta e o guardou. No momento em que estava colocando o jornal deu para perceber alguns apetrechos eletrônicos que ele carregava. Parece que não havia outra coisa na mala a não ser os equipamentos. Provavelmente estava de passagem para algum lugar.
O sujeito pegou a mala cuidadosamente e veio em minha direção. Ao passar perto de mim deixou algo cair no chão. Era um pequeno gravador de bolso. Ele não percebeu que tinha deixado o objeto cair. Apanhei o gravador e o segui rapídamente para devolver. Dei um tapinha em suas costas. Ele virou-se rapidamente, batendo com a mala na minha perna. Deu um risinho amarelo, pedindo desculpas. Mostrei a ele o gravador que havia deixado cair. Me agradeceu pela gentileza, pegou o gravadorzinho e enfiou no mesmo bolso. Outra vez caiu no chão. Meio desajeitado, meteu a mão no bolso do paletó escuro e percebeu que estava furado. Escolheu outro bolso e o guardou. Antes verificou se estava tudo certo, sem furos. Perguntei se poderia ajudar. Pegou a mala, abriu e retirou novamente o jornal. Perguntou-me se sabia algo a respeito do que estava escrito no título principal “Objetos Estranhos Invadem Maiquinique”. Respondi que sim, que tinha ouvido falar, mas nada foi comentado nos telejornais. Disse-lhe inclusive que me interessava pelo assunto. Osvandir se revelou Ufólogo e que estava indo para Maiquinique averiguar o caso. Fez perguntas sobre a distância e como faria para chegar lá. Conversamos algum tempo sobre OVNIS e ETs. Em seguida o levei para um hotel da cidade. Osvandir disse que seu carro arrebentou a suspensão dianteira ao passar por um buraco enorme no meio da pista a poucos quilômetros da chegada. Por isto teve que fazer o resto do percurso de ônibus. A viagem de Minas para a Bahia foi bastante longa para seu velho Fiat 147. No mesmo dia providenciou o reboque e o conserto do carro.
Osvandir acordou cedo. O tempo estava nublado, ameaçando chover a qualquer instante. Ligou para a oficina. O mecânico avisou que o carro só ficaria pronto no meio da tarde.

“Maldito buraco! Depois os pilantras dizem que a culpa é do motorista quando ocorre algum acidente”. Pensou Osvandir.
Como não havia nada a fazer naquela cidade, ficou no hotel lendo jornal e vendo tv.
À tarde voltou a ligar. Ficou feliz ao saber que o carro estava pronto. Sem perder tempo, pegou suas tralhas, enfiou num táxi e foi para a oficina. De lá partiu em direção a Maiquinique no seu carro, ao som do Depeche Mode, Strange Love. Osvandir adora as músicas dos anos 80.

Seguindo as orientações do amigo que havia encontrado no dia anterior, Osvandir chegou próximo ao Marçal. A pista principal estava interditada porque uma parte do asfalto havia cedido. Uma placa indicava um desvio por uma estrada de terra. Estava enlameada devido às chuvas constantes dos dias anteriores, fazendo com que desenvolvesse baixa velocidade.
Cerca de 15 quilômetros à frente Osvandir teve que parar. Era o começo da famosa Serra. Puxou a manga do paletó. O relógio marcava pouco mais de 17 horas. Saiu do carro para averiguar a situação. Era uma descida imensa, tomada pela lama. Dava medo só de olhar para baixo. Osvandir tinha que tomar uma decisão rápida, arriscar descer e ficar atolado no meio da estrada ou ficar por ali mesmo até chegar alguém. O tempo fechado fazia a noite cair mais rápido do que o normal. Olhou ao seu redor. Parece que não havia alma viva naquele local. Abriu o porta-malas do carro, pegou sua maleta e um binóculo de boa potência. Olhou novamente a região. No alto da Serra avistou uma pequena casinha, quase encoberta pela vegetação. Aliviado com a possibilidade de passar a noite ali, Osvandir decidiu não arriscar a descida. Naquele momento uma fina camada de chuva começou a cair. Pegou rapidamente sua maleta e foi em direção à casa com lama já pela metade das canelas e a roupa molhada. Subiu a Serra com certa dificuldade. A trilha estava escorregadia, cheia de pedras. A escuridão estava tomando conta do local. Osvandir pegou sua lanterninha de pilhas, deu umas sacudidas para ligar. Iluminando o local, Osvandir sentiu arrepios ao ver a velha casa, dando a impressão de estar abandonada à primeira vista. Estava tudo lacrado, portas e janelas. No interior não dava para notar qualquer sinal de vida. Era um breu total. Do lado da casa uma árvore velha de galhos secos chamava a atenção por seu aspecto tenebroso. Mais ao fundo, no quintal, algo que parecia duas cruzes quase caindo de lado, em cima de um monte de terra tomada pelo mato. Osvandir estava tremendo mais de medo do que de frio. Bateu três vezes na porta e aguardou algum instante. Lá dentro, nenhum movimento que indicasse a presença de alguém. Bateu três vezes novamente, agora com mais força. Em seguida ouviu o ruído de alguém destravando a porta, que abria apenas pela metade por estar emperrada. Osvandir ficou paralisado ao iluminar aquele rosto que apareceu detrás da porta. Era uma linda mulher entre 20 e 25 anos de idade. Seus cabelos eram lisos e longos, negros como a noite. Seus olhos grandes e também negros, refletiam a luz da lanterna do Osvandir. Abrindo um sorriso encantador ela o convidou para entrar, pegou um lampião e acendeu. A luz revelou um pouco do interior da casa. Não havia móveis, apenas uma mesa forrada com panos limpos, um prato e comida, como se já estivesse esperando por sua chegada. As paredes estavam rachadas e o teto da casa coberto por teias de aranha. Uma enorme caranguejeira caminhava lentamente pela madeira de sustentação do telhado. Osvandir tinha pavor de aranhas. Mas a beleza daquela moça o fez esquecer de tudo, até do medo. Era estranho o fato daquela moça estar ali sozinha, naquela casa velha. Ela pediu para que fosse tomar um banho e trocar de roupa. Osvandir reparou que estava tudo preparado para ele. A bacia com água morna, as roupas em cima de uma cama e a comida esperando na mesa. Era bom demais para ser verdade. Osvandir perguntou de quem eram as duas cruzes lá fora e se a bela moça morava ali sozinha. Ela respondeu que era o túmulo dos seus pais. Era filha única e morava ali sozinha desde os treze anos, quando seus pais vieram a falecer. Depois disto ela pediu licença e sumiu por algum tempo. Osvandir tomou o banho morno, trocou suas roupas enlameadas e devorou a suculenta refeição. Estava esfomeado. Logo após a moça retornou, apertando contra o seu peito um gato de pelos brancos. Ela o afagava carinhosamente. Osvandir estava encantado com a beleza e delicadeza daquela mulher. Parecia um menino apaixonado. Estaria vivendo um sonho? Era difícil acreditar que aquilo estivesse acontecendo. Seus pensamentos foram cortados quando ela o convidou a se recolher. A cama era simples, mas arrumada, com lençóis limpos. Osvandir estava exausto, pegando logo no sono assim que deitou. No meio da noite, acordou assustado, o corpo lavado em suor. Foi um terrível pesadelo. Acendeu a lanterna e viu uma caranguejeira próximo à cama. Tentou acertá-la com o sapato, mas ela fugiu rapidamente para dentro da rachadura na parede. Abriu a janela do quarto para tomar um ar fresco. Lá fora não dava para ver nem um palmo à frente do nariz, apenas quando uns clarões surgiam no céu. Uma coruja soltou um pio agourento. Osvandir sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha de norte a sul. Onde estaria a moça? Fechou a janela, ficou um tempo sentado na beira da cama sem saber o que fazer. Depois voltou a adormecer.
Finalmente a noite acabou. Osvandir levantou-se, andou pela casa e nem sinal da moça. Lá fora viu suas roupas estendidas num varal. Estavam limpas e secas. A manhã estava ensolarada. Pegou, vestiu e aguardou algum tempo para ver se a moça aparecia. Ouviu uma buzina insistente lá embaixo. Pegou seu binóculo e observou. Era um carro aguardando passagem atrás do carro do Osvandir. Sem saber se esperava a moça para agradecer ou se descia, Osvandir optou por descer devido à insistência da buzina. Saiu quase correndo com sua maleta em punho, tropeçou numa pedra no meio do caminho e saiu rolando ladeira abaixo. Com o corpo cheio de escoriações, abanou a roupa, ajeitou-se, verificou os equipamentos para ver se tinham sofrido algum dano, mas estava tudo certo. Lá de dentro do carro o motorista continuava buzinando. Osvandir se aproximou, explicando ao motorista a situação que o obrigou a largar o carro ali. Falou da moça e da noite que tinha passado naquela casa lá no alto da Serra. O motorista arregalou os olhos, respondendo que faziam anos que ninguém morava naquele local e que a família toda tinha morrido num acidente de carro naquela mesma ladeira. Explicou que os corpos dos pais estavam enterrados ali mesmo, nos fundos da casa. O corpo da filha de treze anos jamais foi encontrado. Quase ninguém passava por ali desde que começaram a ouvir histórias estranhas sobre a moça. Ela aparecia de repente e sumia do mesmo jeito na ladeira. Muitos carros quebraram por ali. Osvandir ouviu toda a história perplexo. Entrou no seu Fiat, desceu a ladeira e foi embora na direção de Maiquinique. O sol da manhã deixou a estrada seca, possibilitando sua passagem sem problemas. Sem dúvida aquele acontecimento estranho ficaria um bom tempo martelando sua mente.

AL CRUZ

sábado, 13 de outubro de 2007

OSVANDIR - SÉRIE ASSOMBRAÇÃO


OSVANDIR E O CARRO PRETO
Foi meu tio Osmair quem contou-me:
“Senhor Antonio havia acabado de trocar o motor 1300 de seu fusca 80 por um mais possante, 1600, cor bege, Fafá de Belém, lanternas traseiras redondas e bem grandes, meio estranhas para a época, 1990.
Fazia viagens curtas, visitava várias cidades para vender os seus produtos, num raio de 250 Km.
Trabalhava às vezes até tarde e retornava para sua casa até meia-noite.
Não era como agora que o motorista pode ser morto ali naquele sinal da esquina, por um par de tênis. Mas também não tinha estes confortos de hoje, quando o vendedor pode passar o pedido por um fax, um e-mail de seu Note Book ou pelo equipamento, tipo Palmtop muito usado por grandes empresas.
Tinha que viajar muito, convencer o cliente, carregar pesadas malas de mostruário, dormir em pensões nada recomendáveis e restaurantes desagradáveis. Para emitir o pedido era um enorme sacrifício, citando item por item, retornar a empresa e entrega-los. Passar em casa, ver a esposa e filhos e no outro dia de novo ganhando a estrada. A estrada era a sua casa.
Prestava socorro em caso de acidentes ou de defeito nos veículos. Dava carona para quem conhecia ou quem achava que. Até porque não gostava de viajar sozinho.
Seqüestro relâmpago não existia, nem em filme. Acontecia nestes sertões de Minas de encontrar na beira da estrada algum motorista que teve o seu caminhão roubado, mas era raro.
As estradas eram melhores e a frota de veículos era menor.
Seguia nosso herói, às 17 horas pela Rodovia Federal, de Divinópolis para Pitangui, próximo ao cruzamento com a BR – 262, quase sobre a ponte, pelo espelho retrovisor, divisou ao longe um veículo bonito, todo preto. Vinha acompanhando-o há muito tempo, desde a última curva em esse.
Por uma questão de segundos o caro sumiu, não houve ultrapassagem. O motorista do fusca achou aquilo muito estranho, seu corpo sentiu aquele arrepio. Virou bruscamente o seu carro, parou no acostamento, olhou pra frente, para trás, em todas as direções, nada de carro preto.
Virou o carro e voltou cerca de dois quilômetros, bem devagar para ver se via alguma estrada vicinal, de terra, naquele trecho: nada!
Pesquisou rastos e rastros para ver se o carro havia voltado, também sem resultados.
Foi aí que resolveu seguir em frente. Lá no alto da subida, perto de um velho pequizeiro, próximo de uma curva, visualizou um vulto acenando. Era um rapaz de uns 25 nos pedindo carona, com um pedaço de papelão indicando Pitangui, em letras mal escritas. O motorista parou o carro e perguntou:
___ Vai mesmo para Pitangui?
___ Vou...
___ Suba, amigo...
Os dois seguiram estrada afora, meio calados. Após passar o cruzamento da BR – 262, o motorista resolveu quebrar o gelo:
___ Vinha eu cortando estrada, de repente apareceu no espelho um carro preto. Continuei e num dado momento o carro desapareceu da minha visão, sendo que não havia ultrapassado meu veículo...
___ É o Monza preto...
___ Que Monza preto?
___ O Senhor não sabe?
___ Não!
___ Virou lenda. Ele está sempre aparecendo por aqui.
___ Mais alguém já viu?
___ Muita gente, dizem que foi um rapaz de uns 25 anos que faleceu num terrível acidente aqui por perto.
A conversa foi boa, esclarecedora que nem viram o tempo passar e aí já estavam chegando em Pitangui.
___ Pode parar o carro, vou ficar por aqui...
O motorista parou o carro, já estava escuro, o rapaz desceu, agradeceu e sumiu...
Ao verificar em que local havia parado, o motorista assustou-se, havia parado bem em frente ao velho portão de um centenário cemitério!"

Manoel

sábado, 6 de outubro de 2007

OSVANDIR, O INTRÉPIDO II

IMPLANTADO EM ITAÚNA

* Por Pepe Chaves

Como vimos no capítulo anterior, Osvandir aportou em Itaúna, Terra de Sant’Ana, situada a 80 km a Oeste de Belo Horizonte-MG. Veio de ônibus, pois o fusca “histórico” comprado em Araxá fora vendido a preço de banana pelo caminho, já que fundira o motor ainda no Triângulo Mineiro. Xingou Bettinassi e ao chegar com o estômago ainda revirando da viagem e o excesso das iguarias de Araxá, foi recepcionado logo que desceu na Churrascaria do Trevo, em Itaúna, por ninguém menos que Van der Birdies, famoso homem-pássaro que voa por todo Brasil e na ocasião, realizava em Itaúna pesquisa com os prováveis “Starlies”, seres em formato de estrelas que costumam pairar sobre sua cabeça. Os “lies” são uma incógnita para o pesquisador que busca prová-los a todo custo.

Birdies contou ao Osva que Itaúna era uma terra mística e cheia de muros extraplanetários, seres estelares e acreditava que ele se sentiria em casa. Birdies contou que era paranormal e que havia tido um sonho, na noite anterior, a mostrar que, Osvandir passaria por Itaúna, mas sairia da cidade com um implante alienígena. Osvandir se sentiu importante com aquilo que, para ele, era mais do que um elogio. Pepe Chaves, que vive em Itaúna, pelo celular, combinou com ambos um encontro para discutirem sobre os UFOs e ETs da cidade e fornecer as coordenadas dos locais de pesquisa para Osvandir.

Eles se encontraram na praça da matriz e sentados num mesmo banquinho traçaram os planos: uma excursão na Serra Mata da Onça, local com maior índice de avistamento de UFOs na cidade. Osvandir lembrou que estava devendo a seu primo e conterrâneo, Osvaerd, diretor de UFA! (requintada revista de ETs terrestres), uma reportagem sobre os UFOs em Minas e resolveu fazê-la naquela oportunidade. No outro dia de manhã, os três, com suas mochilas nas costas e uma barraca em punho subiram a serra em busca dos ETs itaunenses. Na penosa subida, encontraram os antigos muros de pedras, atribuídos popularmente aos escravos, mas tidos por alguns pesquisadores como sendo anteriores à época dos escravos. Osvandir ficou boquiaberto com o muro que serpenteava por centenas de metros a adentrar uma frondosa floresta de cerrado. Sabia que aquilo era obra de ET, pois, quem mais teria tecnologia para construir um muro no meio daquela mata, há séculos? Quebrou pequenos pedaços das pedras e colocou numa bolsinha de pano, afirmando que levaria amostras para análise do bio-ufólogo Paulo Aníbal em São Paulo. Ele e Aníbal (que visitou Itaúna noutra ocasião) acreditavam na possibilidade de aquelas pedras da Mata da Onça, assim como seus arquitetos, serem de outro planeta.

Chegando no alto da serra, armaram a barraca, vários: equipamentrômetros” , além de um usual “UFO detector” e diversas luzes sinalizadoras ETs. Osvandir espalhou nada menos que 10 luzes piscantes por todo o topo da serra. Segundo ele, aquilo atrairia qualquer UFO que passasse pela região. Acontece que os moradores do bairro Jadir Marinho, localizado logo abaixo da serra é que foram atraídos por aquelas luzes piscantes espalhadas no topo da serra e logo chamaram a Polícia e a TV City que, imediatamente, subiram a serra para averiguar as luzes coloridas.

Osva, Pepe e Birdies saboreavam cachorro-quente (de pão-de-queijo, claro) quando ouviram passos na mata escura. Espertamente, apagaram a fogueira e se esconderam atrás de arbustos quase rasteiros e silenciaram. Logo, viram que o barulho era acompanhado por luzes no mato que estavam se aproximando. As luzes eram como se fossem lanternas, mas Birdies e Osvandir garantiram, aos sussurros empolgados, que aquilo se tratava de sondas eteístas. Ouviram barulho de gravetos pisados e a adrenalina subiu em todos, pois, as luzes agora dançavam na mata, como que procurando por algo. Osvandir já filmava tudo com sua câmera chinesa, lembrando da cara que Osvaerd faria quando assistisse aquilo! Já Birdies, soltando palavrões em sussurros, esbravejava contra sua câmera que acabara de comprar e não queria funcionar por nada deste mundo – nem de outros.

Entretanto, do outro lado das luzes se encontravam, em verdade, o delegado da comarca de Itaúna acompanhado por dois policiais militares munidos de lanterna e esperando topar com um ET a cada passo que era dado na mata sombria. Eles sabiam da fama do lugar e naquele instante avistaram uma das lâmpadas sinalizadoras do Osvandir. Um dos policiais disse de pronto: “cuidado, não se aproximem muito, esta mini-nave pode ser radioativa ou decolar em alta velocidade pra cima da gente”. Empolgado, Osvandir exclama baixinho aos amigos: “Meu Deus, eles falam a nossa língua!”. Pepe argumenta que, logicamente, aquilo não seria sondas, tampouco ETs, mas seres humanos empunhando lanternas. Ambos visitantes discordam dessa teoria e Birdies roga uma praga final contra sua filmadora, argumentando que ela parou de funcionar, porque aqueles seres eram os “lies”, vindos da constelação de Otários e a energia deles e suas sondas atuaram no campo magnético em que se encontrava a câmera e a travou. Mas como a filmadora de Osvandir continuava funcionando? Simples: acontece que a filmadora do Osva era made in China e a do Birdies, do Paraguai. E, como todos sabem, as produções paraguaias são mais sensíveis a altos campos magnéticos.

Do outro lado, o delegado, já descrente, disse aos policiais: “isso deve ser brincadeira de algum maconheiro desocupado”, ao que, o soldado, formado em “eletrônica prática” por correspondência, garantiu: “pode até ser, mas se não for, não podemos nos aproximar disso, pois se for radioativo morreremos em poucas horas”. Ao ouvir aquilo, Pepe teve certeza que aqueles vultos eram mesmo de seres bem humanos que estavam ali do outro lado com suas lanternas, apenas checando as alarmantes luzes sinalizadoras do Osvandir, que deveriam ter sido avistadas da cidade.

Mas, eis que, naquele exato instante, para a surpresa de todos, surge a verdadeira mãe-do-ouro: uma bola de luz dourada aparece e todos saem correndo pela mata, inclusive, o delegado e os policiais. Birdies jogou sua encrencada filmadora para trás e “esticou” pela mata, Osvandir também se livrou de sua filmadora e, enquanto se safava, reclamava por não ter conseguido filmar a bola de luz voadora. Só conseguia pensar na cara do seu primo, rindo dele, ao contar o que se passara naquela “quase abdução” pela mãe-do-ouro. Pepe, que corria à frente, dirigindo os dois pelo escuro, dizia a eles para não fazerem barulho no mato e se calarem. Foi um deus-nos-acuda, pois a mãe-do-ouro, sobrevoando suas cabeças, soltava faíscas atônitas e estalos periódicos, como que enfurecida, não parecendo estar feliz com aquele movimento “alienígena” em sua área milenar.

Depois de duas horas de silêncio total, saíram os três de um esconderijo na mata e não viram mais as lanternas dos policiais nem a bola de luz voadora. O céu estava de brigadeiro e resolveram voltar ao local do acampamento pra comer um enlatado qualquer com pão-de-queijo e procurarem as filmadoras que descartaram no mato. Não acharam as filmadoras, mas, em compensação, se fartaram de almôndegas enlatadas a rechear pão-de-queijo à revelia. Depois foi a vez de doces com pão-de-queijo: pasta de goiabada e doce de leite como recheio. Ao amanhecer, antes de descerem a serra, tomaram um café com pão-de-queijo recheado com mussarela.

Retornando à cidade, Osvandir disse a Birdies e Pepe que visitaria a Barragem do Benfica, para fazer umas reflexões e checar a incrível casuística do maior espelho d’água da região de Itaúna. Van der Birdies que se despediu dos dois e quase perdeu o ônibus de volta para sua cidade, se encontrava inconformado por não ter conseguido filmar as três sondas que rondaram pela mata, tampouco a bola de luz dourada que sobrevoou a todos em polvorosa. Tinha ele certeza ser aquele o chefe dos “lies” se manifestando aos terrestres. “Esta sim, teria sido a prova de tudo o que ele venho falando a todos os céticos”, lastimou Birdies.

Já Osvandir, munido de todas as tralhas necessárias, pegou o ônibus Itaúna/Itatiaiuç u e desceu na região da Barragem do Benfica, a 10km da cidade. Seguiu rumo a uma das margens do lago, atravessou uma cerca e acampou na praia. Logo escureceu e ele armou todos os seus aparatos sinalizadores e “radarísticos”, na espera de que um UFO aparecesse e que um ET lhe fizesse contato.

Ele levou lanches de Itaúna para passar a noite lá: uma dúzia de pastéis gigantes “Massa Macia” e dois litros de Coca-cola. As horas foram passando e o melhor a fazer era comer os pastéis de camarão, considerados os melhores da cidade, pois UFOs não apareciam por ali. Por volta de 3h da manhã, o estômago de Osvandir reclama por ele ter comido tão rapidamente todos os 12 pastéis gigantes apimentados - e ainda teve a sobremesa: uma lata de meio quilo de doce de leite, que serviu de recheio para, nada menos que, 10 bigs pães-de-queijo! Atordoado, estomacalmente falando, Osvandir procurou a primeira moita que viu, se desafogou, mas lembrara que não trouxera papel higiênico na bagagem... “Oh my God!”, pensou consigo! Mas, inteligente que é, usou sua lanterninha e verificou a sua volta se havia alguma folha apropriada para substituir o papel. Logo encontrou uma planta espalmada e com aspecto confortável que atenderia ao serviço solicitado. Terminada a sessão, saiu do mato e foi tomar água, quando começou a sentir uma insuportável ardência nas partes baixas, exatamente onde usara a planta. Aquilo foi intensificando e se transformando numa dor insuportável, acompanhada por um ardente desejo de expelir as próprias tripas. Osvandir – e disso ele ficaria sabendo somente no hospital, mais tarde - havia feito de papel higiênico, nada menos que uma folha da famosa “aroeira do sertão”, planta tóxica que, em contato com a mucosa humana, queima e provoca feridas cutâneas.

Literalmente, com “fogo no rabo”, Osvandir não teve outra alternativa, senão, às 3h30 da amanhã, num frio do cão, quebrar o espelho da barragem do Benfica com um mergulho profundo naquelas doces águas. Ali, se lavou e bendisse ao frio que sentia noutras partes do corpo. No entanto, quanto mais se lavava, mais a coisa ardia e quando verificou, o local estava crítico: tivera problema com as hemorróidas. Depressa, juntou suas coisas e correu pra estrada, o sol ainda não havia saído, mas ele tentou pegar uma carona. Foi de uma sorte tremenda, pois uma ambulância do SUS de Itatiaiuçu que levava um doente a Itaúna passava por ali e o levou junto para o hospital “Manoel Gonçalves”. Lá chegando, Osva recusou ser analisado localmente e se limitou em apenas explicar sua situação. O médico disse que a planta era tóxica e recomendou a ele, o uso contínuo de supositórios farmacêuticos, durante as próximas 48h, garantindo que os mesmos aliviariam o ardor.

Assim, contra sua vontade, Osvandir entrou na primeira farmácia que viu e comprou um estoque de supositórios. No ato, ironicamente, lembrou da previsão de Birdies, de que ele “seria implantado em Itaúna”. Mas deveria ser por ETs, ora, bolas! “Videntezinho de merda”, pensou! De volta ao hotel e já devidamente “implantado”, Osvandir resolveu subir o morro do Bonfim, o mirante central da cidade e lá passar a noite. Sabia que ali também se deram alguns avistamentos inexplicáveis e esperava, antes de partir na manhã seguinte, fazer contato extraplanetário em Itaúna, por isso, comprou uma nova filmadora nas Casas Pernambucanas para registrar aquela noite.

No alto do Bonfim, ele captou pelo rádio um estranho sinal que dizia: “terráqueos, o dia de nossa volta se aproxima. Chegaremos em uma frota de milhares de naves, capitaneadas por Jesus, o Cristo”. A mensagem seguiu dizendo: “se você estiver em qualquer lugar do mundo agora, olhe a leste e verá uma luz chegando”. Descrente, Osvandir olhou e, de fato, havia uma luz se aproximando pelo céu, incrivelmente vinda de leste! Rapidamente, pegou a filmadora e começou a filmar, pensando consigo: “agora quero ver quem não vai acreditar em mim, se prepara pra arrebentar, Osvaerd!”. E a voz do rádio prosseguia: “esta que você vê agora, é nossa nave-mãe que está em missão de reconhecimento na Terra e serve de prenúncio para nossa grande chegada”. A luz se aproximava cada vez mais e começou a piscar, piscar, piscar... E ao passar sobre sua cabeça seguiu um forte ronco de turbina! Aquilo era somente um avião que decolara do Aeroporto de Confins, em BH, rumo ao Centro-Oeste do Brasil e, como se sabe, trafegava na rota Leste-Oeste, que passa exatamente em cima do Morro do Bonfim, em Itaúna.

O ronco da aeronave terrestre foi um balde d’água fria nas expectativas do Osvandir. Mas, a voz do rádio continuou prevendo: “Se você vê coisas estranhas e está nos ouvindo agora, é porque você é um dos nossos! O seu lugar está seguro entre aqueles que herdarão o reino da Terra”. Osvandir descobriu depois que estava sintonizado era na rádio Osborne, que transmitia ao vivo, uma fala de Jan Val Ellan.

Mas a frustração durou pouco, porque, fantasticamente, um disco voador todo iluminado estava pousando a poucos metros dali. Apressado, Osva empunhou sua câmera para filmar a descida do disco, mas viu que esta não funcionava – certamente, deveria ser pelo campo magnético do disco voador que o fez tremer como vara-verde e arrepiar todos os pelos do corpo, acreditava. Sorrateiramente, Osva se aproximou do objeto já pousado e ainda fumegante. Meio escondido pelo mato e muito surpreso, viu sair do disco dois seres que falaram um para o outro: “Xruuuuvruuuubuuuuu?” e “Yruuuuuuuuuuvruuubi iiiii!”. Eles rondaram o objeto iluminado e Osvandir pensou logo em se apresentar como o embaixador terrestre, mas lembrou do famoso “Caso Rivalino”, ocorrido em Minas e escrito por Alberto do Carmo (que lera em UFOVIA) e teve medo de ser levado por eles, assim como o desaparecido protagonista desse caso mineiro.

Porém, ao buscar maior aproximação para melhor averiguar a fisionomia dos humanóides ETs, ele pisou num galho seco que se quebrou e denunciou aos aliens sua presença no local. Osva tremeu, agora de pavor, pois não conseguira correr, vez que seus joelhos se debatiam entre si ao constatar que os humanóides se aproximavam em sua direção. A respiração ficou ofegante e, ao parar diante dele, o ET que parecia ser o chefe olhou pra ele com uma cara de “quem comeu e não gostou”. Então, o gray abdutor colocou a mão direita (composta por somente três dedos) em sua testa e o contatado Osvandir desfaleceu imediatamente. ..

Na manhã seguinte, Osvandir, maltrapilho, acorda numa praça pública na vizinha cidade de Divinópolis, sem nenhuma explicação lógica para o que havia ocorrido na noite anterior. Vítima de lavagem cerebral extraterrestre, esquecera ele, até mesmo, que havia visto o disco voador gray descer no morro do Bonfim em Itaúna e que um dos seres se aproximou dele. Apenas estranhava algumas coisas: 1) o fato de acordar em Divinópolis, se estava em Itaúna; 2) o fato de estar ali sem suas tralhas, nem mesmo com seus documentos ou dinheiro; 3) no lugar do supositório que estava usando à noite, aparecera outro, das mesmas dimensões, porém, composto de nióbio – diga-se, que curou, da noite para o dia, todas as suas queimaduras cutâneas.

Mais que depressa ele entrou numa lanchonete e pediu um catálogo para encontrar o telefone de Mano el Amaral, famoso pesquisador mineiro que reside em Divinópolis e a quem pediria ajuda para desvendar seus últimos mistérios relacionados ao tempo perdido que vivera na noite anterior, além de pedir também um café com pão-de-queijo e uma grana emprestada para voltar a Itaúna e pegar os seus pertences. Contudo, ainda que não se lembrasse de nada que ocorrera na noite anterior, de uma coisa Osvandir tinha certeza absoluta (graças ao implante de nióbio que lhe foi introduzido) : fora abduzido pelos ETs de Araxá, que o seguiu até Itaúna e o deixou no centro da Divinópolis. Birdies estava certo!


Pepe Chaves

sábado, 22 de setembro de 2007

SÉRIE: "OSVANDIR O INTRÉPIDO"


O MISTÉRIO DO TRIÂNGULO MINEIRO

Osvandir como todo bom ufólogo resolveu pesquisar os mistérios do Triângulo Mineiro, pois a cada vez que ouvia este termo soava como Triângulo das Bermudas brasileiro. Chegou em Araxá as 5 da manhã pelo ônibus da Continental, madrugada fria e uma certa tontura devido ao chacoalhar do ônibus.
Encontrou-se com o Fábio Bettinassi que muito solícito combinou de levá-lo a conhecer diversos locais pitorescos, cheios de mitos paranormais, como a árvore dos enforcados por exemplo. Osvandir trouxe aparelhos de medições, entre eles um tal "detector de ufos" e uma câmera de vídeo com visão noturna que ele comprou no Mercado Livre pagando em parcelas pelo Mercado Pago.
Fábio falou-lhe ao pé do ouvido: "segure-se pois tenho uma coisa para você, mais tarde vou te levar para conhecer a verdadeira Operação Prato !", o pobre do Osvandir sentiu até vertigem, "que tipo de segredo lhe seria revelado?", seus olhos brilhavam, ficou excitado e impaciente feito um deputado numa reunião com empreiteiras.
Na hora do almoço, Fábio levou-o até a churrascaria e pizzaria O Pizzaiolo. Depois de umas caipiras feitas com a fina cachaça Dona Beja, começaram a chegar as iguarias: churrasco de picanha ao alho, lombo grelhado, linguiça, batata frita e um delicioso feijão tropeiro feito com os mais suculentos ingredientes mineiros. Osvandir repetiu 3 vezes, nunca tinha visto comida tão boa. Sua boca trabalhou acelerado, mas não para debater ufos, era para mastigar mesmo. No final quando se achava satisfeito, veio a sobremesa "Ambrosia", doce de leite cozido, o néctar dos deuses. Enfim, a foi a verdadeira Operação Prato.
Tomado de terrível moleza, voltou ao hotel e caiu na cama feito um lutador de sumô embriagado. Com o bucho cheio quase explodindo, rapidamente entrou em sono profundo, sonhou que estava dando autográfos na noite do lançamento do seu livro, OSVANDIR E O CÓDIGO SEM SEGREDO , que ainda nem tinha escrito. Horas depois acordou sentindo-se estranho, não sabia se era um sonho ou realidade, o ambiente era todo escuro e pode ver luzes piscando ao redor da cabeça e um agudo zumbido vindo não se sabe de onde. Pensou estar sendo abduzido, lembrou-se num segundo que poderia ter caído em uma armadilha da CIA liderada pelo próprio Daryl Simms.
Com a destreza de um mangusto, saltou da cama e acertou em cheio o dedinho do pé esquerdo no criado mudo, caiu no chão urrando de dor, foi quando em pânico viu entrando um homem alto vestindo uniforme cinza com uma luz sendo projetada de sua mão. Osva que não compreendia a situação gritava apavorado, "-não quero implantes, implantes não, por favor, eu sou inocente". "-Calma senhor, sou o gerente do hotel, é que o senhor está dormindo desde a hora do almoço e pensamos que estaria se sentindo mal" - falou o "oficial de uniforme cinza" que acabava de apagar sua lanterna Philips e nada tinha de agente da CIA.
Com a cabeça dolorida, viu que as luzes e o zumbido eram resultantes de uma intensa indigestão seguida de cefaléia aguda. Tamanho o mal estar, teve que fazer vigilia da janela de seu quarto no Hotel Palace, pois o intestino rebelde não lhe dava trégua.
No outro dia, já meio aliviado, foi conhecer a CBMM, famosa empresa detentora da tecnologia do Nióbio envolta em mil histórias misteriosas. Para não se passar por espião, colocou um boné do Cruzeiro, óculos escuro, fez a barba e pegou sua camera chinesa. Ao chegar lá ficou maravilhado, conheceu o forno de feixe de elétrons, visitou as minas, andou pela indústria e o que mais lhe chamou a atenção foi a Pirometalurgia, que segundo ele, se parecia muito com a sala dos reatores da nave Entreprise do Star Trek. Observou tudo nos mínimos detalhes e parecia vidrado nas explicações do guia turístico. Durante a visita às minas, tentou encontrar qualquer índicio de atividade alienígena secreta, mas nada viu além de trabalhadores suados e mal cheirosos. Durante a visita, teve uma série de ataques de dor de barriga porém absteve-se de usar os banheiros da fábrica com medo que algum mecanismo oculto na privada pudesse coletar amostras de seus dejetos e usá-las para alguma experiência biológica envolvendo seres de Zeta Reticuli. "- É melhor não arriscar" - pensava ele.
Para sua alegria ganhou uma pequena amostra de ferro-nióbio que com certeza seria colocada em seu relicário ufológico bem ao lado de um fragmento de casca de árvore paraense queimado, presenteado pelo Sr. Pinon e que supostamente teria sido chamuscada pelo raio avassalador da luz chupa-chupa nos tempos da Operação Prato, quando esteve em pesquisa de campo pelas regiões litorâneas do Pará.
No final da tarde, antes de ir embora, Osvandir apaixonou-se, mas não por uma linda alienígena do padrão nórdico, ele gostou mesmo foi de um fusca ano 69 branco, imponente, com faixas brancas nos pneus e calotas do tipo "peito de moça". Lembrou-se de seu pai que dizia "em cidades do interior de minas, ainda dá pra encontrar verdadeiras jóias automobilisticas". Sem pestanejar fechou negócio com o intrépido Fusca. Agora poderia realizar seu sonho: colocar na porta um adedsivo escrito: "PROJETO GÊNESE - Grupo de Estudos Ufológicos - pesquisa de campo". Vale dizer que tal adoração silenciosa por fuscas se deu após Osvandir ler a matéria "Os fuscas e os Ufos", escrita por Fábio no site Ufovia.
Osvandir, sujeito precavido, antes de pegar a estrada checou todos os itens do fusca, extintor, luzes, pneus, triângulo e chave de roda, tudo ok. Despediu-se do Fábio fazendo a típica saudação "vulcana" de mão que ele copiou do Sr. Spock. Animado com o fusca e cheio de impressões de Araxá, ouvia um jazz de Pat Metheny e Oscar Peterson no rádio, quando mal entrou na estrada sentido Itaúna para visitar o Pepe Chaves e foi parado por uma blitz da polícia rodoviária. O guarda, um sujeito magro e alto com olhar de agente secreto, começou a examinar os itens do carro, quando de repente perguntou "Cadê o triangulo de sinalização??"
Osvandir ficou dez minutos procurando o maldito triangulo, até que vencido, baixou os olhos e desistiu, porém era convicto na certeza de tê-lo visto minutos atrás. Amargurou-se ao ver uma multa de R$ 250, mas como acreditava no destino, deixou pra lá e seguiu viagem. Matuto e incansável, Osvandir não parava de pensar no triângulo de segurança, "-onde estaria ele? eu o ví antes de sair do hotel", não se conformava. Sem se deixar vencer, parou no acostamento e foi revistar o carro, revirou tudo novamente, foi quando lembrou que não tinha olhado sob o forro do porta-malas. Levantou o espesso forro e eis que repousava o triângulo branco e vermelho, calado feito uma criança culpada. É que no auge de sua excitação para ir à Itaúna, guardou tudo sem prestar atenção.
O pobre Osva, num ataque de fúria, pegou o triângulo e arremessou-o desfiladeiro abaixo feito um bumerangue, enquanto soltava diversos impropérios "-diabos de triângulo, me rendeu uma multa e vários pontos na carteira, que vá para o inferno".
O que o Osvandir não imaginava era que abaixo do despenhadeiro, encontrava-se uma expedição de ufólogos de Campo Grande que alí estavam acampados em busca de aparições, visto aquela serra ser o tão famoso "Horizonte Perdido", palco de inúmeros causos e avistamentos de luzes. De repente feito um raio, um dos ufólogos grita "- olha o ufo, olha o ufo", "- é triângular e reflete luzes vermelhas", gritou um outro pesquisador que disparava sua câmera digital frenéticamente para não perder o momento insólito. "- incrível, ele gira" berrou um sujeito gordo.
No outro dia diversas listas de discussão e vários sites da Internet, reportavam a matéria : "UFO TRIÂNGULAR É AVISTADO EM ARAXÁ" e diversas fotos de um triângulo desfocado refletindo luzes avermelhadas foram largamente debatidas, chegando a conclusão que de fato uma entidade voadora este lá presente. Houve até um grupo de ufólogos que criou uma lista específica entitulada "Mistérios do Triângulo Mineiro" na qual um pesquisador japonês de São Paulo afirmava veemente que tudo não se passava de uma montagem usando Photoshop.
Depois de 300 km de estradas péssimas e diversos sons metálicos provenientes da mecanica cansada do veterano Fusca 69, Osvandir chega em Itaúna, pára em um barzinho para tomar um café e logo entabula conversa com um senhor manco e olhar aguçado que também se interessava por Ovnis, "- Muito prazer meu caro senhor, meu nome é Osvandir, sou ufólogo", " - Verdade?! Que incrível, eu também sou, e por falar nisso, muito prazer meu nome é Van Birdies...".


Fábio Araxá

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

OSVANDIR NO ESPAÇO VII

CAPÍTULO VII – IMPLANTES

Dia seguinte ele saiu cedo, fiquei preocupado, ligou-me mais tarde dizendo que estava à beira de um rio e que não era para preocupar-me que voltaria logo, estava apenas observado a paisagem e ouvindo os pássaros.
Chegou em casa, quis comer um frango, preferência caipira, com quiabo e angu. Fomos ao mercadinho do Senhor Luiz, comprar quiabo e o frango achamos mais abaixo, no açougue do Quinzinho.
Tudo na sacola, rumamos para fazer as suas vontades de homem abduzido...
Osvandir apareceu três semanas depois na casa de Osmair, sem se lembrar de como teria chegado lá.
Sentou-se no sofá da casa de seu tio completamente desnorteado. Osmair tentava ajudá-lo a recuperar ao menos alguns fragmentos de sua memória, mas suas tentativas falhavam. Osvandir sugeriu que comessem algo e ambos foram para a cozinha, onde se puseram a conversar sobre assuntos familiares. Comeram e partiram para um descanso.
A noite começava a chegar quando Osvandir despertou e se dirigiu à sala, encontrando seu tio. Este se encontrava pensativo, em meio a livros e revistas de ufologia. Osvandir se surpreendeu, pois seu tio nunca se interessara pelo tema. Então Osmair começou a relatar-lhe o que estaria ocorrendo consigo nas últimas semanas. Após o incidente que ocorrera com os homens vestidos de preto, flashes de uma espécie de memória do que acreditava nunca ter vivido lhe assolavam. Tinha sonhos com seres estranhos e nos quais a figura de seu sobrinho Osvandir sempre se fazia presente. Há exatamente uma semana teria olhado para o céu e visto um objeto luminoso se movendo em ziguezague. Foi então que começou a comprar compulsivamente material para leitura em ufologia. Osvandir, como bom pesquisador, explicou ao seu tio o que sabia sobre o assunto.
Teria Osmair sido abduzido? Os estranhos homens teriam lhe hipnotizado e implantado falsos registros em sua mente, provocando inclusive alucinações?
Por que Osvandir não se lembrava de nada desde que saiu de casa para investigar um caso ufológico? Por que a imagem dele estaria sempre presente nos sonhos de seu tio Osmair?
Osmair se levantou para buscar água para ambos, quando Osvandir sentiu um incômodo atrás do ombro direito e pôs se a coçar com a mão esquerda. Sentiu uma pequena protuberância na pele. Havia um caroço. Disse ao seu tio, que, ao ouvir da cozinha a descrição da localização, se concentrou em seu próprio ombro e também sentiu algo. Largou um dos copos e também se pôs a coçar. Que estranho! Também havia um pequeno caroço!
By Rafael & Manoel

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

OSVANDIR NO ESPAÇO

CAPÍTULO VI

DOR DE CABEÇA
Recapitulando: há dois dias um rapaz fora encontrado a 50 km na Rod. Bandeirantes, estava meio atordoado, sem camisa e dizendo que estava com uma tremenda dor de cabeça.
Pelos fatos distinguimos alguns detalhes que coincidiram com o Osvandir.
Peguei o carro, segui até aquele posto de gasolina indicado no jornal, ao chegar ele já estava bem melhor, até reconheceu-me...
Fomos procurar o seu carro, que havia sido rebocado para um depósito de ferro velho, bem perto dali.
Quis conferir o local e os dados do pouso da nave para ver se ele lembrava de alguma coisa.
Aproximamos de uma vargem, com amplo acostamento e um pequeno boteco de beira de estrada, com um mictório fedorento.
Perguntei para algumas pessoas residentes ali, elas informaram-me que fora naquele local que o rapaz embarcara no pequeno aparelho.
Pude observar as três marcas fundas no chão, onde a grama estava amassada.
No circulo, em diâmetro, contei 21 passos de uma ponta a outra.
As folhas das gramas estavam queimadas. Um pequeno arbusto no centro ficara bem amassado e o caule carbonizado. Um odor diferente ainda estava no ar.
Peguei, com uma pequena pá, alguns pedaços do solo e outros materiais para mandar analisar.
Arranquei uma pequena planta que não havia queimado, mas as suas raízes estavam esquisitas, cheias de bolinhas, pequenas batatinhas.
Eu que conheço bem essas plantas do mato, nunca vi umas coisas dessas.
Levei o Osvandir ao médico, não havia nada de anormal, apenas uns pequenos sinais, furos, nas pontas dos dedos. Mas ele continuava a reclamar de dores de cabeça.
Fomos até a casa de um Senhor meio estranho, com uma cara bem fechada. Era um hipnotizador.
Na primeira sessão nós não aproveitamos muita coisa. Apenas algumas frases soltas:
___Estou com muito medo. Eles são como nós, até mais bonitos, mas estou com medo, repetia Osvandir...
___É assim mesmo no início, depois nós conseguiremos mais detalhes, falou o estranho médico hipnotizador...
Fomos embora, mas Osvandir ainda queixava da persistente dor de cabeça.
Em casa, ele reclamava muito de qualquer barulho, até do arrastar de meus confortáveis chinelos de solado de couro, que ele mesmo havia comprado, em Feira de Santana-BA, quando lá esteve no ano passado.

sábado, 1 de setembro de 2007

OSVANDIR NO ESPAÇO - V

CAPÍTULO V
OSVANDIR NAS ESTRELAS

Se não bastassem os barulhos que andaram perturbando o Osvandir nos últimos dias, na noite anterior ao seu sumiço misterioso, ele teve um sonho muito intrigante e confuso. Talvez prevendo um acontecimento que mudaria de forma radical a sua vida de Ufólogo e pesquisador. Como acontece na maioria dos sonhos, é difícil lembrar e entender tudo o que se passou. No seu gravadorzinho de bolso, que o acompanha sempre que saí em busca de novos casos, ele narra o sonho da seguinte forma:

Um ser de aparência humana, trajando uma roupa prateada, colada ao corpo, cabeça encoberta por um capacete reluzente como ouro. A bordo de uma nave espacial prateada, bradava firmemente para uma multidão estupefata à beira de uma rodovia.

“Caros Terráqueos, filhos das estrelas, esquecidos do nosso passado, vocês estão a milhões de anos luz atrasados. Querem voltar ainda mais no tempo? Nada disso! Vocês estão aqui por minha culpa, estamos ficando cada vez mais incumbidos desta idéia de viajar no tempo, para proteger a população terrestre. Estamos tentando evitar que seu planeta seja destruído por vossas próprias mãos. Viajamos com nossas próprias naves. Eis o dilema! Cadê as naves? Perguntam-se. Vocês não as vêem porque mal conseguem sobreviver numa boa aqui na Terra. Se não conseguem viver bem entre vocês mesmos, imaginem com algo que não conhecem ainda.

Na minha infância eu gostava de olhar o céu que chamava de firmamento.
Mas de repente uma idéia suscitou, viajar agora, de qualquer jeito.
Meu povo da Constelação UFOVNIA me pediu para pegar umas centenas do povo terrestre para ver se conseguíamos introduzir dentro delas todo o nosso conhecimento.” Osvandir continua narrando seu sonho...
“Agora, por enquanto, eu estou viajando por minha conta para ver se os nossos irmãos Ufovnianos permitem a entrada, pelo portal dimensional, dos terrestres escolhidos. Sem documentos, e sem dinheiro no bolso porque em Venúsia, nosso Planeta natal, não precisamos disto..
Venúsia é o segundo planeta do nosso Sistema, tipo terrestre, o telúrico, um dos mais brilhantes vistos da Terra.
Nas noites claras que passo na Terra posso observá-lo, estando sentado na minha poltrona da cabine do meu veículo espacial, onde telepaticamente me comunico com uma bela venusiana, de cabelos longos e olhos azuis. Gentilmente me disse estar atento a não capturar nenhum terrestre que destrói o próprio Planeta, para não poluir o nosso meio ambiente. Que nunca tentem sequer imaginar fazer isto em nosso Planeta porque seriam banidos do espaço e do tempo, coisa que nós, venusianos, adoraríamos.
Voltando à terra com meus pensamentos e com toda a vontade de voltar para Venúsia novamente , convido somente vocês, meus amigos da Terra. Estais prontos? Logo, eu, o Onovnir e os escolhidos, com minha nave de luz, conseguiremos alcançar uma dimensão que nem sequer o Challenger, Columbia, Apollo ,Ullysses, Voyager, Mir, Soyuz, ou qualquer nave espacial terrestre conseguiu.”
“Mas antes de tudo terei que pedir ao Pepovnir, nosso superior de Venúsia, se poderei levar junto um terrestre que vai ser pai novamente. Se ele não permitir, terá que ficar na Terra. Uma pequena Venusiana está chegando na Terra chamada Annanovnir, em outra nave, junto com o também venusiano Nunovnir. Outro venusiano está pousando na casa dele chamado Miguelovnir”.
“Então como faremos para estarmos juntos? Só se deixarmos a viagem para outro tempo e espaço. Mais uma outra coisa do futuro que vocês precisam saber. Não precisaremos de nenhuma nave já que o nosso corpo será um corpo de LUZ estará apto para viajar sem nave nenhuma como o fazem os nossos irmãos extraterrestres de nível superior. As naves são consciência de LUZ em plena expressão, por isso transcendem as leis da matéria. Têm total controle do ambiente onde atuam . Não confundir com a materialidade. Pelo meio dos sentidos que percebemos o universo. “

Neste trecho a gravação do Osvandir encerra de forma inesperada. Não havia mais espaço na fita para gravação. No dia seguinte a este sonho misterioso, o Osvandir partiu em direção à Rodovia Bandeirantes de onde sumiu sem deixar rastros.

@NN@ & AL

OSVANDIR NO ESPAÇO - IV

OSVANDIR NO ESPAÇO IV
Capítulo IV
Osvandir estaria ficando louco?

Algo estranho vem acontecendo com o Osvandir nas últimas semanas. Tem ouvido barulho na cabeceira da sua cama quando apaga a luz. Diz que não é cupim. Fez uma experiência para ver o que era. Quando ouviu o barulho, pegou o travesseiro, cobertor e foi para outro quarto vazio da casa. Para sua surpresa, após alguns instantes de sono, ouviu o mesmo barulho. Confessou que sentiu arrepios. Um detalhe é que só ouve barulho quando apaga a luz. Depois de algum tempo o barulho aparece na cabeceira, fazendo com que ele desperte ofegante. Um calafrio lhe percorre todo o corpo. É como se algo arranhasse a madeira da cama. Seria fantasma? Se deixa um pouco de luz no ambiente, o barulho não aparece. Isto incomoda e o deixa intrigado.

E se fosse alguma coisa tentando fazer contato? Acho que deveria usar outro método, que metesse menos medo. Se contar isto ao pessoal que estuda espiritismo, com certeza o Osvandir ouvirá um monte de coisa.
Falou que isto o persegue desde criança e que presenciou coisas estranhas. “Já contei isto antes em outra ocasião. Morava em uma fazenda no interior de Minas. À noite costumava ouvir barulhos pela casa. Coisas batendo atrás do armário na sala, o rádio ligando sozinho e barulho de utensílios caíndo pelo chão da cozinha. Quando levantava para ver o que era, simplesmente não se via nada. Tudo estava no mesmo lugar. Nada de panelas no chão e o rádio desligado. Nada atrás dos armários. Era de arrepiar, parecia até filme de terror.
Durante o tempo que passei em Belo Horizonte ouvia outro barulhinho, só que no forro da casa. Morava sozinho. Era algo como o barulho de umas pedrinhas rolando pelo forro. Pegava o cabo de vassoura e cutucava o forro para ver se era algum inseto ou rato. Também contei este fato ao Manoel. Manoel deve se lembrar. Inclusive disse-me que sua mãe ouvia o mesmo barulho no telhado. Durante à noite e até hoje costuma sentir uma sensação estranha.
Às vezes fica difícil dormir” - concluiu Osvandir.


Al & Manoel

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

OSVANDIR NO ESPAÇO III - Rafael

Capitulo III
OS HOMENS DE PRETO
Sim, é possível que Osvandir tenha sido abduzido!
Nosso bravo pesquisador encontrava-se então imerso num estado psicodélico: ouvindo estranhos sons que oscilavam entre os ouvidos, e vendo imagens e luzes coloridas que ora formavam figuras aparentemente conhecidas, ora se fundiam em abstrações. Mas apesar de tudo ele sentia sensações físicas localizadas em diversas partes do corpo.
Sentiu vontade de respirar profundamente, e neste exato momento as imagens começaram a se dissolver e uma forte luz branca não odeixava distinguir mais nada. Percebeu então algo como um tubo penetrando sua boca em direção aos confins de seu trato digestivo assim que retomou a lucidez. O que estaria se passando pela suamente investigativa naquele momento?
Após sair mais uma vez pela porta do banco ao constatar o atraso no salário, coisa corriqueira na vida de Osmair, tio de Osvandir, este olhou para o céu, também respirou fundo, e pôs-se a caminhar pela calçada. No exato instante em que baixou a cabeça, algo piscou no firmamento. Percorreu uns cem metros e virou-se para atravessar arua. Foi quando um carro preto parou diante dele, e dois homens de uniformes da mesma cor saíram do veículo e praticamente o obrigaram a entrar. Sentiu a arrancada ao mesmo tempo em que tentava identificar algum dos sujeitos sem sucesso. Percebeu um cheiro de éter ficar cada vez mais forte, até perder a consciência.
Algumas horas depois Osmair acordou num quarto e tomou de imediato um susto ao se deparar com sua própria imagem num espelho. O cabelo desgrenhado, olheiras e a camisa um pouco amassada e desarrumada. Ajeitou-se um pouco e se levantou. Percorreu a sala em torno de uma mesa central. Bateu na porta, no espelho, e por fim sentou-se em umadas cadeiras. Não imaginava por que estaria ali. Alguns minutos depois ouviu passos e pôde perceber sombras em movimento na luz quepassava sutilmente por baixo da porta.
Contornos humanóides começaram a se formar na visão de Osvandir. Sentiu o tubo sendo retirado, mas uma forte tontura não o deixava esboçar qualquer tipo de resistência. Após mais alguns minutos semse movimentar, e sua visão permitiu identificar as feições da figuradiante dele, ainda duplicada e se movendo em círculos. Mais alguns segundos e identificou o rosto do médico que fizera endoscopia nele há alguns anos.
Estaria Osvandir novamente no consultório cuidando de alguma úlcera?
Ou em nosso intrépido investigador teriam os aliens injetado alguma substância que confundiria a consciência com visões misturando a percepção de alguns fatos do passado com a de outros do presente?
Os mesmos dois homens abriram a porta e pediram que Osmair osseguisse. Sem escolha, ele assim o fez. Foi encaminhado para a saídado estabelecimento (uma espécie de escritório sem qualquer placa), e recebeu o pedido de desculpas acompanhado de despedidas. Pôs-se novamente a caminhar pela calçada um pouco desnorteado e indignado por não ter recebido mais explicações além da que teria sido confundido com uma outra pessoa. Chegou em sua casa, e percebeu alguns papéis jogados no chão.
Alguém estivera lá.
Continua... Rafael e Manoel

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

OSVANDIR NO ESPAÇO II

Capítulo II
OSVANDIR FOI ABDUZIDO?

Teria sido o Osvandir mais uma vítima dos aliens? Seu sumiço repentino, sem deixar rastros e o homem abduzido na Rodovia dos Bandeirantes deixam esta dúvida cruel no ar. Talvez ele tenha saído para investigar o caso e acabou se tornando fruto daquilo que sempre pesquisou. Este fato me fez recordar um episódio do seriado Arquivo X, onde Fox Mullder (David Duchovny) some de repente dos capítulos seguintes. Mais tarde foi revelado que ele havia sido abduzido por um disco voador.
Seria muito triste saber que o Osvandir não estará mais envolvido nos seus casos exóticos pelo Brasil afora. É provável que agora esteja viajando à velocidade da luz à bordo de uma nave extraterrestre a centenas de milhares de km da Terra. Para ele pode estar sendo uma experiência fantástica. Porém é somente uma hipótese, pois ainda não há fatos concretos que indiquem ser ele o homem abduzido. Quem sabe ele esteja neste momento investigando o caso, longe das câmeras e dos jornais.
Acho que o Osvandir gosta de trabalhar em silêncio e de não chamar muito a atenção. Acontecimentos como o ocorrido na Rodovia Bandeirantes, na presença de testemunhas, costuma deixar as autoridades em alerta. Logo aparece um monte de gente esquisita, óculos escuros, de terno, calça e sapatos pretos. É só lembrar do Agente Smith, do filme Matrix, sujeito estranho e mal encarado.
É pouco provável que um investigador experiente como o Osvandir se deixasse capturar assim facilmente. Creio que ele deve ter tomado todas as medidas cautelosas possíveis para evitar esse tipo de gente dos governos secretos. E que jamais se aproximaria de um disco voador o suficiente, sem antes saber se era seguro. A não ser que ele estivesse viajando de carro a caminho do local onde apareceu o tal disco de 20 metros. Subitamente algo interrompe o funcionamento do motor. Osvandir desce do carro para saber se era algum problema mecânico. Aparentemente tudo está normal no veículo, com tanque cheio e tudo o mais. Decide sair andando em busca de ajuda, e mais à frente percebe uma multidão com o mesmo problema. Carros estacionados no meio da pista e gente do lado de fora olhando estarrecidas aquele estranho objeto. Osvandir se aproxima mais. Num lampejo ele vê algo sair do chão. Sem tempo para esboçar um movimento sequer alguém do meio da multidão é tragado por uma luz vinda do alto, de dentro do disco voador. Feita a captura, o objeto dispara em altíssima velocidade para os confins do Universo.
Termino com a mesma pergunta do início: teria sido Osvandir o abduzido?


AL e Manoel, ghost-writer do Osvandir

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

OS TIOS DO OSVANDIR

OSMAIR E O BANCO DO BRASIL

Foi ele mesmo quem contou-me:

"_ Quando aposentei-me, podia retirar o fundo do PIS - PASEP , só que era em Divinópolis. Eu fiquei assim meio "cabrero" porque apesar de ter trabalhado a terra a vida inteira, nunca tinha posto os pés no Banco do Brasil.

Levantamos cedo, a OSAIR e eu, preparamos o cafezinho, comemos uns biscoitos e fomos para o ponto de ônibus.

O ônibus "tava" demorando muito, fui conferir o relógio, nós é que tínhamos ido muito cedo para o ponto; às 8:00 ele chegou.

A viagem foi quase normal, se não fosse um Sr. do Ribeirão que entrou com um balaio de ovos e colocou mesmo ao meu lado. Fui ficando preocupado com aquilo estorvando minha canela e pensando como seria na hora de descer. A sorte que o bendito Senhor desceu antes de chegar na rodoviária velha.

Ao descermos quisemos pegar um táxi para ir até ao Banco, mas o taxista era legal e disse:

__ Não precisa, o Banco do Brasil fica ali do outro lado da rua.

Agradecemos, atravessamos a rua e entramos na fila.

Ficamos ali por umas duas horas ouvindo conversas de todo mundo.

Chegou uma senhora com uma menina no colo, puseram ela na frente. Outro velhinho de barba branca, também foi para lá. Uma passou mal na nossa frente e foi menos uma que diminuiu na fila.
Uma briga de dois rapazes que queriam ficar lá na frente e o guarda não deixou.

Até que enfim a porta abriu-se, fiquei olhando aquele povo todo passando pela porta giratória, parecendo "formiga cabeçuda" entrando no buraco, ou gado entrando no curral.

Quando estava aproximando a nossa vez eu fiquei confuso, fiz que fui , mas não fui, a Osair vinha atrás, me empurrou e eu fui parar lá dentro do banco, assustado, imaginando que todo mundo estava olhando para nós.

A fila só diminuindo, à nossa frente um rapazinho com uma mala preta, ao aproximar-se do caixa abriu a mala e caíram vários papéis no chão. Ajudei-o a pegar os papéis e o desgraçado nem me agradeceu, foi correndo direto pro caixa.

Uma mulher ficou conversando com outra que estava na fila, em nossa frente e quando percebemos ela já tinha entrado atrás da outra, apesar dos protestos de todos.

Finalmente chegou a nossa vez de receber o PIS. O meu coração estava batendo forte. Eu pensava que era uma "mirrecazinha", mas quando o caixa veio com uma "bolada" de dinheiro, pensei que ele tinha errado o dono. Peguei aquilo, soquei na sacola de brim marrom e nem conferi.

Ao sair do Banco, o mesmo problema da porta, aquele trem é muito complicado, porque a porta gira e tem gente entrando e saindo ao mesmo tempo.

Desta vez eu fiz que fui e fui mesmo, a OSAIR acabou entrando na mesma repartição da porta e nós dois "esprimidinhos" fomos espirrar lá fora no meio do povo.

Na volta segurei a sacola debaixo do braço até minha cidade, com medo de ladrões. Foi uma festa! "

Manoel Amaral

Nota do Autor:
Cabrero: desconfiado
Formiga cabeçuda: saúva
Mirrecazinha; pouca coisa, pouco valor.

OSVANDIR NO ESPAÇO

CAPÍTULO I

Osvandir sumiu, escafedeu-se, ninguém tinha notícias dele. Minha preocupação aumentou quando recebi uma mensagem de sua secretária eletrônica:
__ Vou viajar, devo voltar em dois dias.
Achei aquilo meio estranho pois ele sempre diz para onde vai, deixa telefone de contato, etc.
Desta vez ele não falou nada...
Um outro assunto intrigou-me mais ainda quando um jornal de São Paulo anunciou a abdução de um jovem de mais ou menos 30 anos, em plena luz do dia, na Rodovia dos Bandeirantes, havendo várias testemunhas.
Um jato de luz saiu do aparelho, que segundo a reportagem, tinha aproximadamente vinte metros de diâmetro, pela marca e o círculo que deixou no chão.
Todos viram quando o jovem aproximou-se do aparelho e o jato de luz sugou-o lá para dentro e num piscar de olhos sumiu no espaço.

(Continua)

sábado, 21 de julho de 2007

REALISMO FANTÁSTICO

OSVANDIR NO MUNDO DA MAGIA

Osvandir veio de Brasília bem sobrecarregado. Encosto, olho gordo, tudo de ruim estava se passando em sua mente.
Procurou a igreja mais próxima, rezou, confessou-se e saiu mais aliviado...
De passagem por Abadiânia, ainda no estado de Goiás, onde existe um paranormal muito famoso, visitado até por artistas de TV, resolveu saber de mais algumas coisas.
Abadiânia é uma cidadezinha de Goiás, com aproximadamente 12 mil habitantes, cujo ramo de atividade principal é a agropecuária, é ali que mora o Senhor João. Também conhecido como Joãozinho, Joãozito, Zito, o Benzedor.
O nosso amigo Osvandir, ainda atordoado, resolveu visitar o vidente, mesmo que não acreditasse muito nestas coisas.
De malas e cuias aportou-se numa pequena pensão familiar com o sugestivo nome de “Aconchego”.
Na primeira semana de visitas, procurou ganhar a amizade do líder espiritual. Deu-lhe um exemplar de livro sobre realismo fantástico. O homem era culto, chegou a freqüentar faculdade.
___ Amanhã vamos passear nas cachoeiras da região; falou o famoso homem da espiritualidade.
Osvandir foi acompanhando-o nestes pequenos passeios e foi logo notando que além de ser vegetariano, era uma pessoa muito legal.
Num destes passeios, Osvandir quis saber sobre “fechamento de corpo”, e o paranormal foi logo explicando:
___ Existem orações escritas em forma de cruz para fechar o corpo contra balas, facas, correntes e outros maus elementos. Por ex.: Deus te salve, Cruz preciosa por ti salve quem por ti remiu. Diz a cruz de N.S. Jesus Cristo que F. tornou-se mais feliz e sem perseguição. Eu creio porque nela está a verdade, nela está o poder, nela está a fé a esperança, nela está a salvação, nela está a vida, nela está a caridade.
Outra muito usada por aqui é esta oração encontrada num patuá que diz:
"As três pessoas distintas/ da Santíssima Trindade/ rodeia este corpo/ que peço por caridade.// Com a chave do sagrado/ que feche todo meu corpo/ para livrar-me do inimigo/ que posso encontrar de tôpo.// Pois quando o azar vier/ contai no meu coração/
guardai-me dentro da estrela/ do signo de Salomão.// Olhai-me quando eu estiver dormindo/ e quando estiver acordado/ que pelos Dez Mandamentos/ meu corpo estará fechado.// Se algum dia eu for chamado/ em sessão pra me fazer mal/ encontrarão em mim firmeza/ só feita de dura pedra de cal.// Deus adiante e paz na guia/ o anjo da guarda ao lado/ as três pessoas distintas/ que traz meu corpo fechado.//"

Esta outra é muito usada em seu estado: Santa Catarina milagrosa, se tiver alguma coisa atada dentro de minha casa ou do meu corpo, sairá em nome de Santa Catarina; se eu tiver inimigo não me enxergarão; não serei ferido com armas de fogo, nem com faca; não serei preso, em nome de Deus e de Santa Catarina; de hoje em diante entra a luz Divina dentro da minha casa, em nome de Deus e a Nossa Senhora Santa Catarina; não serei mordido de cobras, nem de aranhas, em nome de Santa Catarina; de hoje em diante que se abram os meus negócios, em nome de Santa Catarina.
___ Se quiser posso arranjar um patuá pra você...
___ Muito obrigado. Carrego as minhas próprias orações, não sei se você conhece, mas levo comigo aquela que foi encontrada sobre o túmulo de Jesus Cristo...
“Esta oração foi encontrada em 1.535, sobre o túmulo de Jesus Cristo e enviada pelo Papa Pio III ao Imperador Carlos V, quando partia para combater os turcos.”
“Aquele que ler esta oração, que ouvir ou a trouxer consigo, não morrerá subitamente, não se afogará, não se queimará, nem alguém poderá mata-lo
...”
___ Conheço sim. Muito boa esta oração! Mas não é a original para fechamento do corpo.
Passando por uma enorme fazenda, com mais de 2 mil hectares, muito gado nelore, a perder de vista, vimos dois homens curando bicheira de algumas vacas e quis saber se existia alguma oração para isso.
___ Existe e funciona melhor que remédio. Veja só esta oração:
Osvandir foi anotando tudo, inclusive uma antigo Breve de Roma muito utilizado naquela região:
“Primeiramente, eu peço e rogo ao Pai Eterno que receba a súplica deste Breve, com os merecimentos de seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, para livrar meu corpo de todos os perigos mortais e da fúria dos meus inimigos e das armas que trouxeram contra mim. Em todos os perigos e apertos, livra-me, Senhor Bom Jesus: pela vossa encarnação, pelo vosso nascimento, pelas lágrimas que no presépio chorastes, pela profusão de sangue que derramastes, pelo frio e sede que sofrestes, pela esmola que deste, pelo jejum no deserto, pelos sermões que pregastes aos vossos discípulos, pela instituição do SS. Sacramento, pela oração do horto, pela entrada em Jerusalém, pela noite da ceia, pela tradição de Judas, pelas bofetadas que em casa de Anás vos deram”. De todos os perigos, defendei-me!”
___ Para limpar as lavouras da praga das lagartas, há o seguinte esconjuro que encontramos no interior de Goiás: ”Bons dias, lagartas. A planta que comeis e a Deus não louvais, amaldiçoadas sejais! Por São Pedro e São Paulo e a todos os santos da corte do céu:Deixai esta planta que é meu alimento, e as folhas do mato virgem serão vosso sustento. “
____ Meu computador está cheio destas orações colhidas no Brasil inteiro.
No meio da conversa, o celular do Mago tocou. Alguém solicitava a sua presença para resolver alguns problemas em uma fazenda local.
Para lá dirigindo, gastamos quase a manhã inteira. As distâncias nesta região são muito grandes. Muitos usam pequenos aviões nos seus deslocamentos.
Mas o Xamã estava de carro novo, lento, porém possante, uma 4 x 4, importada. Ele tem até um fusquinha para estradas de terra...
Chegando ao destino, encontramos uma manada inteira atacada de uma doença esquisita. O gado ficava o tempo todo correndo pelo pasto, como se alguma coisa estive atacando-o, a gente olhava e não via nada...
Foram visto luzes coloridas, em profusão na noite anterior, no local.
Tudo está muito estranho. Uma vaca foi separada do rebanho a pedido do Mágico.
Em seu corpo foram notadas várias perfurações...
Seriam insetos? Abelhas? Maribondos? Ou a “Operação Prato” estaria acontecendo novamente no interior de Goiás? Mas ali não havia, aparentemente, nenhum sinal de minério valioso...
Abadiânia é assim como os mais de 5 mil municípios brasileiros. Aconchegante, muitos pobres, sempre chegando mais gente, sempre saindo gente.
A zona rural tem muito gado e pouca plantação. A soja cresce em algumas fazendas.
Muita gente passa alguns dias nas fazendas e no fim da semana vêm para cidade. Os jovens, sem opções de diversão, ficam vagando pelas ruas, em seus carrões, com som alto, perturbando a população.
Os mais velhos, durante o dia, vão todos para as pracinhas escutar velhas histórias dos amigos.
O nosso Xamã, analisando aquela vaca que fora separada do rebanho chegou a conclusão que algo estaria sugando o sangue daquele animal. Ela estava meio fraca, anêmica e desorientada.
Aplicou-lhe umas rezas especiais, conversou com os “caseiros”, mandou tocar o gado para o pasto e ficar sob observação. Qualquer novidade deveria ser repassada.
Tomamos um café forte e uns biscoitos, oferecido pelo dono da casa e seguimos viagem.
Nosso herói nunca cobra nada de ninguém, mas ele sempre recebe presente que acata de bom grado. Tem um pequeno prédio na cidade, mas diz ser dos parentes. É justamente o local onde está situada a maior pensão das redondezas.
Alguns comércios, uma fazenda e uma grande farmácia também pertence a família do Benzedor.
Pergunto-lhe se já presenciou alguma coisa anormal naquelas planícies sem fim e ele adiantou-me o seguinte:
___ No ano passado fiquei sabendo que aparecia assombração que atirava pedras dentro de casas, na fazenda do Sr. Antônio. Era um casarão bem antigo, com vários cômodos e muitas janelas. Fui até lá, a pedidos, e encontrei com a família do fazendeiro que criava uma filha adotiva de 12 anos. Era de um casal muito pobre que foi embora para outras paragens.
___ Mas o que aconteceu na realidade...
___ O que é realidade: Para mim pode ser uma coisa e para você pode ser outra. E para aquela menina? Onde começaria a realidade e terminaria o seu reino da fantasia? Ela estava ali, simples, bonitinha, magrinha, olhos verdes; a espera de um príncipe encantado que não chegava nunca. Todo fato que atravessava esta sua pretensão, era repudiado com forte energia negativa.
___ E a história das pedras?
___ Calma, vou chegar lá. As pedras caiam sempre que alguém reclamava de alguma coisa... Chovia torrões por tudo em quanto é canto. Coisa mais estranha. Houve até o caso de uma mocinha da cidade que veio passar as férias na fazenda e de repente as calcinhas dela começaram a pegar fogo no velho guarda-roupas. O fogo não apagava quando jogavam água, era pior, aumentava mais .
Aconteceu um fato estranho no dia em que visitei a fazenda: pegou fogo na porta do guarda-roupas, na parte de cima e veio descendo, queimando de dentro para fora. O normal seria o fogo começar na parte de baixo e subir, não é mesmo? Mas neste caso aconteceu justamente o contrário. A gente não conseguia ver a chama, só o calor e tudo virando cinzas.
___ Uai, ninguém chamou o Padre pra benzer a casa?
___ Chamaram e a coisa piorou! A bíblia do Padre pegou fogo e está hoje na sacristia da igreja velha. A energia negativa era tão forte que nem o pai-de-santo conseguiu resolver.
___ Já vi um caso semelhante mas era o tal de aporte. Moedinhas caiam em toda casa, que possuía forro de madeira em todos cômodos, menos na cozinha. Foi no interior de Minas. Todos disseram que era coisa do Capeta; um parapsicólogo resolveu o problema separando o emissor de energia...
___ Foi o que fiz aqui em Goiás. Chamei o fazendeiro e disse para mandar aquela doce menininha, de lindos olhos verdes, estudar na cidade. Os fenômenos acabaram...
___ Pois é, Mestre, existem muitas coisas estranhas neste mundo de Deus!




domingo, 15 de abril de 2007

O COMETA

O COMETA – CAPÍTULO I
Osvandir Vieira Nicolai

Osvandir foi para o Triângulo Mineiro, pensando ver melhor o novo cometa. Pegou a luneta, o binóculo, máquina fotográfica convencional, tripé, guarda-chuva e rumou para bem próximo de Araxá.
No alto da Serra da Canastra, onde o queijo é o melhor de Minas, procurou um bom abrigo e um campo de observação. O melhor lugar que conseguiu foi onde uns rapazes fazem vôos com asa delta e praticam outros esportes radicais, o Horizonte Perdido.
Na parte da manhã ia até Araxá para matar as saudades de quando hospedava-se no Hotel da Previdência, que hoje encontra-se em eterna reforma pelo Governo do Estado.
Ali naquele local passou bons momentos com a família. Lá no pátio do Grande Hotel, construído por Benedito Valadares, na época de Getúlio Vargas, colocava as crianças para brincar nas bicicletas alugadas.
Só uma vez ficou no Grande Hotel, que fica pertinho do Hotel da Previdência, foi num congresso. Osvandir não tinha dinheiro para hospedar-se lá, pois uma diária daria para ficar a semana inteira no outro hotel. As vagas ficavam então para os turistas estrangeiros ou Paulistas.
Passando pelo Mercado Municipal, no centro da cidade, comprou alguns queijos e resolveu retornar para o seu local de observação próximo a BR-262.
No primeiro dia bateu vária fotos ao por do sol. Uma delas chamou a atenção. Um estranho objeto surgiu no canto direito da foto. Osvandir ficou entusiasmado. Pensou:
“valeu a pena, vou mandar pro Márcio e o Fábio”.
Mas sua alegria durou pouco. No outro dia passeando por Araxá, perguntou por Bettinassi e alguém se prontificou a levá-lo até a sua casa. Lá bateu um longo papo com ele sobre ufologia, estudos telúricos e celestes. Pediu para ver os desenhos e pinturas digitais que ele fazia pro Ufovia e o Via Fanzine.
Fábio disse que não trabalhava com isso que ele estava fazendo confusão, era o Fábio Vieira.
Mostrou-lhe a foto que tirara no alto da serra e a decepção foi geral, trata-se de um simples inseto, muito abundantes naquela região.
Osvandir, mais conhecido como OVNI, ficou babando, nunca vira um arquivo assim, não organizado e tanto material de pesquisa.
Leu o original do artigo “Elemento 118:
O que isso tem a ver com nossas vidas? “ Onde Fábio faz um conexão entre a descoberta do Elemento 118 e a Operação Prato e informa que “que materiais superpesados sabidamente existentes na região Norte do Brasil, sobretudo no Estado do Pará, estariam sendo extraídos e pesquisados naqueles finais dos anos de 1970, por potências militares capazes de encenar os mais intrincados truques e estratégias para acobertar, enganar, disfarçar e desinformar, nada mais que a sua própria ganância pelo poder.”


O COMETA – CAPÍTULO II
Osvandir recebeu de brinde vários CDs e DVDs com documentário sobre Óvnis.
Como já estava escurecendo saiu rápido da casa do seu novo amigo e rumou para seu abrigo no alto da Serra da Canastra.
Na primeira noite não conseguiu ver nada, pois o tempo estava nublado, só deu chuva.
Dormir fora de casa para ele era um sacrifício muito grande, sempre acostumado com a sua cama, computador e seu aparelho de DVD. Viu alguns programas de TV que ainda estavam falando do Buraco de São Paulo. Lembrou que lera em alguma revista de curiosidades que existe um túnel que vai do Brasil até Machu Picchu. Outros túneis no Rio de Janeiro, em Pernambuco e vários em Minas Gerais, estes devido à mineração. Até na Serra da Canastra diz existir um secreta entrada de uma caverna.
No outro dia levantou-se animadíssimo, colocou a máquina no pescoço, o binóculo na mão direita, arrumou uma garrafinha de água mineral e partiu para mais uma aventura no cerrado e montanhas.
Encontrou araçás, gabirobas, mamacadelas, bacupari e até as esquecidas ameixas pretas. Muitas árvores com a casca queimada pelos incessantes incêndios da região.
Ouviu o barulho de uma grande cachoeira, mas não quis ir até lá. Pensava só no cometa, como mesmo era o nome dele?
2006 P1 McNaught? Seria esse o nome daquele cometa que o Márcio fala tanto e que deixa um rastos de luz? Acho que era esse mesmo, comentou o Osvandir.
A tarde vinha chegando de mansinho sobre a serra, os grilos cantando, um urutau voando pela noite, corujas se aninhando no toco de pau.Tudo conforme a natureza previra.
Um brilho surgiu no céu, Osvandir sacou sua máquina fotográfica, fez seis fotos seguidas, sem mesmo verificar nada na máquina e na imagem que estava tentando capturar. Foi embora para o abrigo satisfeito, o cometa estava registrado em seu filme.
Na manhã seguinte pegou suas coisas, passou no próximo posto de gasolina abasteceu o carro, esbravejou contra o governo pelo preço do combustível e lá se foi para sua cidade. Desceu a serra até sem perceber de tanta alegria.
A chegar em casa, foi logo enrolando o filme e levou depressa para revelação.
O jovem atendente disse que poderia procurar dentro de uma hora mais ou menos. Osvandir não quis ir para casa, resolveu ficar ali no centro da cidade mesmo. Entrou numa loja viu uma roupas, comprou o jornal, novamente o buraco de São Paulo. Todos comentando sobre o assunto. O horário marcado era 11 horas, mas como demova passar o tempo.
Enfim chegou no local exatamente no horário combinado.
Ao abrir o envelope, trêmulo, com o rosto em brasa, viu a primeira foto, nada pegou apenas algumas árvores do cerrado. A segunda meio desfocada , não deu para saber nada. A terceira e quarta sim estavam nítidas e bem claras: ele fotografara o farol de um caminhão que subia a serra!