Terça-feira, 14 de Julho de 2009

OSVANDIR E O GOLPE DO ACIDENTE


“Não tenha medo de tentar nem se culpe
quando fizer algo que não dê certo.”
(Luiz Gasparetto)


Há uns dez anos aconteceu um fato muito interessante em Belo Horizonte, capital de Minas.

Aqueles ônibus loucos, aquelas obras inacabáveis, carros velhos e novos buzinando a todo momento, motos por todo lado, tudo contribuindo para que cada dia o trânsito ficasse cada vez pior.

Osvandir descia lá do alto da Avenida Afonso Pena, com intenção de pegar a Avenida Amazonas e vir para sua terra, mas antes pode observar um fato muito esquisito.

Viu um homem de meia idade, atravessar uma rua em disparada, não deu tempo do motorista da Kombi parar e o infeliz bateu com o corpo todo na lateral direita do veículo, provocando um grande amasso na lataria.

Até aí tudo bem, mais um acidente naquele conturbado trânsito.
Engano, aquilo gerou um rumoroso processo judicial.

O motorista ficou receoso de que o pedestre solicitasse algum valor de indenização na justiça e antes que isso acontecesse pediu a um advogado que preparasse uma Ação de Indenização por Perdas e Danos, contra o infeliz.

Como a justiça é morosa, gastou alguns meses para o Senhor Jairzinho ser citado para a audiência. Achou muito interessante, pois não devia nada a ninguém. Leu a documentação entregue pelo Oficial de Justiça, mas não entendeu muito bem.

Na petição o Advogado fazia uma série de alegações e munido da perícia concluía que o pobre do pedestre havia atropelado o veículo e requeria danos morais e materiais.

Aquele processo serviu de gozação no Fórum local, mas o fato é que ele seguia os trâmites legais.

No dia da audiência, o MM. Juiz notando a pobreza do indivíduo e a malícia do autor, propôs um acordo: o autor pagaria as custas e o advogado, o réu comprometeria perante todos que não reclamaria qualquer tipo de indenização no futuro.

Ambos satisfeitos, declarou-se encerrado mais um processo na primeira audiência.

Tudo estaria esquecido se não fosse uma conversa que Osvandir ouviu, por acaso, depois da audiência:

__ Você conseguiu sair de mais essa, não é mesmo Jairzinho?
__ É, eu errei o cálculo, a minha velocidade não deu para cair na frente do veículo, aí bati na lateral.
__ Como é mesmo esta história? Perguntou Osvandir.
__ O Jairzinho já vinha planejando este acidente há tempos, com a intenção de pedir indenização. Acontece que ele não foi feliz no golpe...
- informou um amigo.

Osvandir saiu dali sem saber quem era o mais esperto, se o motorista ou o atropelado.

MANOEL AMARAL

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

OSVANDIR E O 'SEO' JOAQUIM


Da Série
PORTUGUÊS

Capítulo I
De como usar: Mal e Mau

“O Lobo Mau foi comer os três porquinhos
e acabou pegando gripe suína.”
Cam(ar)ões, primo Português do Osvandir


Osvandir leu alguns cartazes, e-mails e notícias na internet e ficou indignado.

O povo não está sabendo empregar bem as palavras Mal e Mau.

Fez uma listinha de frases, enviou-me para publicação, pedindo para que contasse uma historinha legal.

“O Lobo Mau comeu a vovozinha, ficou sentindo mal, acabou internado no hospital”.

“Chapeuzinho Vermelho que de boba não tem nada, não acreditou na conversa fiada do Lobo Mau, que é mesmo muito mau e cara de pau, não seguiu a estrada indicada que era um mau caminho.”

“A Branca de Neve, aquela dos 7 anões, entendeu mal as palavras da bruxa e acabou mordendo a maçã envenenada”.

“A Bela Adormecida que dormia há quase cem anos, foi despertada por um belo Príncipe que lutava contra o mal.”

“O Lobo mau queria comer os três porquinhos e ao assoprar a primeira casa, ficou passando mal.”

“O homem mau está sempre de mau humor.” (Billy the Kid)

“Nos filmes, o bem sempre vence o mal.”

“A violência é um mal da atualidade.”

“Quem dorme mal, trabalha mal e acaba mal.”

“Osvandir gosta de bife mal passado.”
“Sua história está mal contada.”
“Ele escreve muito mal.”
Para você leitor, não errar mais ao escrever as suas mal traçadas linhas, pegue a frase e substitua a palavra “mal” por “bem” e a palavra “mau” por “bom”, conforme abaixo:
Gosto de bife ...... passado. (bem ou mal)
Lobo é sempre ..... (bom ou mau)
Ele está passando ..... (bem ou mal)
Se tudo soar bem pode ter certeza que você acertou. Tenha em mente que mau é o oposto de bom e mal oposto de bem. O plural de mau; maus e de mal; males.

Agora se o sentido ficou meio estranho, procure reforço na internet.
Segue listagem de links: http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/830221
http://www.portuguesfacil.net/o-lobo-mau-e-mal-cheiroso-ou-o-uso-de-maumal
http://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?id=713&tp=14

MANOEL AMARAL

Sábado, 4 de Julho de 2009

OSVANDIR E LUZES NO MORRO



Após aquele tiroteio todo e cada um tomando o seu posto, o Professor mandou chamar Osvandir para continuar a conversa sobre as luzes.

De volta para junto do Chefe, passou a ouvir suas histórias:

“Eu já morei lá em baixo, sou filho de classe média alta, estudei até o 2º ano de engenharia. Meus pais preocuparam muito comigo, hoje eles não preocupam mais”. E o Professor contou uma interessante história, a sua história:

“Naquele tempo eu era jovem, cheio de fantasias e aqui no morro imperava um ditadura de dois irmãos: o Zé Baixinho e Branquelo. Eu namorava uma linda garota de 21 anos. Um dia o Branquelo se engraçou com ela e pediu ao Zé Baixinho para me matar. Acontece que o serviço foi terceirizado, arranjaram dois garotos da parte mais baixa do morro. Era mais ou menos 19,00h, tempo chuvoso e frio. Eles roubaram um carro e me colocaram no porta-malas. Andaram uma meia hora e fizeram uma parada. Fiquei apreensivo, abriram as portas, ouvi um barulho de chave no porta-malas. Assim que foi aberto, saí correndo e escondi-me numa moita. Estava muito escuro, eles vieram procurando e dando tiros de revólver. Num dado momento saí em disparada e os dois dando tiros atrás. Encenei uma queda cinematográfica e rolei pela ribanceira. Fui parar perto de um córrego e fiquei lá quietinho, para ver o que acontecia. Um deles falou: __ Está morto! Vamos embora!”

__ Mas você tomou algum tiro?

__ Não, apenas alguns arranhões. Escondi-me por certo tempo, em outro morro. Pintei o cabelo de preto, passei a usar óculos e deixei a barba crescer.

__ Voltou para cá?
__ Fiquei mais de um ano fora. As coisas mudaram por aqui e os dois irmãos foram assassinados por outras quadrilhas. Foi aí que fui chamado para fazer a contabilidade e aplicar as táticas que sabia.
Com o tempo fui tomando conta de tudo, com o consentimento dos colegas. Era o mais habilitado para o cargo.

__ E a namorada?

__ Ela morreu no ano passado, num confronto com a polícia... Mas chega de história triste! Vamos investigar o que são estas luzes que estão aparecendo por aqui. Você tem alguma idéia?

__ Olha, Professor, pode ser muitas coisas: novos equipamentos militares de observação, dirigíveis por controle remoto ou mesmo pequenas bolas, inteligentes, vindas, sabe-se lá de onde, que ficam por aqui espantando o povo. Preferem locais onde existe muita água; que não é o seu caso ou locais onde extraem minérios ou mesmo onde tem geradores de energia.

__ De onde vem essas coisas? Já li sobre ufologia mas tem muito tempo. Hoje imagino que as coisas mudaram.

__ Alguns acham que são do espaço extraterrestre, outros já dizem que são daqui da terra mesmo. O certo é que tem vários nomes: Mãe do Ouro, Sondas, Bolas de Luz ou Periféricos. Prefiro utilizar o termo “Sondas”.

__ Uma destas bolas, ou melhor dizendo; sondas, seguiu meus passos por mais de meia hora.

__ Quando foi isso?

__ No mês passado. Eu ia para o lado onde já teve uma extração de pedras e quando olhei, ela estava atrás de mim, parou e depois me ultrapassou, ficou subindo e descendo, de repente foi embora numa rapidez impressionante, sem fazer qualquer barulho.

__ Vamos ver se conseguimos visitar este local e bater algumas fotos.

Na manhã seguinte, quando tudo parecia tranquilo, umas crianças chamaram o Professor e disseram que as bolas de luz voltaram.

Osvandir seguiu o Professor e conseguiu fotografar alguma coisa no céu. Elas estavam girando uma atrás da outra, uma maior no centro; ao seguirem para o Sul tomaram o formato de um “V”.

Não era pássaro, avião, balão ou qualquer coisa parecida.


MANOEL AMARAL

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

OSVANDIR E LUZES NO MORRO



Dezenove horas no morro, alguns foguetes estourando no céu azul, bem estrelado.

Movimento de carros suspeitos por todos os lados. Polícia só lá embaixo, bem distante do topo.

Osvandir ficou sabendo que por ali estava aparecendo umas luzes estranhas.

Pegou a mochila, sua barraca, equipamentos fotográficos e subiu receoso, aquelas ruelas estreitas e escorregadias.

Dezenove e trinta já estava lá em cima, olhou para baixo, mas que linda visão, que belo horizonte!

Alguns barulhos pareciam de detonação de armas pesadas. Umas mais estrondosas, outras sibilosas.

O vento soprava para o lado leste, uma fina chuva cobria boa parte daquele morro.

Quase ninguém nas ruas, os barracos já estavam com as portas e janelas fechadas.

Osvandir encontrou o seu contato bem no centro da pracinha que existia lá no alto.

Falou baixo:
__ Boa noite.
Ouviu apenas uma voz rouca do outro lado...
__ Boa noite. Quem é?
__ Sou Osvandir, o ufólogo que veio investigar a luzes coloridas.
__ Hãã! Vou levá-lo até ao Professor...

Seguiram os dois, cada um meio desconfiado do outro. Osvandir pediu que o parceiro o ajudasse a levar as suas coisas, que já estavam ficando pesadas.

Quem seria esse tal de Professor? Mistério!

Andaram apenas um quarteirão e chegaram ao local determinado. O ponto mais alto do morro. Janelões de vidros a prova de bala. Cômodos grandes, cheios de caixas e outros utensílios.

Um jovem louro, de óculos, magro, roupas de grife, tênis caro e um sorriso nos lábios, foi apresentado ao Osvandir.

__ Muito prazer, sou Francisco.
__ Igualmente, Osvandir. Vim fazer as pesquisas que solicitei ao Chefe, por telefone.
__ O Chefe aqui sou eu... Pode pesquisar o que quiser, em se tratando de ufologia, tem todo o meu apoio.

Era o famoso Professor. Ele estava ali sozinho, lidando com muitos papéis e pastas. Um livro estava no canto da mesa, sinal que gostava de ler nas horas vagas. As canetas e lápis bem apontados, estavam dentro de um suporte de plástico de cor azul.

No canto, alguns tambores de metal, de cem litros, tinham estampados nos rótulos nomes de produtos químicos.

Osvandir sacou de sua caderneta e começou a anotar tudo que se passava em seu redor. Perguntou ao Professor como eram as luzes estranhas que estavam aparecendo por ali.

__ Olha, amigo, aqui tem luzes de todos os tipos como você já pode notar. Muitas são nossas conhecidas: de foguetes, de explosões de bombas e outras tais. Mas de uns tempos para cá vem aparecendo umas bolas grandes, de cor azul, subindo e descendo aqui no alto. Ficamos pensando que poderia ser novas maneiras de observação da polícia, mas aí elas começaram a aparecer até de dia. Constatamos então que se tratava de outros tipos de luzes muito estranhas e desconhecidas.

__ Quais os horários que elas aparecem mais? E que formato tem?
__ Elas aparecem durante o dia, por volta de 14,00h e depois das 22,00h, exatamente quando não tem mais barulho em nossa comunidade. As cores e tamanhos são diversos, algumas vermelhas, outras azuis. Muito fortes, parece que por trás delas existe algo que não conseguimos detectar até agora.

Osvandir quis saber se faziam barulho e como se moviam. O Professor disse que o movimento era lento e não faziam barulho algum. __ Algumas se desdobram transformando-se em outras e quando tem muitas juntas elas se unem formando uma só...

Tudo ia bem, até que uma rajada de metralhadora lá em baixo, anunciou a chegada de alguns colegas.

Muita gente entrando e saindo, cada um falando mais alto que o outro.
Professor pediu silêncio e todo barulho acabou num instante, que dava para ouvir os grilos lá fora.

__ Osvandir, acho melhor você ir descansar e amanhã a gente continua nossa conversa.
__ Tudo bem Professor, onde posso armar minha barraca?
__ Você não precisa armar barraca, pode ficar em minha casa...

No meio daqueles barulhos todos, Osvandir não conseguiu dormir nem um pouco. Ficou vendo filmes até as três da madrugada, depois deu uns cochilos.

Amanheceu, um sol forte bateu na janela do quarto onde dormia. Olhou o relógio, eram 7,00h.

O Núcleo está sendo atacado! Fogo cruzado, balas perdidas, bombas esplodidas... Um fogaréu no morro...

MANOEL AMARAL

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

OSVANDIR E O METEORITO

BOLA DE FOGO NO CÉU

Foi só um pesadelo... que passou... que não volta mais...
enviei ele para infinito e trouxe para mim de volta...
o brilho das estrelas... o sonho da lua... o calor do sol...
(*)

Osvandir ouvia de seu tio, o relato da queda de um meteorito há muito tempo, na região central de Minas Gerais, próximo de Martinho Campos - MG.

Disse que o povo ficou muito assustado, parecia uma bola de fogo que caía do céu.

Cidades como Lagoa Dourada, Contagem, Belo Horizonte, Arcos, Araújos, São Gonçalo do Pará, Luz, Dores do Indaiá, Pitangui, Sete Lagoas, Pedro Leopoldo, Paraopeba e Martinho Campos deram notícia de tal fato.

De São Gonçalo muitas pessoas avistaram um grande “Z” no espaço e logo após um estrondo muito forte.

Anos depois o povo ficou sabendo que aquele clarão e estrondo fora provocado por um meteorito que recebera o nome de Ibitira.

Ele havia caído exatamente em 30 de junho de 1957, as 5:00 horas naquele local.

“Era um meteorito de cerca de 2,5 kg com uma camada exterior preto brilhante típica de alguns tipos de acondritos, embora a estrutura interna vesicular diferia de todos os meteoritos conhecidos até então.
O Ibitira é um meteorito único de extrema raridade. Quarenta anos após sua queda, foi vendido por uma pequena fortuna, pelo Centro de Estudos Astronômicos César Lattes .”

Osvandir acabou de ouvir do tio aquela interessante história quando ligou a TV, uma notícia em especial chamou-lhe a atenção:

Bola de fogo assusta população de Rondônia


A reportagem falava de uma bola de fogo que caira numa noite de quarta feira, às 19h, dia 10 de junho deste ano, avistada por moradores e indígenas do distrito de Surpresa, na Rondônia.

Osvandir preparou as malas, seguiu para Brasília e depois tomou rumo da região tendo como direção principal a Capital de Rondônia.

A duração do vôo entre Brasília e Porto Velho (2.589 Km ) é de aproximadamente 3 horas.

Descendo no aeroporto internacional de Porto Velho, seguiu de barco para o município de Guajará-Mirim que dista da capital cerca de 329 Km.

Colheu depoimento de alguns cidadãos em Guajará que indicavam a direção que o bólido tomou naquela noite. Uns diziam que viram uma “bola de fogo com cauda”. Outros ouviram um estrondo.

A população não estava nada satisfeita com uma reportagem do SBT e o site da Prefeitura até publicou uma nota: “A Prefeitura Municipal de Guajará-Mirim manifesta veementemente seu repúdio com relação à série de reportagens veiculadas pelo SBT e disponibilizadas amplamente nos portais de internet. Nem todas as informações apresentadas condizem com a realidade, já que Guajará-Mirim não está em total abandono, nem tampouco tem metade de sua população vivendo na miséria.”

A cidade enfrenta vários problemas de fronteira, como outras da região, mas recebe bem os turistas.

Para chegar, com muita dificuldade, até o distrito de Surpresa, na vasta região de Sagarana, Osvandir teve que utilizar vários meios. Região alagada, de difícil acesso, ainda com floresta muito densa.

O local da possível queda do meteorito só seria alcançado por um helicóptero ou pelas águas.

Contratou um experiente guia e seguiu floresta afora. Muitos quilômetros a pé, outros tantos de barco.

Encontraram uma tribo indígena que deu algumas informações mais próximas da realidade.

À noite, no acampamento, céu estrelado, de repente um clarão. Seria a mãe-do-ouro? Seria um novo meteorito? Osvandir e seus companheiros não ficaram sabendo.

Ouviram muitas histórias fantásticas e de muitas luzes na floresta e nas águas.

Na manhã seguinte pesquisaram vários locais, alguns até surpreendentes. Nada de rastro do meteorito.

Mediantes tantas informações contraditórias, voltou para Guajará-Mirim, com as anotações.

O que Osvandir pode constatar foi que este País é muito grande e descobrir uma pequena pedra, no Estado de Rondônia, em Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia, seria uma coisa praticamente impossível.

MANOEL AMARAL

Para saber mais:
http://br.geocities.com/sady_mac/frases.htm (*)
www.viafanzine.jor.br/ufovia

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

OSVANDIR E OUTRAS HISTÓRIAS III

ALAMBIQUE

"Se cachaça fosse boa,
não precisava de tira-gosto!"
David Blaser



No Fumal, o pai abandonou o algodão e passou a cuidar apenas da cana. Fabricava rapadura e cachaça. A marca da pinga era "Palmeira", muito conhecida na região pelo esmero na fabricação, sem nenhum produto químico, apenas fubá de milho e garapa.

A fama da "água-que-passrinho-não-bebe" atravessou fronteiras e de Itaúna, Pará de Minas, Pitangui e Divinóplois apareciam gente interessados em comercializar a maldita da pinga, a "puríssima". E a Palmeiria fez muita gente visitar nossa fazenda. Até alunos da quarta-série do Grupo Escolar Benedito Valadares estiveram por lá para conhecer como fabricavam a "branquinha".

Fiquei até um pouco envergonhado por ver tantas meninas bonitas, com o vistoso uniforme de saia azul e blusa branca. O Joaquim era quem alambicava a "cheirosa", portanto foi explicando para todos os principais processos pelos quais passavam desde o corte da cana madura, o carro-de-boi, o engenho, os cochos, o alambique, a serpentina e finalmente a "abrideira", saía geladinha direto para os barris ou tonéis de madeira.

As crianças aproveitavam para tomar uma deliciosa garapa, comer melado ou rapadura (pac-pac). Outros preferiam chupar mexerica ou laranja. O certo é que todos se divertiam. Os professores apreensivos de que alguns pudesse machucar-se, tomavam a "branquinha" para disfarçar.

Acabou acontecendo mesmo! Uma menina mais assanhada que as outras resolveu subir no monte de lenha que servia a caldeira do engenho e acabou engarranchada no meio das toras de madeira. Outro menos avisado subiu num monte de casca de arroz no quintal, nem percebendo que ele estava em "combustão interna", queimava por dentro. O menino acabou queimando o pé esquerdo, dando uma trabalheira danada para os professores.

A caixa de primeiros socorros foi usada e vários alunos receberam esparadrapos nas mãos e pés.

Um professor tirou do bolso uma lista dos nomes mais conhecidos da pinga:
"Água ardente, abrideira, água-que-passarinho-não-bebe, águas-de-setembro, aninha, azougue, azuladinha, azulzinha, bagaceira, baronesa, bicha (no bom sentido), bico, boa, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brosa, brozinha, cambraia, corta bainha, cândida, cachaça, caiana, cana, caninha, canguara, canha, canjica, canjibrina, catuta, caxaramba, caxiri, cobreira, corta baínha, cotréia, cumbu, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, mdesmacha-samba, dindinha, dona branca, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-do-senhor-de-engenho, fruta, girgolina, gramática, grampo, homeopatia, imaculada, já-começa, januária, jesebita, jimjibirra, joça, junça, jura, legume, limpa, linha branca, lisa, maçangana, mandinga, manhosa, mãe de Luanda, mamãe-sacode, mandureba, monjprina, marafo, maçã-branca, montuava, morrão, morretiana, óleo, orantanje, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, porongo, prego, pura, purinha, puríssima, Roma, remédio, restilo, retrós, roxo-forte, samba, sete virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, simba, sumo-de-cana, suor-de-alambique, supura, tafiá, teimosa, terebentina, tinguaciba, tiquira, tiúba, tome-juízo, uca, xinapre, zuinga".

O nosso professor copiou os sinônimos do Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, organizado por Hildebrando de Lima e Augusto Barroso em 9a. edição de 1951, Editora Civilização Brasileira.

MANOEL AMARAL

Fonte: 1 - Joaquim Ferreira do Amaral
2 – José Ferreira do Amaral

Domingo, 31 de Maio de 2009

OSVANDIR E OUTRAS HISTÓRIAS II

TRIÂNGULO AMOROSO

“Do meu amor brincalhão bobalhão
Que me disse adeus e foi embora”...
Sandra Mello-Flor


Todos o conheciam por causa de sua peculiaridade: era analfabeto e fingia que lia jornal, de cabeça para baixo!

Vivia na Fazenda dos Maias quando Tianinha era viva. Ajudava nas lidas da roça. Uma capina, uma roçada, destocar terra de arroz, arrancar feijão, cortar cana, levar e buscar bois no pasto; era com ele mesmo.

Apesar da sua aparência de bobalhão, ele sabia fazer as coisas direitinho.
Como apareceu por estas bandas não sabemos, o certo é que ele poderia ser mais um desses filhos abandonados por aí.

Contam-se que de certa feita um de seus patrões lhe arranjou uma bela namorada, moça fina, cheia da grana e prepararam até o casamento, mesmo sem noivado. Tudo documentado, de papel passado.

Prepararam a festança, mataram vacas, porcos, para churrasco, prepararam os salgadinhos e as bebidas. Não faltaram os docinhos. Até convite mandaram imprimir, tudo nos conformes.

João se enrolou todo como nó da gravata, abotoou a camisa até o pescoço, quando olhou estava errado. Passou a escova no paletó de casimira azul marinho para tirar o pó que era pouco, pois o terno era novo.

Pegou o cavalo e seguiu para igreja matriz, no caminho via flor em toda parte, era o amor que havia batido forte em seu coração.

Ao aproximar-se da praça, o cavalo começou a empacar, pois acostumado não estava com tanta gente. Até no barranco próximo da casa do Sr. José Amaral tinha gente. Do lado da casa da D. Vina o povo também estava aglomerado.

Teobaldo, que por coincidência significa INOCENTE LAVRADOR, veio de mansinho, após apeiar-se do cavalo, passando as rédeas para alguém acomodar o animal lá na rua do cemitério, próximo do córrego do Pinto.

Ao aproximar-se da porta central viu a beleza de sua noiva que ali já estava pois viera de carro.
João cochilou, suou, piscou o olho direito (tinha uma cacoete) e esperou o demorado final do casório.

Naquele tempo não tinha nada de beijar a noiva ao final do casamento, ela apenas segurava o braço do noivo e nada mais.

Recebeu cumprimentos na porta igreja, como em todos casamentos. Quando o povo terminou de abraçar o casal, apareceu um senhor muito bem arrumado, desceu do carro, cumprimentou o noivo, abraçou a noiva e levou-a para o seu carro.

Todos pensaram: "O casal vai para a Fazenda de carro".

Qual não foi a surpresa de todos pois isto não aconteceu. João não foi convidado para entrar no carro.

O carro, a mulher e o distinto Senhor sumiram da cidade. Foi aí que todos descobriram que João Teobaldo foi apenas uma peça de um triângulo amoroso!

Fonte: Livro: História de São Gonçalo do Pará

MANOEL AMARAL



O CAPETA



O capeta, o Demo, Demônio, Chifrudo, Gênio do Mal, Espírito das Trevas, Satanás, assim era chamado.

Os meninos morriam de medo quando as mães diziam:
_ Vou te entregar pro Beiçudo, não aguento mais suas traquinagens.

Não só as crianças, mas na década de 40 e 50 até os adultos sentiam um friozinho ao lembrar-se do Belzebu, do Lúcifer, do Gênio das Trevas, ou Anjo mau.

O Anjo Rebelde, Bruxo do Inferno, Cão-Tinhoso, Pé-de-pato, Rabudo, Sarnento, eram os nomes que as famílias bem conheceriam e usavam comumente no linguajar diário.

Ao pronunciar qualquer um desses nomes todos tremiam e as histórias eram as mais terríveis.
Tinha uma em que o Anjo Decaído era bonito e chegou até a tirar uma moça para dançar, num baile na zona rural, queria namorá-la e casar-se, está no cancioneiro popular.

Tempo ruim era associado ao Maligno, até peste de aves ou animais era coisa do Coisa Ruim.
O Tinhoso estava presente em tudo, até nas festas religiosas

Fonte: Livro: História de São Gonçalo do Pará

MANOEL AMARAL

troca de banners link e divulgação de sites site gratis Bolsa de Valores Bovespa Ibovespa